capítulo 19

_Emilly_

Depois daquele dia eu voltei a ser quem eu era! Na verdade eu nunca deveria ter saído desse meu estado obscuro, luz não combina com trevas e eu aprendi isso da maneira mais dolorosa possível.

Carol- O que vamos fazer agora?

Emilly- O Eduardo arrumou um lugar para eu treiná-la. Será uma espécie de academia militar, lá você aprenderá tiro ao alvo, luta, estratégias, como lutar com inteligência e aprenderá a matar também.

De repente ela ficou pálida me olhando com pavor.

Emilly- Perguntarei só mais essa vez Carol e espero que me responda com sinceridade... Você quer mesmo se tornar uma Barbieri Vizzini? Ser chefe da maior máfia da América latina é uma responsabilidade enorme e eu não sei se você está apta para isso.

Carol- Eu... Eu não sei... No início eu queria tanto aprender a me defender que acabei aceitando sem pensar, mas agora eu só quero viver, eu não quero matar ninguém mais sei que uma hora ou outra eu vou ter que matar.

Falou ela com com uma expressão de medo no olhar.

Emilly- Vamos fazer o seguinte: eu treinarei você por longos 6 meses e depois você me responderá o que eu quero saber, se você vai se tornar uma capo ou não. Tudo bem assim?

Carol- Pode ser.

Respondeu ela me olhando com firmeza e ao mesmo tempo aliviada.

Emilly- Bom, então por enquanto não vou lhe ensinar a matar. Só ensinarei coisas básicas para a sobrevivência...

Carol soltou o ar que estava prendendo e me lançou um sorriso lindo.

Roçei a garganta e falei:

Emilly- Vá se trocar para irmos até um lugar, amanhã irei comprar uma fazenda nos arredores, mas hoje quero ver se valerá a pena comprá-la.

Carol- Tudo bem...

Depois de amanhã farei o treinamento dela na fazenda, não confio nessa cidadezinha fofoqueira. Não demorou muito e ela chegou com um chapéu na cabeça...

Andamos lado a lado até a caminhonete e depois arranquei com tudo indo em direção a fazenda. Era bem próxima da fazenda de meu pai, eu quis assim para poder me vingar das duas cobras que me fizeram tanto mal! Se acharam que eu iria desistir estão muito enganados, agora mais que nunca irei matá-las com a minha própria mão. Foda-se se são o meu sangue, alguém que tratava a filha como uma espécie de doença contagiante não merece viver. Irei arrancar as raízes que me prendem a esse lugar com tudo!

Chegando na porteira da fazenda, um homem veio ao meu encontro, ele parecia um fazendeiro da região.

- Você é a moça que irá comprar a fazenda?

Emilly- Sou eu mesmo!

Vejo a expressão do homem mudar para uma de tristeza, mas logo ele trata de disfarçar e diz:

- O patrão está esperando a senhora no escritório dele.

Emilly- Abra a porteira.

- Sim senhora.

Assim que ele abriu eu já pude ver a vasta vegetação ao redor. Era bem grande, na verdade uma das maiores fazendas da região, mas o homem frouxo estava vendendo ela por medo de fantasmas. Vê se pode?

Carol colocou a cabeça para fora da janela e eu pude ver o seu sorriso largo de felicidade, acabei me pegando sorrindo também, mas logo tratei de fechar a cara. Chegando na frente da casa eu pude ver a enorme mansão que era e o quanto aquele homem era um bocó por estar vendendo uma fazenda de 10570 Hectares por preço de banana.

A mansão:

Retirei o meu óculos escuro e observei o homem de meia idade vindo com um sorriso amarelo e com a sua bengala.

- Bom dia! Senhorita Emilly?

Emilly- Isso mesmo.

- muito prazer, me chamo Francisco Ferreira.

Emilly- Muito prazer seu Francisco.

Francisco- E essa mocinha?

Emilly- Minha irmã, o nome dela é Carol.

Carol- Muito prazer seu Francisco.

Francisco- Pelo visto a minha propriedade estará em boas mãos. Por favor entrem...

Seguimos o senhor subindo as escadarias enquanto olhava a grama e tudo ao redor, era bem acolhedor e tinha um ar de lar, algo que eu nunca soube o que era.

Continuamos caminhando até chegar na sala, era bem espaçosa...

Francisco- Irei mandar o meu capataz Luiz Henrique acompanhá-las se não for encômodo. É que eu já estou cansado, sabe como é né? Pessoas como eu já não têm tanta energia como antes.

Falou ele com um sorriso simpático.

Emilly- Não será um problema.

Francisco- Então obrigada senhorita!

O tal do Luiz Henrique era muito bonito mas era sério assim como eu.

Luiz- Por aqui, por favor...

Seguimos ele e vimos quase toda a mansão, desde a cozinha, os quartos, as áreas de lazer e etc...

Tudo era confortável e aconchegante.

Assim que chegamos na sala de estar eu encontrei o velho conversando com o homem que estava na porteira.

Emilly- Atrapalho?

Francisco- Não senhorita, estamos conversando a respeito dos trabalhadores daqui. Muitos querem continuar com seus empregos, mas estou explicando que isso dependerá do novo dono...

Emilly- Vou dar mais uma volta na propriedade e depois conversamos sobre isso.

Francisco- Tudo bem, de toda forma ainda nem foi decidido, então vá trabalhar Agenor que qualquer coisa eu aviso a vocês.

Agenor- Tudo bem patrão.

Assim que ele saiu eu perguntei:

Emilly- Você tem certeza que quer vender a sua fazenda por esse preço?

O homem pareceu pensar e depois respondeu:

Francisco- Depois que minha mulher e meus filhos faleceram num incêndio eu não tive mais um dia de paz nessa casa. De noite eu escuto sussurros e algo arranhando as paredes, de dia eu escuto coisas sendo quebradas e um cheiro enorme de enxofre. Estou sendo sincero com você moça, eu não recomendo nada disso aqui, mas depende de você!

Dei um pequeno sorriso para ele e depois falei calma enquanto olhava para as janelas:

Emilly- Eu sou cética a tudo o que envolve o sobrenatural.

Francisco- Não acredita nem em Deus?

Olhei para a lareira e depois falei sentindo aquela mesma sensação de quando eu estava no campo de concentração:

Emilly- Não acredito mais... Mesmo se existir, ele não vai me querer!

Francisco- É uma pena. Eu só sobrevivi a ausência da minha família por estar apegado a Deus...

Emilly- Eu acreditando ou não, não faz a menor diferença. Nada mudará o passado, o presente ou o futuro...

Ele me olhou como se eu fosse um enigma e depois disse:

Francisco- Vejo em você uma mágoa muito grande, tente não deixar isso te sufocar.

Olhei para ele curiosa, mas logo o clima tenso é quebrado pela Carol chegando com um monte de livros nas mãos, ela havia ficado na biblioteca gritando completamente eufórica.

Carol- Isso é incrível!

Emilly- Isso não é nosso, devolva para o mesmo lugar.

Carol- Mas eu só queria ler um pouco aqui mesmo.

Francisco- Pode ler a vontade menina, não se preocupe, senhorita, esses livros são muita das coisas que eu quero me livrar dessa casa.

Carol olhou para ele confusa, mas logo se concentrou num dos livros sorrindo eufórica...

Emilly- Você vai ficar lendo aqui ou vai me acompanhar na olhada da propriedade?

Carol- Pode ir, eu já cansei de mato!

Fuzilei ela com o olhar enquanto o tal Francisco sorria das gracinhas dela...

Balancei a cabeça em negatividade e depois segui para a caminhonete junto com o capataz.

Luiz- É a primeira vez da senhora numa fazenda?

Olhei para ele e depois falei enquanto colocava os meus óculos escuros:

Emilly- Não. Eu cuidei de uma fazenda de meu pai adotivo, mas assim que ele morreu eu tive que vender e me concentrar nos negócios da família.

Falei me lembrando dos meus dias ensolarados cavalgando por vários lugares.

Luiz- Nossa... Por essa eu não esperava. As aparências enganam mesmo!

Apenas confirmei enquanto colocava as minhas músicas clássicas no som do carro. O capataz me olhou divertido mas não falou nada...

Depois de um tempo eu parei a caminhonete perto da cerca onde eles colocam o gado.

Luiz- Se não for perguntar demais, se comprar a fazenda, pretende comprar gado também?

Perguntou ele me olhando estranho.

Emilly- Se o seu Francisco quiser me vender o gado dele eu não me importarei em comprar, é claro que só depois de conferir todos.

Luiz- Falou como uma verdadeira fazendeira.

Emilly- Isso é porque eu já fui. Eu já morei no Texas um tempo, lá eu comprei gado e aluguei pastos... Já participei de rodeio também.

Ele me olhou em choque e depois perguntou:

Luiz- Isso é sério?

Confirmei com a cabeça e depois entrei dentro do pasto por debaixo da cerca.

Luiz- Senhora espera! É perigoso.

Falou ele passando por debaixo da cerca também.

Emilly- Humanos são mais perigosos, acredite em mim.

Segui o caminho até achar um boi Nelore muito bonito...

Emilly- Esse é de raça.

Luiz- É o preferido do seu Frederico.

Emilly- Será que ele me vende?

Luiz- Acho que sim, se ele vender a fazenda não tem como ele querer ficar com o boi.

Assenti percebendo que fazia sentido e depois coloquei a minha mão na cabeça dele... Era um boi valente, percebi isso assim que cruzei a cerca, mas um valente reconhece o outro e ao invés de ficar arisco o boi simplicidade aceitou o meu carinho nada carinhoso.

Luiz- Como fez isso? Esse boi é o cão!

Emilly- Não faço ideia.

Falei dando de ombros.

Assim que saímos eu pude explorar cada canto dessa fazenda, os pastos, as lavouras, o celeiro, as baias dos cavalos, entre outros...

Também conheci muitos funcionários da fazenda e por sorte ninguém me tratou com hostilidade, não quero ter que demitir ninguém se eu for comprar.

Assim que chegamos na mansão percebi que a Carol estava do mesmo jeito que eu deixei enquanto o seu Francisco conversava com um homem, ele parecia bem humorado ao falar com o homem que eu ainda não havia visto o rosto, porém algo nele é extremamente familiar.

Assim que ele se virou eu tive certeza.

Eduardo/ Consigliere- Quanto tempo minha capo!

Falou ele fazendo uma reverência em diversão.

Emilly- Você não me disse que só viria semana que vem?

Eduardo- Nossa doeu. Pensei que estaria com saudades do seu funcionário preferido...

Olhei para ele com ar de diversão e depois fizemos um toque com as mãos.

Francisco- Pelo visto eu não vou precisar apresentar vocês.

Emilly- Conhece esse cabeção desde quando seu Francisco?

Francisco- Desde que ele tentou paparicar a minha neta lá na Itália.

Olhei para ele em reprovação e falei:

Emilly- Você não muda mesmo, né? Podia ter capado ele seu Francisco, eu deixaria.

Eduardo me olhou assustado e depois se afastou um pouco, ele sabe que eu raramente blefo.

Francisco- Eu até pensei nisso, mas ao ver os olhinhos brilhando da minha neta eu não pude dizer não.

De repente ambos ficam com um ar de tristeza.

Emilly- Ela também-

- Morreu!

Falou uma mulher estranha entrando dentro da casa.

- Já vendeu a fazenda vô?

Francisco- Ainda estamos conversando sobre isso. Vá esperar lá no carro!

- Acontece que eu cansei de esperar.

Ela me olhou de cima a baixo estranho e depois falou:

- Você é a compradora?

Confirmei com a cabeça não dando muita atenção e depois ela falou:

- Não acho que fazenda seja lugar para mulher, eu mesma vivo querendo me livrar dessa bosta já faz tempo.

Francisco- AMANDA!

Então o nome da coisa irritante é Amanda...

Amanda- O que foi? Eu só falei a verdade.

Emilly- Vejo que sinceridade é algo de família, seu avô também me falou sobre fantasmas.

Falei achando graça daquilo.

Amanda- Ah, isso aí é realmente verdade. Tem vezes que eu ouço vozes vinda da pia do toalete.

Emilly- Pode ser algo na encanação.

Amanda- Ou pode ser espíritos.

Emilly- Fico com a primeira opção mesmo.

Ela gargalhou um pouco e depois falou:

Amanda- Você é cética né?

meu silêncio foi como uma confirmação para ela.

Amanda- Quase não vejo gente cética nessa cidade, é interessante...

Emilly- Não acho interessante. Eu só não acredito no que a maioria acredita!

Amanda- Quero ver permanecer cética depois do que ver nessa casa.

Sorri um pouco e depois falei:

Emilly- As vezes a imaginação humana nos prega peças.

Ela deu de ombros e depois perguntou:

Amanda- Vai ficar com a fazenda?

Perguntou ela séria.

Olhei mais uma vez ao redor e depois falei:

Emilly- Vou sim.

Carol que estava concentrada no seu livro saltou do sofá e deu um grito de felicidade, dei um olhar duro para ela e logo ela pediu desculpas.

Eduardo- Não deveria ser tão dura com a garota.

Emilly- Cuida da sua vida.

A mulher não parava de comer o meu Consigliere com os olhos, mas sei que o tipo loiro siliconado não é o tipo dele então eu apenas ri da cara dele.

Amanda- Finalmente vamos nos livrar dessa jossa!

Falou ela se virando e colocando o seu óculos escuro.

Assim que eu assinei tudo, finalmente pude descansar. Como eu havia trazido todas as minhas coisas, eu não precisava me preocupar em mudança...

Emilly- Lar doce lar...

Olhei para o meu Consigliere e falei:

Emilly- Você não vai ficar aqui! tem que resolver os negócios na cidade.

Eduardo- Vou hoje mesmo chefinha.

Falou ele acenando com divertimento e saindo logo em seguida.

Esses dias estão sendo cansativos demais.

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Curtem e comentem...

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Continua...

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Comments

Lucia Machado

Lucia Machado

espero que poste logo novos capítulos /Smile//Applaud/

2024-06-22

1

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