_Emilly_
Depois de muitas horas cansativas e mal dormidas nós finalmente chegamos ao nosso destino. Bom, quase chegamos já que eu teria que ficar na cidade comprando algumas coisas como: roupas, produtos de higiene pessoal, um carro e também estudar a área em que eu estou entrando.
A cidade era aquela típica cidade do interior, há muito tempo eu já não me lembrava mais de como era aqui. É como se eu tivesse apagado todo o tipo de memória que eu tinha desse lugar, por isso nunca senti necessidade de voltar para me vingar e também nunca quis reencontrar ele o meu grande e único amor que eu já tive! Hoje ele deve estar casado e talvez nem lembre mais de mim, porém eu me lembro de tudo. Do nosso beijo na chuva e da nossa promessa, promessa essa que eu nunca poderei cumprir...
Cheguei na cidade já a noite então não tinha muito movimento, mas o pouco que tinha não parava de me encarar. Cheguei no hotel e fiz a nossa hospedagem, como já estávamos um pouco longe demais para sermos achadas, eu achei melhor cada uma ter um quarto para termos mais privacidade.
O quarto era simples, mas eu não ligava para isso, fui até o banheiro e tomei um banho relaxante tirando toda a canseira, porém ainda continuo exausta. Escovei os dentes e vesti uma camisola de cetim, peguei a minha desert e coloquei debaixo do travesseiro e assim que peguei no sono eu não vi mais nada...
(...)
No outro dia eu acordei e coloquei uma roupa que eu normalmente uso e a última que eu tinha. Já que o Eduardo não pegou muitas roupas assim como eu pedi...
Depois de já estar vestida eu fui até o quarto da Carol e bati umas três vezes, não demorou muito e ela apareceu vestindo uma calça jeans preta, uma bota de couro preta de cano curto com salto fino e uma blusa de alça branca de sobretudo ela usava uma jaqueta jeans azul. Ela é uma menina simples mas também de uma beleza encantadora!
Emilly- Vamos?
Carol- Por onde começamos?
Emilly- Vamos primeiro comprar umas coisas e depois iremos interrogar os moradores daqui para saber mais da minha própria história.
Carol- O que aconteceu com a senhora?
Emilly- Por favor não me chame de senhora aqui.
Carol- ah, eu quase esqueci Emilly.
Emilly- Bem melhor...
Falei piscando e ela sorriu.
* Talvez essa viagem não seja tão ruim...*
Emilly- Bom, resumindo, a minha mãe me abandonou quando eu tinha 10 anos e eu fui acolhida pela minha tia que morreu num incêndio criminoso quando eu tinha 11 anos. Porém, antes de eu ser abandonada eu era humilhada de todas as formas, a minha mãe fazia mal tratos comigo e quando eu ia falar com o meu pai sobre isso ela me ameaçava...
Carol- Nossa que horrível!! Mais a senhora- digo, mas você não parece o tipo de mulher que abaixa a cabeça para ninguém.
Olhei pensativa para o nada e depois falei:
Emilly- Eu me tornei assim depois de tudo isso e mais um bocado de coisas. Vou aproveitar e tirar essa história a limpo.
Carol- Eu vou te ajudar no que for preciso.
Dei um meio sorriso para ela e falei:
Emilly- Primeiro vamos ter que abastecer o nosso estômago por que se não iremos desmaiar na segunda loja em que entrarmos.
Carol- Haha verdade...
E assim foi, fomos para uma lanchonete próxima e assim que o sino tocou anunciando a nossa entrada todos que estavam lá nos olharam de boca aberta, um até deixou o seu pão de queijo cair na xícara de café.
Sorri internamente daquilo. Isso já virou rotineiro para mim até mesmo nos eventos sociais, muitos dizem que eu sou o próximo diamante negro! Uma beleza de outro mundo, digamos assim. Só que eu não sou a única aqui, Carol também é uma menina muito linda e recatada, ela exala ingenuidade mesmo tendo passado por tudo o que passou! Eu ainda não consigo compreendê-la.
Chegando no balcão o atendente também ficou vidrado.
Estalei os dedos umas duas vezes chamando a sua atenção até que ele caiu na terra novamente...
- ah, é... Desculpa é que eu nunca vi as senhoritas aqui.
Emilly- Somos novas e estamos em busca de informações.
- Eu sei tudo sobre essa cidade, perguntou ao homem certo!
Falou ele fazendo uma pose com o avental. Carol sorriu com divertimento, mas eu apenas continuei o encarando até ele cair na real e perguntar o que eu queria saber enquanto coava um café...
Emilly- Angel Navarro Lima.
Ele se queimou na mesma hora enquanto os outros curiosos que estavam olhando ficaram em choque com o que eu perguntei.
- Garotinha, ninguém mais se atreve a falar o nome de Angel nesse lugar.
Falou uma velhinha que estava ao meu lado.
Emilly- Posso saber porque?
- Bom... Você não vai querer saber...
Emilly- Vamos Carol!
Carol- Mas não vamos comer mais?
Emilly- Em outro lugar.
- Moça espera!
Falou um outro homem que estava sentado em uma mesa próxima. Olhei para ele com uma sobrancelha arqueada e perguntei o que ele queria...
- Eu posso te dizer tudo o que quiser sobre a menina Angel, mas em troca eu quero dinheiro para comer.
Olhei para as suas roupas e percebi que estavam gastas e rasgadas.
* Então é um morador de rua...*
Me sentei na mesa dele e fiz um gesto para ele continuar. Ao meu redor eu só escutava cochichos...
Carol sentou-se ao meu lado enquanto as minhas mãos ocupavam metade da metade, uma apoiada na outra em um gesto dominante.
Ele ficou meio nervoso com a minha postura confiante, mas continuou mesmo assim.
- A menina Angel foi levada pela mãe para a Itália e depois descobrimos que ela estava morta por causa de um incêndio. Os pais dela são os segundos fazendeiros mais ricos da região, o seu Marcos quis se divorciar da esposa quando descobriu que a menina dele havia sido levada, mais de alguma forma ela conseguiu escapar do divórcio e desde então ela vem colocando terror nos moradores com medo de que o boato se espalhe ainda mais. Todos pensam que ela foi a causadora da morte da própria filha e irmã, mas ninguém tem certeza de nada e muitos têm medo de serem alvos da família Navarro... A irmã da menina Angel já foi casada com o filho do prefeito da cidade e tem um filho de 6 anos que é o cão! O menino é a peste! Ela se divorciou ano passado do filho do prefeito quando descobriu que estava levando gaia da secretária dele e desde então ela tem humilhado a pobre constantemente. Ultimamente ela vem dando em cima do seu Henrique que é braço direito de um homem que põe terror aqui na cidade, só que a mulherada adora ele! Eu não irei falar o nome dele pois tenho medo.
Nossa! Esse homem parece um tagarela.
É muito para a minha bateria social, preciso recapitular um pouco.
Emilly- Espera um pouco, deixa eu raciocinar aqui...
Falei franzindo a sombrancelha.
- Ah, sim, desculpa é que eu quero comer logo.
Escutei a sua barriga roncar e entendi o porquê da pressa, chamei a garçonete com um gesto de mão. Ela veio rebolando com uma cara de desdém, mas eu fiz pouco caso!
Emilly- Me trás uma comida pra esse homem aqui.
Garçonete- Tem dinheiro para pagar?
Falou ela com tom de deboche.
Emilly- Obviamente, pois se não eu nem teria pedido.
Falei seca sem retirar o meu olhar do dela.
Ela se encolheu percebendo que eu não tentaria ser gentil com ela e apenas perguntou o que ele queria, depois de anotar o pedido ela foi toda amedrontada para o balcão.
Carol dava pequenos sorrisinhos olhando para o lado enquanto os olhares não paravam de me encarar, aquilo já estava me irritando!
Não é possível que nenhum ser nesse mundo era normal.
Emilly- Continua homem!
- Bom, continuando... A Vivian era a mulher mais bonita dessa cidade, porém com a sua chegada o que considerávamos beleza agora é só uma beleza comum, mil perdões mais você extrapolou todos os níveis de beleza possíveis moça. Não estou dando em cima, é que é um fato isso...
Emilly- Disso eu sei... A Vivian sempre foi um padrão loiro, nunca teve nada de especial.
Garçonete- Você fala como se a conhecesse.
Falou a garçonete com arrogância assim que chegou com os pedidos.
Emilly- E quem disse que eu não conheço ela?
Nesse mesmo momento ela começou a gaguejar...
Garçonete- Ah, é... Mil perdões, é que eu nunca vi você aqui então.
Emilly- Só faça o seu trabalho e deixe os seus clientes em paz!
Se ela estava nervosa, agora estava ainda mais, ela colocou as comidas sobre a mesa e saiu como um tiro para trás do balcão.
* Que coisa mais irritante. *
Pensei franzino a sombrancelha.
Eu conseguia escutar um relincho de égua e quando eu olhei para o lado eu percebi que era só a Carol rindo...
Suspirei cansada e perguntei se tinha mais, porém ele respondeu que não enquanto devorava a comida.
Depois pedimos algo para nós duas e saímos depois de pagar, lembro até agora a cara da garçonete quando eu tirei o meu cartão Black da bolsa, ela faltou virar um fantasma e sumir de tão pálida.
Por que esse tipo é tão comum?
Fomos em umas lojas de roupas, mas eu não achei o meu estilo alfaiate que eu tanto amo, então escolhi as que chegavam mais perto do meu estilo. Comprei também uns chapéis para mim e para a Carol, ela gostou muito do estilo fazendeiro que esse povo usa então eu permiti que ela comprasse tudo o que quisesse.
Deu meio dia e já estávamos morrendo de fome!
Peguei a maioria das sacolas e fomos em direção ao hotel novamente, assim que chegamos tomamos um banho e vestimos uma das roupas. Eu não gostava de usar roupas sem lavar, mas não dava para usar a mesma, então usei mesmo assim! Coloquei um chapéu na cabeça e fui em direção ao quarto da Carol.
Depois de um tempo batendo na porta, ela finalmente me atendeu.
Emilly- Nossa! Você está um espetáculo garota.
Suas bochechas ficaram coradas com o elogio e ela apenas deu um pequeno sorriso acanhado.
Gosto desse jeitinho dela!
Emilly- Então, vamos?
Ela assente e caminhamos até uma loja da Toyota. Chegando lá fomos recebidos muito bem e de longe eu já achei o meu carro! Ele era uma Hilux preta.
Atendente- então vamos dar uma olhadinha nos carros?
Emilly- estou de olho naquela ali.
Falei apontando para a Hilux.
Atendente- Essa sim é das boas.
Assim que eu cheguei perto do carro ele começou a me explicar o modelo dele.
Atendente- essa é uma belezura do ano de 2012 percorre 180.000 Km o câmbio é manual e a carroceria é Picape já o combustível é movido a diesel.
Emilly- Gostei muito.
Atende- Vai querer um teste drive?
Emilly- Sim.
Corri um pouco com o carro e senti que estava nas nuvens.
Emilly- É, vai ser essa mesmo.
Depois de assinar todas as papeladas eu fui com a Carol almoçar. A retirada do carro vai ser amanhã, então até lá eu vou precisar montar um plano certeiro para ninguém duvidar que sou eu mesmo em carne e osso!
Me peguei sorrindo imaginando a cara daquelas duas quando eu falar o meu nome.
Carol- Então vamos embora amanhã para a tal fazenda?
Emilly- Sim, e diga para todos que perguntarem: você foi adotada por mim e portanto me considera uma irmã mais velha.
Carol- Mas isso não é uma mentira.
Falou ela com os olhos brilhando.
Virei o rosto e roçei a garganta tentando não transparecer o que estou sentindo no momento...
Tenho medo desse sentimento.
Passei a tarde inteira me lembrando da minha vida naquela cidade e me levantei abruptamente decidida a fazer algo. Ouvi falar que iria ter um festival hoje a noite no centro da cidade, mas não estava nem um pouco interessada em ir, porém algo dentro de mim me dizia que eu deveria ir então logo fui chamar a Carol.
Chegando na frente da sua porta eu bati até ela abrir a porta me perguntando o porquê de eu ter batido.
Emilly- Quer ir em um festival aqui da cidade?
Parecia que eu havia falado sobre a sua comida favorita, ela deu dois pulinhos e correu para dentro novamente.
Emilly- Isso é um sim?
Perguntei confusa.
Carol- Pode acreditar que é um sim.
Falou ela um pouco alto para eu escutar.
Me peguei sorrindo e fiquei um pouco parada estranhando aquele meu comportamento, mas logo desencanei e fui me arrumar. Como ia ser uma espécie de rodeio eu obtive por ir a caráter, não que eu goste mais o evento pede algo assim.
Das roupas que eu comprei só havia umas três peças parecidas com o que iria acontecer então decidi ir com tudo preto para não perder a essência.
Coloquei um chapéu preto que tinha uma corrente dourada pendurada nele. Uma dama da máfia italiana nunca perde a sua essência!
Coloquei o meu perfume e estava pronta. Decidi ir com os cabelos soltos mesmo...
Fui até o quarto da Carol e ela também já estava pronta.
Seu chapéu era azul assim como a sua roupa.
Emilly- Está magnífica como uma verdadeira herdeira da máfia.
Ela sorri e ambas vamos em direção a minha caminhonete.
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Curtem e comentem muito 🥰 😚
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Continua...
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Atualizado até capítulo 57
Comments
Nathàlia Guimarães
/Facepalm//Facepalm/
2024-10-03
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Sirlene Soares
prq essa demora pra atualizar daqui a pouco tem ler tudo dinovo aí eu desisto de ler
2024-04-30
0