Quarto de Vince

A cena que se desenrola diante de mim é como um soco no estômago, um choque de realidade que me deixa tonta.

Pietra está deitada na cama de Vincentt, os lençóis enrolados em volta de seu corpo nu. Seus cabelos dourados caem em cachos desalinhados sobre os ombros, seu rosto corado com o calor do momento. Pietra está com um sorriso satisfeito nos lábios, com cara de quem acabou de desfrutar o maior dos prazeres, dormir com Vince.

Minha respiração fica presa na garganta, meu coração martelando no peito enquanto tento processar a cena diante de mim. Um turbilhão de emoções me atinge de uma só vez, ciúmes ardentes misturados com uma pontada de dor.

Pietra se senta na cama, seus olhos azuis encontrando os meus com um brilho travesso. Um sorriso provocador brinca em seus lábios enquanto ela se levanta, seus movimentos graciosos enquanto ela se aproxima de mim.

— Ah, Kaya. Que surpresa agradável. Não esperava vê-la por aqui. — Ela murmura, sua voz suave como seda enquanto me observa com divertimento.

Meu queixo se ergue, minha mandíbula cerrada com força enquanto tento controlar a avalanche de emoções que ameaça me engolir.

— O que diabos está acontecendo aqui? A relação de vocês já está no nível de se comerem? — Minha voz sai baixa e feroz, minha raiva mal contida transbordando em cada palavra. — Seu pai sabe disso Pietra?

"Droga! Droga! Droga! Não era pra eu ter falado isso. Mas que merda eu tenho na cabeça?!"

Me arrependo de tudo que falo na mesma hora que viro para o homem semi nu. Vincentt estranha minha reação, seu olhar se fixando em mim com uma intensidade que me deixa sem fôlego. Seus lábios se curvam em um sorriso torto, seus olhos escuros brilhando com um desafio silencioso.

Vincentt se aproxima lentamente, um sorriso malicioso brincando em seus lábios enquanto ele observa minha reação. Seus olhos escuros dançam com diversão, como se ele estivesse se divertindo com o meu desconforto.

— Ciúmes, Kaya? Isso é novidade para mim. — seu italiano só intensifica o desejo que começa a subir em meu peito. — Não sabia que você se importava tanto comigo. Talvez devesse aprender a compartilhar a sua irmãzinha. — Ele provoca, sua voz carregada de malícia.

Minhas mãos cerram-se em punhos ao lado do corpo, meu peito subindo e descendo com respirações pesadas. Eu sei que ele está apenas tentando me provocar, mas é como se uma chama ardente estivesse queimando dentro de mim, alimentada pela confusão de sentimentos e pela frustração.

Antes que eu possa responder, Pietra surge de trás de Vincentt, sua expressão tensa e desconfortável. Seus olhos encontram os meus por um breve instante, e vejo uma mistura de culpa e pesar refletida neles. Ela se afasta lentamente, como se quisesse se distanciar da situação o mais rápido possível.

— Eu... acho que já está na hora de eu ir embora. Desculpe por interromper, Vince. — Sua voz é fraca, quase inaudível, enquanto ela se afasta e rapidamente começa a vestir suas roupas.

— Não precisa. — Digo, tentando parecer mais sóbria agora. — Eu já estava de saída.

E então, esquecendo completamente do que eu iria contar para ele, saio em supetão para a porta o mais depressa que consigo. A vergonha anuncia sua chegada, repetindo minhas palavras na cabeça a todo o momento. Sim, eu não vou ser cínica aqui, eu sinto uma atração por ele, fisicamente é um pedaço de pecado. Ainda mais quando estamos no centro de treinamento e suas mãos grandes seguram meu corpo para demonstrar algum movimento específico de autodefesa que ainda não dominei.

Eu sei que deveria estar focada na missão, em descobrir o que Dario está planejando e proteger minha família, mas a presença de Vincentt sempre consegue bagunçar meus pensamentos. Ele é uma incógnita, um enigma que me intriga e me assombra ao mesmo tempo.

Enquanto me afasto do quarto, sinto meu coração martelando no peito, uma mistura de excitação e culpa me consumindo. Por um momento, eu me permito pensar no que poderia ter acontecido se eu não tivesse interrompido. Eu estaria sentindo essa atração louca? Ou eu sinto isso desde o momento que o vi pela primeira vez naquele galpão? Lembro-me de achar sensual a forma que ele usou a faca para arrebentar a alça do meu top. Mas, então, me lembro das palavras duras de Dario e volto à realidade.

Ao chegar ao meu próprio quarto, fecho a porta com força atrás de mim, tentando bloquear todas as emoções que ameaçam me engolir. Eu não posso me dar ao luxo de me distrair agora, não quando minha família está em perigo.

Respiro fundo, tentando encontrar alguma calma no meio do caos que minha vida se tornou. A noite é longa e enquanto me debato na cama para dormi, a cena de Vince sem camisa me faz passear por lugares novos na minha imaginação.

"E se fosse eu no lugar de Pietra?"

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Comments

Anonymous

Anonymous

Muito interessante essa leitura!

2024-03-10

2

Anonymous

Anonymous

Sua escrita é ótima. Muito bom ler livros assim, escritos de forma correta e coerente. Esperando mais capítulos 😘

2024-03-08

3

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