Pesadelo

Hambúrguer e batata frita. O temível mafioso está me oferecendo exatamente isso, como se estivéssemos em algum tipo de paródia de máfia. Mas não é uma piada, é a vida real, e tudo o que mais desejo é dar uma mordida nesse sanduíche suculento. Meu corpo está clamando por nutrientes, sentindo o ácido do estômago borbulhar de fome. Estou fraca, com dor de cabeça, com a boca seca e completamente desorientada. A visão daquela comida à minha frente é quase irresistível.

"Porra. Eu seria capaz de chorar só para dar uma mordida nisso."

Penso, enquanto meus olhos fixam-se no hambúrguer tentador na minha frente.

— O que você acha, dolcezza? Parece delicioso, não é mesmo? — ele sugere, sabendo exatamente o que está fazendo. Ele sabe que estou faminta, que cada fibra do meu ser anseia por aquele alimento.

O homem moreno inclina o saco em minha direção, aproximando os alimentos do meu rosto. O aroma é irresistível, e minha boca começa a salivar instantaneamente. Antes de pegar o hambúrguer, ele retira as luvas de couro preto, revelando seus longos dedos. Céus. Parece um pecado. O hambúrguer, é claro.

— Vou provar primeiro para você ter certeza de que não está envenenado. Combinado? — seu tom de voz é estranhamente amigável, mas isso não diminui meu medo. — Kaya! Isso está realmente delicioso! È gustosissimo!

Cada mordida que ele dá no sanduíche é uma agonia para mim. Parece que não vai sobrar nada para eu comer, e ele não mostra sinais de parar. Será que isso é algum tipo de tortura psicológica?

Enquanto ele saboreia o hambúrguer com uma expressão de prazer, sinto meu estômago revirar de desejo e frustração. Cada mordida que ele dá parece uma agonia prolongada para mim, aumentando minha ânsia pelo alimento que está tão perto, mas ao mesmo tempo tão fora de alcance. É como se ele estivesse me torturando não apenas fisicamente, mas também mentalmente, provocando-me com algo que sei que não posso ter.

Observo cada movimento dele com uma mistura de desespero e indignação, desejando poder arrancar o hambúrguer de suas mãos e devorá-lo vorazmente. Mas sei que isso é impossível, que estou completamente à mercê dele, indefesa e impotente diante de sua crueldade calculada.

Enquanto ele continua a comer, uma sensação de desespero crescente se apodera de mim. Sinto-me como uma presa encurralada diante de um predador astuto, incapaz de escapar de sua influência avassaladora.

— Você está gostando? — ele pergunta, com um sorriso satisfeito brincando em seus lábios.

Eu engulo em seco, lutando para manter minha compostura diante da situação absurda em que me encontro.

— Por favor, pare com isso. — Minha voz sai fraca e trêmula, mas implorando por misericórdia. — Eu só quero comer. Por favor, me deixe ter um pouco.

Ele me encara por um momento, como se estivesse avaliando minha súplica, antes de finalmente recuar o hambúrguer.

— Muito bem, Kaya. Você ganhou. — Ele estende o hambúrguer em minha direção, mas antes que eu possa alcançá-lo, ele o retira novamente. — Mas primeiro, você tem que me contar algo.

Meus olhos se estreitam com desconfiança enquanto o encaro.

— O que você quer que eu conte? — pergunto, minha voz carregada de desconfiança.

Ele sorri, um sorriso sinistro que envia arrepios pela minha espinha. Ele se inclina na minha direção, o brilho maligno em seus olhos me deixando desconfortável.

— Você e Dario têm uma conexão profunda, não é mesmo, Kaya? Ele sempre fala de você com tanto... interesse. Parla di te con passione — completa em russo. — Diga-me, o que ele escondeu de mim? Quem ele encontra todo domingo naquele restaurante russo? — ele lambe os dedos melados de ketchup. — E então, talvez, eu te deixe comer. Talvez.

Nunca ouvi história mais estranha como essa. Aos domingos Dario dar aulas de ioga para algumas viúvas coroas em Manhattan. É cómico um homem daquele tamanho, com músculos que ficam evidentes até se ele estiver de moletom, praticar uma atividade física um tanto quanto... delicada. Pelo menos é isso o que ele me conta quando sai de casa todos os domingos um pouco antes da hora do almoço.

— Ioga. Dario é instrutor de ioga em Manhattan. — solto as palavras como um sussurro, encarando seus olhos congelantes. — Com certeza você pegou a pessoa errada.

Apesar de eu não acreditar que toda essa situação é um mero erro de algo do meu capturador, tudo o que sai da sua boca é tão preciso que estou começando a questionar a minha própria realidade. E se Dario mente para mim? Não seria grande coisa, talvez esteja tenho um caso com alguma perua russa, talvez ele esteja trabalhando no restaurante e tenha vergonha de me dizer. Eu não sei, não faço ideia. Só quero comer.

O homem solta uma gargalhada sombria, passando a mão por entre os seus fios de cabelo molhados e pretos. Balança a cabeça em negação e se dirige para atrás da minha cadeira. Sinto um calafrio percorrer a minha espinha enquanto tento antecipar os seus próximos movimentos. O que ele vai fazer comigo? A incerteza é agonizante, mas minha mente está alerta, procurando desesperadamente por uma brecha, por uma oportunidade de escapar. O que vai fazer comigo?

— È vero? Você está me decepcionando, vamos lá. Pense com mais cuidado. — suas mãos começam a massagear meus ombros. — Um amigo próximo, uma carta, uma ligação em italiano talvez? Qualquer coisa. Ou vou ter que substituir seu presente por outro. — ele sussurra a última parte atrás da minha orelha esquerda.

"Eu só queria acordar desse pesadelo." choramingo para eu mesma.

— Eu não sei, juro que não sei. — digo nervosa, meus olhos começando a marejar. — Eu sou uma pessoa comum, não acontece nada de extraordinário na minha vida. Temos uma vida muito sem graça, nem sair de casa direito eu saio. — começo a revelar minha vida por desespero. Com a esperança de ser poupada dessa situação. — Por favor. Acredita em mim. Minha rotina é basicamente escola, trabalho em uma loja de roupas no centro e casa. Quanto a Dario, bem, eu só sei o que já disse.

Ele aperta forte os meus ombros, com tanta força que penso que os meus ossos vão quebrar a qualquer momento. Aquilo vai me deixar marcas roxas, tenho certeza.

— Vou deixar você comer. — ele diz parando a pressão no meu corpo. — Mas como não me deu as informações que eu queria, vou ter que ganhar outra coisa em troca.

Ouço um som de lâmina sendo sacada. Uma faca. Ele afasta meus cabelos longos e ondulados para o lado, tendo uma visão perfeita de minha nuca. E então eu sinto o terror percorrer por todo o meu corpo quando a ponta da lâmina pressiona o local.

— Isso vai ser bem rápido, não se preocupe. — ele diz docemente, um tom doentio perante a situação macabra a qual me encontro.

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Comments

Anonymous

Anonymous

Estou gostando bastante!👏👏

2024-03-10

1

Geiza Novais

Geiza Novais

até agora estou gostando da história , estou muito interessada nos próximos capítulos.🌹

2024-03-04

1

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