Sedutor e Perigoso

Sinto uma descarga de eletricidade percorrer todo o meu corpo quando aperto o gatilho, uma sensação que me assusta e, ao mesmo tempo, me fascina.

Apesar de não ter acertado o alvo na cabeça do manequim diante de mim, comemoro. É uma distância considerável e acertar sequer o braço dele já é uma grande conquista. Então, comemoro.

— Ainda pode melhorar. — diz meu instrutor, os braços cruzados, após eu remover os fones de proteção. Ele dá de ombros com desinteresse. — Se quer levar toda essa brincadeira de vingança adiante, vai ter que fazer melhor do que isso.

Vince tem sido meu mentor por um bom tempo. Temos aulas de defesa pessoal, código de honra, tiro e italiano. Não foi uma escolha minha, é claro, mas ele conhece seu irmão melhor do que qualquer outra pessoa na organização. Quando não estou estudando, estou com Dario, fingindo ainda ser sua amável e doce irmã, ou pelo menos eu tento o meu melhor para demonstrar. Até agora, não consegui obter informações muito relevantes, mas pretendo arriscar um encontro com ele no restaurante russo em breve.

— Você é um estraga-prazeres! — reviro os olhos, retirando os óculos.

Vince apenas sorri de lado, sabendo que estou apenas sendo birrenta, mas seus olhos revelam uma seriedade inabalável.

— Muito pelo contrário, mi amore. Sou uma máquina de prazer. — me olha de cima a baixo, passando a língua nos lábios. — Brincadeiras à parte, principessa, você precisa estar preparada para o que está por vir. Não podemos nos dar ao luxo de subestimar nossos inimigos, especialmente agora.

Seus comentários me fazem lembrar da crescente tensão entre as famílias da máfia italiana e russa. Os rumores de uma guerra iminente estão se espalhando rapidamente pelos corredores escuros da cidade, e eu sei que preciso estar pronta para qualquer eventualidade. Mas e quanto a ele? Vince não se importa dessa missão envolver um membro de sua família, a única vez que tocou no assunto comigo foi no dia do seu showzinho de horrores naquele galpão, ainda sinto arrepios só de imaginar o lado obscuro desse cara.

— Eu sei, Vince. Estou pronta para fazer o que for preciso para proteger nossa família. — travo e guardo a arma na mesa. — Mas e quanto a você, é mesmo fiel a nós? Ou isso tudo é só teatro para passar informações privilegiadas ao seu irmãozinho?

Ele tira o sorriso presunçoso do rosto, adotando uma expressão de indignação com minha resposta, rugas aparecem em sua testa.

— Escuta aqui, herdeirazinha mimada. — ele descruza os braços, andando em passos lentos e ameaçadores. — Primeiro, nosso irmão. — enfatiza. — Está lembrada? Você o considerou sua família por longos cinco anos, logo a pessoa que matou seu pai, tsc. Que senso horrível de julgamento você tem.

Quero socá-lo, quem ele pensa que é para falar comigo dessa forma?

— Segundo, a minha lealdade pertence inteiramente à famiglia. Como já deixei claro no meu juramento de sangue, há exatos oito anos atrás. — mais um passo, dessa ver largo, ficando há centímetros do meu rosto. — Terceiro, e o mais importante.

Seu rosto fica ainda mais próximos e eu consigo sentir um arrepio na espinha, sua respiração quente bate no meu rosto. Não consigo reagir, seu olhar é tão intenso quanto no dia que cortou meus cabelos.

— Kaya — começou Vince, sua voz suave e controlada. — Eu não sou apenas mais um rosto na multidão. — sua presença imponente preenchendo o espaço entre nós. — Eu sou aquele que conhece todos os segredos dessa organização — disse, olhando profundamente nos meus olhos. Um sorriso astuto brincou em seus lábios. — Enquanto você está ocupada se debatendo em busca de uma vingança barata, eu estou um passo à frente. Agindo com meus próprios interesses. — disse, dando um passo para trás, como se me desafiando a segui-lo. — E, no final, não importa o que aconteça, eu sempre saio por cima.

Ele lança uma piscadela, criando um duplo sentido a sua última frase e minhas pernas tremem. Seus olhos cintilaram com determinação enquanto ele me encarava, transmitindo a mensagem clara de que ele estava no controle.

— Vince, me poupe desse seu show.

Empurro seu peito, mas ele não se move um centímetro.

Ele solta uma risada baixa, mas não desvia o olhar desafiador.

— Ah, Kaya, você sempre foi tão teimosa. — ele diz, sua voz carregada de desprezo. — Mas não se preocupe, eu não esperava que entendesse. Afinal, você sempre foi a princesinha mimada, não é mesmo? Como poderia entender que o mundo não gira ao seu redor?!

Sinto o sangue ferver em minhas veias, sua provocação atingindo um ponto sensível em meu orgulho. Mas sei que não posso deixá-lo me abalar. Preciso manter a calma, esse é o segredo para lidar com ele, demonstrar o mínimo de reação possível.

— Pare de brincar comigo. — retruco, minha voz soando firme apesar da raiva que sinto borbulhando dentro de mim. — Estamos lidando com algo sério aqui, algo que pode custar a vida de muitos de nós. Não tenho tempo para suas jogadas de poder.

Ele parece considerar minhas palavras por um momento, seu olhar se tornando mais sério.

— Você tem razão, Kaya. — ele admite, surpreendendo-me com sua resposta direta. — Esta é uma situação delicada e perigosa. Mas acredite em mim quando digo que estou do lado da família, do lado da nossa famiglia.

Sinto-me desconfiada de sua repentina mudança de tom, mas decido aceitar suas palavras por enquanto. Não tenho escolha a não ser confiar nele, pelo menos até que possamos descobrir mais sobre os planos de Dario e os russos.

— Muito bem, é assim que eu gosto. — eu digo, engolindo meu orgulho. — Vamos continuar treinando. Temos muito trabalho a fazer.

Ele assente, seu olhar retornando à sua habitual expressão de confiança.

— Exatamente, Kaya. Tenho muito para te ensinar ainda, muito... Você nem faz ideia.

Sinto-me momentaneamente tocada por suas palavras, uma pequena faísca de confiança se acendendo dentro de mim. Talvez, apenas talvez, Vince possa ser uma peça importante nesse jogo perigoso que estamos prestes a enfrentar.

Mas mesmo assim, mantenho meus olhos bem abertos. Não posso permitir que meu coração se torne vulnerável a suas manipulações. Vince pode ser charmoso e sedutor, mas nunca devo esquecer quem ele realmente é: um homem perigoso, capaz de qualquer coisa para alcançar seus próprios objetivos.

E enquanto nos preparamos para o confronto que se avizinha, prometo a mim mesma que vou manter meus próprios interesses em mente. Não posso confiar plenamente em Vince, nem em ninguém mais nesta guerra pela sobrevivência. Eu devo permanecer vigilante, sempre um passo à frente, se quiser sobreviver neste mundo brutal da máfia italiana.

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