PARTE II — Meus Demônios

2 meses depois...

Estou sentada à mesa de jantar, olhando fixamente para Vince enquanto ele está sussurrando alguma coisa para Pietra no ouvido. Ela ri baixinho, levando a mão até a boca e o empurra de leve. Bebo um gole do meu vinho, sem conseguir desviar o olhar.

"Ele nem disfarça que está comendo a filha do chefe dele, que cafajeste!"

Ela tem cabelos longos e loiros até a bunda, um liso mais que perfeito e que casa muito bem com seus belos olhos azuis. Pietra De Lucca é a filha de Vittorio, meu tio que está casado com minha mãe há cinco anos. Da pra acreditar nessa loucura? Só porque meu pai morreu a tradição da famiglia é passar a mulher do seu irmão para você. Como se ela fosse uma herança deixada por ele e meu pudesse usar como quisesse, por sorte, Vitto é muito respeitoso, é o que ela diz.

— Você já está encarando por tempo demais. — a voz de Dario surge atrás de mim, não ouvi ele chegar, tão silencioso. Tão suspeito. — Desse jeito, vão pensar que anda tendo pensamentos obscenos com o psicopata.

— Seu irmão não me interessa. — digo virando-me para trás e encontro Dario inclinado. — Não está perto demais?

— Isso é um problema? Eu sempre estive perto demais de você. — ele endireita a postura, colocando as mãos no bolso e me analisa. — Você sabe, arriscando minha vida por todo esse tempo pra te proteger e coisas do gênero. — dá de ombros.

Me protegendo, sei... Desde minha conversa naquele escritório com minha mãe e Vitto, não consigo mais olhar para Dario da mesma forma. Mas me esforço, em prol de uma vingança bem elaborada. Traição é paga com sangue.

Sabe, venho trabalhado bastante nesses dois meses para colocar em prática todos os cenários que imagino antes de dormir: Cravar uma faca em suas duas mãos, o golpear no estômago até ele espirrar sangue, usar uma marreta para quebrar suas pernas e o melhor de todos: um tiro, um na cabeça e outro no coração, como fizeram com meu pai, só para deixar minha vingança mais poética.

— Eu sei Dario, eu já te agradeci por isso, não foi? — bebo minha taça até o fim, em um gole só.

”Deus, eu preciso de algo mais forte para aguentar essa reunião "familiar". penso.

— Você está mudada. — ele comenta, sentando ao meu lado, apenas nós dois na enorme mesa de jantar enquanto os demais jogam conversa fora na sala. — Já venho notando isso há alguns dias.

"Droga! Estou deixando na cara que o quero matar agora mesmo?"

Apenas quatro pessoas sabem da sua traição fora eu: Elena, Vitto, Lucio e Vince. Depois de todo aquele trauma que passei no galpão amarrada e sendo torturada por Vince, minha mãe confessou que foi tudo a pedido dela. Estava crente que eu teria algum relato relevante de Dario depois de passar cinco anos morando sozinha com ele, por menor pudesse ser a informação que eu desse, para ela valia à pena, visto que, estava com medo de eu não acreditar nela sobre a traição de Dario.

 Pensou que eu o protegeria, apenas porque vivi meus últimos cinco anos com ele. Cruel eu sei, mas não julgo suas ações. Não depois de estar quase familiarizada com a dinâmica da máfia.

— O que eu não entendo é porque mentiu para mim. — suspiro, me afastando a cadeira para me levantar antes de não resistir e lhe dar um tapa no rosto.

"Sobre ser responsável da morte do meu pai."

Quero deixar as palavras escaparem, quero confrontá-lo, mas eu me contenho, isso iria por tudo a perder.

— Você não estava pronta para toda essa loucura. — ele segura meu braço com força, me impedindo de levantar. — Entenda, eu só queria te...

— Me proteger. — completo. — Já entendi isso. E agora? Por que acha que estou pronta? Por que logo agora, Dario Moretti? — digo enfática, deixando mais uma de suas mentiras evidentes.

— Você está sendo muito egoísta e infantil, Kaya. Já se colocou no nosso lugar? — ele quase rosna. — Abdicamos da nossa vida por amor a você. — seus olhos estão brilhando, em redenção.

"Como pode ser tão sínico?"

— Tudo bem por aqui? — Vince se aproxima, se inclinando em nosso meio e segurando o ombro de Dario e o meu ao mesmo tempo. — Vocês estão parecendo um casal tendo uma DR. — sarcástico, como sempre.

Reviro meus olhos quando sinto o aroma do perfume dele, ou melhor, o perfume de Pietra. Conseguia identificar o cheiro de cio à quilômetros de distância, por onde ela passar seu Chanel n°5 à acompanha. Com certeza ela deve estar retocando a maquiagem no banheiro depois de se agarrar com ele no jardim. Quem ela acha que engana?

— Com as vossas licenças. — digo dramática. — Irei para o bar, encher a cara.

Fujo dos irmãos Moretti, longe da radiação daquele sobrenome.

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