"Amiga ando preocupada com você, não me responde mais... Me conta qualquer coisa, mulher! Só para eu saber como andam as coisas aí no inferno. Ainda não acredito que o Dario foi tão babaca a ponto de te mandar pra uma faculdade na Itália!"
Ao ler a mensagem de Suni, sinto um aperto no peito. Odeio ter que mentir descaradamente para a minha melhor amiga, ainda mais quando me encontro na mesma cidade que ela. É estranho como as palavras dela despertam uma mistura de emoções dentro de mim. A preocupação genuína dela é palpável, e dói não poder compartilhar o que estou passando.
"Desculpe, Suni. Não posso falar agora, a faculdade de psicologia está me matando, mas estou bem. Obrigada por se preocupar".
Digito rapidamente, tentando parecer confiante.
Essa foi a pior desculpa que eu poderia dar para ela, mas depois de passar por tantas situações perigosas não posso arriscar a manter Suni na minha vida.
Isso me desperta algo na mente, é exatamente isso que minha mãe estava pensando quando sumiu daquela forma? Vou me lembrar de perguntar quando ela voltar com o meu tio de Chicago.
Guardo o celular no bolso do casaco, mas a sensação de nostalgia persiste. A desculpa que dei a ela não é uma total mentira, eu realmente não posso falar agora, estou ocupada indo contar para Vince o que eu ouvi no jardim.
É a primeira vez que sinto medo de Dario. O jeito como ele falou pareceu tão ameaçador. Nunca o vi daquela forma.
O vento cortante da noite me envolve, e eu puxo o casaco mais perto do corpo, desejando que ele pudesse me proteger das incertezas que me assombram. Entro na mansão depois de me certificar que Dario já foi, acenando para o soldado sempre vigilante na porta com a sua arma. Já estou me acostumando a ser vigiada a todo momento ou a ter várias escopetas nas mãos de cada homem que encontro nos corredores.
Subo a enorme escadaria que dá para o segundo andar, tentando repassar na cabeça todas as palavras que ouvi Dario confidencializar ao telefone. Ele parecia um rato preso em uma armadilha, depois que minha mãe me trouxe para cá ele não tinha mais motivos para morar fora da mansão, era exatamente o que Vittorio planejou, deixá-lo o mais encurralado possível. Desprotegido. É como aquele ditado que diz:
Mantenha seus amigos por perto, mas seus inimigos mais próximo ainda.
Paro de frente do quarto de Vincentt, parando um momento para respirar, andei tão rápido até aqui que meu coração parece que vai pular da boca. Mas antes que meu punho fechado bata na porta, ouço um gemido sair por debaixo da porta. Uma voz feminina repete o nome de Vince sem parar, baixo e sensual.
Respiro fundo, tentando afastar os pensamentos tumultuados que inundam minha mente. O gemido que ecoa por debaixo da porta do quarto de Vincentt só intensifica a ansiedade que sinto. Uma onda de incerteza me atinge, misturada com uma pontada de ciúme que não consigo ignorar.
Será que ele está com alguém? A mão que se preparava para bater na porta fica parada no ar, enquanto imagens perturbadoras invadem minha mente. Eu não deveria me importar, não é da minha conta. Mas, de alguma forma, a ideia de Vincentt com outra mulher mexe comigo de uma forma estranha.
Sinto-me como uma intrusa, invadindo a privacidade de alguém que mal conheço. Mas, ao mesmo tempo, uma curiosidade insaciável toma conta de mim, me impulsionando a continuar ouvindo.
Os gemidos param subitamente, substituídos por um silêncio desconfortável. Por um momento, pondero se devo continuar esperando ou simplesmente desistir e voltar para o meu quarto.
Então, antes que eu possa decidir, a porta se abre abruptamente, revelando Vince com uma expressão surpresa estampada no rosto. Seus olhos se encontram com os meus por um breve instante, e eu me sinto como se tivesse sido pega no flagra, mesmo que não tenha feito nada de errado.
— Kaya? O que faz aqui? — sua voz soa desconcertada, mas há algo mais escondido por trás da sua fachada de surpresa.
Engulo em seco, lutando para encontrar as palavras certas enquanto tento desviar o olhar da porta aberta atrás dele.
xxxxxxxxx
— Desculpe, eu... Eu só estava passando pelo corredor e ouvi alguns barulhos estranhos vindo do seu quarto. Pensei que talvez... você estivesse precisando de alguma coisa. — Gaguejo, tentando disfarçar minha confusão.
Vincentt me observa por um momento, seu olhar penetrante parecendo sondar minha alma em busca de respostas. Então, ele parece relaxar um pouco, um sorriso divertido brincando em seus lábios.
— Não se preocupe, não era nada demais. Apenas uma amiga que veio me fazer uma visita inesperada. — Ele responde, sua expressão sugere que ele sabe que estou escondendo alguma coisa.
Uma sensação estranha se instala em meu peito, uma mistura de alívio e desapontamento que não consigo explicar. Por que estou tão preocupada com o que acontece na vida pessoal de Vincentt? Ele é apenas um aliado na minha missão de descobrir a verdade sobre minha família.
— Entendo. Desculpe por interromper, eu só queria... — Antes que eu possa terminar minha frase, ouvimos passos se aproximando pelo corredor.
Vincentt ergue uma sobrancelha, seu olhar se tornando sério de repente.
— Entra aqui, agora! — Ele murmura, olhando em volta como se estivesse preocupado com a possibilidade de sermos ouvidos.
Um arrepio percorre minha espinha enquanto percebo que estamos prestes a mergulhar em águas ainda mais profundas e de quase sermos pego. E se esses passos forem de Dario?
"Também não me importo de descobrir quem está lá dentro..." penso.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 25
Comments