O Palácio

À medida que avançamos pelas estradas sinuosas, a paisagem urbana dá lugar a vastas extensões de vegetação exuberante e imponentes árvores que se inclinam sobre a estrada como guardiãs silenciosas. É incrível que não tenha nenhum carro passando por nós, o que me leva a crer que já estou dentro do território da máfia italiana. A mansão se destaca no horizonte, uma silhueta imponente contra o céu noturno, com suas torres e jardins bem cuidados.

Observo a mansão com uma mistura de fascínio e apreensão. É uma fortaleza, um símbolo de poder e influência que me deixa sem fôlego. Enquanto nos aproximamos, o carro desliza suavemente pelos portões de ferro forjado num preto clássico, que se abrem como se nos convidassem para adentrar um mundo de segredos e mortes.

Na minha frente se revela uma estreita estrada de tijolos, cheias de curvas como uma serpente, levando direto para a casa principal. O jardim florido está a ser cuidado por um senhor de idade, que poda uma das árvores da entrada. Fico me perguntando quanto ele ganha para se envolver com um trabalho tão perigoso. E se ele cortar a flor favorita do capo? Ele aparece no dia seguinte sem um dedo? Aliás, ele chega a ir trabalhar? Não quero nem pensar nisso.

— Chegamos. — Lucio anuncia, interrompendo o silêncio tenso que envolve o interior do carro.

O motorista, um homem robusto com uma expressão séria, sai primeiro, movendo-se com uma precisão militar em direção à porta traseira. Seus movimentos são tão rígidos e coordenados que é difícil não imaginar que ele seja mais do que apenas um simples motorista. Talvez ele seja um guarda-costas ou até mesmo um membro de confiança da hierarquia criminosa.

Quando Lucio finalmente se levanta do banco do motorista, sua presença enche o ambiente com uma aura de autoridade misturada com um toque de perigo iminente. É então que Vince, com sua presença intimidante, decide usar o momento para me perturbar.

— Vou te dar um conselho, principessa. Considere como um favor de um primo. — Seu sotaque carregado dá uma gravidade adicional às suas palavras. — Assim que cruzar aquela porta, não importa o quão aterrorizada esteja. Não chore, não mostre fraqueza. Ou eles vão te devorar viva. Se você teve medo de mim, um simples soldato, é porque é patética. — Ele termina com um piscar de olhos e sai do carro, deixando-me com uma sensação desconfortável que me faz questionar a natureza da minha própria coragem.

Nunca fui chamada de princesa e patética na mesma frase. Tenho que admitir que Vince tem uma criatividade peculiar quando se trata de crueldade. Meus pensamentos giram em um turbilhão de ansiedade enquanto observo Vince se afastar. Seus conselhos, embora ásperos, ecoam na minha mente, misturando-se com o palpitar acelerado do meu coração. Sinto um nó se formando na garganta, mas me forço a engoli-lo, tentando manter a compostura.

Respiro fundo, para encontrar coragem no meio do medo crescente que ameaça me consumir. Com um último suspiro resignado, coloco um pé fora do carro e ergo o meu queixo, determinada a enfrentar o que for. A princesa pode ter sido um título que me foi dado de forma sarcástica, mas vou assumir o papel que me atribuíram.

Tem cerca de 5 carros espalhados pelo estacionamento, todos são pretos e discretos, mas luxuosos. As paredes de tijolos da casa estão cobertos por Hera, que sobre até o segundo andar. Há janelas enormes espalhadas por todos os lados e quando olho para cima consigo vem um homem armado segurando uma enorme arma em cada uma delas. Soldados.

Quando as duas portas imponentes da mansão abrem, me sinto uma pequena presa indefesa diante da imensidão do local. Meu salto alto faz eco no ambiente, a cada passo anúncio a minha entrada triunfal. Tenho dificuldade de andar com ele, nunca fui fã deles porque sempre pareço desengonçada. Eu sou feminina, mas do tipo que prefere se sentir mais confortável.

Dentro da mansão, um mundo de luxo e mistério se desdobra diante de mim, como as páginas de um romance gótico ganhando vida. Os corredores carregando a essência de segredos que permeia cada tijolo antigo e cada móvel polido.

Estou tentando acompanhar os homens em minha frente, Lucio lidera, na frente, recebendo acenos de outros mafioso enquanto caminhamos. Vince ao meu lado, segurando meu braço firmemente e o motorista carregando as sacolas de luxos estampando as mais diferentes marcas: Prada, Gucci, Dior, Versace e etc.

À luz da lua banha os lustres de cristal que cintilam como estrelas suspensas. As paredes ecoam com os sussurros dos segredos guardados e os ecos de vidas passadas que deixaram sua marca indelével neste lugar encantado.

Observo tudo com admiração. Cada peça de mobiliário clássica, cada obra de arte, tapetes feitos à mão. Durante o meu trajeto só encontro capangas armados, nenhuma mulher e engulo em seco.

Depois de subirmos uma escadaria gigantesca, seguimos por um corredor longo até o final, parando de frente para uma porta feita de madeira escura e envernizada, toda trabalhada. Lucio alisa o terno e checa se o cabelo estar alinhado antes de dar dois toques rápidos.

— Scusa, la troviamo. — a voz suave e confiante de Lucio ressoa no ar, as palavras italianas ecoam pelo corredor. Não consigo entender uma palavra que sai da sua boca. — Lei è pronta per incontrarlo.

Nós quatro ficamos imóveis, aguardando um retorno do outro lado. Começo a sentir uma aflição avassaladora com a demora. Toda a minha confiança de minutos atrás indo para o ralo.

"Não posso amarelar, tenho que parecer pelo menos forte, já que não sou."

— Entrem. — a voz é rouca e misteriosa.

A porta abre sem fazer nenhum barulho, bem lubrificada. O interior do escritório segue o mesmo padrão da mansão, clássico e escuro. Sentado atrás de uma mesa enorme, com seus sapatos sobre ela, tem um homem usando uma camisa branca e um colete preto. Sua postura relaxada na cadeira de couro marrom demonstra que deve ser o mandante de toda essa merda.

— Bem-vinda à sua famiglia, minha filha. — a voz é feminina, doce e calma. Saindo por detrás do homem até percorrer cada fio de cabelo da minha pele pálida.

Uma mulher vestindo um longo vestido preto, que antes observava o jardim através da janela, vira e me encara . Estou sem palavras, de uma hora para outra esqueço todas as letras do alfabeto e não consigo expressar o meu choque.

Diante de mim tem um fantasma, a mulher elegante e bela, usando um penteado clássico, é nada mais que... minha mãe.

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