XXIX - Devorador de Almas

A tensão aumentou à medida que ela se preparava para enfrentar a criatura, empunhando sua espada. No entanto, em resposta à sua audácia, este apenas riu e a alertou:

– […] É bom estar realmente pronta para me entreter. – Anuncia com sua voz áspera, e em um piscar de olhos, desapareceu novamente nas profundezas do oceano.

– Huh?! – Comecei a procurar pela criatura com uma postura alerta, visando todos os lados para não ser atacada em desatento.

Enquanto ela tentava processar o que estava acontecendo, o brilho do fragmento em seu bolso se intensificou inesperadamente, atravessando o tecido do seu vestido. Uma sensação alarmante apoderou-se de Aiko, novamente, sentiu que o fragmento queria alertá-la de algo.

– Seria mais fácil se você pudesse falar... – Ela desliza a mão por cima do bolso com um suspiro, observando as tábuas rangentes sob seus pés.

Antes que pudesse compreender completamente a situação, uma onda gigantesca se formou repentinamente e se lançou em sua direção. Aiko percebeu que não havia escapatória a não ser tentar se jogar para o outro lado do quarto, mesmo sabendo que as tábuas de madeira eram frágeis e poderiam não suportar o impacto.

– Droga!

"Com um movimento frenético, me lanço para o outro lado, mas infelizmente ocorreu o que já era esperado, o resultado foi a quebradura das madeiras. Eu caí na água, ficando totalmente exposta a qualquer ataque. A impotência tomou conta de mim e quando me dei conta de que, como usuária da Yūgana, eu estava privada de qualquer movimento ou defesa. Então este é o meu fim? A minha força e meu orgulho, no fim, não são suficientes para me manter viva."

Imersa na água escura, eu lutei internamente contra o pânico que me envolvia. À quanto tempo eu não sentia isso? Eu sabia que precisava aceitar o meu destino, mas não imaginava que morreria de uma maneira tão desprezível e deixaria meus companheiros serem vítimas desse monstro. Eu continuo sendo a mesma criança assustada de Earth Burning, incapaz de salvar àqueles que precisam da minha ajuda. […]

O monstro do mar, agora próximo, permanecia oculto na escuridão a observando enquanto ela afundava imóvel. Ele estendeu suas mãos, ou o que parecia ser mãos, tentando alcançar o fragmento no bolso dela, mas assim que se aproximou, o brilho do fragmento exarcebou-se instantaneamente, lançando uma luz ofuscante que afastou a criatura.

Ele gritou furioso, uma voz distorcida que fez as águas vibrarem. Agora sob sua visão comprometida, tal grunhiu com desdém. – Maldita! Uma escolhida!

Imediatamente à seu comando, a correnteza da água se intensificou, arrastando Aiko com força e aumentando a pressão ao seu redor. Ela era atingida repetidamente pela força bruta da correnteza, causando cortes ralos em seu corpo. Não eram cortes profundos, no entanto, a pressão era atordoante. Ela sentia seu corpo enfraquecer a cada golpe, sua visão ficando turva e escura.

"Meu corpo era atingido e lançado de um lado para o outro, sem qualquer controle. No meio daquela luta caótica, eu sentia minha força e energia diminuindo gradualmente. Cada golpe da correnteza me deixava mais fraca e tonta, e meu corpo parecia pesar uma tonelada. Um sentimento de desespero começava a se infiltrar em minha mente, enquanto eu lutava para manter a consciência diante da escuridão que se manifestava ali."

"Kitchutchitchi... Você parece tão assustada." – Ele sorri com diversão, minha fragilidade parecia o entreter.

Ao ouvir sua risada, Aiko pôde sentir a aproximação da criatura. Com esforço, ela olhou à frente, finalmente conseguindo ver seu rosto de perto. O monstro parecia mudar de forma, sua aparência distorcendo e se reconstruindo diante de seus olhos. Infelizmente, sua visão não durou muito tempo, e começou a turvar quando testemunhou tal transformação ocorrendo.

Eu tentei desesperadamente manter o foco, absorver cada detalhe dessa metamorfose, mas a exaustão, o limite e os ferimentos finalmente me venceram. Eu... Não conseguia entender. O que diabos era aquele demônio dos mares?

"Minha mente se apagava, e eu senti uma sensação de frustração e desamparo por não poder mudar essa tragédia. Eu estava tão perto de desvendar os segredos do navio e do monstro, mas agora tudo isso escapou de mim. Eu não poderia chegar mais até o Colecionador. As respostas que eu ansiava conseguir ficaram suspensas no ar, e eu me entreguei ao inconsciente, pronta para aceitar meu destino."

...! - Enquanto isso, no Ésde....

O cenário se desenrolava para os outros membros da tripulação a bordo do navio Ésde, o caos assemelhando-se a capitã em apuros. Emi e Maroon, em sua pequena canoa, lutavam exaustivamente para alcançar o navio, navegando pelas águas turbulentas do cemitério de navios abandonados. A distância entre eles e o Ésde diminuía lentamente, mas a tarefa parecia cada vez mais árdua.

– Só mais um pouco, Emi! – Encoraja o pesquisador com um sorriso no rosto, seus cabelos grudando em sua testa.

– E-eu aguento, não se preocupa. – Ela retribui o sorriso com cansaço, mas tenta demonstrar determinação.

Finalmente, eles conseguiram chegar ao navio, mas a atmosfera a bordo era tensa. Os tripulantes pareciam assustados e preocupados, e Grom, estava visivelmente irritado, como de costume.

– Grandão! O que aconteceu?! – Emi questiona perplexa com o acontecido ao se aproximar.

– Eu não sei! Estávamos à bordo esperando vocês, e de repente o navio começou a se mover por conta própria! Tentamos controlar o leme, ajustar as velas, talvez nem a âncora ia resolver de nada! – O ferreiro explica com gestos bruscos, simulando sua versão.

Enquanto a perplexidade pairava no ar junto do silêncio, Grom começou a mudar de comportamento, parecia tentar reprimir uma risada descontraída, seu rosto avermelhando-se pela derrota ao tentar ceder. Todos o observam com olhares confusos, e ele finalmente gargalha.

– Mas preciso admitir crianças, foi hilário observar vocês tentando se aproximar com a canoa enquanto o navio continuava se movendo! Nunca teriam nos alcançado se o navio não parasse. – Ele revela por meio de risos, arrancando a mesma reação genuína de alguns tripulantes, até mesmo da ruiva.

Maroon pigarreia e desvia o olhar, ainda sentindo seus músculos cansados pelos movimentos repetidos do remo. – Felizmente acabou.

– […] Hum, não é querendo me intrometer... Mas onde está a capitã? – Um dos tripulantes se aproximou e questionou o paradeiro de Aiko, com curiosidade e preocupação.

Ao ouvir a pergunta, Maroon virou-se bruscamente, um lampejo da lembrança cruzando seu rosto. Ele esqueceu por um momento e, com um aperto no coração, relembrou de que a superior havia ficado sozinha conquanto eles foram obrigados a se afastar dela.

Todos falavam de uma vez com questionamentos e percepções, sem Aiko no navio, o destino deles seria trágico como todos àqueles navios abandonados ali.

– Pessoal, precisamos nos manter calmos! A Aiko, quero dizer, a capitã é muito forte... Devemos confiar nela! – A ruiva tenta mediar a situação transmitindo calma. Ela se aproximou do pesquisador que olhava para o horizonte pensativo, e sussurrou. – O que vamos fazer agora, Maroon?

Os olhos dele vagam pelo convés enquanto tenta pensar em alguma maneira de resgatar Aiko, e então, ele revela para Emi com um suspiro. – Eu vou voltar. – Conclui determinado, pronto para voltar para onde a capitã havia sido deixada.

– Maroon! Espera! – A ruiva segura a manga da blusa dele que se vira para encará-la novamente. – Você não pode ir sozinho! Além de quê, você deve estar muito cansado.

– Eu não me importo. – Ele recolhe seu braço suavemente e volta a caminhar. – Sem ela, não vamos sair daqui.

Maroon se aproximou da borda do navio, onde estaria a canoa. Os recursos resgatados já haviam sido levados para dentro do Ésde, ela estara sem pesos adicionais outra vez. Entretanto, Maroon notou a aparição de Grom ao chamado de Emi com seu charuto habitual. Eles murmuravam sobre algo e o ferreiro direcionava seu olhar para o horizonte e para o chão. Por fim, ele acenou com a cabeça, e parecia determinado apesar da carranca. Ao chegar até Maroon com passos firmes, ele sorri de canto.

– Pode deixar que eu vou buscar a garota. – Grom pega o remo do chão antes de estalar os dedos da mão e o pescoço.

– Tem certeza que consegue chegar até lá, grandão? – Emi questiona com os braços cruzados e uma expressão preocupada.

– É claro. Eu sou velho, mas a memória ainda está em boas condições. – O ferreiro desce as escadas e se senta na canoa, aproximando os remos da água escura. Ele olha para Maroon e Emi, e com o cenho franzido ordena. – Tentem não morrer enquanto eu não estiver aqui.

Ao se ajeitar, Grom moveu os remos e habilmente começou a afastar-se com a canoa do Ésde instantaneamente. Sua força era vantajosa nessa situação e ele tinha o controle absoluto da canoa.

Até então.

Assim que Grom ganhou certa distância do Ésde, uma correnteza de água contrária surgiu repentinamente. Estava agitada e empurrava a canoa do ferreiro para trás, impedindo-o de progredir em direção ao seu destino. Era como se alguma força estivesse manipulando a correnteza para mantê-lo afastado.

Ele arregala os olhos ligeiramente enquanto se força a avançar contra a resistência imposta. – Mas que diabos---?!

Cada tentativa frustrada em tentar ir contra a força da água, era um esforço exaustivo e inútil, enquanto a correnteza o empurrava de volta com ainda mais intensidade.

Os outros tripulantes observavam em silêncio, alguns zombaram da raiva do velho, mas todos pareciam ligeiramente preocupados, pela incapacidade de ajudá-lo naquela situação. Eles se perguntavam qual força poderia estar por trás desse fenômeno estranho e temiam por seus destinos.

– Seja o que for, não quer que alcancemos a capitã. – Maroon cita ao concluir sua análise, fazendo Emi e outros próximos assentirem com a cabeça em concordância.

– E o que faremos agora? – A ruiva questiona com a voz embargada em desolação e medo.

– Eu não sei. – Os ombros de Maroon amolecem e sua postura parece abalada por não ter respostas.

...[…]...

...Será o fim?...

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