XVI - Terras Esquecidas

[…] "Com um sorriso fraco nos lábios, eu tentei tranquilizar à todos, recostando-me na amurada e tentando controlar minha respiração."

Colocando a mão sobre as têmporas, me pronuncio. – É como um... ônus da minha akuma no mi. Não é o fim do mundo.

Todos a observam com surpresa estampada no rosto, pois ninguém sabia que se tratava de uma usuária da fruta do diabo.

– Isso explica muita coisa. – Afirma um dos presentes.

Enquanto o homem falava, Aiko não conseguiu compreender, pois as vozes em sua cabeça se misturavam e se distorciam, tornando difícil se concentrar. Ela também notou que algumas figuras pareciam desfocadas ou distorcidas, como se estivessem sendo vistas através de uma lente deformada.

Com a ajuda de Grom, ela levantou e apoiou-se em seus ombros largos para caminhar em direção ao banco. Agradeceu a todos pela preocupação e tranquilizou-os novamente de que os efeitos colaterais eram temporários e que ela ficaria bem.

[…] Ao conduzir Aiko até o banco mais próximo, Grom imediatamente notou a mudança na cor de seus olhos vermelhos para âmbar. Ele franziu a testa e a questionou com uma voz grave e incrédula.

– O que diabos aconteceu com seus olhos, Aiko? – perguntou ele, a expressão séria mostrando sua curiosidade. – Isso não parece normal.

– Diferente, não? Faz parte dos efeitos colaterais.. – Respondeu ela ao entender sua dúvida, a voz suave contrastando com a firmeza dele. – É temporário como todo o resto, eu sei lidar com isso.

Grom cruzou os braços e olhou fixamente para Aiko, avaliando sua condição. Ele não parecia acostumado a lidar com poderes e transformações.

– Escute, Aiko. – Disse Grom com uma voz grave e impassível. – Eu não gosto disso. Essa coisa toda das frutas do diabo é perigosa. Vamos focar em seguir até Lost Maze à partir de agora, não perca seu tempo gastando energia ou seja lá o que for com coisas inúteis. – Ele soltou um suspiro pesado.

– Está bem. – Disse ela com dificuldade em reprimir os efeitos, sua voz ainda firme, mas com um toque de aceitação.

...[…]...

O céu escuro estava repleto de nuvens densas, que se estendiam por todo o horizonte. A luz do sol já havia desaparecido completamente, deixando para trás uma atmosfera sombria e vasta. A escuridão envolvia a paisagem, destacando as estrelas brilhantes que começavam a pontilhar o firmamento. A lua, em seu ciclo, iluminava suavemente a escuridão, lançando uma luz prateada sobre o cenário. Era um céu que inspirava uma sensação de mistério e contemplação, convidando à reflexão e ao encontro com o desconhecido.

Quando finalmente conseguiu reunir forças suficientes, decidiu dirigir-se à sua sala no navio. Sentia a necessidade de descansar e reunir seus pensamentos antes de abordar o assunto da ilha Gunkan-Heart com o mesmo tripulante, chamado Maroon, que havia conversado com ela pelo Den Den Mushi.

Aiko chamou o tripulante pelo nome e pediu que ele se encontrasse com ela em sua sala.

...[…]...

Assim que o rapaz chegou à sala da capitã, ela o cumprimentou com um esboço de sorriso cansado, mas determinado.

– Obrigado por vir. Vamos ao que interessa. Eu queria falar mais sobre a ilha Gunkan-Heart. – Começou Aiko, sua voz revelando a curiosidade e desejo de saber mais sobre o lugar esquecido pelos mares. – Você mencionou algumas informações durante nossa conversa pelo Den Den Mushi, e eu gostaria de saber mais sobre o que você sabe, já que fomos interrompidos.

O tripulante, consciente da importância do assunto, levou um momento para organizar suas ideias antes de responder:

– Certamente, senhorita. – Respondeu ele, assumindo uma postura mais séria. – A ilha Gunkan-Heart é conhecida por ter sido um ponto central de Warship Island, que sumiu pelos mares misteriosamente. Além de quê, era uma área restrita e pouco acessada. – O homem esguio sobrepõe o queixo nos dedos. – Há rumores de que esse lugar guardou uma relíquia poderosa e vários segredos, mas devem ser apenas especulações. Poucos se aventuraram a explorá-la completamente, pois ela era envolta por uma aura misteriosa e perigosa. E realmente é.

Aiko ouvia atentamente, intrigada com as informações compartilhadas. – Relíquia poderosa? Será que... – Ela vasculha o pequeno bolso de seu vestido inutilmente. Não havia nada sólido, mas a energia manifesta pelo achado ainda se mantinha presente. – Hum?

– Algum problema, capitã? – Maroon observa o inquieto de Aiko remexendo no bolso.

Com um suspiro, ela balança a cabeça em negação lentamente, não poderia revelar o objeto se não o sentia fisicamente. – Você tem mais alguma coisa para me dizer?

O homem ponderou por um momento antes de responder. – Na verdade, eu gostaria de perguntar se for possível.

Aiko observa com curiosidade. – Perguntar o quê?

– Viu algo incomum naquele lugar? Quer dizer, além da aura que contorna a ilha, algo... Exótico? O rugido da criatura que eu ouvi quando falei com a senhorita, não me parecia normal.

– Humpf. – Ela resmunga e observa a janela. – É, o pouco que eu pude inspecionar me fez entender que a evolução daquela ilha é avançada no mundo animal, digamos assim.

– Incrível... Então Warship Island ainda prevalece naquele pedaço de terra. Com licença. – Ele caminha até uma prateleira de livros e começa a vasculhar os títulos. Ele parecia ser um homem curioso e inteligente, além de um ótimo navegador como os outros voluntários. Ao encontrar o que queria, ele põe o livro sobre a mesa, e em páginas abertas folheia em busca de um título específico. – Esta é Warship Island, ou Gunkan-jima como conhecido.

– Essa é a única foto que disponibilizaram no livro. – Ele prossegue. – Mas vendo em uma planta baixa, é nítido o pedaço da lateral central vazio. Nem mesmo os dragões tinham domínio em Gunkan-heart. Infelizmente, as informações sobre esse pedaço esquecido são escassas. – Ele folheou mais um pouco enquanto explicou. – Desde então, o governo anunciou que é um lugar submerso, como terras esquecidas.

Aiko assentiu, compreendendo a situação. As peças começaram a se encaixar agora. A intriga maior era o motivo da exclusão do lugar, e o quê tinha de tão importante nele. Não importa agora.

– Obrigado, Maaron. Você pode sair agora. – Ela gesticula sutilmente para a porta. – Espere por uma remuneração pelo seu serviço. – Ela piscou para ele.

O tripulante assentiu agradecido, demonstrando seu compromisso e gratidão pela intenção da capitã. – Farei o possível para te ajudar, Capitã Aiko, obrigado! – Ele faz uma reverência e caminha para a porta.

Com a ausência do rapaz, ela não pôde deixar de vasculhar novamente seu bolso para ter certeza sobre o desaparecimento do fragmento brilhoso que havia carregado para o navio.

"Sumiu outra vez?! Não pode ser..." – Pensou consigo mesma.

Finalmente, sentiu um arrepio percorrer sua espinha junto de uma sensação de alívio e intriga, quando percebeu que o objeto sólido em seu bolso, que anteriormente parecia ter desaparecido com a presença do tripulante, estava novamente lá. Ela retirou o fragmento e examinou-o cuidadosamente. Ele emitia uma luz suave, criando uma aura misteriosa.

– O que poderia ser você? Eu não posso entregar na mão de qualquer um... Será que eu vou precisar voltar para Gunkan-Heart? – Ela observa o horizonte escuro através da janela sentindo as emoções que vagam pelos ares da atmosfera noturna. – Não... Eu estarei saindo de East blue logo logo. Não posso voltar. Mas para o que você vai me servir?

Enquanto segurava o fragmento em minhas mãos, observava a singularidade deste. Como uma energia pulsante emanando, ele parecia estar vivo. Eu podia jurar que o fragmento respondia à minha presença, como se tivesse uma conexão especial comigo. – Talvez um dia eu encontre alguém que poderá me ajudar e você vai aceitar se mostrar, não é?...Prima, o quão distante você pode estar? – Ela suspira de olhos fechados, lembrando-se de sua prima distante, uma renomada pirata que anda conquistando os vastos mares. – Nico Robin.

...[…]...

Após uma noite tranquila a bordo do Ésde, o dia seguinte amanheceu com a nova rotina da tripulação marítima. Grom se distraia com seus charutos e discutindo com os tripulantes que pescavam descontraídos, todos pareciam unidos de alguma forma. Emi, por outro lado, parecia concentrada enquanto escrevia várias vezes em papéis que logo eram jogados na lixeira, tentando encontrar letras à altura para seus solos de guitarra.

O sol brilhava no horizonte enquanto o navio navegava pelo oceano, com as velas estufadas pelo vento. Após muitas horas de navegação, um olhar atento no convés avistou uma coluna de fumaça ao longe, indicando a presença de um navio patrulhando as águas próximas.

– Será que é o navio do Colecionador, Aiko?! – Ele murmura de braços cruzados, seus olhos afiados encarando a embarcação.

Aiko observa em silêncio, Emi se aproxima com sua guitarra recostada na barriga, intrigada e curiosa. – Temos companhia, huh? Não parece ser a marinha. – A ruiva sorriu.

– Tem razão. Nós temos. – Aiko conclui, divertida.

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