Ao entrar no novo vórtice, o cenário diante deles se transformou em um sombrio cemitério de navios.
...[…]...
O mar silencioso refletia a melancolia do local, enquanto destroços de navios flutuavam ao redor. Não há vento, nem ondas, apenas uma calmaria perturbadora que atravessa a atmosfera pesada, carregada de uma sensação de perda e abandono. Aiko, assim como seus companheiros, podia sentir a energia funesta que permeava o ar, evocando lembranças de desastres marítimos.
"Mesmo diante de uma situação deplorável como ser engolido por um vórtice, a visão das embarcações em ruínas, testemunhas silenciosas de tragédias passadas, despertou a minha curiosidade e meu desejo de desvendar os mistérios que àquele mar de destroços guardava para nós."
[…] Maroon se endireita e olha ao redor, intrigado com a visão apresentada. Ele se aproxima de Aiko e, com uma voz embargada em relutância, pronuncia-se. – Esse ambiente é verdadeiramente assustador. O cemitério de navios e o mar silencioso indicam claramente uma mudança dimensional, capitã. – Ele encara a garota distraída com o mar, que permanece em silêncio. – É irônico pensar que em tão pouco tempo, nós fomos direcionados à tantas artimanhas.
– E agora vamos apodrecer em uma sucata de navios! – Grom interrompe enquanto bate com o punho no mastro, sua voz transmitia a raiva e o estresse que ele estava passando.
Emi apoia-se na amurada com um suspiro, que antes usou como suporte para suportar a mudança brusca de dimensão. – Talvez eu conheça Dreamelódic em outra vida. – Ela murmura cabisbaixa.
– Então é assim? – Questiona um tripulante desolado. – Nos voluntaríamos cheios de sonhos e agora vamos ser esquecidos por culpa de um maldito labirinto?!
– Não. – Outro grunhiu. – A culpa é do Grom.
Todos arregalaram os olhos com a súbita acusação do rapaz. O rosto de Grom endureceu e suas veias saltaram-se quase imediatamente.
– Grandão, e-ele não falou sério. – Emi tenta mediar a situação com uma voz vacilante.
– O que você disse, seu moleque? – Ao ignorar a tentativa de Emi, seus olhos dispararam contra o tripulante.
– Nada disso estaria acontecendo se você fosse mais responsável! O seu neto estaria em segurança e... – Ele é interrompido antes que pudesse terminar.
– CALADO! – Grom grita abruptamente, sua voz repete como um rugido no vasto oceano silencioso. – Você não sabe de nada, seu imbecil. O único culpado é o maldito homem responsável por toda essa desgraça. – Ele fecha os punhos e se afasta. – Culpe apenas ele.
Emi suspira com alívio. – Graças a Gordon! – Ela se vira para o rapaz que permanece de braços cruzados. – Você ficou louco?! Grom poderia ter te matado!
– Puff. – O homem zomba com desdém. – Eu não me importo. Vamos morrer do mesmo jeito, que diferença faria?
A ruiva suspira e seus olhos vagam pelo chão do convés. – Você tem razão. – Finalmente, seu campo de visão se estende até os pés de Aiko, que permanece apoiada sobre a amurada do outro lado, com Maroon à sua cola. […]
Aiko, por sua vez, se viu imersa em um mar de tristeza e solidão, confrontada com a fragilidade da existência humana e a inevitabilidade da morte.
"Embora o cemitério de navios trouxesse à tona memórias dolorosas e despertasse uma certa inquietação em mim, eu não pude deixar de sentir uma conexão com aquele local de desolação. Era como se os destroços simbolizassem as minhas próprias cicatrizes emocionais e a perda que eu enfrentei durante os meus anos de vida."
Maroon pigarreia antes de falar. – Pensa em fazer algo a respeito da situação, capitã?
– Eu não sei. – Ela examina os destroços próximos enquanto descansa a mão na cintura. – Estou pensando em dar uma olhada nesses navios dos arredores. Talvez tenha coisas valiosas.
– Oh. – O homem pisca algumas vezes, surpreso. – Se me permite dizer... – Ele faz uma pausa antes de prosseguir. – Por que isso importa agora se nós provavelmente acabaremos do mesmo jeito?
Um sorriso brinca em seus lábios, Aiko não pareceu abalada pela situação, ao contrário, seus olhos brilham com excitação.
– Veja, Maroon. É como um jogo de tabuleiro, em que cada movimento estratégico e cada descoberta são uma parte integrante da emoção. – Ela gesticula para o horizonte. – Você acha mesmo que todos esses navios, sendo a maior parte destroços, foram destruídos apenas por culpa do tempo?
Maroon analisa os navios danificados nos arredores, cobertos por vegetações marinhas, a maioria com vestígios de batalhas passadas. Os seus olhos arregalam ligeiramente. – Está supondo que aqui também há alguma armadilha?
Ela acena em afirmação. – Eu tenho certeza. Vórtices são entradas para dimensões citadas por marinheiros, especuladas como meras lendas. Mas é confirmado sua existência pela própria ciência que são um padrão de movimento em forma de redemoinho, caracterizado por um fluxo rotacional de fluidos, mais especificamente, a água. – Ela faz uma pausa para descansar, e então volta a explicar. – Meu pai costumava me contar histórias sobre as viagens que ele fazia, e me contou que sua tripulação já foi engolida por um vórtice. – Aiko observa o mar, caminhando em direção à proa, e Maroon a acompanha. – Como tudo no universo, vórtices também tem suas potenciais fraquezas. Só precisamos encontrá-la.
– Hum, compreensível. – Ele sobrepõe o queixo nos dedos. – Mas como poderíamos fazer isso?
– Eu ainda não sei. Por isso quero pesquisar um pouco dentro desses navios antigos, e quem sabe encontrar anotações de pessoas que morreram aqui.
Maroon ajusta o colarinho de sua camisa de maneira desconfortável. Aiko percebe seu incômodo e o observa em silêncio, aguardando suas palavras relutantes.
– Com todo respeito à sua decisão, capitã Aiko, mas suponho que seja muito arriscado para os outros tripulantes a sua ausência.
– Hum? – Ela arqueia a sobrancelha. – Eu não pretendo demorar. E não vou ir para longe, estamos cercados por navios à deriva. – Com um aceno convencido, Aiko se direciona para o restante da tripulação.
Maroon suspira lentamente enquanto observa a paisagem uma última vez, antes de acompanhar formalmente Aiko.
[…] Na chegada ao convés, era visível a tristeza e o desespero em seus rostos cabisbaixos. Todos pareciam acreditar que estavam condenados a perecer nesse mar de esquecimento.
Com um semblante sereno, a capitã recosta-se num barril decorativo. – Quanto desânimo, pessoal. – Ela sorriu com os olhos antes de continuar. – O que vocês andam pensando?
Um tripulante suspira melancólico. – Minha vida poderia ter sido melhor em Isle Harmony. Eu desperdicei todo o meu tempo com bebidas, com pesca, enquanto minha mamãezinha estava doente. – Ele se encolhe com uma face de tristeza. – Eu devia ter feito diferente.
O outro acrescenta com uma voz chorosa. – Eu só queria conhecer o All Blue e conseguir me tornar o melhor pescador para poder ser um sucesso entre as mais belas camponesas! – Ele pressiona a mão no peito.
– Essa sua visão não faz o menor sentido, um caipira que fede a peixe e não se cuida não seria um sucesso entre mulher nenhuma, seu tapado. – O amigo dele responde com sinceridade enquanto descansa a cabeça sobre os braços.
Emi cobre a boca abafando uma risada. Alguns esboços de sorriso se revelam. Com a resposta de seu amigo, ele retira rapidamente o sapato do pé e o lança contra o rapaz que permanecia de olhos fechados.
– Aprenda a respeitar o momento de angústia de um amigo, "zé bonitinho". – Ele enfatiza o apelido de forma irônica, enquanto o rapaz massageia a cabeça atingida.
Aiko sorriu. – Está bem. – Ela se endireita. – Esse seria um final deplorável, de fato. Mas já que não é o caso, guardem esse melodrama para quando realmente for necessário.
Todos a observam confusos, a atenção deles estara totalmente voltada à capitã agora. Ela sorriu mais uma vez, divertida.
Emi acompanha o sorriso, parecendo menos tensa. – Como vai ser então, Aik... Quero dizer, capitã! – Diz ela com alegria.
– Eu vou pesquisar essas embarcações das proximidades. E enquanto vocês vão permanecer no navio, preciso de mais dois voluntários para me acompanhar na inspeção.
Todos encaram Maroon, que sorri em resposta compreendendo a situação. – Claro.
Emi levanta a mão quase instantaneamente. – EU!
– Certo. – Aiko concorda enquanto pega sua jaqueta preta e veste-se. – Quero que vocês fiquem de olho no Ésde. Não sabemos se estamos realmente sozinhos. E se não for o caso, o mais seguro é todos vocês ficarem juntos aqui.
– Huh? – Algumas vozes questionam em uníssono, com expressões ligeiramente preocupadas.
– Precaução nunca é demais. – A capitã declara. – Não precisa de muito para chamar a nossa atenção, é só gritar.
Um tripulante levanta a mão. – Mas como vamos sair daqui? Por que devíamos confiar nisso? – Ele questiona, sua voz entona curiosidade, mas também uma pitada de ousadia.
– Porque eu estou segurando as rédeas. Não me permitiria acabar desse jeito nem se estivesse à beira da loucura.
– E acha que determinação é o suficiente para nos tirar desse inferno?! – A voz do homem se eleva, o quê faz a expressão de Aiko se fechar.
– Ponha-se no seu lugar. – Ela ordena com uma voz firme enquanto fita seus olhos com desdém. – Você não tem opção à não ser confiar em mim, então pense duas vezes antes de usar novamente esse tom de voz comigo, à menos que queira realmente apodrecer aqui.
...Silêncio....
Sem mais uma palavra, Aiko seguiu em frente com Emi e Maroon logo atrás. Para chegar até um dos navios mais próximos, utilizaram uma canoa de emergência.
"Enquanto avançávamos pelos destroços, senti um misto de emoções. A incerteza ainda pairava no ar, mas também havia uma sensação de propósito e motivação. Eu sabia que não podia prometer sucesso absoluto nessa inspeção, mas estava determinada a fazer tudo o que estava ao meu alcance para encontrar uma solução. A única certeza que eu poderia ter, é que aquele lugar ainda tinha alguma artimanha escondida."
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Atualizado até capítulo 16
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