Conforme o trio se aproximava do outro navio, as névoas ao redor pareciam ficar mais densas, envolvendo a embarcação de forma misteriosa. O "navio alvo" estava um pouco mais afastado do Ésde, mas mesmo assim decidiram prosseguir em sua investigação. Era um navio de grande porte, porém, apresentava uma rachadura enorme no casco próximo à proa.
– Uou... Esse navio é enorme, provavelmente encontraremos muitos recursos! – Diz a ruiva um pouco mais entusiasmada, ainda atingida pelo conteúdo da carta anterior.
– Ou não. – Retruca Maroon. – O estrago deste é muito maior. Mas... – Ele suspira melancólico. – Vejamos o que poderemos descobrir.
– Acredito que já vamos conseguir tirar bom proveito do que pegamos. Eu só... – Aiko pausa antes de continuar. – Só preciso de mais anotações. Quanto mais informações sobre esse lugar, melhor.
– Poderíamos continuar vendo os navios próximos ao Ésde. Tinha do outro lado também. – Emi ressalta enquanto brinca com a água que transmite seu reflexo, borrando-o com os dedos.
– As névoas parecem mais densas agora. Será que isso significa alguma coisa? – Maroon questiona denotando preocupação.
– Vamos descobrir. – Aiko larga o remo ao atracar e levanta, ajeitando sua jaqueta amassada pelos movimentos repetidos.
Com cautela, eles subiram a bordo. O ambiente dentro do navio era rústico e sombrio, com uma atmosfera pesada que parecia ecoar os eventos sinistros que ocorreram anteriormente. Aiko, Maroon e Emi começaram a analisar o local minuciosamente, buscando pistas que pudessem ajudá-los a entender o que havia acontecido ali.
Explorando o navio, notaram a presença de alguns ossos espalhados pelo chão e um odor fraco de carne podre pairando no ar. O ambiente sombrio ficou ainda mais evidente com essa descoberta.
"Curiosos, nós - Eu e Maroon - examinamos os ossos e notamos que muitos deles eram de animais marinhos, mas havia alguns que pareciam ser de seres humanos, como Maroon presumiu ao estudá-los. O pensamento de que aquele lugar pudesse ter sido palco de tragédias e mortes despertou uma sensação de inquietação em todos nós."
– Eu não quero ficar aqui por muito tempo. – Murmura Emi enquanto seus olhos vagam pelo teto com fendas que mal iluminavam o lugar.
A ruiva expressou o seu mal-estar com gestos ansiosos e o desejo de retornar ao Ésde o mais rápido possível.
Maroon concordou com a preocupação de Emi, reconhecendo a importância de voltarem em breve. – Nós não vamos demorar. Certo... capitã? – Pergunta ele hesitante, reconhecendo a teimosia de sua superior.
Ela suspira em resposta. – Está bem. Por "hoje", já descobrimos muita coisa. – Aiko concorda, trazendo alívio para seus companheiros.
– Huh? – O cenho de Emi se franze enquanto ela observa um canto específico. – O que é aquilo? – A ruiva aponta para o lugar, direcionando o olhar da capitã e do pesquisador ao mesmo tempo.
Um pequeno pedaço de papel repousava abaixo de uma mesa de madeira aos pedaços, praticamente escondido. Com cuidado, Aiko pegou a anotação e começou a ler seu conteúdo com atenção.
"Eu não sei porque aconteceu, mas o peso dessa escolha será hoje e para sempre insuportável. O preço será pago em carne e osso. Lamentamos profundamente o que tivemos que fazer para sobreviver. Não há mais lágrimas para chorar, não há lugar para esconder-se, pois 'aquela coisa' nos consome aos poucos. A morte é inevitável, não importa o que façamos." […]
Maroon e Emi se entreolham, um arrepio enviado à suas espinhas. Aiko repousa o papel novamente acima da mesa, e em silêncio, continua a andar pelos corredores escuros. A revelação intensifica ainda mais o clima do navio, e eles entendem que estão lidando com algo muito além de uma simples armadilha do labirinto.
– Aiko! Espera! – Emi chama pela capitã que continua abrindo as portas dos aposentos. Não a primeira, nem a segunda, mas a terceira e última, faz ela parar em frente à porta aberta e sem sequer olhar para seus companheiros, adentra o quarto.
Ao chegarem à porta, notou-se que ali era a mesma área da rachadura no casco. Maroon se recostou no batente e Emi entrou em seguida, examinando as marcas e os destroços ao redor. Aiko estava mais perto do estrago, jogando as madeiras do chão para o mar visível.
– É como se uma força poderosa tivesse atingido o navio, o deixando vulnerável às águas traiçoeiras desse lugar. – Diz ela enquanto pega mais alguns pedaços de madeira e os solta no mar. – Talvez quem tenha feito isso, seja o mesmo monstro mencionado na carta do pai da criança.
– Será um Sea Beast? – Emi questiona mais para si mesma do que para os outros dois.
– É uma opção válida. Nada me vem a mente além de um poderoso monstro marinho para causar tantos danos. – O pesquisador sugere sobrepondo o queixo nos dedos.
– Mas entraria em desavença com a figura "sorridente" mencionada na carta. Eles especificariam se fosse um Sea Beast. – Aiko vira-se para eles, direcionando sua total atenção para ambos.
– Talvez. Levando em conta que não temos 100% do conhecimento sobre as vidas marinhas. – Maroon ressalta enquanto se ajeita no batente.
De repente, um movimento vindo da água próxima capturou a atenção de todos. Aiko virou-se bruscamente, Emi deu alguns para trás, e Maroon franziu o cenho, tomando uma postura alerta.
Cuidadosamente, a capitã se aproximou mais da rachadura, o suspense aumentando a cada passo que dava. Sua atenção estava completamente focada na possível fonte do barulho, quando quase instantaneamente, gritos distantes vindos do Ésde interromperam a tensão com uma maior, deixando todos alarmados.
– Veio do navio! – Emi franze a testa com a voz temerosa.
– Precisamos voltar! – Maroon avisa de punhos fechados, Emi toma a frente passando pela porta no mesmo instante.
Aiko confirmou com um aceno. No entanto, quando ela virou-se para sair e acompanhar Maroon e Emi, o chão de madeira começou a se despedaçar à sua frente ao pisar em falso, bloqueando a passagem e impedindo-a de alcançar o corredor.
Maroon arregalou os olhos ligeiramente, sua boca ficando entreaberta. Voltando-se para ele, que permanecia imóvel e relutante, Aiko deu uma ordem firme. – Eu posso lidar com isso, Maroon. Volte para o Ésde e verifique se todos estão bem, eu vou encontrar uma maneira de alcançá-los! Sejam cuidadosos e fiquem atentos, está bem? – Ela sorriu sutilmente, tentando demonstrar calmaria mesmo diante da situação.
O pesquisador, ainda hesitante, confiou na capitã e aceitou a missão, partindo imediatamente em direção ao Ésde junto de Emi, deixando para trás Aiko e sua investigação incompleta, embora suficiente.
"Eu o observei enquanto ele se afastou, o som de seus passos diminuindo gradativamente enquanto chegava próximo à nossa canoa. Eu senti uma mistura de preocupação e insuficiência por não poder ir. Meu foco agora era encontrar uma solução para alcançá-los o mais rápido possível e garantir a segurança de todos. Mas... Como? Olhando para frente, apenas algumas madeiras visivelmente fracas se dispunham próximos as paredes, seria arriscado tentar atravessar com o chão desmoronando dessa forma. Pelos poderes decorrentes da Yūgana e o terror escondido naquelas águas, estara fora de cogitação ter qualquer tipo de contato direto com a água."
Enquanto examinava o ambiente em busca de recursos, Aiko manteve-se calma e focada. Ela sabia que precisava encontrar uma maneira de seguir Maroon e Emi, pois juntos teriam mais chances de enfrentar qualquer ameaça que estivesse afetando o Ésde.
[…] Com um suspiro, ela se encontrou em um breve momento de reflexão, examinando o fragmento de esfera que estara em seu bolso. Percebeu-se que, a pequena joia irradiava um brilho suave e incomum das vezes anteriores. Ela segurou o fragmento em suas mãos, sentindo uma energia sutil emanando dele outra vez.
"Era como se a esfera estivesse tentando transmitir uma mensagem para mim, algo além da minha compreensão imediata. Mas, o quê?..."
Antes que pudesse se aprofundar em seus pensamentos, as águas ao seu redor começaram a se agitar novamente, alertando-a para o perigo iminente. Com o cenho franzido, ela fixou o olhar nas pequenas ondas que batiam contra o chão danificado da rachadura, percebendo que algo estava se aproximando.
– Mas que diabos... – Seus olhos vagam das ondas invasoras batendo contra o chão, até o horizonte.
"[…]Eu não sei! Começou a se mover sozinho e não quer parar!" – Diz uma voz robusta e irritada à distância, era visivelmente Grom.
As vozes ecoaram à frente, os olhos de Aiko então capturaram a visão. Na direção do som, os seus olhos se arregalaram ao ver o Ésde em movimento. A canoa com Maroon e Emi seguia logo atrás, lutando contra as ondas criadas pelo navio de grande porte.
– Aiko! – Emi grita ao ver a capitã situada atrás da rachadura do navio. – O Ésde está se movendo sozinho, sem vento algum!
– Continuem atrás dele! É um lugar limitado, em algum momento vai parar! Apenas tomem cuidado, por favor! – Aiko grita em resposta, seu coração disparado. Pressentia que a intenção do responsável, era afastar o navio dela, e sentiu-se culpada por isso.
"O movimento repentino do Ésde indicava que algo significativo estava acontecendo entre nós, algo que poderia afetar a todos. Ainda estava incerta do que fazer, principalmente com o Ésde e a canoa tão distantes. Seja como for, eu preciso agir..." – Pensava consigo mesma, no entanto...
Enquanto se debatia com a incerteza sobre como alcançar o Ésde e a canoa que continuavam avançando, sua atenção foi abruptamente desviada para algo macabro que emergia das águas ao seu redor. À frente de seus pés, uma figura sinistra começou a se formar nas águas turbulentas. Seu corpo era indistinto dentro do mar, mas seus olhos assustadores fixavam-se em Aiko e um largo sorriso tenebroso era visível.
A capitã sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao encarar aquela figura aterrorizante. Um sentimento de medo e fascínio se misturaram dentro dela. Ela percebeu que estava diante de uma presença maligna, algo além de sua compreensão, uma entidade que poderia puxá-la à qualquer momento.
"Olá, garotinha." – A voz parecia emanar através daquele sorriso macabro.
De punhos cerrados, Aiko tomou uma postura defensiva. – Quem é você?
"Kitchitchi.. Eu sou o seu fim." – As pálpebras da criatura entrefecham-se transmitindo um olhar maléfico. – "Acabarei com seus restos e irei atrás deles, devorando a alma de um por um, lentamente."
Eu sabia que não poderia deixar que o medo me dominasse, pois havia muito em jogo. Com um suspiro e queixo erguido, eu me preparei para enfrentar o desconhecido. […]
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Atualizado até capítulo 16
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