XXII - Desafios Iminentes

Conforme o tempo passava e o Ésde continuava sua navegação pelo labirinto de corais, os tripulantes se tornavam mais proficientes em lidar com as vegetações invasivas que ameaçavam o navio. A experiência adquirida no treinamento anterior e a familiaridade com os padrões de ataque das plantas marinhas permitiram que eles se tornassem mais ágeis na defesa contra essas ameaças.

Cada vez que uma vegetação se aproximava do convés, os tripulantes agiam rapidamente. Com lâminas afiadas e movimentos precisos, eles cortavam os tentáculos ou partes das plantas antes que pudessem causar danos significativos no navio. Essa tarefa, que antes parecia desafiadora e perigosa, começou a se tornar mais simples à medida que adquiriam confiança e habilidade em suas ações.

E o que antes parecia uma batalha constante agora se tornara uma tarefa mais familiar e gerenciável.

...[…]...

Enquanto o convés do navio estava ocupado com a batalha contra as vegetações invasivas, Maroon estava ao lado de Aiko, observando a cena com uma expressão pensativa no rosto.

Aiko pigarreia casualmente. – Está tudo bem, Maroon?

– Humpf... Numa situação como essa, presumo que não.

– Sejamos mais transparentes, ok? O que você tanto pensa? – Aiko demonstra alguma inquietação em sua voz enquanto mantém-se concentrada na navegação.

– Não é estranho, capitã? A imagem do livro descreve um lugar muito diferente, mais aberto. A claridade aqui é transmitida por fendas de alguma espécie de caverna.

– Talvez a intenção seja nos atrair usando uma imagem enganosa, não?

– Hum... Talvez. Mas eu me pergunto o que aconteceria se a musicista Emi, não ativasse as armadilhas.

Aiko arqueia a sobrancelha. – Acredita que passaríamos sem problemas?

– Não. Foi realmente inteligente dispor uma tocha para quem ousasse viajar nesse lugar, ir tentar alcançá-la. Mas, e se não tivéssemos caído nesse truque? O que aconteceria?

Maroon compartilhava sua teoria com Aiko, discutindo seus pensamentos e impressões sobre a situação. Ele considerava as estratégias utilizadas até aquele momento e ponderava sobre possíveis abordagens alternativas.

[…] – E aonde você quer chegar? – Aiko se atenta com curiosidade e interesse na percepção do inteligente tripulante.

– É apenas uma suposição, eu posso estar terrivelmente errado. Mas eu não consigo aceitar que esse labirinto é apenas uma disposição de armadilhas que se coordenam por si só. Olhe os movimentos dessas plantas, agem como se estivessem cientes da nossa presença e intencionalmente tentando nos deter. Pode haver uma inteligência por trás disso tudo. Se pudéssemos encontrar pistas...

Aiko acompanha o olhar de Maroon, observando os ataques das plantas marinhas no convés. – Entendo o que quer dizer. Talvez você tenha razão, Maroon. Devemos ficar mais atentos à partir de agora.

– Agradeço pela atenção, capitã. – Ele ajusta os óculos no rosto. – Eu posso não ter muita especialidade com espadas quanto os outros, mas prometo ajudá-la a ver de forma abrangente situações como essa. – Maroon descansa os braços atrás das costas e acena lentamente com a cabeça. – Eu prometo.

Aiko assentiu satisfeita com a colaboração do rapaz.

Maroon é um homem astuto, e considerava a possibilidade de haver mais do que aparentava ser. Ele parecia disposto a explorar todas as pistas e informações disponíveis para desvendar os segredos do labirinto e encontrar uma maneira de entendê-lo.

"A mente analítica e a curiosidade incessante dele seriam recursos valiosos para mim, de fato. Talvez ele seja ainda mais útil futuramente"

Enquanto Aiko e Maroon estavam no deck do leme, um grito de alerta cortou o ar. A capitã virou-se rapidamente para o convés e viu um dos tripulantes apontando para a frente, onde uma figura retorcida emergia do oceano.

Seus olhos agora pareciam aterrorizados com a visão inesperada à frente. – U-um vórtice?!

A figura, visível através das ondas revoltas, era um vórtice de água que se erguia ameaçadoramente. Seus contornos distorcidos pareciam desafiar as leis da física, criando um espetáculo sinistro e hipnotizante. A água girava e se torcia em padrões caóticos, exalando uma energia intensa que emanava do centro do vórtice.

Maroon, ao lado de Aiko, também fixou seu olhar no vórtice, com uma expressão de surpresa e fascínio. – ...Isso é magnífico! Como algo assim pode existir em um lugar fechado como esse?!

A tripulação, em meio ao cansaço após as lutas constantes com a vegetação que agora está afastada do Ésde, observaram atônitos o vórtice que se aproximava, todos pareciam presos no fascínio. O ar estava carregado de tensão e expectativa, enquanto todos tentavam compreender o que estavam presenciando.

Aiko reprime os olhos com firmeza e repete para si mesma. – Eu não posso me deixar levar por fascínio, essa é uma fraqueza... Desprezível!

"Eu precisei me recuperar da surpresa inicial, rapidamente, recobrando minha consciência. Vórtices são manifestações que servem para atrasar o sentido dos marinheiros, as lendas sempre nos alertaram disso. Eu não podia permitir que a surpresa tomasse conta e acabasse sendo a razão de uma derrota talvez fatal. Com uma atitude rápida, eu decidi mudar a rota do Ésde, adentrando um dos corredores acessíveis naquele momento e abandonando o caminho dos corais azuis que tínhamos seguido até então."

– Aiko? – A ruiva recobra seus sentidos vendo a rota mudar diante dos seus olhos. – Como vamos voltar para o caminho dos corais azuis?! – Ela entrona a preocupação na voz.

– Não poderíamos continuar naquele caminho, seríamos sugados para dentro daquela coisa, não percebeu?! – A capitã retruca enquanto ainda tenta buscar o controle da embarcação.

– Podemos voltar, foram vários os corredores que se mostraram para nós enquanto estávamos seguindo aquela rota. Podemos tentar virar a bombordo no próximo corredor. – Maroon comenta e Aiko assente.

O navio continuara pelo novo caminho, navegando por águas desconhecidas e enfrentando um mar repleto de incertezas, mas dessa vez, num silêncio mortal. Aiko agora estava mais ciente dos riscos, e sentiu a necessidade de se manter mais alerta que os demais.

– Mas o que diabos era aquilo? – Grom pergunta incrédulo.

– Chamam aquilo de vórtice, não é? – Um tripulante comenta e os outros se vêem em confusão sobre o nome.

– Sim, é um vórtice. – Aiko toma à frente e revela. – Uma força poderosa da natureza dita em lendas de marinheiros, uma manifestação turbulenta da energia que pode nos engolir e nos desafiar. É como um torvelinho implacável, capaz de arrastar tudo em seu caminho. Por algum motivo, ele tem a capacidade de desorientar os sentidos das pessoas, atrasando a reação destas.

– O feitiço virando contra o feiticeiro, huh? – Grom zomba do poder da capitã que o encara impassível. – Eu nunca acreditaria nessas bobagens se não estivesse presenciando, sinceramente. – Ele enrola a ponta da barba pelo dedo enquanto se recosta no mastro. Grom parece cético, mas mantém um olhar aturdido.

Um dos tripulantes estapeia o ombro do ferreiro compartilhando seu apoio. – Não faça essa cara, velho. Vamos passar por isso e achar o Ryu.

...[…]...

À medida que Aiko e sua tripulação avançavam pela nova rota, o tempo continuava a passar e nenhuma entrada à bombordo se apresentava, permitindo que eles retornassem à rota dos corais azuis.

Uma sensação de inquietação começou a se espalhar por Aiko que se encontrava sozinha no deck novamente, levantando suspeitas sobre a natureza manipuladora do labirinto. – "E se essa fosse a jogada?"

Com seu instinto aguçado, começou a desconfiar de que aquela falta de acesso à rota anterior não era mera coincidência. Ela considerou a possibilidade de que o próprio labirinto estivesse deliberadamente tentando mantê-los presos, forçando-os a seguir em frente e enfrentar desafios ainda maiores.

A tripulação, antes confiante em sua capacidade de atravessar o labirinto cortando meras plantas distrativas, agora começava a questionar se estavam realmente no controle da situação. A incerteza e a desconfiança pairavam no ar, alimentadas pela ausência de uma saída aparente.

– Eu ficaria feliz com toda essa calmaria se a situação fosse diferente. – Emi fala de repente enquanto tamborila os dedos na superfície da amurada. Os tripulantes concordam com aflição.

Aiko, apesar de sentir a pressão crescente, não permitiu que o medo se apoderasse dela. – Precisamos manter a calma e permanecer racionais. – Ela aperta as mãos contra a roda do leme. – Continuem vigilantes, entenderam?!

Todos assentiram em uníssono e tomaram uma postura de alerta sobre o navio, empunhando suas espadas. A tensão era quase palpável.

– Não vamos desistir dessa rota enquanto não ser disposto um caminho à bombordo. – Anuncia a capitã, mesmo tal com incerteza.

Ninguém ousou retrucar, nem mesmo Maroon. O labirinto era imprevisível e traiçoeiro, e todos estavam cientes de que enfrentariam dificuldade de qualquer maneira.

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