XXVI - Diário de Bordo

Aiko, Emi e Maroon adentraram no primeiro navio, impressionados com o seu tamanho, mesmo que estivesse evidente seu desgaste pelo tempo. As tábuas de madeira rangiam sob seus pés enquanto caminhavam pelo convés. Apesar do aspecto rústico, o ambiente ainda mantinha uma elegância peculiar.

– Acolhedor. – Emi comenta com um tom animado enquanto termina de subir com a ajuda de Maroon.

– Tomem cuidado por onde passam. – Alerta Aiko enquanto desliza o pé por uma madeira atufada e danificada.

Os dois acenaram em concordância enquanto caminhavam para explorar o espaço. Não demorou muito para os olhos de Emi ser atraídos para um canto do convés onde um piano empoeirado repousava solitário. O seu semblante tornou-se fascinado, sua paixão pela música ecoando em seu coração.

Com cautela, a ruiva se aproximou do instrumento, observando as marcas do tempo que deixaram seu registro nas teclas desgastadas. Ela ajoelhou-se e estendeu a mão, hesitante, para tocar algumas notas suaves. O som ecoou pelo navio, trazendo à tona uma melancolia agradável.

Aiko e Maroon observavam Emi em silêncio, cativados pela expressão de serenidade em seu rosto.

– Quantas histórias perdidas devem residir nesse lugar? – Um vislumbre deprimido passa pelo rosto da guitarrista. – Aquele homem não tem um pingo de humanidade!

– Não, ele não tem. – Maroon afirma com tom convicto. – O pouco que sabemos sobre ele, já evidencia isso da maneira mais clara possível.

Aiko estala a língua com indiferença. – Isso vai acabar. Ele não é o primeiro e não será o último a tratar o mundo e as pessoas como um jogo de entretenimento. – Ela fecha os punhos enojada.

– Eu me pergunto como ele pode entrar e sair de um lugar como esse? À menos que tenha outra forma dele chegar em seu território. – Enfatiza Maroon com curiosidade e intriga.

– Os piratas que saíram daqui, disseram vir da "ilha irmã" de Lost Maze. – Emi ressalta a informação enquanto inclina a cabeça.

– Bem lembrado, senhorita. – O tripulante elogia. – Mas o quê isso significa? Não havia ilha alguma por perto, apenas a entrada do labirinto.

– Talvez esteja depois de cruzá-lo? – A ruiva acrescenta.

– Vamos focar em sair daqui primeiro. – Aiko dá de ombros ao interromper o momento de confusão entre seus dois companheiros. – Nos separaremos, e ao encontro de qualquer coisa valiosa, guarde para que possamos levar ao Ésde.

– Entendido. – Maroon e Emi captam a ordem e concordam em uníssono.

Decidindo se separar para uma exploração mais abrangente, eles seguiram por diferentes caminhos dentro do velho navio. […]

Aiko escolheu explorar os quartos, curiosa para descobrir o que poderia estar escondido atrás das portas antigas.

Cruzando o corredor, ela abriu a primeira porta e deparou-se com um quarto decadente, com móveis luxuosos empoeirados e uma cama com dossel desfeita. Os lençóis estavam amarelados pelo tempo, e o ar estava impregnado com um cheiro de mofo. Aiko examinou os pertences no quarto, encontrando cartas amareladas e fotos desbotadas, testemunhas silenciosas de histórias passadas.

"Pegando as fotos com cuidado, eu observei os rostos sorridentes de uma tripulação. Era possível identificar o dono do navio, um homem de postura firme e confiante, rodeado pelos demais membros da equipe. Eles carregam um semblante que transmite força e confiança, a vida que levavam a bordo devia ser repleta de aventuras."

Aiko notou outra série de fotos, retratando o homem com ar de autoridade. Era evidente que se tratava do capitão, dono do quarto em que estara. Ele parecia imponente e experiente, com um olhar que denotava liderança e sabedoria.

...[…]...

Ao deixar de visualizar as fotos e partir para as cartas, ela notou que algumas palavras ainda eram legíveis, mesmo que manchadas ou quase apagadas pelo tempo.

"[…] Eu vos amo.... Voltar.... Em breve. PS: Querida, ponha o nome....ssie Archer II, soa bem, não é?"

Eram cartas enviadas pelo capitão para sua família. Aiko pôde vislumbrar o amor e a saudade expressos nas palavras escritas, transmitindo o vínculo afetuoso que existia entre o capitão e aqueles que deixara em terra firme. Esse último trecho da carta em específico, fez com que ela soltasse um suspiro pesado, relembrando-se de seu próprio pai.

Ela guardou as fotos e cartas com cuidado na mesa de cabeceira, respeitando os fragmentos do passado deixados ali.

Inspirada pelas descobertas no primeiro quarto, prosseguiu sua exploração aos demais aposentos, almejando descobrir mais segredos e pistas sobre a história do navio e seus ocupantes.

Passando para o próximo quarto, ela encontrou uma atmosfera diferente. Era um aposento aconchegante, com cortinas desgastadas que deveriam permitir a entrada da luz solar, se ali a houvesse. Assim que seus olhos vagaram pelo quarto, fixou-se em uma escrivaninha coberta de papéis e notas rabiscadas, revelando que aquele quarto havia sido ocupado por alguém que se dedicava a escrever e registrar suas experiências.

Curiosa, ela folheou os papéis cuidadosamente, encontrando anotações detalhadas sobre viagens passadas e mapas com rotas traçadas à mão. Era evidente que o ocupante daquele quarto era um navegador habilidoso.

Entre as notas e papéis espalhados, encontrou uma anotação especial. Mesmo com a cor amarelada pelo tempo, as palavras estavam totalmente legíveis. Era um relato sobre as aventuras da tripulação em busca do próprio Colecionador.

"Querido Diário de Bordo,

Hoje, sinto a necessidade de desabafar sobre as experiências intensas que vivenciamos na busca implacável pela vingança contra o Colecionador. Minhas palavras fluem nesta página enquanto me lembro dos eventos que nos levaram ao vórtice, um destino inesperado que nos engoliu naquele maldito lugar.

A tristeza que carrego em meu coração é profunda ao refletir sobre como nossa determinação inabalável nos levou a esse desfecho indesejado. Ansiávamos por confrontar o Colecionador, um ser que se revelou um verdadeiro demônio em nossas vidas. Movidos pela ira e pelo desejo de justiça, desviamos a nossa rota da Grand Line para destruí-lo o quanto antes.

No entanto, a vingança consumiu nossos pensamentos e obscureceu nossa visão. Não previmos as consequências de nossas ações. Imersos na busca frenética por punição, nos lançamos em direção ao labirinto de Lost Maze, e o abismo de um vórtice controlado nos engoliu impiedosamente.

Enquanto escrevo estas palavras, não posso deixar de me perguntar se poderíamos ter evitado esse destino cruel. Mas, mesmo envolto em tristeza e melancolia, ainda carrego a chama da determinação. Não desistirei de desafiar o Colecionador, mesmo que isso signifique enfrentar o perigo desconhecido que nos cerca aqui.

Ele é um ser vil e misterioso, cujas ações nos afetaram de maneiras inimagináveis. Pretendemos acabar com ele e libertar os escravos das senzalas que rondam sua fortaleza. Seu poder e influência são como garras que nos arrastam para seu território sombrio. Mas o capitão Archer soube como assegurar nossos homens, ainda que aprisionados neste cemitério de navios, nossa resolução permanece inabalável.

[…] Cada dia que passamos aqui, os treinamentos estão dando resultados, nos sentimos mais fortes, e os nossos recursos estão longe de acabar. O reinado de terror daquele demônio deve chegar ao fim, e seremos aqueles que trarão justiça às tantas almas que ele afligiu até hoje. Só assim, poderemos seguir na implacável busca para transformar o nosso capitão no Rei dos Piratas.

Continuarei a enfrentar os desafios que surgirem em nosso caminho, na esperança de encontrar uma maneira de escapar deste vórtice e confrontar o Colecionador face a face. Que minhas palavras aqui escritas sejam testemunhas de nossa jornada, da nossa tristeza e da nossa resiliência.

Até a próxima página, querido Diário.

^^^Com sinceridade,^^^

^^^Ekko."^^^

– […] Uau... – Aiko sentiu o mistério e a perigosidade do cemitério de navios se aprofundarem ainda mais com essa revelação. O relato trouxe à tona uma sensação de urgência e a necessidade de desvendar o que havia no vórtice.

Com a anotação em mãos, Aiko guardou-a com cuidado, consciente de que essa informação poderia ser crucial para desvendar os enigmas do cemitério de navios e encontrar uma possível saída. Esse novo fragmento de história apenas aumentou sua determinação em desvendar os segredos que os circundam. Com um sorriso no rosto, ela retoma à sua busca.

Explorando mais quartos, a capitã encontrou uma variedade de cenários. Alguns eram luxuosos, com móveis elegantes e espelhos adornados. Outros eram mais simples, evidenciando a vida de marinheiros humildes. Aiko examinou cada quarto com atenção, procurando por pistas que pudessem revelar mais sobre a história do navio, assim como se apossou de algumas peças valiosas, como jóias e até mesmo um punhal adornado de pedras de ametista. […]

Enquanto isso, Maroon seguiu por um corredor que levava a escritórios e salas de trabalho. Ele encontrou pilhas de documentos empoeirados, registros de cargas e rotas marítimas. Examinou minuciosamente os papéis, tentando encontrar alguma pista que pudesse ajudá-los com a inspeção.

Entre os documentos, o pesquisador encontrou listas detalhadas de cargas transportadas pelo navio em viagens anteriores. Essas informações incluíam descrições minuciosas de mercadorias, tais como tecidos finos, especiarias exóticas, Akuma no mi's, metais preciosos e até mesmo artefatos de origens desconhecidas. Os registros também forneciam informações sobre a origem e o destino de cada carga, bem como os nomes dos comerciantes e reinos envolvidos nas transações.

– Alabasta... Arquipélago Sabaody, Reino Rommel?... – Os olhos de Maroon vagam pelas dezenas de ilhas listadas e à cada nome, é compreendido a importância daquele navio ao mundo exterior, em seus tempos de navegação.

Os documentos continham mapas cuidadosamente desenhados, indicando rotas marítimas percorridas pelo navio ao longo dos anos. Esses mapas revelavam uma rede intricada de caminhos, conectando portos distantes e revelando os destinos que o navio havia alcançado em suas viagens passadas. Maroon estudou atentamente essas rotas, algumas ilhas não conhecidas também fixadas ao desenho.

Havia também correspondências antigas entre o capitão do navio e outros aliados. Essas cartas traziam relatos vívidos de tempestades violentas, encontros com piratas importantes como Barba Branca e Roger. […]

Emi, por sua vez, desceu para o porão do navio, onde encontrou uma atmosfera úmida e sombria. Ela vasculhou caixas empilhadas, encontrando artefatos antigos e utensílios de navegação. A ruiva se divertia com alguns objetos simulando usá-lo em situações fictícias.

Eles se aprofundaram cada vez mais nas entranhas da embarcação, apossando-se de novos itens e informações que viriam à calhar mais tarde.

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