"Respirei fundo, buscando forças no âmago do meu ser. A imagem da entrada escura e a sensação de mergulhar em um lugar desconhecido permanecia gravado em minha mente, alimentando a antecipação. Eu estava pronta para me lançar nessa jornada, para explorar os segredos que o labirinto de Lost Maze nos forneceria."
[…] Enquanto o navio desaparecia na escuridão da entrada, a vegetação marinha ondulava como uma despedida silenciosa. Os sons alheios se acalmaram, deixando apenas o eco das águas em movimento.
A iluminação era pouca naquele corredor de via única, o navio se movia lentamente para frente sem a intervenção de ninguém, como se estivesse sendo levado por alguma correnteza não vista.
– Estranho. – Comenta Maroon.
– O que foi? – Emi se vira para ele, assim como a maioria.
– Não pensei que o labirinto fosse uma área fechada. Na imagem publicada do livro estaria aberto.
– Isso é o de menos. – Resmunga Grom. – Precisamos acender as lamparinas do navio para continuar.
Emi se pendurou na frente da proa, ajustando sua visão para ter certeza do que seus olhos capturaram. – Ei! Aquilo é uma tocha de chama azul?! – Anuncia ela despertando o interesse de todos.
Conforme o grupo se aproximava da tocha brilhante no labirinto de Lost Maze, uma sensação de alívio e esperança se espalhava entre eles. A luz emanando da tocha parecia oferecer orientação e segurança em meio à escuridão opressiva do lugar desconhecido.
– Devemos pegar, capitã? – Um dos tripulantes se arrisca a perguntar.
– Não acham estranho ter uma única tocha no meio do nada? – Ela observa de braços cruzados.
Emi se aproxima da tocha de repente, sem refletir sobre a desconfiança de Aiko. – Por que tudo tem que ser tão difícil para você?! – Ela a observa uma última vez com o cenho franzido.
Aiko arqueia a sobrancelha com desdém pela ousadia, mas é possível ver a chateação na expressão da ruiva. A conversa de hoje mais cedo não parece ter dado bons resultados entre elas.
No entanto, assim que Emi se aproximou para tocá-la, a tocha revelou-se uma peça engenhosa de armadilha. Com um clique evasivo, um mecanismo oculto foi ativado, desencadeando sons distantes vindo de todos os lados, assim como a entrada do labirinto fechou-se atrás deles.
– Gostou do seu caminho mais fácil? – Aiko fecha os punhos e a observa com reprovação, caminhando pelo convés tentando acalmar a todos.
Grom se aproximou de Emi e afagou o cabelo encaracolado da guitarrista, com seu jeito habitual. Conhecendo-a melhor do que ninguém, ele entendia que aquela situação iria mexer com a consciência da ruiva. – Não seja tão impulsiva, garota. A situação não deve continuar assim, você sabe disso. – Com um "leve" bofeteio no ombro dela, ele se afasta estalando os dedos, pronto para ajudar com o que fosse preciso.
[…] O chão aquático começou a tremer violentamente formando ondas que batiam contra o casco, enquanto as paredes do labirinto se moviam de forma coordenada, atrapalhando a passagem estável de via única. A surpresa e o pânico se espalharam entre o grupo, que agora se via encurralado em um labirinto traiçoeiro sem poder dar meia volta.
– O que faremos agora? – Grom a encara esperando a capitã encontrar alguma solução. Ela parecia perdida em devaneios. – Aiko?
"Eu me vi presa em lembranças distantes, a responsabilidade pesava sobre os meus ombros, pois as vidas daqueles que me acompanhavam dependiam de mim a partir de agora. Pareceu fácil enquanto o inferno não me encurralou."
Aiko se viu em um confronto emocional, relembrando os tempos que haviam se perdido nas sombras. Mas, apesar das memórias dolorosas, algo precisava ser feito.
Com determinação, ela sacudiu a cabeça e concentrou suas energias no presente, se virando para os tripulantes outra vez. – Agora não podemos voltar atrás, seguiremos em frente, mas mantenham a guarda alta sempre. Ajudem uns aos outros, e tentem não morrer. – Declara em um tom frio, voltando para o deck do leme disponível.
O grupo parecia um pouco hesitante, então Grom deu o primeiro passo em questão com seus resmungos, acendendo as lamparinas do navio como havia sugerido inicialmente, visando melhorar a iluminação da embarcação. Aos poucos, os outros começaram a seguir seu exemplo.
...[…]...
Aiko conduziu o Ésde pelo estreito caminho de entrada, seguindo uma única rota no labirinto. A passagem era apertada, com paredes de rochas íngremes ao redor, criando uma sensação de claustrofobia. Eles avançaram cautelosamente, cada movimento calculado para evitar colisões ou encalhes.
– Uma tocha azul... – Ela pensa de repente. – Eu nunca vi aquilo.
[…] – Eu também não. – A voz conhecida da ruiva se revelou, enquanto ela suspira recostada na amurada do deck.
Aiko observa de relance Emi, e fica em silêncio novamente.
– Me desculpa. Eu fui uma idiota. – Ela observa os movimentos cautelosos de Aiko sobre o leme e seus olhos vagam pelo deck.
– Não podemos confiar no que não conhecemos. Pode não haver problemas, mas e se houver? – Aiko anuncia com uma voz áspera. – Não queira saber como é carregar o peso da morte de pessoas inocentes sobre suas costas.
– Dá a entender que isso aconteceu com você. – Ela cruzou os braços enquanto disse com uma voz receosa, sem querer incomodar Aiko.
– É porque aconteceu. – Aiko aperta as mãos na roda do leme, sua pele dos dedos esticando-se conforme o aperto ficava mais forte no material. – Não ouse tomar uma decisão inconsequente se vai arriscar a vida de outras pessoas, Emi.
Ela assente com a cabeça, parecendo envergonhada. – Não vai se repetir, eu garanto.
– Grom te fez vir aqui, não foi? – Aiko sorriu de soslaio, mudando de assunto.
– O velho me conhece melhor do que ninguém. – Ela se aproxima do guarda-corpo observando Grom andando pelo convés com mais dois tripulantes, ele parecia mais tranquilo após a entrada em Lost Maze. – Eu devo muito à ele.
Aiko assentiu enquanto permaneceu concentrada no caminho ignoto.
À medida que avançavam, a passagem gradualmente se alargava, revelando um vasto espaço preenchido com um exuberante recife de corais afiados. Era um cenário impressionante, com corais de todas as cores e tamanhos espalhados ao redor. A luz do sol filtrada pela água através de fendas que pareciam se estender durante o caminho, banhava o recife, criando um espetáculo de cores vibrantes.
O recife estava lotado de corais e várias aberturas se estendiam em diferentes direções, o Verdadeiro Início do labirinto. Todos pareciam fascinados com a beleza do recife à frente, até um som agudo e estridente ecoar pelo ambiente. O metal do casco do navio raspava contra os corais, criando um ruído ensurdecedor que reverberava pelos ouvidos de todos a bordo. Instintivamente, cada membro do grupo apertou as mãos contra as orelhas, tentando abafar o barulho angustiante.
– Que inferno! Anda logo com isso, Aiko! – Murmura Grom irritadiço com o barulho, tampando os ouvidos como os outros para evitar o som atrito.
– Precisamos seguir os corais azuis! Foi o que os piratas nos disseram! – Maroon comenta com um tom de voz mais alto.
– Capitã! Os corais azuis estão naquela direção! Precisamos virar a proa à bombordo! – Um dos tripulantes aponta para a esquerda em direção aos corais.
Aiko se esforçou para manter a calma e a concentração enquanto o navio lutava para se mover através do obstáculo formado pelos corais. O som irritante parecia penetrar fundo em seus ouvidos, fazendo com que ela fechasse os olhos e se concentrasse na tarefa em mãos.
– Esse maldito precisava mesmo deixar essa droga de caminho tão contrária à rota de entrada?! – Grom diz com os olhos cheios de raiva.
– Ele seria um completo idiota se deixasse tão óbvio a verdadeira entrada, não? – Retruca um dos tripulantes.
– Calado! – O ferreiro grunhe com o rosto vermelho, ainda lutando para abafar o som externo.
Finalmente, após uma árdua batalha contra os corais, o Ésde conseguiu avançar até o ponto onde os corais azuis se encontravam. O som agudo diminuiu gradualmente à medida que o navio se afastava dos corais mais afiados, substituído por uma sensação de alívio coletivo.
Com os ouvidos ainda zumbindo do barulho intenso, Aiko e seus tripulantes recuperaram o equilíbrio e se recompuseram. Uma parte do desafio haveria sido superado, mas a presença dos corais azuis à frente lhes dava esperança renovada. Era um sinal de que estavam no caminho certo.
– Pensei que ficaria surda antes da hora! – Reclama Emi enquanto se senta no deck massageando a cartilagem da orelha.
– Eu também. – Aiko afirma com um suspiro. – Podemos ter uma idéia à partir de agora sobre como vão ser os desafios.
– Huh? – A ruiva encara a capitã com curiosidade.
– A maioria das armadilhas devem estar ligadas à natureza em si. Talvez a dificuldade maior seja reconhecer que o caminho certo é levado pelos corais azuis.
Emi sobrepõe o queixo nos dedos. – Faz sentido.
– Eu sei. Mas de qualquer maneira, devemos manter a guarda sempre alta. – Os olhos de Aiko de repente se tornam afiados com uma expressão nublada.
– Por que...?! – Emi fecha os olhos com força ao perceber Aiko desembainhar a espada e ir em sua direção.
Em um evento de segundos, o foco de Aiko foi rapidamente desviado quando um tentáculo de uma vegetação marinha se estendeu em direção ao convés, ameaçando puxar Emi para fora do navio.
Sem hesitar, a capitã abandona o leme e se lança na direção da ruiva que fechou os olhos pelo susto, agarrando-a pelo braço e puxando-a para um local seguro no convés. O tentáculo da vegetação marinha atingiu o chão polido com força, e num movimento ágil, a lâmina afiada de Aiko o atravessou, separando-o do resto da planta.
Este caiu inerte no convés, enquanto Aiko retornava ao leme após guardar sua espada novamente. – […] Porque as águas são traiçoeiras, Emi. Mantenham-se vigilantes. Esse desafio não é novo para vocês. – Um esboço de sorriso tomou seus lábios.
Com a ameaça neutralizada, Grom se aproximou e jogou o tentáculo cortado de volta ao mar, afastando-o do navio. – Céus, preciso buscar um charuto para não acabar maluco como vocês. – Ele massageia a têmpora com uma expressão aborrecida.
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Atualizado até capítulo 16
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