XV - Fragmento Esferal

Enquanto Aiko e Emi seguiam cautelosamente a borboleta gigante, chegaram a um lugar da ilha que era como um santuário das borboletas. Era uma área repleta de casulos, cada um deles do tamanho de borboletas gigantes, como à que seguiram. A paisagem era impressionante, com os casulos suspensos nas árvores, criando uma atmosfera mágica e surreal.

Os casulos eram de um branco iridescente, adornados com padrões intrincados e delicados.

– Isso... parece coisa de outro mundo! – Conclama Emi, fascinada.

– Sim... – Aiko concorda, lembrando-se exatamente do fragmento misterioso que simplesmente sumiu em suas mãos. – Talvez seja alguma evolução própria da ilha, quem sabe.

– Se for assim, então pode existir mais animais grandes desse jeito aqui? – Emi se volta para ela, pensativa. – Talvez devêssemos... – Ela fixa o olhar em uma árvore atrás de Aiko.

– O que foi? – A capitã acompanha o olhar de Emi, e então a vê.

Ali ao fundo, encontraram uma borboleta gigante, com uma das asas presa em uma grande teia de aranha. A asa estava um pouco desgastada, mostrando sinais de luta e esforço para se libertar.

Com compaixão em seu coração, Emi se aproximou da borboleta com cuidado. Ela parecia poder sentir o desespero e a angústia da borboleta, que lutava para se libertar da teia que a prendia.

Em silêncio, a garota de cabelos negros observou a cena de Emi se aproximando da borboleta presa.

"Uma sensação conhecida de impassibilidade tomou conta de mim. Eu contemplava o destino daquela borboleta, convencida de que sua fraqueza e captura eram inevitáveis. Emi olhou para trás ao perceber que eu não a acompanhava, parecia confusa e perturbada, questionando minha falta de empatia."

– Por que você não vem ajudar? Ela está presa e precisa da nossa ajuda! – Exclamou a ruiva, com uma mistura de perplexidade e preocupação em sua voz.

Aiko, mantendo seu olhar fixo no horizonte, respondeu com calma – Às vezes, é melhor não interfirimos nas consequências da vida. Essa borboleta está presa por uma razão, talvez seja parte de seu destino. Nós não devemos nos intrometer.

Emi, sentindo frustração, tentou argumentar. – Mas nós podemos ajudar, Aiko. Não podemos simplesmente ignorar o sofrimento dela. Talvez ela tenha uma chance de sobreviver e voar novamente se a soltarmos.

Ignorando as palavras de Emi, Aiko voltou a andar, se afastando dos casulos e da borboleta presa. Seu comportamento impassível deixou Emi atordoada. Ela se viu dividida entre seguir a capitã ou ficar para ajudar a borboleta.

– Ela não está aí à toa. Se fosse mais esperta, não estaria nessa situação. – Finalizo, antes de voltar ao meu caminho.

Em um momento de decisão, Emi escolheu ficar e ajudar. Com cuidado, desembaraçou a asa da borboleta presa da teia de aranha. A pobre criatura, fraca e exausta, pousou delicadamente no chão, ao lado da ruiva. Sua asa estava danificada e ela não conseguia voar com facilidade.

Ela se ajoelhou e pegou da bolsa uma banana que teria coletado de uma das bananeiras que encontrou enquanto buscava frutas silvestres, temendo que a grande borboleta não fosse comer. Mas com dificuldade, ela começou a degustar lentamente do alimento.

– Você vai ficar bem. – A ruiva suspira e se levanta, sorrindo. – Será que borboletas gigantes seria um bom artigo para uma música?

...[…]...

Curiosa e determinada, Aiko avançou na escuridão de uma gruta das proximidades, encontrando um ambiente ainda mais sombrio do que os anteriores que havia explorado. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas a sensação de mistério a impulsionou a seguir em frente.

Enquanto seus olhos se ajustavam gradualmente à falta de luz, ela notou algo surpreendente e familiar. Uma grande pedra exibia marcas profundas de garras poderosas. As incisões eram tão nítidas e bem definidas que evidenciavam a força e o porte da criatura responsável por elas. Outra vez.

Sua mente se encheu de perguntas sobre a natureza e a identidade da criatura que possuía tamanha força.

De repente um som repetido ressoa. Era o Den Den Mushi preso em sua cintura.

– Capitã Aiko! Tenho notícias! – Um tripulante anuncia com a voz acanhada.

– Prossiga. – Permaneço observando as marcas no rochedo.

– Temo que... Esse lugar seja Heart-Gunkan! O pedaço central de Gunkan Island ou Ilha Navio de Guerra, a terra dos dragões, que sumiu pelos mares.

– Heart-Gunkan? Mas o governo anunciou que esse lugar estava imerso permanentemente.

– Sim, as notícias diziam isso, mas o formato da ilha, a localização... É Heart-Gunkan, capitã. – O rapaz conclui convicto.

– Terra dos dragões... Talvez isso explique as... Hum? – Aiko ficou em silêncio, seus instintos apitaram, enquanto sentia ser observada.

Inesperadamente, um rugido feroz ecoou, fazendo tremer as rochas. Um enorme crocodilo com traços assustadores e idênticos à alguma espécie de dragão, apareceu das sombras, coberto por cicatrizes de antigas batalhas. Olhos famintos focaram em Aiko. O monstro parecia decidido a não deixar sua presa escapar.

– C-capitã Aiko, algum problema?! – O homem pergunta assustado ao ouvir o rugido.

– Não. – Ela observa a criatura e diz despreocupada. – Eu e Emi voltaremos para o Ésde em breve. – Sem esperar resposta, guardou o Den Den Mushi novamente.

Antes que pudesse pensar, ela ficou surpresa ao vislumbrar de relance novamente o brilho familiar do fragmento da esfera, cravado no chão da gruta escura, pouco atrás do crocodilo. Era uma visão que a intrigava e despertava uma sensação de conexão com algo maior.

 "Mas como se aproximar daquele fragmento com uma criatura tão imponente e bizarra diante de mim?!"

Aiko suspira, e um sorriso presunçoso se forma em seus lábios. – Então está na hora de brincar. Venha até mim!

Rapidamente, ela pensou em um plano, usando ilusões para distraí-lo.

..."Sinister Ilusion!"...

O crocodilo avançou furioso, suas mandíbulas se abrindo em uma mordida mortal. Rápida com suas ilusões, ela criou sua própria versão fugindo para a profundidade da gruta, confundindo os sentidos do predador.

Ele hesitou por um instante, incerto de seguir adiante. Mas foi tempo suficiente para correr até Emi que estava lá fora procurando Aiko pelos arredores.

– Oh, aí está você. Sei que não tenho nada à ver com suas escolhas, mas você realmente precisava... – A ruiva não consegue terminar de falar, pois Aiko segura seus ombros com firmeza e a encara nos olhos.

– Corra para o Ésde e não olhe para trás. Agora.

– Huh? Por que?

Um rugido estridente e próximo ressoou, alertando Emi que ouviu, seus olhos arregalando instantaneamente.

– E você?! – Emi questiona assustada.

– Vou te acompanhar em breve. Agora suma. – Aiko ordena antes de retornar em direção à gruta.

A ruiva acena e sai correndo, sumindo rapidamente do campo de visão de Aiko. Ao retornar para perto da gruta, se escondeu em uma árvore próxima e concentrou-se então, projetando a ilusão de uma manada de wapitus selvagens correndo para um riacho à frente dali, fazendo o crocodilo rugir e seguir naquela direção.

– Eu preciso entrar na gruta... – Ela conclui e se infiltra na escuridão, caminhando em direção ao fragmento brilhoso ainda cravado no chão.

Quando Aiko conseguiu desprendê-lo, o fragmento obtinha a mesma solidez, curva e energia do anterior que havia supostamente desaparecido. Parecia ser o mesmo.

No entanto, assim que o crocodilo gigante anunciou sua volta de modo ensurdecedor reaparecendo na entrada da gruta, o fragmento começou a brilhar intensamente. Essa súbita mudança deixou Aiko surpresa e um tanto assustada com a coincidência.

O brilho intenso do fragmento sob a presença do crocodilo imponente fez com que ela percebesse que havia uma conexão entre os dois. Talvez aquele crocodilo fosse de alguma forma ligado ao poder ou à energia do fragmento.

– É seu? – Ela estende a mão com o fragmento, apenas na tentativa de analisar o comportamento do crocodilo.

Ele observava Aiko com seus olhos imponentes antes de rugir ferozmente, enquanto o fragmento continuara a emitir seu brilho intenso.

"Eu podia sentir a energia pulsante do artefato e sabia que estava diante de algo extraordinário."

Ele avançou, mais rápido desta vez. Aiko sorriu e provocou. – Se quiser de volta, terá que recolher.

..."É hora de descobrir de uma vez por todas a correlação disto."...

Afinal, percebeu que confundir o crocodilo com múltiplos fragmentos parecidos poderia ser uma estratégia eficaz. Em vez de provocar fúria, ela concluiu que o crocodilo estava agindo de maneira protetora em relação aos fragmentos.

Usando seus poderes de ilusão, a garota criou várias réplicas do fragmento brilhante, espalhando-os pelo ambiente ao redor. Cada réplica emitia um brilho semelhante ao original, criando uma cena de múltiplos fragmentos reluzentes. Conquanto ela, se acobertava num véu de invisibilidade ilusória, permanecendo em silêncio.

"Eu observava atentamente o comportamento do crocodilo, estudando seus movimentos e reações. Notei que a grande criatura estava genuinamente preocupada em proteger os fragmentos, o que poderia significar que esses objetos eram de grande importância para ele. Agora o porquê..."

O crocodilo, curioso e instigado pela aparência dos fragmentos, começou a avançar em direção a eles, tentando recolhê-los. Ele se movia com cautela, como se estivesse cuidadosamente recolhendo os fragmentos com sua boca.

...Tinha se esquecido completamente da garota que sumiu subitamente....

..."E o fragmento permanece em minhas mãos, este não desapareceu, e voltou ao seu brilho original."...

Enquanto ele se concentrava nos fragmentos falsos, Aiko aproveitou a oportunidade para se mover silenciosamente, mantendo-se afastada e fora do alcance do animal. Ela sabia que precisava ser ágil e tomar cuidado para não ser notada.

– Ugh... – Ela reprime os olhos, suas veias da testa saltam. – Só mais um pouco. – Decide agir rapidamente, isolando a audição da enorme criatura e correr para fora da gruta.

"Minhas pernas cederam ligeiramente, mas consegui me equilibrar e voltar a correr para longe. O rugido estridente, desta vez mais alto, tomou conta do ar. Alguns pássaros que descansavam em árvores próximas voaram ao susto. Examinei o meu bolso, e o fragmento estava lá."

Após alguns minutos correndo, seu campo de visão se estendeu e finalmente Ésde foi avistado ancorado na praia.

– Vamos zarpar, rápido! – Gritou ofegante.

Emi aproximou-se e me puxou para dentro enquanto os outros soltavam as amarras. Ao cair no chão do convés, sinto as vozes aumentarem ligeiramente, e algumas figuras distintas se multiplicarem no céu.

...Ainda é difícil manter os limites da Yūgana....

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!