XVII - Redenção dos Piratas

Entre os membros da tripulação do Ésde, o homem de barba longa e olhos atentos, sentiu seu coração acelerar ao ver a fumaça. Ele se aproximou da capitã, e com preocupação em sua voz, Grom perguntou:

– Vamos atacar? E se meu neto estiver lá?

Aiko, com seu olhar determinado, observou o navio hostil no horizonte antes de responder – Vamos manter a calma e tomar as precauções necessárias, está bem? – Ela o consola com tranquilidade. Ao estapear seu ombro de forma sutil, ela se vira para os demais presentes. – Tripulação, avistamos um navio à nossa frente. Não sabemos se é o navio do Colecionador, mas devemos estar preparados para o pior. Nossa prioridade é proteger uns aos outros e garantir a segurança do neto de Grom, caso esteja a bordo daquele navio.

A tripulação assentiu, demonstrando sua determinação em enfrentar o desafio iminente. Todos se apressaram em suas tarefas, preparando-se para o quê estava por vir. Enquanto isso, Aiko observou o navio desconhecido se aproximando. Seus olhos perspicazes perceberam algo errado na maneira como a embarcação se movia pelas águas após perceberem a presença do Ésde.

"A tensão em mim se espalhou rapidamente quando ficou evidente que o navio se aproximava, aparentemente com intenções afrontosas, óbvio que seus ocupantes estavam prontos para o confronto e para saquear os meus recursos valiosos."

...Estão vindo para cá com ferocidade....

– Se for esse Colecionador, a festa dele acabará aqui. Homens, ajustem as velas e preparem suas espadas, defendam o Ésde à todo custo, peço para que evitem perfurar o casco daquele navio, ainda não sabemos se o Ryuichi está preso!

Os tripulantes pareciam hesitantes, mas fizeram conforme o comando da capitã.

Finalmente, os dois navios se encontraram em batalha. O som dos canhões ecoou pelos mares enquanto não se aproximavam um do outro, e quando por fim metade do grupo de piratas invasores encontraram sua chance, subiram a bordo do Ésde e lutaram cegamente, o som dos metais se encontrando em um intenso confronto enquanto os canhões alimentavam a atmosfera carregada. Aiko liderou sua tripulação com coragem, dando instruções e fornecendo apoio moral.

"Eu estive a maior parte do tempo preocupada em adentrar o navio dos rebeldes e examiná-lo, procurando por resquícios do pequeno Ryuichi, mas mesmo derrubando quem se opusesse à minha invasão e indo nas poucas salas da mediana embarcação, ele não estava lá. Sem perder mais tempo, corri em direção ao Ésde novamente."

– O encontrou?! – Grom ruge ansiando por uma resposta enquanto derrubava alguns homens apenas investindo golpes de punhos fechados.

– Ele não está lá.

E enquanto a batalha se desenrolava no convés, diálogos de adrenalina podiam ser ouvidos entre os membros da tripulação.

[…] – Capitã! – Ao avistar Aiko, um tripulante grunhe. – Eles estão tentando flanquear-nos pela esquerda, precisamos redirecionar nossos canhões! – Diz ofegante.

– Mantenham a defesa! Não recuem! – Ela ordena com determinação enquanto avançava em mais dois piratas.

– Os pelouros estão acabando, capitã! As munições dos canhões em Isle Harmony estavam escassas, não vamos segurar por muito tempo.

– Droga. – Aiko murmura.

Empunhando a sua espada com destreza, tomou à frente acertando os piratas que estavam ganhando tempo para que outros tentassem saquear o Ésde. Mostrando-se uma líder formidável, inspirou alguns de seus homens que antes caídos, agora se levantam e procuram suas espadas, mesmo diante das adversidades.

Grom, com sua poderosa força, conseguia atacar vários homens de uma vez, perguntando aos rugidos sobre seu neto desaparecido, mas sem dar tempo aos homens responder. Emi, por outro lado, sorria divertida e atacava os piratas com as costas de sua guitarra.

Mas não era o suficiente. Os outros tripulantes do Ésde pareciam amedrontados, não eram todos os piratas que se arriscavam a confrontar Grom ou Emi. Aquele grupo de homens, apesar de bons navegadores, não passavam de nobres pescadores, apesar de suas habilidades graças à sua vivência. Uns se viam como reféns, outros eram como saco de pancadas.

– Eu preciso usar só mais uma vez. – Ela suspirou e sorriu vagamente enquanto contra-atacava outro pirata invasor. – Homens! – Ela chama a atenção dos rapazes, inclusive de Grom e Emi. – Não se assustem.

Decidida, Aiko concentrou-se e invocou o poder de sua habilidade, a Yūgana Yūgana no Mi. Uma corrente de energia misteriosa começou a girar ao seu redor, envolvendo-a em um brilho etéreo. Gradualmente, a aura se expandiu, envolvendo a área.

O ar ao redor do Ésde se distorceu e se transformou em um cenário deslumbrante. Ela havia criado um domínio ilusório, transportando todos para uma realidade alternativa. O mar revoltoso se transformou nas profundezas dos mares, sereno com águas cristalinas, mas ambos os navios naufragados. Todos os tripulantes do Ésde foram envolvidos por uma grande caixa de vidro, conquanto os outros piratas se sentiam sufocados e assustados com o cenário.

– O-o que... – Grom arregala os olhos, e o charuto cai de sua boca no chão arenoso, ao abri-la de surpresa.

"Me virei para minha tripulação que se mantinha perdida pela tamanha reviravolta, assim como os piratas invasores."

– Escutem. – Diz ela com firmeza. – Enquanto eu for a capitã, ninguém aqui será ferido. Já que chegamos ao extremo, vou me exibir um pouquinho, prestem bem atenção na demonstração do meu poder.

...Silêncio....

Ao se virar novamente para os piratas que mesmo firmes no chão, ainda demonstravam inquietação com a suposta falta de ar, Aiko começou a estalar os dedos enquanto canalizava sua energia.

^^^Uma.^^^

Duas.

...Três....

^^^Quatro...^^^

Cinco vezes.

..."Illusion... Sinister"...

De repente, criaturas marinhas ilusionárias emergiram no mar ilusório, e todos os presentes se viram cercados por poderosos Sea Beasts. Eram diversos, seres majestosos e aterrorizantes, com escamas brilhantes e presas afiadas.

– Vocês podem respirar, rapazes. Vamos ter demonstrações piores a partir de agora. – Ela aponta para o grupo de piratas à frente, como se estivesse dando a ordem para que as bestas os atacassem.

Sua risada sinistra ecoa enquanto os piratas são vítimas das ilusões. Os gritos enchem o ar - ou não? Talvez esteja tudo na cabeça deles.

– Fracos, como presumi. – Ela conclama.

Os tripulantes observam com horror e admiração enquanto os homens se contorcem de terror diante dos ataques de raspagem das feras-ilusões. Ninguém ousa desafiar Aiko enquanto seus poderes exercem tal influência.

Finalmente o capitão encontra a voz através de gemidos. – Misericórdia, demônio! Nós te imploramos, nos liberte!

Eu sorrio sombriamente. – Então você implora? Tudo bem - Me entediaram muito rápido, cansei desse jogo.

Com um movimento do pulso, o jutsu termina. Dissipando o domínio ilusório e trazendo todos de volta à realidade do navio, os piratas caem tremendo no chão do convés enquanto os tripulantes engasgam, vendo os algozes serem derrubados apenas pelas mãos da capitã.

Seu olhar passa friamente por todos. – Que isso seja uma lição para todos. Os fracos sempre vão tombar diante dos mais fortes.

Ela anda confiantemente em direção à um deles, um homem esguio, o mais bem vestido, possui um cavanhaque simples e sobretudo de couro; era definitivamente o capitão deles. Foi somente quando este se viu encurralado por Aiko, com sua espada apontada para ele, que um suspiro escapou de seus lábios. Com a derrota iminente, sua fachada de pirata rebelde começou a se desmoronar.

Ofegante, ele afasta a lâmina de Aiko de seu rosto com um toque trêmulo. – E-eu... Sinto muito.

– Sente muito uma ova! – Grom resmunga com raiva. – Acabe com ele de uma vez!

O homem se ajeita com dificuldade numa parede próxima, e finalmente encontra os olhos de Aiko. – S-somos habitantes da ilha irmã de Lost Maze...

Aiko aproxima sua lâmina novamente do pescoço do líder dos piratas e o observa com firmeza. – Lost Maze? Que interessante. Onde está Ryuichi?

Ele arqueia a sobrancelha, confuso. – Ryuichi?

– Você não trabalha para o Colecionador?!

O homem grunhe em desdém. – Aquele maldito. – Sua pronúncia traz curiosidade a capitã que observa em silêncio. – Bem, somos fugitivos. Aquele homem está destruindo as nossas terras após assumir a autoridade total da ilha. Nós... – Ele pigarreia. – Nos tornamos piratas para buscar recursos para sobreviver. Ainda assim, queremos nos tornar fortes o suficiente para poder voltar e matar esse desgraçado! – Por fim, ele cerra os punhos com raiva.

"Eu permaneci em silêncio enquanto observava meticulosamente a expressão do rapaz. Ele parecia ser sincero. Com um aceno, guardei novamente minha espada na bainha."

– Muito bem. Vocês podem prosseguir com a viagem, eu não me importo. Se era apenas suprimentos que desejavam, então podemos oferecer um pouco do nosso estoque, eu só peço para que... – Ela se agachou para ficar à altura do rosto do homem, olhando intimidantemente. – Nunca mais ouse prejudicar o meu navio ou a minha tripulação.

– C-claro. Mas... A senhorita vai nos ajudar mesmo depois do que causamos? – Ele a observa com expectativa, mas demonstrando constrangimento em sua voz.

Um esboço de sorriso pinta seu rosto. – Por um preço, claro.

Ele desvia o olhar. – Não temos nada à altura para lhe oferecer, nem mesmo dinheiro.

– E quem disse que para me beneficiar precisa ter algo material? – Ela arqueia a sobrancelha.

– Huh?

– Eu quero informações sobre Lost Maze e como encontrar o Colecionador. Em troca, você e seus tripulantes terão suprimentos suficiente para sobreviver por uma semana.

– Você pretende enfrentar aquele homem? – Ele arregala os olhos ligeiramente.

– Sim.

– N-não sabe onde está se metendo e... – Ele é interrompido por um grunhido irritado de Aiko.

– Não se meta nos meus assuntos. Eu não sou covarde como você. – Ela apertou os punhos com desdém. – Vai me fornecer informações ou não?

O líder dos piratas fugidos, compreendendo a superioridade de Aiko e vendo uma oportunidade de redenção, aceitou o acordo proposto.

– Lost Maze é como o inferno das águas de East Blue. À alguns anos, foi dominada pelo homem conhecido como Colecionador, ele pode ter tudo, sua ambição fala mais alto do quê seu valor pela vida. Para chegar até ele e os seus escravos... Ou melhor, o resto do nosso povo que serve à ele, é preciso enfrentar o temido labirinto da ilha. Poucos realmente conseguiram entrar, mas não voltaram. E nós...

Aiko observa os piratas que se sentam no convés com dificuldade, todos têm uma expressão cansada em seu rosto, assim como cicatrizes.

– Entendi. Vocês conseguiram escapar da escravidão. – Ela suspira. – Saiba que, quando decidirem retornar a terra natal de vocês, esse homem não estará mais lá. – Um sorriso sutil toma seus lábios. – Eu garanto.

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