“ A vida perde o sentido quando fazer parte dela se torna inútil. Você não muda nada. Não serve para absolutamente nada ou faz nada. Mas ainda tem que ouvir que é sua obrigação viver o inferno diário que é sentir está dor todos os dias pelo resto da sua vida.” — Alice Cardoso (A dor de continuar)

Capítulo catorze: gostaria de pedir gentilmente que fosse para a casa do caralho.

Poucas horas não mais do que três se passam desde que Namjoon subiu para o segundo andar. A saída breve dele deixou umas devoradora de livros a solta num ambiente capaz de saciar sua fome e desejo em consumir leituras diversificadas, dado a isto, Alice está agora lendo o terceiro livro que é uma coletânea de poemas e poesias criado por um autor Russo quem não consegue pronunciar o nome sem que pareça estar invocando o diabo em pessoa. E em mal também. Sentada encolhida num canto, folheia com calma as páginas absorvendo cada palavra escrita e a maneira como são enfatizado tais como “liberdade” “medo” “morte” dentre outras. A princípio, o título da atual coletânea se chama “A agonia de viver”.
Este lhe chamou a atenção por ter o nome parecido com um livro de autoria própria. É aliás belíssimo o livro do tão Russo não sei das quantas, a maneira lírica que este retrata o suicídio, depressão e ansiedade de maneiras tão lindas tocam profundamente o coração de Alice. De certo modo, lhe incentivando a praticar. O que é tudo contra ao que Namjoon deseja.
— Licença — pede ele ao abrir a porta procurando com o olhar Srta. Cardoso logo lhe encontrando encolhida ao lado duma prateleira.
Indo até ela ele se senta ao seu lado inclinando o pescoço para ver o que estava lendo e ao reparar pega o livro o fechando assustando a que o olha abismada. Mais que grosseria dele interromper assim sua leitura.
— Não. O livro dele prega tudo quanto é incentivo ao suicídio. Não pode ler isso até estar em suas perfeitas faculdades mentais — diz guardando o livro ao esticar o braço até a prateleira próxima cujo rótulo é “Folclore popular”.
— Isso foi muito rude... Aliás, está bonito. Não devia ter tomado o livro assim que coisa feia — diz zangada cruzando os braços.
— Soube que Edward partiu dessa pra... Alguma coisa, não se foi para melhor ou pior enfim, sinto muito. Muitíssimo meu secretário me contactou nextante e falamos sobre, você quitar a dívida ainda é necessário — diz analisando as reações dela.
Alice apoia os braços sobre os joelhos que estão altos devido a posição de suas pernas que lembram montanhas e suspira
— Eu sei não se preocupe. Vou trabalhar dobrado e quitar a maldita dívida — diz fazendo sem perceber um bico com isso lábios.
— Se você quiser tem o direito de uma semana de luto... E pelo visto você está mesmo precisando — diz deixando seu sorriso amável de lado assumindo uma expressão séria — por favor, não tente se matar denovo Alice — toca no ombro da mesma que fecha os olhos em reação.
— Não vou prometer nada. Não sou muito boa com promessas — sorri com as orbes marejadas.
— Bom... Já é alguma coisa — se levanta olhando para a porta tendo uma expressão facial de raiva logo suavizando vendo o item nas mãos do convidado — seria educado se você tivesse batido na porta.

— Tá gatão em chega virei gay só de te olhar — diz se aproximando olhando o patrão de cima a baixo impressionado.

— Me dê isto aqui vai — toma a capa de roupa da mão dele segurando pelo cabide que esta com o gancho para fora.
— Não quis incomodar, vocês estavam tão fofinhos sentados juntinhos conversando — recebe um cascudo do chefe e resmunga.
— Você é muito profissional em Jung Hoseok. Por isso disse a tia Soora-Min pra reconsiderar, aí, nunca mais contrato gente da família — reclama enquanto abre o zíper da capa para verificar se tem tudo que pediu e fica em silêncio acenando com a cabeça — ao menos pra isso serviu, obrigado — fecha olhando-o e fica confuso por não o ver onde viu pela última vez.
Alice não prestava atenção na situação já que presumiu não fazer parte ou ter haver com a conversa, ela saiu andando pelas prateleiras mantendo certa distância até que acha o clássico Romeu e Julieta folheando-o lentamente apreciando as palavras escritas com tamanho sentimento. Ao sentir um par de mãos cobrir sua visão se assusta dando um pequeno pulinho agitando as mãos tocando as do até então desconhecido fazendo o livro cair. Namjoon ouve o som e olha na direção fazendo cara feia, maldito seja teu primo por ser tão carinhoso e amigável.
— Adivinha quem é? — siliba formando seu sorriso que convencionalmente lembra um quadrado.
— Oh, nossa eu não faço a menor idéia — diz irônica sorrindo.
— Ahh, por favor, não seja ranzina igual Namjoon ele é muito chato. Seja a minha salvação por favor -— implora resmungando.
— Como que você sai falando meu nome após quatro ventos assim seu incompetente— se aproxima e desfere outro cascudo no mais novo que resmunga alto.
— Não sei pronunciar seu nome... Mas sei quem é — diz aproveitando a oportunidade para tirar o par de mãos que cobrem seu rosto e ver quem é o culpado, abrindo um sorriso amigável ao notar a carinha de decepção do mesmo — caso nos vejamos mais vezes te chamo de... Hum... Hobi? Hobi... Serve não serve?
— Eu amei! Gostei dela, quando será o casamento? Se eu não for padrinho início um incêndio na sua garagem — diz sorridente com um tom diabólico olhando para Namjoon.
— Sério Hoseok vai pentear um macaco vai — diz após se abaixar e em seguida guarda o livro em seu devido lugar — aqui Alice pode usar a suíte do quarto de hóspedes a vontade — estende a longa capa para ela que pega sem jeito após soltar as mãos de Hoseok.
— Pode me mostrar onde é? — segura pelo gancho do cabide.
Namjoon concorda e vai andando na frente sendo acompanhado por ela enquanto Jung segue a convidada.
— Qual o seu signo Alice? — o amante dos astros fica ao lado dela.
— Sagitário. Tenho uma tatuagem no ombro que representa — puxa um pouco da manga para que ele possa ver e ele fica surpreso.

— É muito lindo! Que invejinha, nossos signos se dão muito bem na amizade pelo o que me lembro e isso é ótimo — diz pondo o braço sobre o ombro dela sorrindo.
Apesar de não gostar da proximidade exagerada sorri amigável. Namjoon os observa como um falcão e também não aprova a intimidade que Hoseok está estabelecendo dentre ambos.
-— Hoseok meu querido primo pode me esperar por favor, no meu escritório para que possamos conversar — diz parando no “pé” da escada o fuzilando com o olhar.
— Nossa me deu uma fome de repente né? Vou indo nessa — vai em passos apressados para a cozinha com medo do olhar do parente.
Alice rir do jeito que Hoseok anda e Namjoon suaviza o olhar ao ver seu sorriso. Lhe oferecendo a mão, ela aceita e ele lhe ajuda a subir as escadas apenas por casualidade. Ambos andam lado a lado até chegarem em frente duma porta, não sem antes, que Alice reparasse em como a infraestrutura do lugar faz jus a quanto tempo existe. 100 anos de um trabalho hoteleiro exemplar.
— Pedi que fosse reformado ao meu gosto e ficou assim. Espero que se sinta bem... Qualquer coisa é só chamar — diz dando alguns passos para trás.
— É sério eu quer morar aqui, esse lugar é o paraíso! — solta alguns gritinhos encantada ao entrar no cômodo.

Namjoon sorri com a idéia mas logo lhe reprime ao pensar que poderia colocar a vida da mais nova em risco ao estabelecer uma relação aberta consigo. E uma secreta? Fica atentado ao pensamento e inquieto observando a inocência dela correr solta por aquele quarto. Mesmo que não quisesse admitir já estava encantado por ela desde quando lhe viu ser corajosa o suficiente para defender o amigo de um grupo de marginais (incluindo ele).
Precisava desesperadamente estar com ela respeitando claro seu espaço, mas desfrutando da sua companhia, olhando seu sorriso todos os dias principalmente ao acordar que é quando imagina como seus cachos estarão bagunçados lembrando uma fofa nuvem. Pobre e sonhador homem, se arrependia amargamente agora de ter feito tais escolhas que o levaram a estar numa “profissão” que lhe submetesse a ausência da companhia se não profissional. Porém, não pode deixar de também agradecer pois se não ela não teria conhecido está jovem-mulher tanto quebrada quanto encantadora.
— Namjoon você morreu? — cutuca a bochecha esquerda dele com dificuldade por ter de ficar na ponta dos pés devido a diferença de altura.
— Hum? Ah, perdão estava imaginando coisas — diz segurando a mão dela.
— Entendi — diz trazendo a mão para perto de si — vou indo me banhar, tchauzinho — diz entrando no quarto fazendo menção de fechar a porta.
Ele acena se despedindo e ela repete o gesto pouco antes de fechar a porta de vez e olhar para a cama King Size que é onde está a grande capa preta cobrindo a roupa que presume, irá usar essa noite. Abrindo, se depara com um belíssimo vestido vermelho vinho (dependendo da iluminação ambiente pode ser facilmente confundido com vermelho escuro) divino cujo modelo se divide majestosamente num busto semi-coração contando alcinhas, cumprimento pouco acima dos joelhos (pôs em frente ao corpo e presumiu) e um delicado tecido de cetim. Se encanta também com os acessório dentro dos bolsos transparentes de dentro da capa nas cores douradas e um par de rasteirinhas salto cor dourada.
— Que fofa essa rasteirinha — arruma os itens na cama e vai em direção ao banheiro se trancando lá.
Se despindo com certa pressa, deixa as roupas ainda úmidas dobradas no canto da pia e vai para dentro do box tomando uma ducha caprichada. Ela passa a esponja em formato de lótus com sabonete líquido no corpo sentindo as espumas cor-de-rosa aparecerem e acha meiguice nas nuvens de bolhas. Deixando a água corrente do chuveiro elétrico levar as últimas espumas, sai de dentro do box de vidro transparente indo em passos cuidadosos com medo de escorregar devido ao piso de cerâmica e estar molhada: uma combinação perigosa.

(A fora está invertida na obra. Ou seja, a janela está do lado esquerdo)
Chegando enfim, pega a toalha e enxuga toda a extensão corporal deixando as madeixas úmidas e soltas de modo que algumas partes fiquem sobre seus ombros nus, se enrolando como um enroladinho de salsicha sai do banheiro prendendo o cabelo com uma presilha “piranha” que encontrou numa caixinha itens. Ao sair se encaminha até o conjunto para dar uma última olhada e percebe uma caixa preta de tamanho médio pouco achatada que até então não estava lá, curiosa, Alice abre a caixa com o nome da marca “Christian Dior” e fica surpresa ao ver o conteúdo. É uma belíssima lingeria preta cujo tecido predominante é renda estampaada de rosas; o sutiã é um modelo tomara que caia para se aderir ao vestido enquanto a calcinha modelo tanga possui as laterais de modo que possam serem amarradas num lindinho laço assim como está.
Vários pensamentos se passam na mente de Alice e o principal é de não usar, no entanto, a ideia de usar a roupa íntima que está usando o dia inteiro num evento como este não lhe agrada nem um pouco; após vestir, vai timidamente até o espelho e se sente estranha naquele conjunto íntimo apesar de lhe cair como uma perfeita e suave luva, o tecido é mesmo confortável.
Pensando não ter muito tempo, se veste o mais breve possível, ajeita o vestido, calça as rasteirinhas após passar um pouco de creme próprio para os pés, em seguida se olha no espelho enquanto põe os acessório brilhantes e reluzentes fossem eles pulseiras, anéis, brincos e um lindíssimo colar. Ao acabar, vai até o banheiro pondo a toalha sobre os ombros e então procura um creme achando um específico para cabelos lisos, não pôde evitar de não fazer cara feia mas notando não ter outra opção decide usá-lo para fazer um penteado de choque baixo trançado pondo uma presilha de flor de lótus que estava na caixinha de acessórios, Alice pendura a toalha onde encontrou e faz umas constante nota mental para vir buscar suas roupas mais tarde. Voltando para a sala se olha no espelho uma última vez e sorri.
— Que mulherão da porra — rir de sua fala imprópria.




(A iluminação ambiente é de diferentes intensidades em cada foto)
Voltando para o banheiro se lembra de passar desodorante tipo pasta da Nívea e creme de pele da mesma marca, em seguida se perfuma nas áreas específicas que aprendeu e realmente pronta sai do cômodo apagando a luz dele e em seguida do quarto já perto da porta, sai o fechando dando de cara com Namjoon subindo as escadas e vai caminhando na direção dele pouco antes que ele chegue.
— Oi! Desculpa a demora, seu banheiro é um sonho. Na verdade esse lugar todo é — começa a tagarelar tentando descontrair mas para ao notar o queixo caído do homem a sua frente — nossa, tá tão ruim assim?
— Ruim? Se você fosse lésbica eu faria duzentas cirurgias apenas para virar mulher e casar com você! Você está deslumbrante!... Uau — ela nota como ele perdeu a postura apenas ao lhe olhar e se sente divinissíma.
— Para que eu sou tímida — ri cobrindo a boca ao fazer menção do meme — a gente não vai se atrasar? — Diz após recuperar o fôlego.
Apesar de ouvir Kim não consegue deixar de sorrir bobo escorado no corrimão da escada com medo de que caia desestabilizado diante de tamanha beleza, ele a olha de cima a baixo.
— Pare de me comer com os olhos — diz torcendo o nariz acenando as mãos diante dos olhos dele para que desperte.
— Não dá — diz risonho — você é muito, muito bonita para não se admirar — diz encantado vendo o vestido lhe caiu também, ideia está que é realçada quando a mesma põe ambas as mãos na cintura dando ênfase ao seu busto.
— A gente vai é se atrasar — diz descendo os degraus da escada com calma segurando no corrimão dado ao medo de cair.
Namjoon lhe admira descer as escadas degrau por degrau e quando ela se vira para o olhar, ele sorri como um bobo apaixonado indo atrás dela.
— Hoseok foi embora por livre e espontânea pressão então seremos apenas nós — diz caminhando ao lado dela em direção a porta.
— Ah... Eu até que gosto da companhia dele — diz mexendo timidamente nos dedos da mãos.
— Acredite ele iria beber e é um fraco para bebida. Seria insuportável — diz relembrando de eventos do gênero e faz cara feia.
— Se você diz... Então acredito. Bom, devolvo as roupas quando for pra casa — diz olhando para grande parede de vidro do outro lado do cômodo.
— Mas não é pra me devolver — ela o olha de imediato e confusa — tudo que está usando é seu agora. Tudo — enfatiza de modo que ela entenda ficando sem jeito mexendo mais ainda nas mãos.
Decide ficar em silêncio por não saber como argumentar a isso e segue ele até fora do lar e pouco antes dele trancar a porta diz ter se esquecido de algo e retorna para dentro para buscar. Distraída, Alice olha para os lados admirando a decoração de quadros artísticos e vasos de cerâmica, caminha até uma obra renascentista e admira seja detalhes e a escolha interessante de paletas de cores. Reconhece a mulher pálida da obra e murmura o nome dela “O nascimento de Vênus”.
Ouvindo o som de porta ser aberta olha na direção e se assusta. Não tem para onde fugir dele e do seu olhar que não demora a chegar em si. Olhares profundos e escuros. Curiosos. Ele parece reconhecer sua figura mesmo ela tendo desviado o olhar de volta para a obra, ouve os passos e contorce as mãos estralando umas nas outras sabendo que não pode fugir e que também seria muito imaturo da sua parte.
-— Alice? — Lhe chama incerto ainda pouco distante e quando chega perto o suficiente reconhece ser mesmo ela — Alice... — Fica transtornado em vê-la tão cedo após a discussão ocorrida pela amanhã.

E ele fica mais ainda fora de si ao notar os trajes usados pela mesma, estava elegantíssima, não poderia negar nem que fosse cego do quão bela e atraente aquela mulher é. Ajeitando o colarinho, ele abaixa a cabeça procurando forças e encontrando poucas, ergue a cabeça para olha-lá nos olhos.
— É bom ver você...
— Boa noite, Taehyung eu estou ocupada agora sinto muito — diz desgostosa. Ele poderia apenas lhe ignorado mas decidiu vir lhe cumprimentar algo realmente desnecessário.
Ela continua a encarar a obra tentando focar num ponto específico fosse a maneira como o cabelo da mulher esvoaça ao vento ou fosse o modo rude de como o homem sopra a sua cabeleira como quem gostaria de ver sua íntimidade. Palhaço.
— Você está... Acompanhada?
— De que importa? Por favor, estou pedindo me deixe só — “Meu dia já foi agitado o suficiente” relembra entristecida.
— Porra eu só não posso fingir que está tudo bem como você! Desculpe, mas eu não a droga do dom divino de disfarçar meus sentimentos. Minhas emoções. E eu te amo, te amo de todo meu coração e saber que não é recíproco dói, machuca demais — diz com os glóbulos oculares avermelhados devido a raiva e lágrimas seguradas.
Namjoon emerge em meio as falas do desconhecido e com uma expressão de desdém lhe olha dos pés a cabeça, põe a bolsa gentilmente sobre as mãos de Alice e entrelaça seu braço ao da mesma. Lhe lança um olhar afetuoso e após trancar a porta, desfere um selar de lábios carinhoso na testa da menor andando ao seu lado nada direção oposta tô desconhecido.
Ora, por que o homem é tão atrevido?
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