Hoje é a noite do jantar na casa de Nícolas e, curiosamente, a ansiedade me envolve, não devido ao casamento iminente, mas pela simples perspectiva de conhecer pessoas desconhecidas. Levanto da cama, escolho uma roupa e encaminho-me ao banheiro para um banho, que acaba sendo mais demorado do que o esperado. Depois de me vestir, cuido do meu cabelo e desço as escadas. A fome é pouca, então apenas pego uma maçã e saio para uma caminhada, buscando distrair a mente.
Após alguns minutos, encontro um parque repleto de crianças e mães desfrutando de momentos alegres. Nessa cena, a lembrança da minha mãe aflora, pois quase tudo me faz pensar nela. Sem perceber, uma lágrima escapa, mas logo a enxugo. Sento-me em um banco, observando as pessoas ao meu redor, até que duas crianças adoráveis surgem diante de mim.
— Moça, você está bem? Por que está chorando? — questiona uma menininha loira com cachos, com uma voz tão engraçada que me arranca um sorriso.
— Está tudo bem, querida. Apenas caiu algo no meu olho. — Minto, respondendo. — Qual é o nome de vocês?
— Eu sou Emmily e meu irmão é Pledro. Ele não costuma falar muito. — Ela diz de forma adorável, cometendo pequenos erros na fala, o que me faz rir. — E o seu, moça?
— Eu sou Camille. Espera, onde está a sua mãe? — pergunto, enquanto os dois procuram pela mãe e apontam para uma mulher que se aproxima rapidamente, aparentemente aflita.
— Graças a Deus, vocês estão aqui. — A mulher abraça as crianças com alívio. — Vocês me assustaram. — Ela ainda os abraça, quase como se estivesse chorando. Compreensível, dadas as circunstâncias.
— Desculpa, maman, é que vimos a moça chorando e decidimos falar com ela. — Pedro fala, finalmente se expressando.
— Está tudo bem, mas não façam isso novamente, ok? — Eles concordam. — Desculpe pela confusão toda. Sou a Clara. — Ela estende a mão para cumprimentar.
— Não tem problema, entendo. Sou a Camille. — Respondo.
— Camille Cooper? — Ela pergunta, com um tom incerto.
— Sim, como sabe? — indago.
— Bem, vi uma foto sua no jornal com o Nícolas Grey, falando sobre o casamento em um mês. Parabéns. — Ela diz.
— Obrigada. Seus filhos são adoráveis. São gêmeos? — pergunto.
— Obrigada. Sim, eles são gêmeos. — Ela responde, olhando para os filhos com ternura.
— Mamãe, posso brincar um pouco mais com o Pedro? — Emmily pergunta, com sua voz doce.
— Claro, querida, mas não vão longe demais, está bem?
— Está bem, mamãe. — Pedro fala.
— Eles são adoráveis. — Comento, e ela concorda.
Conversamos por um bom tempo. Ela até me passou o número de telefone dela, e eu fiz o mesmo. Talvez achem estranho, mas nos conectamos rapidamente, como se nos conhecêssemos há tempos. Ela compartilhou um pouco do seu passado, enquanto eu falei sobre o meu casamento fictício. Talvez pareça estranho, mas a empatia entre nós foi imediata. Clara é uma pessoa encantadora, quase como se fosse minha alma gêmea. Talvez seja exagero, mas senti uma conexão real. Ela me contou sobre o pai dos gêmeos, que a abandonou após engravidá-la, alegando que isso afetaria a carreira dele. Absurdo, certo? Como alguém poderia não querer essas duas preciosidades? Ela vive com a mãe, que ajuda a cuidar dos filhos enquanto Clara trabalha. A convidei para a festa de hoje à noite, embora ela não tenha certeza devido aos compromissos com as crianças. Agradeço, caso ela possa comparecer. Pelo menos terei alguém conhecido lá, além de Ágatha e o noivo dela. Ágatha é incrível. Nos conhecemos desde o ensino médio e, embora nossos encontros sejam raros devido aos preparativos do casamento, sempre que nos vemos, é como se o tempo não tivesse passado. Ágatha e Oliver são meus pilares, mais do que amigos, quase irmãos.
Retorno para casa por volta das duas e meia da tarde, após um longo papo com Clara. Ao entrar, vejo meu pai conversando com o Sr. Antony. Tento passar despercebida, mas a tentativa falha. Não é que eu queira evitar que me vejam, mas sei que virão muitas perguntas, e estou sem ânimo para respondê-las.
— Oi, filha, onde você estava? — meu pai pergunta.
— Olá, pai. Estava dando uma volta e encontrei uma amiga. — Respondo. — E olá, Sr. Antony.
— Oi. Não precisa me chamar de senhor. Sinto-me velho assim. — Ele comenta. É verdade, ele não aparenta ter muita idade, talvez uns cinquenta anos.
— Claro. — Gaguejo um pouco. — Desculpem-me, se me permitem, vou subir.
— Claro. — Eles respondem em uníssono.
No meu quarto, deito-me e mexo no celular, conversando com Ágatha. Ela me conta que a sogra dela presenteou-os com uma passagem para Londres como lua de mel. Fico feliz, pois sei que esse sempre foi um sonho dela. Ágatha teve sorte com a sogra, Miranda é uma pessoa maravilhosa.
Preparo o celular para despertar às cinco da tarde e deito, perdendo-me nos pensamentos sobre tudo o que aconteceu e está por vir. Finalmente, sucumbo ao sono.
Ao som do despertador, ergo-me da cama e me direciono ao closet. Pego minhas roupas e as deixo sobre a cama. Organizo os itens que vou usar para me arrumar e, sem demora, encaminho-me ao banheiro. Desfruto de um banho demorado, permanecendo sob o chuveiro por trinta minutos. Em seguida, saio envolta em meu roupão branco. Com cuidado, seco meu cabelo e produzo ondulações nas pontas. Concluo os preparativos e aplico minha maquiagem, buscando um visual mais natural. Adiciono um batom nude, visto meu vestido preto, longo e com detalhes em renda na parte de trás até a cintura. À frente, o vestido se abre na altura da perna. Componho o visual com um salto preto adornado com detalhes brancos. Um toque de perfume e alguns acessórios, e estou pronta. Observo-me no espelho amplo, um instante em que o desejo pela presença de minha mãe se intensifica. Sinto sua falta constantemente, mas momentos como esse me fazem lembrar dela de maneira mais intensa. Era ela quem sempre me arrumava, fosse para minha formatura no ensino fundamental ou para o ensino médio. A saudade de sua força e determinação é avassaladora. Gostaria de possuir metade de sua determinação. Anseio pela sua presença, mesmo que este seja um casamento fictício. Espero que ela esteja orgulhosa de mim.
Os devaneios são interrompidos por batidas na porta. Dando uma última olhada no espelho, sigo em direção à porta. Ao abri-la, encontro Nícolas, notavelmente bonito. Meu Deus, ele está incrível com esse terno. Será um desafio lidar com isso. Sinto seu olhar fixo em mim, deixando-me corada.
— Algum problema? — Pergunto, e ele balança a cabeça como se tivesse voltado à realidade.
— Hum... você está deslumbrante. — Ele finalmente comenta.
— Obrigada. Você também está muito elegante. — Respondo, e ele continua me encarando profundamente, como se desejasse sondar minha alma. — Vamos?
— Claro, vamos. — Ele responde, estendendo o braço para que eu possa segurá-lo.
Descemos juntos e seguimos em direção ao seu carro, uma magnífica Ferrari preta. A cada vez que a vejo, ele está ao volante de um carro diferente. Quantos carros ele possui? Nícolas se aproxima do carro, abrindo a porta para que eu entre. Cumprido o gesto, ele dá a volta e entra também. Com um arranque, partimos em direção à mansão.
Ao chegarmos, ele mais uma vez abre a porta para mim, o que agradeço com um sorriso. Entramos na mansão e nos dirigimos ao salão onde a festa está acontecendo. Trocamos cumprimentos com algumas pessoas e, em seguida, nos aproximamos dos pais de Nícolas.
— Mãe, pai. — Ele os saúda.
— Olá, meu filho, como vai? — Sua mãe pergunta, com uma voz doce.
— Estou bem, mãe. — Ele responde.
— Então, você deve ser Camille? — Ela dirige-se a mim, e faço que sim com a cabeça. Ela me lembra muito a minha mãe, talvez pela aparência, talvez pelo jeito. — Você é muito bonita.
— Obrigada. — Coro levemente. — E a senhora?
— Sem esse "senhora", por favor. Apenas Sofia. — Ela fala com um tom autoritário, mas brincalhão.
— Claro, Sofia. — Respondo, e iniciamos a conversa. Descubro que ela e minha mãe foram amigas no ensino médio e costumavam aprontar juntas. Ela menciona que sou muito parecida com minha mãe, uma verdade, pois herdei quase tudo dela, exceto pelos meus olhos e a cor do cabelo, que são do meu pai. Sofia também se assemelha à minha mãe, tanto em aparência quanto em personalidade.
Enquanto a música começa a tocar, observo diversos casais dançando. Nícolas se aproxima e estende a mão para mim.
— Gostaria de dançar comigo? — Ele pergunta, visivelmente mais tímido do que o habitual.
— Claro. — Aceito, e ele pega minha mão, conduzindo-me ao centro do salão. Com minha mão sobre seu peito e ele segurando minha outra mão, começamos a dançar no ritmo da música. Encosto minha cabeça em seu peito, apreciando seu perfume enquanto ele acaricia suavemente minhas costas.
— Você está deslumbrante. — Ele comenta de forma espontânea.
— Obrigada. E você também está muito elegante. — Respondo, sorrindo. Continuamos a dançar até que uma voz estridente interrompe nosso momento. Me viro e vejo uma mulher de aproximadamente 26 anos, cabelos ruivos, vestindo um curto vestido vermelho e com uma maquiagem um tanto exagerada.
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Atualizado até capítulo 26
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