O casamento está a apenas um mês de distância e eu acho que é muito rápido. E ainda temos que mostrar a todos que somos um casal apaixonado e feliz. O que foi que eu fiz para estar nessa situação? A resposta é simples: amor. Amo tanto meu pai que não o deixaria na mão.
Levanto da minha adorável cama e pego uma roupa para ir à faculdade. Não quero parecer interesseira, mas já que vou ter que suportar o Nícolas por um ano, nada mais justo do que ele pagar minha faculdade, certo?
Faço um coque no cabelo e vou para o banho. Tomo um banho meio demorado e saio em seguida. Assim que saio do banheiro, encontro alguém que nunca imaginaria ver a essa hora.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto, chamando sua atenção.
— É... é que... — Percebo que ele está me olhando de maneira estranha, e só agora percebo que estou apenas de toalha.
— Você pode parar de me olhar desse jeito? — Pergunto, corando.
— Impossível. — A única coisa que ele consegue dizer antes de parecer ficar meio sem jeito.
— Você pode me dar licença para eu me trocar? — Pergunto.
— Eu não me importo que você se troque na minha frente. — Ele sorri com malícia.
— Sai daqui, seu pervertido. — Falo, dando um tapa nele.
— Tá bom, já entendi. Não vou ficar, OK? — Ele levanta as mãos em sinal de rendição e ri.
Ele sai e involuntariamente solto um sorriso. Visto minhas roupas, arrumo meu cabelo, faço uma maquiagem básica para o dia a dia, pego minha bolsa e desço. Encontro o Nícolas sentado no sofá mexendo no celular.
— Agora que percebi, o que você está fazendo aqui? — Pergunto, olhando para ele.
— Ué, eu não posso mais visitar minha adorável noiva? — Ele faz um biquinho engraçado que nos faz rir.
— Sério mesmo, o que você está fazendo aqui a essa hora? Você não deveria estar na empresa? — Pergunto.
— Olha só, minha noiva já está cuidando de mim. — Ele brinca, me fazendo revirar os olhos. — Tá, vim aqui para acompanhar minha noiva até a faculdade dela, para garantir sua segurança. — Ele ironiza. Mal o conheço e já quero matá-lo.
— Tudo bem, mas pelo amor à sua vida, fecha essa boca. — Falo de maneira ameaçadora, fazendo-o levantar as mãos em sinal de rendição.
Saímos de casa e ele abre a porta do carro para mim. Pelo menos ele está sendo educado, mesmo que tenha um fotógrafo escondido. Espera aí, como ele conseguiu entrar?
— Como ele conseguiu entrar aqui? — Pergunto assim que ele dá a partida no carro.
— Sei lá, deve ser coisa dos nossos pais para mostrar o "casal perfeito" para a mídia. — Ele encolhe os ombros.
O trajeto é feito em silêncio. Não temos muitos assuntos e o silêncio é constrangedor. Sinto vontade de perguntar algo, mas não sei bem o quê... Chego à minha faculdade, ele sai e abre a porta para mim. Percebo olhares sobre nós.
— Não olhe disfarçadamente, tem uns fotógrafos atrás. — Nícolas sussurra no meu ouvido, me causando arrepios. Finjo que não percebo e vejo um cara atrás de um carro, mal escondido.
— Que tal darmos um pequeno espetáculo para eles? — Sugiro.
— Ótima ideia. — Ele me puxa para um beijo intenso, cheio de paixão. Não sei explicar esse beijo; é carinhoso, mas também selvagem. Um beijo que com certeza deixará marcas. Ele para o beijo e me encara. Depois, olha atrás de mim. — Parece que ele ganhou um prêmio. — Ele comenta. Não sei por que, mas sinto angústia ao ouvir isso.
— Claro, hum, acho que agora tenho que ir. — Falo, já me afastando, mas ele segura meu braço.
— Quer que eu venha te buscar depois? — Pergunta.
— Não, obrigada. Vou voltar com minha amiga. Tchau. — Falo e saio, entrando na faculdade. Sinto um alívio, como se estivesse voltando a respirar.
— Meu Deus, quem era o rapaz com quem você estava se beijando? — Pergunta Agatha.
— Meu noivo. — Falo.
— O QUÊ? COMO ASSIM? QUANDO VOCÊ IRIA ME CONTAR? — Ela praticamente grita.
— Mas eu já te contei que vou me casar. — Falo, rindo da sua expressão.
— Ah, é verdade, mas me conta todos os detalhes. — Fala, autoritária.
Dirijo-me para a sala de aula e as aulas começam. Presto atenção e anoto tudo o que é importante.
O tempo passa rápido e logo é a hora do almoço. Espero a Agatha no restaurante perto da faculdade. Vejo-a se aproximando e aceno para ela.
— Agora, conta essa história de casamento. — Ela fala de forma autoritária.
Compartilhei todos os detalhes com a Agatha, que ficou boquiaberta. Sim, falei com ela sobre o contrato, pois ela é minha melhor amiga e não guardo segredos dela. Estou no meu quarto, largada na cama, enquanto ela tenta enxergar algo positivo nesse casamento.
— Pelo menos algo bom no casamento — comenta ela.
— E que coisa boa seria essa? — pergunto, olhando para ela.
— Pelo menos você vai casar com um cara bonitão — diz ela e faço uma careta. — Ah, pode admitir, ele é bonito.
— É, mas o que tem de bonito tem de chato e arrogante — respondo.
— Então quer dizer que eu sou bonitão? — Fala ele, nos pegando de surpresa.
— Cara, você precisa parar de aparecer do nada desse jeito — falo, colocando a mão no peito.
— Desculpe, não era minha intenção — Ele fala, levantando as mãos. — E essa é... — Ele aponta o dedo para Agatha.
— Esta é a Agatha, minha melhor amiga — Falo.
— Prazer, sou o noivo da Camille — Ele estende a mão.
— Prazer, sou a melhor amiga da Camille — Ela aperta a mão dele de maneira não tão amigável.
— OK, OK, o que você está fazendo aqui? — Pergunto, encarando ele com a sobrancelha arqueada.
— Não posso mais visitar minha querida... — o interrompo.
— Pelo amor da sua vida, não seja irônico — Falo de forma ameaçadora. — Agora me conta o que você está fazendo aqui.
— Tudo bem — Ele levanta a mão em sinal de rendição. — Meu pai disse que amanhã tem uma festa onde vou apresentar você como minha noiva.
— OK, mas qual é o motivo de você estar aqui em casa, ouvindo a minha conversa atrás da porta? — Pergunto.
— Primeiro, eu não estava ouvindo a sua conversa atrás da porta, e segundo, meu pai quer que eu leve você para o shopping para mostrarmos ao mundo o novo casal apaixonado e blá blá blá.
— Às vezes, acho que você tem 5 anos — Falo.
— OK, antes que comece uma DR (discussão de relacionamento), vou indo então. Tchau, casal — Ela sai.
— Como você sabe que eu contei a ela sobre o contrato? — Pergunto.
— Ouvi atrás da porta — Ele fala, dando de ombros. E então percebe o que disse. — Não acredito.
— Estou brava — Falo, jogando um travesseiro nele. — Da próxima vez, te jogo pela janela.
— OK, agora podemos ir? — Fala ele de forma seca. Não entendo o que deu nele, deve ter crises de bipolaridade. Uma hora ele é irônico, outra, como agora, está seco, chato e insuportável.
— Ir para onde mesmo? — Pergunto.
— Pro shopping — Fala de forma simples, revirando os olhos.
— OK, vamos. — Pego minha bolsa e saio, seguindo-o.
Fomos ao shopping de carro e um grande silêncio se instalou. Chegamos e ele estacionou o carro. Descemos e entramos no shopping. O shopping me traz muitas lembranças da minha mãe. Costumávamos vir muito aqui quando ela estava viva. Ela e eu éramos do tipo que não gostava de gastar, então quando vínhamos, agíamos como pessoas normais. Quer dizer, gastávamos só um pouquinho, quase nada. Muita gente julga sem saber quem sou. Isso não acontece só comigo, mas sim com muita gente. Às vezes, tenho vontade de subir em uma das mesas de um restaurante cheio de gente da alta sociedade, gente rica, e gritar "Foda-se, alta sociedade!" para todos ouvirem. Mas não posso. Minha mãe costumava vir aqui comigo, e eu gostava de acompanhá-la. Meu pai vinha às vezes, quando não estava trabalhando. Nós três éramos muito unidos, mesmo depois da morte da mamãe.
— Tudo bem com você? — Pergunta, com a sobrancelha arqueada.
— Sim, está tudo bem. Por que não estaria? — Pergunto, olhando para ele.
— Você está chorando — Fala ele. Limpo minhas lágrimas rapidamente e esboço um sorriso de lado. — Por que está chorando? — Fico olhando para ele, pensando se conto ou não.
— Só me lembrei de algumas coisas, não é nada demais — Minto. Porque minha mãe é tudo na minha vida. Só que não estou preparada para falar dela.
— OK, então vamos às compras? — Fala ele, fazendo uma voz afetada que me faz gargalhar, e ele se junta a mim.
Ficamos andando, entramos em várias lojas para eu escolher um vestido. Havia vários lindos, mas nenhum que fosse a minha cara. Já estava ficando com fome, o que é uma novidade, pois estou sempre com fome. Sério, eu tenho fome o tempo todo. Não sei o que tem nessa minha barriga que me faz estar sempre com fome.
— Estou com fome — Falo, com a mão na barriga, fazendo careta.
— Novidade — Fala ele, revirando os olhos. — Diga-me quando você não está com fome.
— Não sei, estou sempre com fome — Falo, fazendo uma careta pensativa. — Agora, pode me ajudar? — Pergunto.
— Como posso te ajudar? — Pergunta.
— Me dando comida, senão vou acabar comendo você — Falo e ele dá um sorriso safado. — Idiota — Falo, batendo em seu braço.
— OK, vamos ao McDonald's? — Pergunta.
— Não, está muito longe e eu não vou aguentar — Reclamo. — Vamos naquele restaurante ali, ó — Aponto para um restaurante.
— OK, vamos, preguiçosa — Fala, vencido.
Entramos no restaurante. Nícolas chama a garçonete e vem uma mulher com uma maquiagem parecida com a do Coringa, usando uma blusa apertada. O peito dela está quase pulando para fora. Nem sei como o dono do restaurante permite esse tipo de uniforme. Nem dá para chamar de uniforme. Percebo Nícolas olhando para o peito dela. Que safado.
— O que desejam? — Pergunta, flertando com Nícolas.
— Primeiro, que você pare de flertar com o meu noivo — falo, e ela faz uma cara de espanto misturada com raiva. — Em segundo, que você seja menos vulgar. E, em terceiro, quero arroz com bife e batatinha. — Falo e percebo Nicola me olhando com um sorriso bobo. Ela anota nosso pedido e sai.
— Ciúmes, amor? — Pergunta ele, debochando.
— Se você me chamar de amor mais uma vez, eu arranco o que você tem de mais precioso de baixo das pernas — Falo e dou um sorriso para ele. Ele engole em seco. — E, outra coisa, eu com ciúmes de você? Hahaha, me faz rir. Eu só não quero ser traída.
Nosso pedido chega, e é a mesma garota. Acredita que ela pediu desculpas? E eu aceitei. Comemos, conversando sobre coisas aleatórias. Terminamos e voltamos a procurar um vestido para mim. Encontro um vestido preto, longo. Ele tem renda nas costas e na frente, é aberto na perna. É lindo. E adivinha quem pagou? Sim, se você pensou em Nícolas, acertou. Depois, fomos embora.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 26
Comments
Analú
Adorando as partes dos dois... divertido/Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2024-03-17
0
Leda Fernandes
até agora está ótimo
2024-01-11
0