— Não posso prometer amor, senhor André Soleto! — o meu quarto parecia menor do que já era. O homem alto com seus mais de 1,90 m de altura analisava-me cautelosamente.
— Não se preocupe com isso, só desejo que seja minha esposa! — os seus olhos esverdeados me encaram com um misto de dó e carinho em simultâneo.
— Sabe que faço isso pelo meu pai, certo senhor? — Não minto os meus motivos.
— Eu sei disso, senhorita Flora! Tenho que ir, um noivo nunca se atrasa, esse é o papel da noiva! — ele dá-me um sorriso cordial após falar! — Aguardarei ansioso em frente ao altar.
___ Éh? — pronuncio isso sem ânimo nenhum. Ele está vestindo um terno azul marinho feito sob medida, não posso mentir, o corpo forte dele e o rosto lindo com uma barba por fazer, imagino fazer muitas mulheres suspirarem desejosas, mas eu, poxa, eu estou fazendo isso pela segurança do meu pai e da minha tia! André Soleto saiu do meu quarto e eu quase me jogo na cama!
— Não é certo um noivo ver a noiva antes do casamento!— Ouço a voz da Tia Ruth e não consigo responder. — Não sinto-me uma noiva e sim uma vida que está sendo mandada para um abatedouro.— a minha tia aproxima-se e desata o nó do meu hobby.
— Ajude-me aqui, Nina !— tia, chama a mãe de Veruska para ajudar-nos.
O vestido de noiva em renda chantilly é colocado em meu corpo, minha tia e a dona o fecham atrás. Olho para a enorme cauda e para minha cintura dentro dele e vejo-me como uma princesa, porém aquele não é meu príncipe a me esperar.
— O seu futuro marido é lindo, deveria melhorar essa cara.— revirei olhos após ouvir dona Nina. Levantei o pé direito e tia calçou o meu sapato, levantei o pé esquerdo e ela o calçou também. O meu cabelo estava com uma trança escamas de peixe, acrescentei pequenas flores brancas entre elas, isso dispensaria o uso de tiara ou outro adorno na cabeça! Fui até o enorme espelho e girei meu corpo vendo a minha imagem de como eu estava dentro do vestido. Confesso que amei o resultado. Fiz uma leve maquiagem dando destaque aos meus olhos e nos lábios usei um batom rosa! Estava cheirosa e pronta.
— Você é a noiva mais linda do mundo, minha filha! — a voz do meu pai ecoa e eu olho para a porta.
— Ele não bebeu, eu o prendi dentro de casa! — minha tia fala e dá um tapinha no meu braço.
— Nos dêem licença! — Peço e as duas saem do meu quarto. O meu pai está em um terno cinza novo! O meu velho está muito bem vestido até de sapato social novo ele está!
— O senhor está muito elegante! — Ele dá um sorriso feliz antes de responder:
— O melhor para a minha princesa! — Devolvo o sorriso, e o fechei em seguida.
— Um mês se passou desde que vimos aquele senhor. Pai, hoje é meu casamento com o senhor Soleto e ainda não tivemos a conversa que precisamos!
— Hoje não iremos falar sobre isso, minha Flor!
— É sempre assim meu pai, o senhor nunca pode falar, mas eu preciso de respostas. Estou a casar para ajudar o senhor e minha tia, nada mais justo que o senhor contar-me tudo que está acontecendo? — o meu pai balançou a cabeça em negativo
— Você não deve se meter nos meus negócios, meus erros, minhas culpas, eu resolvo, deve se preocupar agora em cuidar de seu marido e de sua nova vida. Você será a senhora Soleto, terá uma nova vida e é com ela que deve se preocupar.
— Papai, o senhor me deve uma explicação há anos e não a faz, olha o que estou fazendo para tentar proteger o senhor e a minha tia, e mesmo assim ainda acha que eu não mereço uma explicação? — tento novamente fazê-lo falar. Ele dá um longo suspiro, parece que irá falar, aguardo e ele começou a falar:
— Sim! Você merece uma explicação, eu a darei: naquela noite eu estava bêbado, eu não usei a razão, eu cometi o maior erro da minha vida! Eu feri um homem, eu não sabia; a bebida, a voz me dizendo que ele não era humano, o dinheiro para pagar nossas dívidas. Era muita coisa em uma mente alcoolizada, infelizmente não tem volta, não tem concerto! Aquela moça eu sei ter morrido, e o rapaz, ele com certeza também morreu! — Eu olhava para ele e tentava entender a o que ele falava sem tomar fôlego.
— Quem morreu? Que moça e que rapaz? — Questionei em busca de mais respostas. O meu pai segurou as minhas mãos e olhou nos meus olhos...
— Havia uma mulher e um rapaz no carro, a chuva caia, naquela noite uma chuva tão forte que parecia que o céu iria cair sobre a terra. Eu tinha que obedecer, então bebi muito e assim que cheguei em frente a colina onde o carro estava entrei em frente a ele. O raio cortou o céu, os olhos do mal do demônio brilhou dentro do carro. Eu temi o rapaz, pensei em ajudar a mulher, porém as ordens eram para outro resgatá-los. — o meu pai buscou por fôlego, eu não conseguia assimilar quem deu ordem e porque ele aceitou? Queria perguntar, porém ele continuou a relatar: — Então, novamente o raio cortou os céus clareando os olhos do homem besta fera, desta vez o brilhos mais vermelhos como sangue vivo pousaram em mim. Filha, eu temi, e fugi como um covarde, eu não ajudei, céus eu poderia ter salvo a mulher, se o que estava ao lado dela era um homem, animal ou seja lá o que for eu deveria ter enfrentado e ajudado. Sou um bosta, eu sou um assassino! — as lágrimas caem dos meus olhos. O meu pai não fugiria e deixaria alguém morrer? Eu não consigo acreditar. deixei os pensamentos quando ele soltou as a minhas mãos e chorando disse: — Fiz de tudo para descobrir quem eram, aceitei ser chamado de louco ao buscar na vila alguém que soubesse algo sobre o rapaz de olhos diferentes e uma mulher! Descobri que a mulher havia morrido, mas ninguém nunca ouviu falar de tal rapaz de olhos vermelhos sangue! Eu bebi, chorei, mas não posso fazer mais nada, o que está feito está feito! Eu fui um covarde que deveria ter salvado-os. Na minha mente alcoolizada, ele não era humano, mas ela tinha direito a uma segunda chance, eu não ajudei ambos. Filha, eu matei a mulher e matei o rapaz. — o meu pai levantou a cabeça para cima parecendo querer espantar as lágrimas que estavam caiando.
Limpei os meus olhos com cuidado para não estragar a maquiagem. Segurei as mãos do meu pai e fui em busca de mãos respostas.
— Pai, este rapaz, ele realmente está morto?
— Não tinha como ele sobreviver, o barranco cedeu a cair sobre o carro, eu estava perto o suficiente e quando o raio cortou o céu pelo clarão eu vi que a metade do peito dele estava aberto! O sangue que ele perdeu o matou! — Afirma e eu levo a mão ao meu peito.
— Que história triste, que fim trágico para um jovem! — queria dizer ao meu pai que ele não era culpado, porém não poderia fechar os meus olhos pelos atos bêbados do meu pai.
— Sim, culpou-me pelo acontecido! — Deve mesmo, penso porém seus olhos tristes fazem com que eu...
— O senhor não foi culpado porque desejou, ou foi? — Indago encarando-o. Ele disse que outro iria resgatar, o meu pai fala meias verdades e esconde o restaurante da história de mim. — Pai, diga-me o que mais está a esconder?
— Chega, já lhe contei o que me aflige durante estes anos, agora é hora de você seguir seu destino! — E ele muda de assunto deixando a dúvida no ar! — "O meu pai é ou não é, o culpado direto pelo que aconteceu aos do carro?" Questionei mentalmente.
— Aconteça o que acontecer dentro daquele espaço, você não pode deixar de casar com André! Por favor, não desejo que caia nas mãos de Salazar! — A voz do meu pai sai como súplica, eu assenti deixando de lado meus questionamentos. — Não existe no mundo uma filha melhor do que você, minha doce, Florzinha!__ Ele caminha até mim e beija minha testa.
— Onde será o casamento mesmo?— Indaguei pois não sei nada André fez questão de que tudo fosse feito por ele. Eu só tive que me vestir para ir até ele. A resposta do meu pai foi:
— Na casa do patrão do André, ele disse que o local é lindo. Filha, no jardim foi montado a decoração do casamento ao ar livre, o altar ele disse que fora feito um lindo arco de rosas brancas! — o meu pai fala todo animado, pena que não sinto essa animação, nem empolgação dele. — Devemos ir, a noiva deve atrasar um pouco e como é cerca de 30 minutos daqui seu atraso já será mais que cinco minutos. — Assenti e ao lado dele saímos do quarto. Sorri ao ver minha tia vestida em um lindo vestido dourado! Maquiada e no salto, a morena está linda e vez ou outra vejo meu pai dando um rabo de olho para ela.
— A minha tia está linda, certo meu pai?
— Hum-rum! — é só o que ele fala, mas vejo o rosto dela tomar um rubor, minha tia Ruth nunca se casou, ela tem 40 anos e meu pai tem 48 anos, eles são jovens poderiam um cuidar do outro. Mas eu que experimente falar para ver o que acontece!
— Cuidado com a calda do vestido! — a minha tia corre para ajudar-me a entrar na limusine, após me acomodar, ela e meu pai se sentam ao meu lado. O trajeto foi todo em silêncio. Senti meu estômago revirar assim que subimos a colina e paramos em frente a um enorme portão que se abriu para nos ceder passagem. Assim que a limusine parou, eu sai do carro com a ajuda do meu pai, minha tia arrumou a cauda do vestido e seguimos para a entrada.
— Só estamos dez minutos atrasados, não é muito. — Diz o meu pai a olhar para o relógio, eu só dou de ombros. Pego o meu buquê branco entregue por minha tia.
— Que você seja muito feliz, minha filha! — sorriu-lhe e ela beijou o meu rosto e seguiu para junto dos convidados.
O meu pai enlaçou o meu braço, a marcha nupcial começa e ao dar os primeiros passos reparo na linda decoração para casamento ao ar livre!
As lanternas com as velas acesas faziam uma trilha até onde estava o altar montado. As rosas brancas estavam espalhadas fazendo um tapete que dava até o altar e nas cadeiras haviam poucos convidados já que não era uma casamento real para mim. A música tocava e quando chegamos um pouco mais perto, algo chamou minha atenção.
— Papai, porque parece que o meu noivo está mais alto e mais forte?
— Eu não sei, também reparei nisso, deve ser a distância! — meu pai fala com dúvida. Porém quanto mais passo dávamos mais eu reparava no homem a minha espera.
— Ele não tinha um cabelo que dava para fazer um coque samurai, ou tinha pai?
— Filha, ele tem o cabelo maior, mas não dá para prender. Eu acredito que este deve ser o padrinho, pois está de costas, olha, a direita é onde o seu noivo está! — Encarei o altar após ficarmos mais perto dele e André estava à direita. O que é estranho é o enorme homem de coque samurai se manter no centro do altar, este é o lugar de André. Penso e música parou, mas ninguém veio me buscar. André continua parado, ele deveria vir para que o meu pai entregue-me como sua futura mulher. Parece que estou invisível, André não se move. irritada, fui obrigada perguntar:
— Que palhaçada é esta? — Questionei a olhar para André que não moveu um dedo sequer. — O que está a acontecer? Porque não vem? — André ignora as perguntas e deixa-me parada em frente ao altar com cara de tacho.
Eu poderia dar as costas e sair, na minha mente eu estaria a agir do modo certo, afinal, ele parece desejar isso! Porém, eu seria uma covarde que fugiu do casamento. Ficarei para que André fale que não quer casar e eu possa sair daqui de cabeça erguida.
Olhando-o, eu mantenho-me firme à espera do fim dessa palhaçada. E que os céus ajudem-me, se ele desistiu do casamento, eu vou começar a pular de alegria.
...****************...
Continuação com Leander...
**Obrigada aos que estão a ler, e ... **
Beijos no coração ❤️❤️❤️
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Karla Barbosa Marinho
kkkk
2024-08-21
0
Vera Santos
autora vc vai continuar o livro 📔
2024-03-10
3
Vera Santos
autora vc não vai parar o livro não né,tô amando, não quero parar de ler❤️
2024-03-10
1