A minha vida nunca fora fácil. A minha morreu após dar-me à luz. Eu fui criada por meu pai e minha tia, a irmã um ano mais velha que mamãe.
Tive uma boa criação, amor não faltou! As datas comemorativas sempre foram as mais difíceis de passar. O mais doloroso é o dia das mães e o meu aniversário. Era para ela estar sorrindo com o meu presente de dia das mães e abraçando-me no meu aniversário. Fazer o que? As coisas não posso mudar o passado, sigo sabendo que fui o seu verdadeiro amor e realização. Sou grata pois ela pode ver o meu rosto antes da eclâmpsia levá-la de mim. Meu nome foi ela que escolheu. "Flora, a sua flor!"
Sou uma sobrevivente, aqui cheguei a maioridade. Pois é, dezoito anos, antes deles nunca fui a uma festa, meu pai não deixa. Espero poder ir agora que tenho 18.
Nossa fazenda fica afastada de tudo, e todas as noites faço o mesmo trajeto! São dez minutos caminhando para ir à Vila San Romeno. Caminho ouvindo o vento soprar a balançar as árvores e as folhas caem na terra batida do chão.
O motivo dessa caminhada? O meu pai! Era para ele estar indo atrás de mim em uma festa, não eu estar indo buscá-lo bêbado novamente.
O meu pai bebia somente aos finais de semana, mas há três anos ele ficou neurótico passando a beber diariamente. Sei ter acontecido algo que ele tenta contar bêbado.
Ele tem pesadelos constantes, grita que um raio cortou o céu e ele viu os olhos vermelhos do mal dentro de um carro.
Ele estava bêbado, tenho certeza que o álcool ajudou a ter essa alucinação. Uma alucinação que o persegue dia após dia.
Saí dos meus pensamentos quando avistei a BR. Olhei para todos os lados para ver se poderia passar. Vendo que está livre corri a chegar no município.
Sei exatamente onde ele está, e é para lá que sigo. Assim que parei em frente ao bar, falo novamente:
— Meu pai, o senhor está bêbado novamente?
— Querida, eu não consigo mais lidar com a culpa!— Dei um longo suspiro sabendo que ele irá falar do olho vermelho do capiroto.
— Mantenha seu pai longe daqui!— grita o dono do bar, mais uma vez pede, como se fosse fácil eu conseguir isso.
— Desculpa senhor Luiz, ele não voltará mais hoje! Pai, o senhor tem que parar com isso. — Peço a segurar o braço do meu pai tirando-o do. Seguimos pela calçada.
— Olá, senhorita Flora, como está?— Dona Nina a dona do mercado olha para meu pai e balança a cabeça em negativo. Puxei um sorriso sem graça.
— Estou bem dona Nina e a senhora?
— Estou bem, leve seu pai para casa e dê um chá forte! Filha tenta mantê-lo em casa.
— Eu o farei senhora, tenha uma boa tarde!
— Olá,Flora?
— Senhor Padeiro, boa tarde! — enquanto caminhamos passamos em frente a outro bar.
— Mantenha seu pai longe daqui, não gosto do senhor que tem pago-lhe as bebidas.— grita o dono do bar.
— Pai, o que ele está a dizer?— parei a encarar o senhor meu pai, o seu rosto está barbudo e ele mal conseguia ficar em pé.
— Não dê ouvidos a ele, sou seu pai deve ouvir-me!
— Meu pai, o senhor já não é mais bem visto neste lugar! Pare com isso, volte a ser como era!
— Eu não preciso ser bem visto, o que eu fiz e o que eu vi ninguém sabe compreender. Não tem como voltar a ser como antes filha.— ele fala com a voz embargada pela bebida.
— Flora você deveria internar o seu pai! Ele necessita de cuidados, um AAA, algo desse tipo— Girei a cabeça encarando André Soleto!
— Deveria cuidar da sua vida, senhor ! Vamos, meu pai.— puxei o braço do meu pai, queria sair rápido dali, pois não gosto desse tal André Soleto.
Duas vezes meu pai falou que esse homem deseja-me como esposa.
— O senhor Soleto ainda deseja ser seu marido!— e lá vamos nós de novo. Penso a responder:
— Não iremos falar disso aqui, pai! Ainda não tenho idade de vinte anos, o senhor sabe que precisa de minha companhia.— cortei novamente o assunto.
— Preciso de você, sim! Mas concedi a sua mão em casamento, ou era o senhor Soleto, ou…— Parei no local segurando e as lágrimas nos olhos tive que o confrontar:
— O que está dizendo meu pai? Diga-me que está a brincar? Diga-me que não fez isso comigo? Pai, o senhor não… — tentando digerir o que ele falou, olhei para as lojas fechadas e para todos os lugares, mas sinto-me fora de órbita.
— Casará com ele! — Ele afirmou.
Soltei seu braço e saí sem rumo. Meu coração estava apertado, sem saber o que fazer, segui até a praça e sentei-me no banco olhando para as crianças que brincavam no parquinho e para as fofoqueiras que fingem estar cuidando das crianças para ouvir sobre as vidas dos demais! Mas nada fazia a fala dele sair da mente. 'Casará com ele!'
'Casar com o senhor Soleto? O meu pai não pode ter feito isso comigo? Como os pais ainda podem escolher um marido para as filhas sem saber o que elas desejam? Porque ele fez isso comigo?' eu sentia vontade de gritar, chorar e tudo em simultâneo, porém passos de saltos fizem-me erguer a cabeça.
— Flora, como está? — Veruska, a filha da dona Nina da mercearia para ao lado do banco que estou a sentar, ela passa a mão no vestido MIDI, que com certeza é novo. Olhei para as sandálias nos seus pés e encarei as minhas sapatilhas. Meu vestido é um vestido floral que bate nos joelhos, porém novo.
— Só tem essa categoria de roupa Flora? O meu vestido é novo, gostou? Essa sandália é da Griff da cidade.— Joga na cara como sempre, Veruska é uma praga que nem um dos melhores bactericidas pode acabar. Sofri muito na escola com as suas implicâncias, e ainda sofro quando venho aqui.
— Gosta mesmo de falar sobre roupas novas? Veruska não tem outro assunto? E para sua informação o meu vestido também é novo, eu fiz! O que quer aqui Veruska?
— Vim felicitar, pois casará primeiro que eu! O seu noivo, estava aqui na praça! — Até ela sabe que meu pai cedeu-me para André?! Parece que todos sabem, sou a última a saber de tudo? Até do casamento que ele arranjou. Porém…
— Não sei do que fala, pois não irei casar com o senhor Soleto, Veruska! ___ Ela dá um sorriso estranho.
— Não estava a falar dele e sim do senhor Fernando Salazar! Seu pai perdeu a fazenda, fez acordo com ele e como troca cedeu sua mão a ele. Se casará bem, só que ele é um pouco mais velho que você! Bem, mais velho,.aliás!
— Veruska, cuide de sua vida, intrometida dos infernos! — meu pai chegou gangorrando e parou ao meu lado após ralhar com Veruska.
— Pai, o que ela está a falar é verdade?
— É melhor irmos, vamos conversar em casa! — Levantei-me a segurar o meu pai.
— Senhorita Flora?— A voz grossa ecoou atrás de mim.
— Não olhe, ande! — Diz meu pai sem deixar-me parar para ver quem era.
— Lauro Hernández, não brinque comigo, seu velho louco, deve mais do que possa pagar! Pare aí agora, ou juro que vai se arrepender!— o meu pai para e dá um longo suspiro.
— Perdoa-me, eu errei, perdi tudo que tínhamos e acabei fazendo negócio com o mal em pessoa! Filha, esse homem é cruel, ele tem seu velho nas mãos. — afirma com olhos lacrimejando.
— Meu pai, porque não contou? Porque fez isso pelas minhas costas. Estou aqui sem saber quem é este homem, sem saber nada que o senhor fala ou faz aqui na Vila. Pai, até quando vai fazer coisas pelas minhas costas?
— Filha, eu tive vergonha, você é tudo que eu tenho. Meu amor, eu não queria que descobrisse que a fazenda onde cresceu estava a beira de ser tomada pelo banco! Sinto muito, filha!— Todos os olhos estavam voltados para nós. O homem continuava atrás de nós.
Ele não poderia agir assim! Girei a cabeça a encarar o homem alto, a barba rala, os olhos castanhos escuros. O rosto é sério, um homem apresentável, ele aparenta ter 40 anos mais ou menos.
— Quem é o senhor? — indaguei, ele puxou um sorriso.
— Fernando Salazar, o seu futuro marido!— Pisquei várias vezes e tentei voltar o ar para meus pulmões. Céus, Soleto, agora o tal Salazar, o que mais falta eu descobrir hoje? Encarei o homem e seriamente falei:
— Eu não sei quem é, e não casarei com o senhor!
— A senhorita não tem outra escolha, senão se casar comigo, perderá a fazenda. É o que quer? — Ele chega perto, sinto o cheiro do seu perfume caro que me causa asco. — Ou casa-se comigo ou o seu querido papai vai para a cadeia! Acredito que ele não tenha contado nada sobre o que faz quando vem para cá? Agora sabe que ele deve uma grana preta.— ele aproximou — Será a minha esposa! — sussurrou está fala e eu senti o meu corpo todo travar e um arrepio ruim percorreu todo o meu corpo. Entretanto, eu não poderia demonstrar medo.
— Não ameace mais meu pai, o senhor não tem nada contra ele! Dê-me um tempo para que eu possa pegá-lo. Não cansarei, quitaremos a dívida. E daremos esse assunto por encerrado. Meu pai amanhã terá com o senhor, iremos vender o que tiver que vender, irei trabalhar até quitar o último centavo. Vamos meu pai.— Segurei-o e segui a passos largos.
— O seu pai está nas minhas mãos, a senhora Flora e a senhorita também. Ouça, dou-lhe um mês para ser minha esposa, ou verá seu pai morrer na cadeia. E para provar que não brinco, saiba que as promissórias da sua fazenda estão nas minhas mãos, aquela fazenda e tudo que tem dentro dela é minha, isso inclui a senhorita.
— Podemos sair, o senhor que fique com ela.— Digo andando e ele ainda nos segue.
— Se sair sem ser ao meu lado, eu mato a sua querida tia! — Parei estática e olhei para meu pai que simplesmente ficou sem cor. O meu pai tem medo dele? Esse homem ameaçou de cara dura a minha tia? Será ele um mafioso, um assassino cruel? Enquanto mil coisas vêm à minha mente, eu encaro o senhor meu pai esperando ele falar algo, mas ele abaixa a cabeça, parecendo buscar por uma palavra certeira. E assim que ele abriu a boca:
— Sinto muito, mas Flora será esposa do senhor André Soleto! O casamento foi arranjado antes de o senhor aparecer em minha vida. — Ele afirma a mentir. Céus, o meu pai não olha-me nem olha para o homem.
… hahahahah… ouço uma gargalhada alta ecoar do homem. O seu rosto fechou-se e os seus olhos sóbrios pousaram no meu pai.
— Experimente dar sua filha a outro, seu velho louco e verá o que eu sou capaz! — novamente esse homem ameaçou. Tomei frente e quase gritei:
— Vá em frente, senhor. Sei ser um covarde que ameaça moças e senhores bêbados. Não tenho medo do senhor! — minto, mas não pude esperar a resposta do homem, pois o meu pai parece simplesmente ter curado toda a bebida, agora é ele quem puxa-me e anda às pressas. O homem não vem atrás de nós.
Não sei quem ele é, mas ele assustou-me! Eu temo que ele realmente possa ferir a minha tia e o meu pai. Que merda, porque isso tinha que acontecer? Eu tinha tantos planos agora que tenho maioridade.
— Sinto muito meu amor, mas para te salvar eu aceitei seu casamento com André!
— Meu pai, podemos dar…___ Tentei falar, mas ele deixou uma lágrima solitária cair. Calei, a dor era visível em cada parte do seu rosto.
'Poderia casar com o senhor André. Pelo que falam ele tem casa própria e um excelente emprego, ganha muito dinheiro. Ele poderia ajudar-me a quitar a dívida com o senhor Fernando. Se acaso não dermos certo, posso, após resolver as questões de meu pai, pedir o divórcio.' Abracei o meu pai assim que tomei a decisão de casar.
— Vou casar! Pai,eu farei o que deseja, desde que fique bem! Pai, eu juro que pagarei tudo que o senhor deve! — Ele assentiu e seguimos para a fazenda.
Coração sangrando, e na mente a certeza : Um casamento sem sentimentos!
Eu não sonhava em casar cedo. Mas se fosse casar o meu sonho era ser esposa de um homem de terno e gravata que não fosse deste lugar. Sabe? Aquele homem que marque presença e que dê borboletas no estômago, mas ao que parece serei como as demais esposas que vivem aqui, elas nunca sairão de San Romeno. Eu também não sairei!
Tudo pela segurança da minha família e nada por mim!
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Continuação com Leander...
Obrigada aos que estão a ler, e...
Beijos no coração ❤️❤️❤️
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Van Faquini
melhor vc casar com esse André e nunca sair dar, do que cair nas mãos de um certo alguém lindo de olhos vermelhos , mas que irá te maltratar e fazer da sua vida um inferno.
2024-03-16
5
lmin
tadinha
2024-03-07
4