Optei por fingir não escutar a conversa deles, com isso consigo mais informações. Se for o que estou pensando, Fìor corre realmente risco de morte, então ela fica comigo.
Fui verdadeiro quando afirmei que não acredito que ela vá tentar algo contra a minha vida, se fosse assim ela já teria feito há muito tempo. O que não posso ignorar é o fato que me sinto a vontade de falar somente a verdade.
Para dormir me arrependi completamente de mandar ela ficar no meu quarto, mas preciso dela perto de mim, perto do meu lobo. Ver ela chorando daquela forma me doeu muito.
Mesmo que o meu ciúme pelo fato dele ser um possível noivo dela tenha me cegado momentos antes. O fato é que não me arrependo, ou talvez um pouco, mas com ele vivo sempre existiria uma hipótese dela ir embora.
— Vou ficar louco desse jeito — estou há vinte minutos trancados no banheiro tentando controlar o meu lobo que insiste em deitar com a Fìor, mas eu sei que ele vai a abraçar novamente.
Chega de ceder ao seu controle, eu preciso de respostas e ele mesmo me esconde isso, a única coisa que ele me responde independente da pergunta é que preciso proteger a Fìor.
Pelo menos nisso concordamos, quando saio do banheiro ela já está dormindo, mas como se não bastasse estar agarrada ao meu travesseiro ela está na diagonal ocupando a cama toda.
— Como pode um ser pequeno desse monopolizar a minha cama?
— É somente a cama que ela está ocupando? — ouvir o resmungo do meu irmão não foi uma surpresa.
— Não deveria estar no seu quarto?
— Estaria se a Cisquinho estivesse comigo — não consegui conter o rosnado do meu lobo e isso fez o sorriso de Bràthair apenas aumentar.
— Fora — abro a porta do meu quarto e tenho a sensação que alguém nos observava, apenas troco olhares com Bràthair que entende de imediato.
O meu andar já tem o acesso restrito, mas o corredor do meu quarto é proibido a todos, que não passaram pela verificação do Bràthair. Foi exatamente por isso que estou mantendo Fìor aqui.
Após algumas horas vejo o meu irmão entrar no quarto, apenas confirmo com a cabeça enquanto ele se senta ao meu lado já me avisando que o andar está limpo e com a guarda reforçada.
Mantenho a minha voz baixa para não acordar a Fìor, mesmo que esteja cuidando da sua respiração. No final acabei aceitando a ideia do meu irmão de deixar Fìor no quarto da frente.
Ele tem uma passagem secreta que uni os nossos quartos então se precisar tenho fácil acesso, não sei contra quem ou o que preciso proteger a Fìor então todo cuidado é pouco.
Os próximos dias, não sai do quarto, os meus compromissos foram adiados e alguns até cancelados. Durante o dia acompanhava Fìor até a biblioteca e todas as refeições fazíamos juntos.
Algumas vezes Bràthair se juntava a nós e para a minha infelicidade ela sorria mais na sua presença, durante as minhas pesquisas acabei me revoltando, pois, tudo voltava para a antiga lenda dos lycanos.
“Você precisa me contar a verdade ou vou mandar a levarem para as celas o subsolo” — isso de longe foi a coisa mais idiota que já fiz em toda a minha vida, estava na frente do espelho chantageando o meu lobo.
“Não ousaria, isso vai causar dor em você também”
“Quem é ela?”
“A nossa companheira, a nossa ômega” — isso não poderia ser verdade, se bem que aqueles inibidores que ela usa pode ter me cegado — “Está duvidando de mim?”
“Não seria a primeira vez que mente para mim”
“Nunca menti para você”
“O que eu sou?”
“Você é a reencarnação minha, mas agora não é hora de conversa Fìor está com companhia”
Consigo sentir ele rosnando dentro de mim e antes que eu abra a porta ele me impede, seja o que for ele quer que eu apenas assista. De qualquer forma, deixo o meu irmão ciente que tem alguém no meu andar.
Quando acesso o corredor lateral, consigo ouvir as vozes que mesmo baixas estavam carregadas de raiva. Dìleas Olc estava na porta da Fìor exigindo que ela fosse embora.
As suas palavras não eram nada gentis e ela estava insinuando que Fìor estava se deitando conosco, sempre soube da sua lealdade com a Tàir, mas isso passou completamente dos limites.
— Você está se deitando com os dois apenas para ocupar o lugar que sempre foi da Tàir, nem de família boa você vem.
— Olha, não sei nem quem é você, mas vai embora antes que Dìon a perceba aqui — não precisei olhar para saber que Fìor estava vermelha de raiva e isso me fez sorrir.
— Ele não se importa com você, por que não faz um favor a si mesma e foge daqui?
— Não pedi nada e não vou a lugar algum, não fiz nada de errado e para precisar fugir — um estalo me fez rosnar e quando estava me mexendo para ir até elas Bràthair me segura pedindo silencio.
— Você é uma pobretona que quer subir na vida, mas tenho influência o suficiente para garantir que você esteja morta amanhã, pensa bem ou foge hoje, ou vou te matar.
Ela passou por nós e assim que ela virou para descer as escadas consigo observar o seu rosto vermelho, então o tapa quem deu foi Fìor, voltei para o meu quarto controlando a minha respiração.
Proibi Bràthair de intervir nesse assunto e até mesmo deixei o caminho livre, algo me dizia que ela não iria embora, posso não conhecer os segredos da minha companheira, mas sei que ela não se venderia.
A minha companheira, isso soava melhor do que eu esperava, durante anos eu me convenci que seria uma pessoa que serviria apenas para me prender e me irritar, mas estava completamente errado.
Tem quase uma semana que não me deito com ninguém e agora faz sentido o fato de apenas ficar perto de Fìor seja suficiente para o meu lobo.
— O que vai fazer? — Bràthair não estava nada contente com a minha decisão.
— Já disse, deixe o caminho livre.
— Não pode estar falando sério — apenas o olho com a sobrancelha erguida.
— Acredito que vai passar a noite aqui, então vamos aproveitar para você me contar o meu passado e também o motivo de ter escondido a minha verdadeira natureza — Bràthair chegou perder a cor, mas sei que ele não vai correr de me contar a verdade, não desta vez.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Santana Gomes
bom
2024-11-28
1
Valda Martins
Bom
2024-05-28
0
Ana Kelly
a nn mano kkk
2024-05-19
0