Ele não pode estar falando sério, como assim ele ficou feliz com a morte do meu amigo? Estava tão cega de raiva que não percebi o meu movimento e acabei sumindo em cima do seu corpo.
— Como se atreve a ser tão desumano?
— Ele era um assassino — Dìon mesmo com as minhas mãos em seu pescoço, não perdeu a sua postura.
— Neo não era um assassino, ele estava apenas…
— Chega, vocês dois — Bràthair me puxa de cima de Dìon enquanto eu apenas esperneava no ar — Ele não escutou tudo cisquinho, então se acalme — a voz sussurrada de Bràthair no meu ouvido chamou atenção de Dìon que em um pulo estava na nossa frente.
— O que estão escondendo? — a cada palavra que saía da sua boca, ele ia me prensando entre os dois, enquanto o seu olhar não deixava o meu.
— Irmão, estou um pouco desconfortável aqui atrás — Bràthair segurava o riso e somente neste momento que Dìon percebeu que a nossa aproximação.
Eu ainda estava com muita raiva pelo descaso com a vida de Neo, sem contar que estou sem os meus inibidores, então os meus reflexos estavam mais rápidos. Isso fez que me livrasse do aperto de Bràthair e também das tentativas de Dìon em me pegar.
Não queria machucar ele, então apenas me defendia, mas quando ele debochou Neo eu perdi a cabeça novamente e parti para cima dele. Como o esperado, eu era muito mais rápida e mesmo quando ele liberou a sua força não conseguiu me pegar.
Os seus gritos para Bràthair me pegar estavam se tornando ordem de comando, mas quando neguei percebi que a sua dor por conta do comando cessou. Isso tirou o meu foco de Dìon que me prendeu em seus braços.
— Me solta seu imbecil.
— Ainda sou o seu Rei e o seu chefe.
— Iludido — ele me vira de uma vez deixando os nossos rostos próximos, os seus olhos estavam novamente azuis e isso não era nada bom — Merda…
— Não sei o que fizeram você acreditar, mas está segura comigo — a sua voz grave fez que Bràthair se ajoelhasse no mesmo momento.
— Como posso confiar em vocês se nem a verdade não foi contada?
— Isso te colocaria em perigo.
— E agora estou como? Vocês mataram muitos meus e até mesmo celebram a morte deles, como se fossemos lixo.
Não era a intenção chorar, muito menos me abrir com o lycano de Dìon, mas ele tinha esse poder sobre mim, não conseguia esconder nada dele. O aperto que me mantinha presa se tornou um abraço carinhoso.
Com cuidado ele nos levou até o sofá me mantendo no seu abraço, por mais que eu tentasse lutar contra o meu corpo ele só sabia se encolher mais braços de Dìon, sinto uma coberta ser colocada sobre o meu corpo e sorrindo Bràthair se retira.
— Você está proibida de sair deste quarto.
— Por que não me manda para as celas?
— Porque lá não posso ficar com você — isso estava muito mais confuso do que eu realmente poderia acompanhar.
— Precisa me explicar.
— Não posso – me levanto para olhar em seus olhos que já haviam voltado na sua cor natural — A minha mente está uma bagunça, esse seu amigo iria me matar se não fosse por você, você não responde aos meus comandos, você me ataca e até mesmo me derruba sem nenhum esforço e ainda sim eu a quero perto por ter a plena certeza que nunca faria nada contra a minha vida, então não posso te explicar nada pelo simples fato de não ter as respostas.
Em todos esses anos tão próximos a Dìon sei quando ele está mentindo e agora ele está sendo muito verdadeiro, mas não sei se posso contar toda a verdade para ele, se Bràthair tem oitocentos anos ele deve ter algo parecido, então sabe perfeitamente o que aconteceu no passado.
Neo não teria se arriscado daquela forma se eu não estivesse realmente com problemas, mas de acordo com ele o meu maior perigo é quem está me abraçando neste exato momento.
— O que tanto pensa?
— Desculpa — abaixo a minha cabeça e antes que eu continue ele apenas suspirou.
— Eu que preciso pedir desculpas, sei que Tàir mentiu todo esse tempo e também sei que não fiz nada para te proteger dela, mas eu sinceramente não sei o que está acontecendo.
— O que sabe sobre o passado rei Madadh? — a sua careta me fez rir baixo e aquele olhar carinhoso estava ali novamente.
— Apenas que a minha mãe morreu pouco tempo depois que nasci e que Bràthair sempre me criou longe do nosso pai por conta do meu lobo — ele torce o rosto como se não quisesse falar aquilo e isso me fez rir — Nunca falei isso em voz alta para ninguém, você está melhor? — os seus dedos tocam o meu rosto e agradeço imensamente por estarmos longe da lua cheia ou não responderia pelos meus atos.
— Sim — respiro fundo me levantando, mas mantenho o cobertor sobre os ombros — Quero ir para a minha casa.
— Não — sua voz era firme e não me deixava abertura para questionar — Pode ir se acostumando com o meu quarto.
— Isso ficou estranho — tampo a minha boca por ter pensado alto demais, mas a sua gargalhada me mostrou que ele ouviu.
— Tenho que admitir, ficou mesmo, sinceramente porque não conversei antes com você?
— Quer a resposta educada ou a verdadeira? — ele vem se aproximando e dessa vez sem o Bràthair no quarto acabei correndo dele, mas não por muito tempo já que pisei na beirada da manta, só não cai, pois ele me segurou pela cintura.
— Verdadeira.
— Você estava ocupado f0dendo qualquer coisa do s€xo oposto — tampo a minha boca novamente, não sei o que está acontecendo que só sai verdades sem nenhum filtro.
Ele não me respondeu, mas acredito que ele não encontrou as palavras certas, pois observei ele abrir e fechar a boca diversas vezes. O que chamou a minha atenção foi que agora a sua aproximação não estava me afetando.
Foi inevitável não olhar o seu corpo e não lembrar da sua forma natural, não estou reclamando já que ele na versão mais humana é lindo, porém nem de longe era ele.
O que será que ele passou para ter que se esconder dessa forma?
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Santana Gomes
maravilhosa
2024-11-28
1
Aline Silva 🦄
Mulher o que é isso??? vejo uma fumaça subindo aí...
2023-07-14
11
Aline Silva 🦄
foca nos olhos dele, nos olhos!!! 😂😂😂😂😂😂
2023-07-14
1