Me lembro de pouca coisa depois que Neo foi assassinado, a minha lycana estava completamente furiosa, afinal já havíamos liberado ele de qualquer juramento para que a sua vida fosse poupada.
Cedi completamente o controle do meu corpo, onde Gaol conduziu a sua alma de volta a nossa terra sem prejuízo ao seu corpo, para nós isso é normal já que estamos sempre sendo cassados.
O corpo físico nem sempre vai ter um fim digno e definitivamente Neo precisava permanecer vivo. A promessa de Bràthair acalmou a minha lycana, ali tive a certeza que posso confiar cegamente nele.
Tanto que quanto acordei ele me garantiu que vou ficar segura, mas assim que ele me perguntou quem era Neo a dor voltou com tudo acompanhada pelas minhas lágrimas.
O choro foi tão intenso que eu chegava a soluçar e a única coisa que Bràthair fez foi me abraçar, ele me explicou que estávamos em seu quarto e espero que ele não esteja confundindo as coisas assim como Neo fez.
Os toques no meu cabelo foram me despertando e aquele cheiro gostoso que me envolvia não era de Bràthair, apenas uma pessoa tinha esse poder de me acalmar ou até mesmo me irritar profundamente e em um pulo me sento ofegante enquanto Dìon apenas me observava com intensidade.
— Onde está o seu irmão?
— Por que quer ele?
— Onde estou? — ignorei o fato dele me responder com outra pergunta enquanto meus olhos tentava reconhecer o lugar onde estava, mas não adiantou muito pois ainda não faço a menor ideia de onde estou.
— Segura — ele está me irritando já com essas respostas curtas.
— Para uma cela isso está bem…
— Não começa Fìor, posso mudar de ideia e te mandar para a prisão — ahhhh agora o meu chefe rabugento está de volta.
A porta se abre com tudo e Bràthair entra empurrando um carrinho com comida e que cheira muito bem, muito mesmo. Me levanto indo até o seu encontro enquanto escuto Dìon rosnar.
— Acho que alguém está de mau-humor — Bràthair segurava o riso de todas as formas, mas a sua voz o entregou que ele estava se divertindo muito.
— Me deixa com fome para ver o que é pesadelo — respondo sorrindo e tomando cuidado para falar baixo, mesmo sabendo que ele está escutando tudo.
— Anotado Cisquinho.
Dìon se aproximou me puxando para ficar atrás das suas costas, mas assim que bati com as mãos fechadas ele finalmente entendeu que eu estava realmente com fome, ele não estava nem de longe no seu juízo perfeito, não que algum dia ele estivesse.
Troco olhares com Bràthair que confirma com a cabeça, vou andando devagar na sua direção com a desculpa de me servir, o meu medo deve ter mudado o meu cheiro, pois Dìon me olhou no mesmo momento.
Da mesma forma que ele se aproximava, eu me afastava até que encostei na parede, eu estava com medo? Sim, até alguns momentos atrás pelo menos, mas a última coisa que vou permitir é ele me intimidar.
Quando ele estava próximo o suficiente dou uma rasteira o derrubando de uma única vez no chão, as gargalhadas dos dois me assustaram de início, mas não deixo isso transparecer.
Puxo o carrinho perto da janela ciente que os dois estavam me analisando, cada vez que um abria a boca para me perguntar alguma coisa o outro o impedia de alguma forma.
Os meus suspiros começaram a aumentar e não demorou muito as lágrimas começaram a descer sem permissão, ao contrário do que eu pensei Dìon correu me abraçar, mesmo sem dizer nada era o que eu precisava.
— Ele foi enterrado de forma digna — a voz de Bràthair era baixa e até mesmo dolorida, mas ainda sim ele puxou o assunto novamente.
— Obrigada, mas a minha lycana… — tampo a minha boca ciente que não deveria ter dito aquilo.
— Sua, o quê? Você não é apenas uma lobisomem? — tento me soltar e fugir não somente da pergunta de Dìon como também dos seus braços que agora me mantinha no lugar, me forçando olhar diretamente nos seus olhos.
— Está chocado por qual motivo? Afinal você também é um — agora foi a vez de Bràthair engasgar e começar a tossir.
— Eita que isso está melhor do que eu esperava, mas lamento ser o estraga pr@zer Cisquinho, mas acho que ele não faz ideia do que você esteja falando.
Isso me fez respirar aliviada, mas, ao mesmo tempo, me deixou preocupada, afinal Bràthair pelo jeito sabia muito mais. Pulo na sua direção o imobilizando em questão de segundos.
— Quantos anos você tem? O que mais sabe sobre o meu passado e o meu povo? Como me descobriu? — Dìon tenta se levantar, mas jogo o copo na sua testa em um dos pontos que o deixariam inconsciente por alguns minutos.
— Tem noção que está imobilizando um oficial com mais de oitocentos anos com o dobro do seu tamanho?
— E daí?
— Como assim, cisquinho? Eu quero saber como faz isso, sem contar que você acabou de nocautear o rei.
— Ele não é meu rei, se formos falar em nobreza, então deveria se curvar a mim — o solto escutando os seus resmungos de dor.
— Explica Cisquinho.
— Sou a rainha dos Bòcans — falei tão rápido que nem sei se ele entendeu.
— Porque veio parar sobre o mesmo teto do seu assassino? — a sua voz brincalhona havia desaparecido completamente.
— Foi à melhor forma que os meus conselheiros encontraram para me manter segura — não conseguia olhar em seus olhos, sei que estou me arriscando — Neo veio me convencer que deveria voltar.
— Ele era um dos seus?
— O meu Beta, o meu amigo de infância e também o meu…
— Cisquinho, preciso que seja sincera comigo e não me esconda nenhuma informação, já lhe prometi que vou te proteger, mas preciso saber no que estou me metendo — os nossos olhares se encontraram e senti verdade em Bràthair, mas também senti que muita culpa.
— Ele era o plano B, se tudo desse errado eu me casaria com ele.
— Ainda bem que agora ele está morto — não sei quando Dìon acordou, mas ele tinha um sorriso enorme brilhando no seu rosto enquanto a sua cabeça estava descansando sobre os seus braços, não posso negar ele estava lindo e muito gostoso desse jeito, mas minha espinha gelou de medo, afinal o quanto ele escutou?
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Valda Martins
Continua
2024-05-28
1
sandra helena barbosa
vamos que vamos😍
2024-03-18
4
Mônica Wachholz
muito divertida essa história
2023-11-16
2