Após o Natal, e a passagem de ano saldamos 2019, com muita alegria, Logan e eu trabalhávamos com reciclados e saiamos, as segundas, quartas e sextas-feiras, atrás desses produtos, vendíamos e íamos tocando a vida.
Quando o Caio estava sob o efeito das drogas, ele era outro rapaz de dezesseis anos, voltava a vontade de estudar, pois ele se evadiu da escola no sétimo ano, se tornava um menino doce e adora ficar com a Eleonora, muitas vezes conversávamos, e eram divertidas as nossas conversas, reuníamos Logan, Caio e eu no quintal e batíamos, papai furado, riamos muito.
— Eu preciso largar essa vida Logan, está difícil essa vida de usuário, domina a gente, a gente acaba vivendo em função das drogas.
— E o pior de tudo são as crises de abstinência.
— Você tem que ter força, Caio, não é fácil, mas pede para sua mãe buscar tratamento.
Sempre falava Logan quando o Caio, estava de "boa".
— Minha mãe não liga para mim, não Logan, antes ela até fazia as coisas por mim, mas depois que ela foi na cadeia visitar o grande amor da vida dela e engravidou do Mateus, ela literalmente me deixou de lado.
Caio, pode dizer essas palavras por birra, mas eu sei que não é assim, eu acompanhei a infância de Caio desde os quatro anos, e quantas vezes sai com a minha cunhada para, sair, comprar roupas para ele. O meu sobrinho Caio nasceu com um ligamento falando em seu cérebro, o que o torna mais agitado mais que o normal, muitas vezes eu acompanhei a minha cunhada as reuniões do tratamento dele no CRJ, lhe foi dado remédio e ele passou a ter uma vida normal de qualquer criança, dormia cedo e acordava cedo para ir à escola, passou a ser um aluno exemplar, mas minha cunhada achou que ele estava dormindo demais e aos doze anos, cortou a medicação sem a ordem do médico, época em que ela engravidou do Mateus e início da vida de Caio no mundo das drogas.
Isso é muito triste, mas é a realidade dos fatos.
No quintal reunidos, ele me pede para pegar a Eleonora no colo, e eu deixo, Caio não é um menino mau, foi o abandono de sua mãe que o deixou assim desse jeito agressivo.
Ele pega a minha pequena nos braços, e ela o adora, fica feliz quando seu primo mais velho lhe dá atenção.
Caio adora brincar de avião com a Eleonora e é tão lindo ver ele a segurando e ela abrindo os bracinhos e esticando as perninhas usando a órtese DB, parece mesmo um avião.
Hoje ele brinca assim com ela, só que algo inusitado aconteceu.
Ele volta Eleonora para a posição normal e ela gorfa bem dentro de sua boca, pois ele estava dando risada.
Caio não ficou bravo, apenas sorriu e disse para a pequena:
— Babou na boca do primo foi?
— Mas a culpa foi do primo, não vou ficar bravo com você.
— Quem mandou você brincar de avião com a menina? Júnior, ela tinha acabado de mamar.
Logan afirma isso e todos, damos risadas, afinal foi uma situação engraçada.
Logan que tem um serviço de pintura para fazer sai em seguida, e Caio fica mais um tempo com a Eleonor para mim e toca a música Rabetão do Mc Ale e Rodolfinho que a pequena adora e ele fazia uma folia gostosa com ela, dançava com ela no colo e quando ele colocava a Eleonora na cama ela mexia as perninhas, feliz como se estivesse dançando sozinha.
Enquanto eles se divertiam juntos, eu consegui lavar a roupa e fazer o serviço.
Eleonora quiz mamar e ele me entregou a pequena, que cansada da diversão dormiu profundamente.
E eu tento desifrar a mente de meu sobrinho e procuro entendê-lo, e sempre que posso o oriento a tentar ser mais forte que o vício.
— Vou tentar kakau, mas não é fácil.
Kakau é um apelido que meu pai me colocou há muitos anos e pegou.
As horas vão passando e Logan chega do seu serviço de pintura feito um dálmata, todo respingado de tinta branca.
— Meu dálmata chegou!
— Você me zoa mais o dia foi pauleira, não parei com o serviço até terminar a primeira mão de tinta.
— Sei como é não é fácil.
Logan me conta que amanhã irá dar a segunda mão de tinta nas paredes e pintar o portão da casa.
Esse é um dos serviços que Logan ama fazer, e fora dirigir é um serviço que o relaxa.
— E as meninas amor?
— Assistindo Tv no quarto, e eu estou terminando de preparar a janta.
Logan toma o seu banho e jantamos juntos.
Com meu sogro em casa, a minha cunhada é obrigada a sair e levar o Mateus, meu sogro não deixa ela deixar ele em sua casa e muito menos em nossa casa.
— Quem pariu Mateus que embale, dizia ele.
Quando ela conseguia deixar, eram os dias que ela pagava para mim e para o Logan cuidar dele, já que o Caio saia para suas noitadas.
Os meses foram passando e logo minha cunhada, está com a mudança ajeitada para uma casa que ela conseguiu ajeitar para Atibaia.
A princípio ela ia morar na chácara da sogra, mas como o Caio, além de ser usuário, é explosivo, a sogra dela, achou por bem não morarem juntos.
Então devido a isso o Tiago alugou uma casa para eles.
Ajudei a minha cunhada com caixas durante a semana, empacotamos roupas, lavamos roupas, até que está tudo pronto para a mudança que acontecerá sábado.
Naquela noite o Logan não estava em casa, pois foi fazer um bico de entregador: carga e descarga, estávamos na casa de meu sogro conversando.
O seu Dorival, olha para a filha e muito sério indaga:
— Olha, filha, faz esse relacionamento dar certo, pois eu não vou aceitar você de volta!
— Ai, mas você é meu pai, tem que me ajudar!
— Não conte com isso, afirma meu sogro com um sorriso de canto.
Mas eu sei que quando meu sogro dá esse sorriso, ele está falando sério, e isso é que me faz respeitá-lo.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Aline Silva 🦄
Ué, fia... Ele tem um bom ponto. Ajudar não é aguentar os desaforos do filho em abstinência, ou então ver a filha sair pra balada como se não tivesse nenhuma responsabilidade na vida .. tudo tem limite.
2023-07-13
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Aline Silva 🦄
tá certíssimo!
2023-07-13
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