E assim, em 12 de outubro de 2018, mudamos para o terreno de meu sogro.
Quem nos pagou o carreto foi o dono da casa em que morávamos na Várzea Paulista, morar novamente em Jundiaí para mim é um sonho, realizado, gosto muito da cidade, que vem crescendo em oportunidades de trabalho e estudo a cada década que passa.
Mas ao entrar no terreno e ver o estado que o filho, drogado de minha cunhada, deixou a casa, me fez chorar.
A casa não tinha mais a porta de entrada, está toda pichada por dentro, as pichações são feitas, por cima de uma cor horrível de azul-marinho. Não é nem a sombra da casa que um dia foi quando a mãe de meu sogro dona Luiza, chamada carinhosamente de vó Luiza, estava viva.
E o pior que a minha cunhada não mencionou, é que iriamos dividir a casa com o Caio Junior, o rapaz que é usuário de drogas e muito briguento quando não está sob o efeito das drogas.
Meu mundo desmoronou, mas já que precisamos da casa para construir uma vida melhor, eu e o Logan, aceitamos, pois, já havíamos entregue a casa para o seu Cunha.
A princípio, lavamos a cozinha e tiramos a bagunça, acumulada, que estava na sala aonde dormiríamos, Logan, eu e as nossas quatro filhas.
O senhor Cunha dono de nossa antiga casa, depois de uma hora veio nos visitar e nos trouxe lanche.
— Mudança é complicado, eu trouxe aqui alguns lanches para vocês comerem e refresco.
Para a minha surpresa, uma surpresa desagradável, minha cunhada, que mora na casa ao lado, entrou na minha casa, com seus filhos mal-educados e fez questão de distribuir alguns lanches para eles.
Fiquei na minha, eu quero é arrumar logo essa bagunça para, ligar a Tv para minhas pequenas assistirem.
Arrumamos tudo e deixamos um brinco.
Nosso guarda-roupa, a princípio, ficou na cozinha, pois na sala só coube as camas de solteiro, e casal e o raque com a televisão.
Morar com o Caio, seria um desafio, pois ele sai todas as noites, volta de madrugada, rodeado de amigos do mundo do crime, eu temia pela segurança de minhas filhas.
Para a casa não ficar sem a porta, o Logan, arrumou umas ripas de compensado e fundo de guarda-roupa e fez uma porta e colocou no lugar. Para haver um pouco mais de conforto para nós.
Já na primeira noite, minha cunhada largou o mais novo conosco e saiu para a balada, com uma prima em comum com meu esposo, a Andressa.
Ela saiu as dez da noite e chegou, as duas da tarde, o Caio saiu também e ainda não tinha voltado.
Nesse período Logan saiu para procurar trabalho, e eu cuidei das minhas filhas e cuidei também do Mateus, filho mais novo de minha cunhada.
Quando ela chegou foi dormir e eu fiquei com a responsabilidade de buscar o Mateus e as minhas na escola.
Logan chegou feliz, pois encontrou um bico de três meses, uma luz para nós que já íamos passar apertado.
Em meio a nossa conversa ele comentou sobre o estado que o Caio deixou a casa em meio a abstinência pela maldita droga.
— Eu vi Logan, mas vamos dar um jeito, o Caio tem medo de você e como pagamos as metades das contas não é ele quem manda.
— Então não moramos com ele, ele mora conosco.
Falei tão serena que até mesmo o Logan se espantou, sim, eu estou serena, pois confio muito em Deus e sei que ele não nos dá uma prova tão difícil assim que não possamos, encarar e ainda sermos abençoados.
— Ele me abraça e nesse abraço eu tive a certeza, que ele está ao meu lado e irá dar tudo certo.
Busquei as meninas na escola e de quebra meu sobrinho, que ficaram conosco até a minha cunhada acordar, quando ela acordou tomou banho e se pirulitou para a rua com a prima Andressa e ficamos novamente com o menino para ela.
Preparei a janta e dei comida para as crianças, o Mateus jantou acompanhado das primas e comeu todo o meu feijão incrementado, eu faço assim, com batatas e cenoura para render bastante. Ele, mesmo sendo enjoadinho para comer, comeu tudo e limpou literalmente o prato.
Quando o Júnior chegou da rua o Mateus já estava dormindo, e ele o levou para o seu quarto, a essas alturas as minhas filhas também dormiam. Ele deixou o Mateus dormindo em sua cama, tomou banho e saiu, dizendo que tinha um bico para fazer em uma boca da região.
Ficamos só acordados, eu e o Logan fazendo planos.
A temperatura estava amena, então fomos conversar no quintal, namoramos sob a luz das estrelas, pois combinamos, não deixar mais a rotina esfriar, nosso relacionamento.
Ele brinca que quando ficarmos veinhos vamos viajar pelo Brasil em um ônibus que é uma casa toda equipada.
Claro que nada nos impede de alcançar esse sonho, é só ter planejamento e garra.
Observamos juntos as estrelas e ele me mostrou as três Marias, uma constelação brilhante no céu.
Sorri e deitei em seu ombro, Logan me fez cócegas e eu ri, o mais baixo que pude para não acordar as crianças que dormiam.
Comentei com meu esposo que na infância e adolescência em Francisco Morado, onde eu morava com meus pais, da minha casa dava para ver de longe a constelação de escorpião.
E eu adorava olhar para o céu durante a noite, para, ver ali formado pelas estrelas a linda constelação brilhante, o escorpião gigante.
Me bateu a saudade daquele tempo, pois nossa única obrigação, era estudar, e eu torcia para crescer, e hoje eu vejo que a vida de "gente grande" não é fácil.
Falo para a Larissa que vida de adulto não é fácil, temos que trabalhar e dividir o que ganhamos para pagar as contas da casa e por comida na mesa.
Digo há ela curta sua infância e as amiguinhas, estude para ter um bom serviço no futuro que logo irá chegar.
— Amor, por que ficou quieta de repente?
— Lembrando da adolescência, e ponderando em como é difícil ser adulto.
Ele sorri e trocamos um selinho a luz do luar.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Aline Silva 🦄
Ah prontoooo, uma mãe desnaturada... Não vai dar certo isso não
2023-07-13
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Aline Silva 🦄
meu sangue ferve com isso...
2023-07-13
1
Aline Silva 🦄
Espera aí ... Quê? 😱😱😱😱😱
2023-07-13
1