Soren estava branco como papel, sentado em seu apartamento, de frente para a tela grande, onde revia a apresentação de seu ex-sócio, no noticiário das celebridades. Pois foi isso que entendeu do que Rener falou. Ao contrário do que planejaram, seu sócio fez uma apresentação solo e pelo que viu, era algo totalmente novo e muito rentável.
Fez umas pesquisas e não viu nada sobre uma nova firma, só muita especulação e a queda nas ações da Game Luxor.
— Aquele infeliz me passou a perna. Só queria saber como ele soube que eu o trairia. Não foi naquele momento, pois tudo que planejou, levou tempo e aquele projeto de IA, não foi criado da noite para o dia. O cara é um gênio e eu fui um idiota em trai-lo. Agora, só tenho o fruto do roubo. Tô ferrado.
— Falando sozinho, amor?
Ele havia esquecido que Susan estava em casa. Ela era sua namorada a dois anos, era aeromoça e estava sempre viajando.
— Levei uma rasteira do meu sócio. Ele lançou um projeto inédito, solo.
— É um direito dele, já que tudo que vocês negociam é criado por ele.
— Mas somos sócios, ele não tinha esse direito.
— Por quê? Só porque você não vai ganhar nada com isso, não tira o direito dele.
— De que lado você está, afinal?
— Do justo. Sempre te disse que você se segurava muito em Rener.
— Droga!
— Pare de reclamar, você ganhou muito dinheiro pegando carona com ele, agora cresça e invista em você.
Ele não falou nada, olhou a hora no relógio, desligou a tela e foi para a cozinha, tomar café com ela.
— Até quando você vai ficar? — perguntou ele, abraçando-a por trás.
— Até daqui a pouco, só vou tomar café, me arrumar e sair.
— Até quando será assim?
— Você está reclamando muito hoje.
— É, você está certa, quer saber, me enchi, não volta mais não, tá?
Ela parou um instante, olhou para ele e não disse nada. Tomou seu café, se arrumou e saiu com sua mala, depois de pegar todas as coisas que costumava deixar ali. Não disse adeus, apenas deixou suas chaves do apartamento na mesinha da entrada e se foi.
Soren esperou e esperou, andando pelo apartamento. Finalmente seu novo sócio ligou:
— " E aí, parça, viu o que seu sócio fez ontem? "
— Sim, aquele descarado, manteve tudo na surdina.
— " Fica ligado e não se retire da parada, vá ao escritório e trabalhe normalmente, verifique os contratos e atas da empresa e veja se tem alguma cláusula sobre as criações dele, pode ser que haja uma brecha."
— Pelo que vi, ele amarrou muito bem amarrado, deve ter consultado os advogados, para me deixar totalmente de fora.
— " Tenho uma carta na manga, vamos esperar até o final do dia, as coisas vão mudar. "
— Com certeza…
Desligaram e Soren acendeu um cigarro e foi até a janela de vidro, que ocupava toda a parede e dava para ver o mar, ao longe.
— Com certeza, os ventos hão de mudar.
Na casa de Ivan, ele dava inúmeros telefonemas, fechando negócio e desmembrando sua irmã Íris, de todos eles. Aproveitou que ela saiu para mergulhar, que era seu passatempo preferido e fez tudo que precisava sem sua intromissão.
— Estou pronto para um vôo solo, como fez Renner e minha irmãzinha ficará de fora, chega de andar com uma mangá de pirralha, ao meu lado
— " Tudo bem, então, mas não é Íris que finaliza seus projetos? "
— Nada que outro não possa fazer. Eu a mantive só por causa da minha mãe, que pediu para eu cuidar dela até a maioridade. Agora ela já é maior e pode se virar sozinha.
— " Ela tem condições financeiras para isso?"
— Claro que sim, além dos 5% das ações, tem a herança da mamãe.
O advogado do outro lado da linha soltou uma gargalhada.
— " Você é um canalha, Ivan, deu só 5% da empresa para sua principal cooperadora? Fala sério! "
— Ela é muito bobinha, não entende nada de negócios, acostumou a viver na minha dependência e sempre lhe dei uma boa mesada. Não tenho culpa se ela não entendia o que estava assinando.
— " Tá certo, então, até segunda, vou descansar um pouco, agora. Experimenta fazer isso também. "
— Vá se catar…tchau.
Desligou o telefone e resolveu dar uma volta na praia e ver umas bundinhas saradas.
*
Rener estava em seus esquis, deslizando sobre a água, fazendo suas manobras. Estavam distantes da praia, para não correrem o risco de atropelar alguém. Amava aquela sensação de liberdade e o exercício, que fortalecia seus músculos, depois do desgaste da noite passada.
O dia estava lindo e onde estava, não dava para ser assediado pela infinidade de telefonemas que devem estar fazendo para ele. Queria ser uma mosquinha, para ver a cara de Soren. Na verdade, não, pois se quisesse mesmo, assistiria de camarote através de sua espiã.
Susan era amiga dos dois desde a faculdade, mas começou a namorar com Soren e descobriu os roubos que o namorado fazia e não achou justo Renner não saber e contou a ele, que pediu que instalasse um espião no apartamento do sócio. Um pequeno drone, que mudava de lugar, como um inseto.
Estava curtindo o passeio, vendo a Orla arborizada, as praias cheias e as mansões no alto dos penhascos, até que ouviu um disparo, seu piloto tombou sobre o volante e a lancha desgovernou. Ouviu outros tiros, se abaixou, mas sentiu que foi atingido atrás do pescoço.
A lancha foi em direção a orla de penhascos e pedras e bateu, explodindo. Ele soltou a corda que o puxava e afundou devagar, desnorteado, sem sentir os movimentos do corpo, quase desmaiando. Conforme afundava, não concatenava bem os pensamentos, viu se perder tudo que planejou, pois sentiu que estava a morrer. Não percebeu a sombra de alguém que nadava na sua direção, podendo ser um assassino ou um anjo da guarda.
Perdeu a consciência, ficando no mais completo breu.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 49
Comments
Fatima Gonçalves
FDP ELE TEM QUE SE FERRAR
2024-11-29
0
Marcia Cristina Carneiro
20/10/24/ ó melhor será ó vencedor ó jogo começou
2024-10-20
1
DIRCELENA ARAUJO
E só eu que estou achando tudo tão confuso?
2024-10-10
4