Aurora
Ver o medo nos olhinhos da minha filha quebrou o meu coração, ser o motivo do medo dela doeu como se facas afiadas estivessem sido cravadas em meu peito.
Como eu perdia a cabeça desse jeito se sempre fui paciente? minhas atitudes sempre condiziam com quem eu era, e agora eu já não me reconheço.
- Filha – murmurei baixinho ela continuou me encarando assustada segurando o seu ursinho de pelúcia que ela tinha desde quando nasceu, Anne acreditava que o seu pai o tinha dado, quando na verdade fui eu quem o comprou. Como eu não percebia? Como eu deixei chegar a esse ponto?
- Mamãe eu estou com medo – indagou, eu me levantei de vagar e estendi minha mão, mas logo a recolhi quando me dei conta que tinha alguns fios de sangue e ela se assustou ainda mais – mamãe, isso é sangue?
- Não meu amor, é vinho – menti para não a traumatizar ainda mais
- Filha vem com o papai – Pediu Robert eu o encarei e neguei sabendo que o que pretendia não seria bom, afinal descobrir que nada que venha dele é bom.
- Não Robert, não por favor – implorei como se eu fosse a errada da estória.
- Sim, voce não ver que está descontrolada? Não vou deixar a minha filha aqui com você – disse ele bem calmo se fazendo de vítima e se virou para a nossa filha – querida, mamãe não está bem e precisava ficar sozinha
- Nós não podemos ajudá-la? – indagou ela inocente, pouco a pouco Rob se aproximava dela, eu sentia minhas pernas pesadas e era como se o seu olhar me impelisse a permanecer no lugar – papai isso é sangue?
- Mamãe me acertou com um copo, ela não está bem, machucou o papai – insistiu ele
- Robert, não faz isso, por favor, ela é só uma criança – murmurei baixinho para não a assustar ainda mais, porém ele a pegou no colo – Robert para onde vai?
- Se voce gritar ou vir atras de nós vai ser pior Aurora – disse ele, mas eu fui atras e minha filha se assustou quando eu praticamente corri, ela se agarrou no pescoço do pai com medo do que eu faria – assume que perdeu.
- Robert, isso é demais, por favor – eu não podia gritar tinha noção disso, mas era minha filha – eu não me importo com o dinheiro, com a empresa, com essa mansão, eu não me importo com nada, só me entrega a minha filha por favor.
- Filha, com quem você quer ficar? – disse ele e eu não acreditei que ele fizesse isso, era golpe baixo demais, manipular a nossa filha nesse momento em que eu estou vulnerável e ela também
- Com o senhor – disse ela sem me encarar ainda agarrada no pescoço do pai sem ver que ele sorria como se soubesse que havia acabado de dar o golpe final, havia acabado de jogar a última par de terra.
- Filha, fica por favor – implorei, e quando ele se virou indo embora, ela virou o rosto para não me olhar.
Eu a entendia, ela tinha visto um lado meu que não conheciam nem eu mesmo nunca me encontrei nessa situação, eu estava desesperada, era a primeira vez que eu lidava com algo assim.
Doía tanto, o meu coração parecia querer rasgar o meu peito, eu já não tinha mais forças, me vi caindo de joelhos ali mesmo, me entregando a dor e ao medo, pois eu sabia que se eu quisesse conquistá-la eu precisaria ter calma, eu tinha que esperar esse tremor e esse desespero se acalmar.
Eu sabia que ele viria atras de mim, eu sabia que ele não perderia a vontade de tripudiar de mim, o pior de tudo, eu sabia que ele só tinha levado nossa filha para me maltratar ainda mais. Mas o que eu fiz para ele além de entregar todos os meus bens? abrir a porta do mundo corporativo, lhe dei entrada no mundo do sucesso, por que fazer isso comigo?
E esse é a minha recompensa por ter acreditado em um lobo que se veste de cordeiro, ele veio como quem não quer nada, me usou, me manipulou até ter tudo o que queria, e então se livrou de mim.
- Senhora Lenny – ouvi Nana dizer agoniada, não demorou eu senti suas mãos me levantando – o que aconteceu? A casa foi invadida por ladrões? Onde está Anne?
- Ela foi embora Naná – declarei e então comecei a chorar compulsoriamente – eu coloquei o ladrão no nosso meio, ele levou tudo de mim.
Pior de tudo foi na manhã seguinte quando eu conseguir falar com um outro advogado e descobri que durante muito tempo eu fui enganada inclusive pelo advogado que cuidava das minhas contas, eu tinha apenas o dinheiro que o meu pai deixou bloqueado que felizmente só eu poderia mexer em caso de emergência, Mas o resto o meu marido a quem eu confiava cegamente tinha levado, me tiraram até a mansão, eu fiquei somente com uma empresa que em um mês estaria cheia de dividas, porque todo o dinheiro dela ele também levou.
E agora? O que eu iria fazer?
Como eu resgataria minha filha? Como eu a teria de volta?
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Maria Izabel
Triste da mulher que confia cegamente no marido, por melhor que seja ele.
2025-02-20
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Luzia
Que ódio que eu estou desse canalha como ela pode acreditar tanto nele
2025-02-11
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Doraci Bahr
agora precisa de alguém para acabar com ele, ah uma máfia nessas horas
2025-04-04
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