Era mais um dia movimentado no hospital. Zoe caminhava pelos corredores, ajustando o jaleco enquanto lia o prontuário de seu paciente. Os sons típicos de monitoramento, passos apressados e conversas abafadas preenchiam o ambiente, criando uma atmosfera de rotina caótica, mas familiar.
No setor de emergências, Lorenzo estava terminando de preencher alguns relatórios. Ele parecia tranquilo, mas, como sempre, mantinha um olhar atento a qualquer sinal de necessidade.
— Lorenzo, sala 3. Temos um paciente agitado. — chamou uma enfermeira, apressada.
Ele assentiu e foi até a sala, ajustando as luvas.
Ao entrar, encontrou um homem visivelmente alterado, com movimentos rápidos e fala desconexa. Dois seguranças estavam presentes, tentando acalmá-lo, mas o homem parecia cada vez mais agitado. Lorenzo, com sua habitual calma, aproximou-se com cautela.
— Senhor, sou o Doutor Lorenzo. Estou aqui para ajudar, tudo bem? — disse, mantendo a voz firme, mas tranquila.
O homem olhou para ele com olhos arregalados, cheios de paranoia.
— Eles querem me pegar! Você faz parte disso! — gritou, recuando até a parede.
— Ninguém vai te machucar. Estamos aqui para cuidar de você, mas precisamos que você confie em mim, tudo bem? — Lorenzo tentou aproximar-se mais, gesticulando para que os seguranças mantivessem distância.
De repente, o homem tirou uma arma escondida sob a jaqueta. A sala congelou.
— Afaste-se! Não confio em vocês! — gritou, apontando a arma de forma trêmula.
— Tudo bem, estou me afastando. — Lorenzo levantou as mãos, tentando manter o tom calmo, mas seu coração estava disparado.
Os seguranças começaram a se mover, mas o homem, em pânico, apertou o gatilho. O som do disparo ecoou pela sala. Lorenzo sentiu um impacto forte na barriga e cambaleou para trás, tentando se segurar, mas caiu no chão.
O caos se instalou. Seguranças dominaram o homem rapidamente, enquanto gritos eram ouvidos no corredor. Zoe, que estava no setor ao lado, correu ao ouvir o barulho.
— O que aconteceu?! — perguntou, entrando na sala e parando ao ver Lorenzo no chão, com sangue se espalhando pela camisa. — Lorenzo! — gritou, ajoelhando-se ao lado dele.
— Zoe... — ele murmurou, tentando segurar o ferimento. — Parece que não é meu dia de sorte.
— Não fale! Vamos cuidar de você. — Zoe olhou para os enfermeiros, já em ação. — Precisamos de uma maca aqui agora!
Enquanto o levavam para o centro cirúrgico, Zoe caminhava ao lado dele, segurando sua mão.
— Você vai ficar bem, Lorenzo. Estou aqui.
Ele tentou sorrir, mas a dor era evidente.
— Se eu sair dessa... me deve um... – ele desfaleceu.
Zoe sentiu uma lágrima escorrer, mas manteve a compostura.
— Pode deixar, você vai ter todos tudo que quiser.
O corredor parecia interminável enquanto eles corriam em direção à sala de cirurgia. Zoe sabia que Lorenzo era forte, mas não conseguia evitar o medo que apertava seu peito. Agora, tudo o que podia fazer era esperar e torcer para que os cirurgiões salvassem o colega que, aos poucos, estava se tornando muito mais do que isso para ela.
...[...]...
A sala de cirurgia estava em completo silêncio, exceto pelo som ritmado do monitor cardíaco e das instruções dos cirurgiões. Zoe observava tudo pela pequena janela da sala de observação, com os braços cruzados e o coração pesado. Era difícil para ela ver Lorenzo naquela situação, pálido, vulnerável e imóvel.
Ela conhecia os procedimentos, sabia que ele estava nas mãos dos melhores médicos do hospital, mas isso não a acalmava. Cada movimento dos cirurgiões parecia durar uma eternidade.
— Ele vai ficar bem, Zoe. — disse Marcel, que se aproximou e colocou uma mão em seu ombro.
Zoe balançou a cabeça, sem tirar os olhos do vidro.
— Ele levou um tiro, Marcel. Foi tão perto... — sua voz quebrou.
— Eu sei, mas o Lorenzo é um lutador. Ele vai sair dessa.
Lá dentro, os cirurgiões trabalhavam com precisão para conter o sangramento interno e reparar os danos no intestino, causados pela bala. O procedimento era delicado, mas Lorenzo estava estável por enquanto.
Quando a cirurgia finalmente terminou, depois de quase três horas, o chefe da equipe médica, Dr. Moretti, saiu da sala com um olhar cansado, mas confiante.
— Conseguimos estabilizá-lo. A cirurgia foi um sucesso, mas ele vai precisar de repouso absoluto e acompanhamento nos próximos dias.
Zoe respirou fundo, sentindo as lágrimas acumularem nos olhos, mas manteve-se firme.
— Obrigada, Dr. Moretti.
Ela correu para o pós-operatório, onde Lorenzo estava sendo transferido. Ele ainda estava inconsciente devido à anestesia, mas sua respiração era estável. Zoe aproximou-se da cama e segurou sua mão com cuidado.
— Você conseguiu, Lorenzo... Eu sabia que você ia conseguir.
Marcel entrou na sala alguns minutos depois, trazendo dois copos de café e sentando-se na poltrona ao lado.
— Ele é teimoso demais para nos deixar assim. — Marcel brincou, tentando aliviar o clima.
Zoe deu um pequeno sorriso.
— Teimoso é pouco... Ele não consegue fazer nada sem causar uma comoção.
Eles ficaram ali por horas, revezando-se para monitorar Lorenzo e atualizar a equipe médica sobre sua condição. Finalmente, perto da meia-noite, Lorenzo abriu os olhos, piscando devagar enquanto tentava focar no ambiente.
— Que... que horas são? — ele murmurou, com a voz rouca.
Zoe aproximou-se, sorrindo aliviada.
— Hora de você descansar, teimoso.
Lorenzo tentou sorrir, mas gemeu de dor.
— Pelo menos... consegui fazer meu dia ser mais emocionante que o seu, né?
— Não brinque com isso, Lorenzo. — Zoe respondeu, segurando sua mão com firmeza. — Você me deu o maior susto da minha vida.
Ele a olhou, ainda grogue, mas sério.
— Foi só um contratempo, Zoe. Ainda tenho muito o que fazer... e coisas para dizer.
Zoe desviou o olhar, tentando esconder o quanto aquelas palavras mexeram com ela.
— Primeiro, você precisa se recuperar. Depois conversamos sobre "coisas a dizer", combinado?
Lorenzo assentiu, fechando os olhos novamente. Zoe permaneceu ao lado dele, enquanto Marcel observava a cena em silêncio, com um pequeno sorriso no rosto.
— Ele é sortudo, sabia? — disse Marcel.
— Por quê?
— Porque tem você ao lado dele.
Zoe não respondeu, mas, no fundo, sabia que Marcel estava certo.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Meire
Você não tem uma filha, você colocou uma criança no mundo e abandonou, você não pode ser chamada de mãe!
2024-10-28
0
Meire
Ela fez pior que ele, abandonou a filha que não tinha culpa nenhuma!
Agiu como uma filha da pura sem coração, se queria viver a vida de cuidasse para não engravidar.
2024-10-28
0
Fatima Gonçalves
também não
2024-06-06
2