Um tempo depois, Zoe estava na área externa do hospital, sentada em um banco próximo ao jardim. Ainda se sentia sufocada pela culpa, mesmo depois de conversar com Carolaine aine. A cena do garoto sem vida continuava se repetindo em sua mente. Ela segurava o copo de água que Carolaine lhe deu, mas não conseguia sequer dar um gole.
O som dos passos de Lorenzo a tirou de seus pensamentos. Ele hesitou por um instante antes de se aproximar.
— Posso? — perguntou, indicando o espaço ao lado dela no banco.
Zoe ergueu os olhos, surpresa, mas assentiu em silêncio. Lorenzo sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos e olhando para o chão por alguns segundos antes de falar.
— Eu vi o que aconteceu na emergência. — começou, com a voz baixa.
— Já veio me lembrar da minha incompetência também? — Zoe rebateu, secamente, sem olhar para ele.
Lorenzo suspirou.
— Não, Zoe. Não é isso. Eu vim porque sei exatamente o que você está sentindo agora.
Ela finalmente levantou o olhar, encarando-o com ceticismo.
— Ah, duvido que você saiba. Você é o doutor Slogan, o "intocável", o que nunca erra.
— É isso que você pensa de mim? — ele perguntou, com um pequeno sorriso irônico. — Pois deixa eu te contar algo: eu perdi meu primeiro paciente no meu segundo plantão como interno. Era uma menina de 5 anos.
Zoe arregalou os olhos, surpresa. Lorenzo continuou:
— Ela tinha um problema cardíaco grave e foi trazida em estado crítico. Fizemos de tudo, mas nada adiantou. Passei horas revisando mentalmente o que poderia ter feito diferente, me culpando por algo que, na verdade, estava fora do meu controle.
Zoe desviou o olhar, apertando o copo de água entre as mãos.
— E o que você fez depois disso? Como lidou com a culpa?
— Não foi fácil. Passei semanas remoendo aquilo, até que um dos meus supervisores me disse algo que nunca esqueci: "Você não é Deus. Não pode salvar todo mundo. Mas enquanto fizer o seu melhor, estará fazendo o suficiente."
Ele fez uma pausa, esperando que ela processasse suas palavras.
— Zoe, hoje eu vi você tentando salvar aquele garoto. Você fez tudo o que podia. Aquela parada cardíaca não foi sua culpa, assim como a morte da menina não foi minha. Às vezes, perdemos. É a parte mais cruel da medicina.
— Mas eu deveria ter feito mais. — Zoe murmurou, as lágrimas começando a escorrer por seu rosto.
Lorenzo virou-se para ela, finalmente capturando seu olhar.
— Você já fez mais do que muitos fariam. Acredite em mim, você tem potencial para ser uma grande médica. Mas precisa aprender a perdoar a si mesma.
Zoe não respondeu, mas o peso das palavras dele começou a aliviar, mesmo que apenas um pouco, o nó apertado em seu peito.
— Obrigada. — ela disse, depois de um longo silêncio.
Lorenzo assentiu e se levantou.
— E, da próxima vez, não deixe o Marcus Kennedy mexer com sua cabeça. Ele é um babaca arrogante, mas até ele sabe que você fez o seu melhor.
Zoe riu, apesar das lágrimas.
— Ele realmente é insuportável.
Lorenzo abriu um pequeno sorriso. — Bem-vinda ao clube.
Sem dizer mais nada, ele deu as costas e voltou para o hospital. Zoe ficou no banco por mais alguns minutos, respirando fundo e sentindo o alívio lento e constante tomar conta dela.
Ela sabia que ainda tinha muito o que aprender, mas, pela primeira vez desde o ocorrido, sentiu que não estava sozinha.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Teresa Jordão
adoro essas disputas amorosas.
2024-11-19
2
Vanderléia Menezes Paixão
Haaaaaa já apaixonei
2024-05-30
6
Fatima Gonçalves
amando também
2024-05-26
2