Capítulo 14

Era Ação de Graças, um feriado celebrado por todo os Estados Unidos, mas, como sempre, os médicos raramente podiam aproveitá-lo como o restante da população. Alguns estavam de folga, mas os internos ainda tinham compromissos na parte da manhã. Pelo menos à tarde, teriam um tempo para passar com suas famílias.

Carolaine e Zoe estavam no hospital, em uma das alas mais silenciosas, cuidando de um paciente em coma. Enquanto ajustavam os aparelhos e verificavam os sinais vitais do paciente, aproveitavam para conversar.

— E aí, Zoe, o que você vai fazer depois do plantão? — perguntou Carolaine, enquanto anotava algo no prontuário.

— Vou passar o dia com minha mãe. Ela insistiu em fazer um jantar típico, com peru e tudo mais — respondeu Zoe, colocando as mãos nos bolsos do jaleco. — E você?

Carolaine hesitou por um instante, um sorriso surgindo em seu rosto, antes de confessar:

— Bom... vou passar a tarde com o Henry.

Zoe parou o que estava fazendo e olhou para a amiga, surpresa.

— Henry? O Henry da ortopedia? Vocês estão juntos?

Carolaine deu um sorriso tímido e desviou o olhar, ajeitando o estetoscópio ao redor do pescoço.

— Estamos, sim. Faz algumas semanas... Eu não contei antes porque ainda estava tentando entender onde isso ia dar.

Zoe cruzou os braços, curiosa e animada.

— E pelo jeito está indo bem, né? Porque você está com esse sorrisinho de quem está apaixonada.

Carolaine riu, corando um pouco.

— Ele é um cara incrível, Zoe. Atencioso, carinhoso... E o mais importante: ele quer me conhecer de verdade, sabe? Não só a médica que eu sou aqui no hospital, mas a pessoa por trás disso tudo.

Zoe sorriu, feliz pela amiga.

— Isso é ótimo, Carol. Você merece alguém assim. E Cecília? Ele já sabe sobre ela?

Carolaine assentiu, o sorriso agora mais suave.

— Sabe, sim. Foi uma das primeiras coisas que eu contei para ele. Não queria esconder nada, e, para minha surpresa, ele lidou super bem com isso. Na verdade, ele até quer conhecer a Cecília.

Zoe arregalou os olhos, impressionada.

— Uau, isso é sério mesmo, hein? E como você se sente sobre isso?

Carolaine suspirou, pensativa.

— Confesso que estou nervosa. Não é fácil apresentar alguém novo para a minha filha. Mas Henry é tão gentil... Acho que ele vai se dar bem com ela. Só espero que Cecília goste dele tanto quanto eu gosto.

Zoe tocou o braço de Carolaine em um gesto de apoio.

— Tenho certeza de que vai dar tudo certo. Você é uma mãe incrível e sempre sabe o que é melhor para a Cecília. E, pelo que vejo, o Henry parece ser o tipo de pessoa que vale a pena.

Carolaine sorriu, sentindo-se um pouco mais confiante.

— Obrigada, Zoe. E falando nisso, acho que vou buscá-la mais cedo hoje para podermos nos preparar para o jantar. Quem sabe até tento convencê-la a usar aquele vestido fofo que ela odeia.

Zoe riu, imaginando a pequena Cecília tentando escapar das ideias da mãe.

— Boa sorte com isso! E me conta depois como foi o encontro, quero saber todos os detalhes.

— Pode deixar — respondeu Carolaine, ainda sorrindo, enquanto ambas voltavam a se concentrar no paciente. Mesmo com a correria do hospital, aquele momento de partilha fez o dia parecer um pouco mais leve para as duas.

...[...]...

Lorenzo estava na casa dos pais, aproveitando uma rara folga para passar tempo com sua família. A mesa de jantar estava cheia de pratos deliciosos preparados por sua mãe, que fazia questão de reunir os filhos sempre que possível. Lorenzo estava sentado ao lado da irmã mais nova, Giovana.

— E foi assim que eu perdi a chave do carro no meio de uma plantação de milho — disse Fatih, seu avô, rindo alto, enquanto pegava mais um pedaço de pão. — Tive que andar cinco quilômetros até encontrar ajuda!

Giovana gargalhou, mas logo apontou para Lorenzo com um sorriso provocador.

— Agora entendi de onde o Lorenzo herdou a habilidade de se meter em confusão!

Lorenzo revirou os olhos, tentando esconder o sorriso.

— Muito engraçado, Gio. Mas, ao contrário do vovó, eu sei usar um GPS.

A mãe olhou para os filhos com um sorriso carinhoso enquanto servia mais suco.

— É bom ter vocês dois aqui em casa. Giovana vive ocupada com a escola, e Lorenzo, bom... O hospital parece ter te sequestrado.

Lorenzo suspirou, colocando o garfo no prato.

— É, os plantões têm sido puxados, mas eu gosto do que faço. Só sinto falta de passar mais tempo com vocês.

Fatih pigarreou, atraindo a atenção de todos.

— E quanto à sua vida pessoal, filho? Não adianta trabalhar tanto se não tiver alguém para compartilhar os bons momentos. Tem alguém especial?

Lorenzo sentiu o rosto esquentar e tentou disfarçar, pegando um pedaço de pão.

— Não, vô. Estou focado no trabalho por enquanto.

Giovana arqueou uma sobrancelha, claramente não convencida.

— Jura, Lorenzo? Porque da última vez que te vi, você estava com aquele sorriso meio bobo... Alguém do hospital, talvez?

A mãe, sempre atenta, aproveitou a deixa.

— É mesmo, Lorenzo? Quem é ela? Ou ele? — perguntou, com um sorriso divertido.

Lorenzo balançou a cabeça, rindo sem graça.

— Vocês estão imaginando coisas. Não tem ninguém, sério.

Giovana cruzou os braços, determinada a descobrir a verdade.

— Não adianta fugir. Eu vou descobrir.

Lorenzo levantou as mãos, em rendição.

— Tá bom, tá bom. Tem uma colega de trabalho... Mas é só isso, uma colega.

Os olhos da mãe brilharam, enquanto Fatih e Giovana trocaram sorrisos cúmplices.

— E como ela é? — perguntou, curiosa.

Lorenzo deu um pequeno sorriso, lembrando-se de Zoe.

— Ela é incrível. Inteligente, dedicada, tem um coração enorme... Mas não é nada disso que vocês estão pensando. Somos só amigos.

Giovana abriu um sorriso travesso.

— Por enquanto, né? Porque, pelo jeito, você gosta dela mais do que admite.

Lorenzo revirou os olhos novamente, mas não conseguiu conter o sorriso que surgiu em seus lábios. Por mais que tentasse negar, havia algo em Zoe que o fazia se sentir diferente. E, pela forma como sua família reagia, talvez eles tivessem percebido antes mesmo dele.

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Comments

Aysha Ione Santos

Aysha Ione Santos

pior pra uma pessoa que se diz médica e vai ter plantão dia seguinte ficar bêbada de ser carregada não e bom, e essa médica vive dormindo nos plantões belo exemplo de medica sem noção e responsabilidade

2024-11-19

1

Silvete Feijoli

Silvete Feijoli

uma hora ela mora num apartamento, na outra em uma casa e depois apartamento de novo.

2024-10-07

2

Dona Ana Moraes

Dona Ana Moraes

a casa dos pais dela

2024-05-11

5

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