Capítulo 11

Quando chegaram em casa, Lorenzo e Marcel foram direto para os seus quartos. Ambos tomaram banho e se jogaram na cama, exaustos. Na manhã seguinte, Lorenzo acordou com um cheiro estranho no ar. Ele franziu o rosto, ainda meio sonolento, e então percebeu: cheiro de queimado. Num impulso, correu até a cozinha para descobrir o que estava acontecendo.

— Quer me matar do coração? — reclamou Lorenzo ao encontrar Marcel, todo contente, com uma frigideira na mão e uma panqueca carbonizada na outra.

— Desculpa! Foi só uma que queimou. Me distraí vendo os stories do povo no Instagram. — Marcel respondeu, completamente despreocupado.

— Pelo amor de Deus, tome mais cuidado! Achei que a casa estava pegando fogo!

— Só se fosse porque eu e você est... — começou Marcel com um sorriso malicioso.

— Por favor! — Lorenzo o interrompeu, balançando a cabeça antes que ele pudesse terminar.

Marcel era a definição de alto astral. Homossexual assumido, vivia no mundo das cores do arco-íris, sempre com um sorriso no rosto e uma piada na ponta da língua. Ele adorava provocar Lorenzo sobre sua sexualidade, o que Lorenzo, apesar das reclamações, aprendia a ignorar (ou pelo menos tentava).

Lorenzo saiu da cozinha, foi para o quarto e tomou banho, fazendo sua higiene matinal com calma. Quando voltou, Marcel já estava terminando o café. Apesar de ser um pouco atrapalhado, Marcel tinha um talento natural na cozinha, desde que não estivesse distraído com as fofocas do Instagram ou espiando os vizinhos pela janela.

...[...]...

Enquanto isso, Zoe chegou ao hospital com a energia renovada. Foi direto para o vestiário, trocou de roupa e seguiu para descobrir com quem trabalharia naquele dia. Velma, a responsável por organizar os internos, lhe informou que ficaria com Marcel.

Zoe não conteve o sorriso. Ela adorava acompanhar Marcel na maternidade, onde ele fazia um trabalho impecável com os recém-nascidos. Como as visitas à maternidade dependiam de autorização, nem sempre tinha a chance de ver os bebês.

Marcel também ficou feliz ao saber que Zoe seria sua interna naquele dia. Apesar de seu jeito descontraído fora do trabalho, no hospital ele mantinha uma postura impecavelmente profissional com os familiares dos pacientes. Mas que ninguém se enganasse: ele era conhecido por ser "terrível" se alguém tentasse quebrar essa barreira profissional sem permissão.

— Oi, gata! Vamos lá? Tenho um bebê adorável para você examinar hoje. — disse Marcel, animado, ao encontrar Zoe.

— Como ele se chama? — perguntou Zoe enquanto caminhavam pelos corredores.

— O nome dele é Drew. Ele tem dois dias de vida.

— Meu Deus... — Zoe murmurou ao olhar o prontuário. — Ele tem a síndrome da angústia respiratória!

— Sim, infelizmente. Mas estamos cuidando disso, né, Drewzinho? — Marcel disse com ternura, inclinando-se sobre o berço.

Zoe, com um sorriso carinhoso, estendeu o dedo para que o pequeno segurasse. O bebê envolveu o dedo dela com suas mãos minúsculas, e seu coração se aqueceu com o gesto.

— Ele é tão forte... — disse Zoe, emocionada.

— É, e com certeza está em boas mãos. — respondeu Marcel, dando um sorriso confiante enquanto observava a conexão entre Zoe e o pequeno Drew.

Enquanto ela observava o bebê, Marcel aproveitou para lhe explicar mais sobre o caso. Ele mostrou os exames, detalhou o tratamento e compartilhou como a equipe estava lidando com a situação. Apesar de seu jeito brincalhão, Marcel era extremamente competente e levava cada caso muito a sério.

— E agora, que tal você fazer o exame nele? — sugeriu Marcel, entregando o estetoscópio a Zoe.

Ela aceitou o desafio com entusiasmo. Seguindo as orientações de Marcel, Zoe fez uma avaliação completa de Drew. Foi delicada, mas firme, e Marcel a elogiou por sua técnica.

— Você leva jeito com crianças, sabia? — disse ele, sorrindo.

— Acho que é porque elas ainda não têm como reclamar de mim. — Zoe brincou, fazendo Marcel gargalhar.

Depois de terminarem com Drew, eles seguiram para outros casos na maternidade. Zoe estava adorando o dia, especialmente porque Marcel fazia questão de tornar tudo mais leve. Entre exames e conversas com as famílias, ele conseguia arrancar sorrisos até dos pais mais preocupados.

Mais tarde, durante uma pausa, Marcel aproveitou para provocar Zoe:

— Então, gata, o que foi aquele climão com o Lorenzo ontem à noite?

Zoe ficou vermelha instantaneamente.

— Do que você está falando? — tentou desviar, mas Marcel não se deu por vencido.

— Ah, por favor! Estava na cara que ele estava todo derretido por você. E, sinceramente, você também não é tão boa em esconder as coisas.

— Você está delirando, Marcel. — Zoe respondeu, mas o sorriso nervoso entregou que havia mais ali.

— Tudo bem, gata. Eu só estou dizendo que ele é um ótimo partido, viu? Quem sabe vocês não acabam saindo para mais jantares, só vocês dois dessa vez? — Marcel deu uma piscadela antes de sair, deixando Zoe pensativa.

Enquanto ela tentava ignorar as palavras de Marcel, Lorenzo, em outro setor do hospital, também não conseguia parar de pensar nela. Ele passava os casos para os internos com a eficiência de sempre, mas sua mente voltava ao momento em que a viu dormindo no quarto de descanso. Aquela cena, simples e despretensiosa, mexera com ele mais do que queria admitir.

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Comments

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

muito triste

2024-05-26

6

Angela Maria

Angela Maria

Síndrome de memória seletiva.

2024-04-16

2

Ameles

Ameles

a mãe dela deve estar com alguma demência

2024-02-07

3

Ver todos

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