Capítulo 5

Zoe estava de joelhos no chão da sala, colocando livros de medicina em uma estante recém-montada, enquanto olhava de soslaio para o relógio na parede. Ainda havia muito para organizar antes da chegada de sua mãe, e o nervosismo tomava conta dela. A casa, que normalmente estava em desordem, agora parecia ter sido atingida por um furacão de limpeza.

Depois de passar um ano em um asilo enquanto Zoe estava na faculdade na Califórnia, Elisabeth Becker finalmente voltaria para casa. Apesar da relação um tanto distante entre elas, Zoe sabia que precisava oferecer um espaço confortável para a mãe recomeçar.

Ela ajeitou as almofadas no sofá e olhou ao redor, suspirando. O apartamento, embora espaçoso, ainda parecia impessoal, como se faltasse vida. Mas talvez, com Elisabeth ali, isso mudasse.

— Certo, falta só o quarto... — ela murmurou, indo em direção ao cômodo onde sua mãe ficaria.

A cama nova já estava pronta, coberta por um edredom floral que Zoe sabia que Elisabeth adoraria. Ela colocou um pequeno vaso de flores na mesinha de cabeceira e abriu as cortinas para deixar a luz natural entrar.

Assim que terminou, seu celular vibrou na mesa da cozinha. Era uma mensagem de Carolaine.

Carolaine: "Precisa de ajuda? Posso passar aí antes do plantão."

^^^Zoe: "Obrigada, mas estou quase terminando. Boa sorte hoje!"^^^

Ela sorriu, guardando o celular no bolso, e voltou para a sala. Poucos minutos depois, ouviu o som de uma buzina. Era o táxi trazendo Elisabeth.

Zoe correu para abrir a porta do prédio, descendo as escadas com o coração acelerado. Quando viu a mãe saindo do carro, com seus cabelos grisalhos bem cuidados e um sorriso sereno, sentiu uma mistura de alívio e emoção.

— Mamãe! — Zoe exclamou, indo abraçá-la.

— Minha querida! Como você está magra, precisa comer mais... — Elisabeth respondeu, apertando a filha com força.

Zoe riu, ajudando a mãe a carregar as malas para dentro do apartamento.

Quando entraram, Elisabeth deu uma olhada ao redor, examinando cada detalhe.

— Você fez um ótimo trabalho, querida. Está lindo.

— Espero que se sinta em casa, mãe.

Elisabeth se sentou no sofá com um suspiro satisfeito.

— E você, Zoe? Está feliz aqui?

Zoe hesitou por um momento, pensando em como os últimos dias haviam sido emocionalmente desgastantes, mas também cheios de aprendizado.

— Estou tentando. O trabalho é intenso, mas estou aprendendo muito.

Elisabeth segurou a mão dela com firmeza.

— Você sempre foi forte, minha filha. E não importa o que aconteça, estou aqui agora.

Zoe sorriu, sentindo o peso das últimas semanas se dissipar um pouco. Era um novo começo, não apenas para Elisabeth, mas também para ela.

Enquanto elas conversavam, Zoe percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, sua casa começava a se parecer com um lar.

...[...]...

Enquanto Zoe e Elisabeth estavam em casa ajustando-se à nova dinâmica, no hospital, Lorenzo estava mergulhado em uma cirurgia delicada que exigia toda a sua concentração. O silêncio na sala de operação era interrompido apenas pelo som ritmado dos monitores e pelas instruções rápidas que ele dava à equipe.

— Retrator, agora. Precisamos de mais exposição aqui. — Lorenzo pediu, mantendo os olhos fixos no campo operatório.

Era uma cirurgia de alta complexidade, realizada em uma senhora de apenas sessenta anos. Cada movimento precisava ser calculado. O novo cardiologista, Marcus Kennedy, estava na sala de observação, observando tudo com uma expressão neutra, ja que a senhora tinha problemas cardíacos, mas Lorenzo sabia que qualquer erro seria implacavelmente apontado por ele.

— Sutura a este ponto. — Lorenzo murmurou. — A pressão?

— Estável, doutor. — respondeu a anestesista.

Por mais experiente que fosse, Lorenzo sentia o peso de casos como esse. Ele sabia o que estava em jogo. Não apenas a vida da paciente, mas também sua reputação e a confiança que as famílias depositavam nele.

— Estamos quase lá. Continuem firmes.

Depois de horas de tensão, ele finalmente deu o último ponto.

— Concluímos. Boa perfusão, tudo dentro do esperado.

A equipe soltou um suspiro coletivo de alívio, mas Lorenzo manteve sua postura séria.

— Bom trabalho, pessoal. Monitoramento intensivo nas próximas 24 horas. Quero ser informado de qualquer alteração.

Ele tirou as luvas e saiu da sala em silêncio, sentindo a adrenalina começar a diminuir.Lavou as mãos e saiu.No corredor, foi interceptado por William.

— E aí? Tudo certo? — William perguntou, entregando um copo de café a ele.

— Por enquanto, sim. Agora é esperar. — Lorenzo tomou um gole e olhou pela janela, vendo a noite cair sobre a cidade.

William hesitou por um momento antes de mencionar:

— Vi a nova interna, Zoe, lidando com um caso difícil mais cedo. Você conversou com ela?

Lorenzo ergueu uma sobrancelha, lembrando-se do momento no plantão anterior.

— Sim., mas acho que ela ainda está processando. É normal no começo.

William deu um sorriso de canto.

— Normal ou não, você sabe que ela vai precisar de alguém para orientá-la.

Lorenzo não respondeu, apenas balançou a cabeça, pensativo. Ele sabia como o início da carreira médica podia ser brutal, e apesar de sua postura dura, não era indiferente aos desafios que Zoe enfrentava.

Ele terminou o café e voltou para o posto de enfermagem para revisar os prontuários. No fundo, porém, ele sentia que a jovem interna estava mais determinada do que ele imaginava — e que, de alguma forma, eles ainda cruzariam caminhos de maneira significativa.

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Comments

Anonymous

Anonymous

Estou gostando da história

2025-02-06

1

Adriana Mentoring de Mulheres

Adriana Mentoring de Mulheres

Estou amando a história

2024-12-24

1

Conce Mota

Conce Mota

Já pensou um plantão de 48 hrs.. misericórdia por isso acontece certos erros grotesco..😤

2024-11-09

1

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