Estrela

...Sam King...

Ao chegar no quarto vou em direção ao sofá, me deito colocando meu braço no rosto.

— Você._aponta para mim_ Pra cama, eu durmo aí.

Eu rio de seu comentário e me viro de costas

— Ta tudo bem Henry, aqui é bem mais confortável que a cama._digo sem olhá-lo_

O escuto bufar e vir em minha direção

— Nem pense em me levar para cama, vou sair e voltar para cá, só vá dormir Henry, estou bem aqui.

— Você tem todo o direito de me repudiar mas, por favor, vá para cama, eu dormirei na sala. Não farei nada com você, eu nunca faria._diz triste com a voz embargada_

Me viro em sua direção em um pulo, o mesmo me encarava com os olhos tristes, porra, me levanto indo em sua direção e dou meu melhor sorriso.

— Não estou com raiva de você, eu sou bem problemática e tem coisas que ativam gatilhos em minha mente, não foi culpa sua, eu sou assim mesmo._confesso tentando deixá-lo feliz_ Você não sabia Henry, tá tudo bem!!

Toco seu braço e vejo o mesmo relaxar, seus braços sobem minimamente em minha direção como um abraço, rio de sua cara, ele estava me pedindo permissão.

Nego com a cabeça e o abraço, meus braços vão em direção ao seu pescoço, Henry passa os braços ao redor da minha cintura e coloca a cabeça em meu pescoço. Eu preciso ficar de ponta de pé ao abraçá-lo, mas vale a pena, pois consigo sentir seu coração batendo freneticamente, e seus braços me apertando, me puxando para mais perto, como se ele precisasse disso.

Sinto um beijo ser depositado em minha bochecha e ele se afastar devagar. Olho em seus olhos e bufo em resposta, minhas mãos em minha cintura, me apoiando em um dos pés.

— Vou para cama, e você também._exclamo decidida_

— O que!?_pergunta espantado_

— rio de sua reação — Que besteira, é só dormir, não vai acontecer nada mesmo, e ninguém aqui é puritano pra ficar com vergonha.

Finja costume e o monstro vai embora

Henry cruza os braços deixando seu peito estufado, seus bíceps prendem minha atenção por alguns segundos, porra, precisa ser tão grande?!

— Você que não queria dormir na mesma cama que eu._fala com um sorriso ladino_

— reviro os olhos — Você é meu chefe, sabe que isso é antiético.

Porra de mentira fudida

E é a vez dele revirar os olhos

— Que se foda, não me importo se é com você.

Arregalo os olhos em surpresa, o mesmo me fita sem entender o porquê da reação.

— Deus, você fala palavrão?!_falo embasbacada_

Sua risada alta preenche o ambiente. Ainda rindo Henry estende sua mão para mim, que pego sem pensar e me guia até a cama, Henry se deita e eu me sento tirando o sapato.

— Pra onde pretendia ir antes de tudo aquilo?

— Para algum lugar barulhento e com pessoas bêbadas._respondo bufando_

Me levanto indo ao closet e colocando uma blusa e calça confortável, volto para cama e o mesmo se encontra na mesma posição.

— Você ainda quer ir?_pergunta me encarando com olhos pidões_

Nego com a cabeça e me deito de costas para o mesmo.

— Boa noite Henry.

— Boa noite Sam.

|...|

Acordo com uma dor insuportável no ouvido, aperto os olhos na esperança da dor passar, o que não passa de uma ação ineficaz. Me sento na cama me inclinando em direção aos joelhos, direcionando minhas mãos aos meus ouvidos, porra de dor estava insuportável.

Olho para meu celular que estava no móvel ao lado da cama, três da manhã.

Me levanto com a mão esquerda ainda em meu  ouvido. Vou em direção a minha mala, procurando remédio para dor, tomo e me sento no chão fechando os olhos e respirando fundo a cada pontada de dor.

Depois de alguns minutos a dor ainda persistia, mas agora suportável, então me levanto do chão frio e caminho silenciosamente até o móvel de madeira no qual meu celular se encontrava, pego o mesmo e vou em direção a varanda.

O vendo frio bate em meu rosto me fazendo estremecer, me sento em uma das cadeiras e olho o céu, estava lindo, as estrelas brilhantes, a lua com toda sua glória, minha grande confidente eu diria.

Quando eu estava em treinamento, eu costumava fugir do dormitório e ir para o telhado do prédio, ficava horas olhando a lua, desejando ser livre como ela.

Flashback on

Me encontro outra vez no telhado, Peter e John gritavam no andar de baixo me procurando.

Que se foda, eu pensava, em alguns minutos me encontrariam e eu seria mandada em alguma missão suicida, coço meus olhos na intenção de afastar as lágrimas idiotas. Escuto o barulho da porta sendo aberta e imagino que seja John.

— Samuca, o tio John e o tio Peter estão te procurando._uma voz meiga me chama_

Me viro e sorrio, era Millene, uma novata, era um bebê ainda, errava algumas palavras e era muito amável, com qualquer um, seu rosto angelical me encarava com curiosidade e afeto.

Millene tem cinco anos, sou quatro anos mais velha que ela, a pequena garotinha decidiu me chamar de Samuca ou como muitas vezes também me chama de Mumuca já que era esse o apelido do seu irmão, Samuel. Ele foi morto quando estava com o pai, seu pai devia ao chefe da Bratva, e o garoto pagou pelo erro do velho.

Então desde que ela chegou eu cuido dela

— Não me importo, que morram me procurando.

Ela dá sua risada contagiante vindo até mim, a  seguro em meus braços e a ajudo a se apoiar na grade ainda a segurando.

— A lua é muito munita né Samuca?_pergunta apontando para a lua_

— É muito bonita, mas acho você mais sabia?_digo fazendo cócegas na mesma_

Ela ri

— Eu sou munita Samuca?_pergunta se virando em minha direção, me lançando um olhar esperançoso_

— A mais linda Mimi, Todas essas estrelas lindas no céu não chegam aos seus pés._sorrio a olhando_

Mimi arregala os olhos

— Jura Mumuca?

— Juro Mimi.

Ela abraça meu pescoço e beija meu rosto feliz, e eu a abraço forte.

— Você é minha estrela Mimi, minha luz na escuridão, eu vou sempre proteger você._digo beijando sua bochechinha gorda_

Então a porta é aberta bruscamente, coloco Mimi atrás de mim rapidamente e me preparo para lutar.

Porém vejo John me encarar com os braços cruzados, suspiro saindo da posição de ataque e o encaro irritada.

— Você tem trabalho agora esqueceu?! E Millene já pra cama, tem que acordar cedo amanhã._esbraveja sério_

Sinto Mimi tremer atrás de mim, e o encaro irritada.

— Não a assuste, é só uma criança!!_digo entre dentes_ Eu já vou para o carro, só colocarei ela na cama.

Digo pegando Mimi em meus braços, passo por John e o mesmo me segura.

— Não se apegue Samael.

— Não fode porra.

Me desvencilho de seu aperto e ando em direção ao quarto da Mimi. A coloco na cama, puxo o lençol cobrindo a mesma e pego seu ursinho preferido e a entrego, a mesma o abraça forte, ela me encara com os olhos marejados, sempre é assim.

— Mumuca, por favor, toma cuidado.

Vejo as lágrimas descendo e a abraço apertado.

— Eu vou ter, não vai acontecer nada Mimi, eu vou voltar bem e trazer algo bem legal para você, que tal um colar de estrela?_pergunto fazendo movimentos de vai e vem com meu dedo indicador em sua bochecha_

A vejo sorrir

— Eu vou gosta muito Mumuca._responde rindo me mostrando a janelinha entre seus dentes_

— Ótimo, trarei para você._beijo sua testa e saio do quarto_

Flashback off

Abro meus olhos lembrando, naquela missão uma granada explodiu perto de mim, acabei machucando os tímpanos, vez ou outra sinto essa dor insuportável, mas cumpri o que prometi para Mimi, no hospital fiz o colar de estrela e lua para ela, quando cheguei da missão me lembro de ela correr com o rosto cheio de lágrimas até mim, me abraçando tão forte, disse que achou que tinha me perdido, e eu falei que ela nunca me perderia.

Sorrio com a lembrança, as únicas lembranças boas daquela época aconteceram depois da chegada da Mimi, lembro-me de seu cabelo encaracolado com cheiro de bebê.

Sinto outra pontada de dor e fecho os olhos, suspiro tentando aliviar até que sinto um toque no meu ombro e me viro assustada encontrando Henry com as mãos em forma de rendição.

Respiro fundo e me acalmo, Henry se senta ao meu lado e abre a boca para falar mas tapo com minhas mãos antes de ele o fazer.

— Por favor, não fale. Dói._digo baixo e mesmo assim meus ouvidos dóiam_

Henry levanta uma sobrancelha confuso mas me obedece e não fala.

O vejo pegar o celular e escrever algo, Henry me entrega o celular e leio a mensagem direcionada a mim.

— "Porque está com dor nos ouvidos?"

Apago a mensagem e escrevo a resposta, entrego o celular para ele que lê.

— "Tive um acidente mais nova, danificou meus tímpanos fazendo com que as vezes eu sinta muita dor."

Sorrio quando o mesmo levanta a cabeça me encarando preocupado, desvio meus olhos para sua boca, o mesmo mexe a mesma pronunciando algo.

— "Desculpe, dá próxima vez não a assustarei."

Agradeço e toco seu braço gentilmente, encosto a cabeça na cadeira e fecho os olhos esperando a dor sumir.

Depois de uns minutos a dor diminui e eu suspiro aliviada, ao abrir os olhos e vejo que o Henry continuava ali, me velando, então ele mexe a boca de novo.

— "Passou?"

Afirmo com a cabeça

— Por que está acordado uma hora dessas?_pergunto observando o mesmo_

— Acordei para ir ao banheiro e vi que não estava na cama, fiquei preocupado._responde olhando o céu_

— sorrio — Desculpe, e obrigada por ter ficado do meu lado._agradeço envergonhada_

Envergonhada, Deus, é a primeira vez que me sinto assim, que clichê.

— Estarei aqui, sempre que precisar Sam.

Mais populares

Comments

Simone Rodrigues

Simone Rodrigues

ela.deveria se abri com ele merece saber a verdade e eles serem felizes

2023-10-30

6

Maria Aparecida Santos

Maria Aparecida Santos

estou tentando assimilar a história

2023-07-26

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!