Ela me encarou com aquelas bolotas verdes que me encantavam, tentando determinar se eu estava brincando, mas a verdade era que eu sentira muita falta dela durante a semana em que não estive aqui. Não entendia como uma mulher tinha me cativado tão profundamente em tão pouco tempo, mas estava absolutamente encantado pela Chloe. Mantive o olhar fixo nela, aguardando a minha resposta.
— Senti, Miguel, pronto falei. Agora pare de me encarar assim, você está me deixando sem graça. — Ela respondeu, rindo levemente.
Abri o maior sorriso que tinha. Aquilo me deixou verdadeiramente feliz. A simples resposta dela havia alegrado o meu dia. Ela também tinha sentido minha falta.
Quando cheguei em casa, ainda com Chloe na mente, me deparei com minha irmã na sala. Ela estava sentada no chão, com o notebook no colo, e várias folhas de papel espalhadas no sofá.
— O que houve, Sarah? — Perguntei preocupado.
— Não é nada demais, docinho. Estou apenas pesquisando alguns cursos para fazer. — Respondeu minha irmã.
Sempre detestei aquele apelido ridículo com o qual ela me chamava, mas desta vez decidi ignorar e me concentrei no que ela havia acabado de me dizer. Por ser o irmão mais velho e homem, sempre me preocupei muito com o futuro da Sarah, especialmente no que dizia respeito à sua carreira, porque eu entendia a importância do conhecimento como empoderamento, especialmente em uma sociedade tão machista como a nossa.
No entanto, ela nunca deu muita atenção às minhas preocupações, especialmente depois de engravidar do Pietro e ir morar com aquele cretino do Rodolfo. Meus pais sempre mimaram muito a Sarah, e quando mais jovem, ela costumava dizer que não precisava se preocupar com nada, pois nossos pais eram ricos.
Eu, por outro lado, tinha a consciência de que, se não fosse bem administrado, um dia o dinheiro poderia acabar. Mesmo sabendo que isso não seria o nosso caso, sempre me esforcei para ter meus próprios negócios. Embora meu pai tenha iniciado nossa rede, fui o responsável por expandi-la e alcançar o patamar em que está hoje.
Sempre busquei aprimorar minhas habilidades em todas as áreas da hotelaria, pois sempre tive em mente que, para administrar com sucesso uma rede completa, era fundamental conhecer cada setor, desde o mais simples até o mais complexo.
Observar a Sarah tão concentrada no que estava fazendo era até engraçado. Fazia muito tempo que não a via tão entusiasmada com algo que não fosse o Pietro, e agora, de repente, ela estava ali na sala, pesquisando cursos que desejava fazer. Algo tinha acontecido, e eu precisava descobrir o que era.
— Maninha, o que aconteceu para essa mudança de atitude? Nunca te vi tão focada em fazer cursos. — Perguntei, curioso sobre a súbita mudança em seu comportamento.
— Descobri que o Pietro está tendo algumas dificuldades por causa da minha separação com o Rodolfo. — Ela respondeu, parecendo um tanto chateada.
— Eu entendo que não seja fácil para uma criança lidar com tudo isso. Mas o que o Pietro tem a ver com o que você está fazendo? — Perguntei, ainda confuso, sobre a conexão entre os cursos e a situação do Pietro.
— A professora dele me chamou para conversar. Meu filho está comigo todos os dias, e estou tão focada na raiva que sinto daquele canalha do pai dele, que nem percebi o que meu filho estava passando. Acredita que a professora dele, aparentemente da minha idade? Ela passou por alguns problemas graves no passado, e o superou.
— Certo, maninha, mas o que isso tem a ver com tudo isso aqui? — Apontei para o sofá cheio de papéis.
— Perguntei a ela como ela conseguiu superar sem permitir que sua vida fosse tão afetada, e ela me falou que focou nos objetivos que desejava para sua vida e se dedicou a eles. Engoliu o orgulho e colocou a raiva de lado. Tenho que confessar, maninho, ela me inspirou. Disse que se ela conseguiu, eu também poderia, e que precisava focar no Pietro, porque ele poderia ser uma criança, mas ele compreendia o que acontecia ao seu redor. Meu primeiro passo já foi dado. O Pietro é minha prioridade. Vou assinar meu divórcio sem brigar e vou investir em algo que pode ajudar em nosso empreendimento. Sempre gostei de decoração, então, por que não investir nisso? O que hoje pode parecer futilidade, amanhã pode se tornar minha profissão. — Ela abriu um tímido sorriso.
— Preciso conhecer essa abençoada professora do Pietro e agradecer por colocar um pouco de juízo em sua cabeça! — Falei brincando com ela.
Nisso, ela me deu um tapa rindo, e eu a abracei com carinho. Minha irmã às vezes era meio teimosa para ouvir, e por mais que eu tivesse insistido para ela parar com a birra e se livrar logo daquele imbecil, ela não me dava ouvidos. Desde o dia em que ela voltou a morar conosco, ela repetia que ele poderia até conseguir se livrar dela, mas teria que suar muito, que ela tornaria a vida dele um inferno.
O cara até merecia, depois das inúmeras traições que praticou contra ela, mas minha irmã não percebia que também estava se desgastando no processo. Foi preciso alguém de fora chamar a atenção dela para o que estava acontecendo, para que ela caísse em si. O Pietro sempre foi um menino alegre, mas acho que presenciou tantas crises da minha irmã que a maior parte do tempo estava ficando em seu quarto. Eu definitivamente tinha que conhecer essa abençoada professora e agradecer por colocar juízo na cabeça da minha irmã.
— Maninha, tem um ditado indiano que diz: "O mundo é como um espelho que reflete os pensamentos e ações de cada pessoa. A forma como você encara a vida faz toda a diferença. A vida muda quando você muda."
— Docinho, apesar de ser bem profundo, esse ditado assusta um pouco!
— Não, Sarah! Ele apenas diz que a mudança precisa começar em você. Embora eu sempre tenha te aconselhado a fazer o que você está fazendo agora, e você seja muito teimosa para me escutar, estou feliz que, pelo menos, você tenha ouvido outra pessoa. Agora, você precisa se concentrar em si mesma e em seu filho. E eu não tenho uma bola de cristal, mas sabe o que prevejo?
— Vamos lá, mestre dos magos, diga a sua previsão! — Ela disse, me curtindo.
— Quando você reconhecer o quão especial é, aquele idiota do Rodolfo também perceberá.
— Mas, para ele, irmão, será tarde demais. Ele nunca terá outra chance comigo! — Ela afirmou com confiança.
— Espero que você mantenha sua palavra e siga adiante com o que está dizendo agora!
Abracei-a, beijando sua cabeça. Minha irmã, apesar de ser um pouco distraída às vezes, é realmente especial. Tudo o que ela precisava era descobrir o seu verdadeiro potencial. Quando o fizesse, o mundo não seria capaz de detê-la. Só esperava que ela realmente cumprisse o que disse, porque eu tinha certeza absoluta de que, quando ela começasse a viver a vida dela, Rodolfo tentaria controlá-la.
Antes de seguir para o meu quarto, passei pelo que agora era o quarto do Pietro e o encontrei lendo um livro infantil. Perguntei se podia entrar, e ele assentiu com a cabeça.
— Como vai, cara? Está gostando do seu novo quarto? — Perguntei enquanto admirava a decoração que a Sarah havia feito.
— Estou bem, tio! Gostei, sim, mamãe levou um tempão decorando do jeito que eu queria.
— Que legal, cara. Seu quarto parece uma estação espacial. Eu também gostei!
Passei um tempo ali com ele, conversando sobre coisas triviais. Depois de um tempo, me despedi do meu sobrinho e segui para o meu quarto. Tomei um banho novamente, deitei na cama e comecei a relembrar a minha noite.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Meire
Gente vi alguns comentários sobre o Miguel ter conhecido a professora do Pietro na feira de ciências, mas capítulo foi a feira? Eu não li!
2025-01-03
0
karvalho Heloiza😍
tá maravilhosooooooooo 👏😍
2025-01-11
0
Margarida
Ele é demasiado sensato 👏🏾👏🏾. Primeiro livro que leio desta autora (ou pelo menos eu acho que sim) e estou a amar 👌🏾. Parabéns mesmo. Se tem erros ortográficos, nem reparei ainda porque é uma leitura tão fluida e com temas tão importantes.
🩷
2024-10-23
1