Ele apenas balançou a cabecinha, então segurei sua mãozinha e nos dirigimos até a sala da Luísa. Chegando lá, falei com a professora dela, que permitiu que minha sobrinha saísse da sala de aula. Segurei também a mãozinha da Anna Luísa e a conduzi até onde estávamos com o Pietro. Mesmo com apenas 4 anos, eu sabia que a explicação vinda da Anna Luísa poderia ser reconfortante para o Pietro, mostrando que não havia motivo para ele ficar triste.
— Lulu, meu amor, esse é o Pietro. Ele é aluno da titia, e ele está um pouco triste porque os pais dele estão se separando, assim como sua mamãe e o seu papai. Eu estava explicando a ele que você é feliz, mesmo com a mamãe e o papai morando em casas diferentes. — Dei a oportunidade para a Luísa interagir com o Pietro.
— Sim, titia! Não precisa ficar triste, Pietro, porque seu papai e sua mamãe vão continuar amando você. Posso te contar um segredo?
— Pode! — Vi os olhinhos de Pietro brilharem, agora de curiosidade.
— Às vezes, até é legal, o papai e a mamãe não morarem juntos. Porque aí eu tenho tudo em dois. Tenho um quarto na casa da mamãe e outro na casa do papai. E quando ganho presente, também é em dois, um da mamãe e outro do papai. Então, eu acho legal! — Minha sobrinha falou de forma natural e espontânea.
E todos nós rimos. Apesar de saber que as coisas não eram tão simples como minha sobrinha descreveu, apreciei a maneira simplificada com que ela explicou ao Pietro que ele não precisava ficar triste.
— Está vendo, meu amor, há até algumas vantagens nisso. Mas o que eu quero que você entenda de verdade é que, não importa onde seu papai ou sua mamãe estejam morando, você continuará sendo amado por ambos. Você sempre será a joia mais preciosa na vida de cada um deles, assim como a Lulu é para nós. Você consegue compreender, meu amor?
— Sim, tia Chloe! — Ele falou balançando a cabeça.
— Então vamos voltar para a sala de aula, que vocês ainda têm muito a aprender!
— Eu vou para sua sala, titia? — Luísa perguntou já empolgada.
— Não, meu amor! Você vai voltar para sua salinha!
— Eu queria ficar com o Pietro, titia! — Ela fez um biquinho quase irresistível, mas eu precisava seguir as regras da escola.
— Mais tarde, quando o sinal tocar e se a mamãe dele não tiver chegado, eu venho buscá-lo na sua sala, e você fica com ele. Caso contrário, podemos fazer isso amanhã durante o intervalo. Agora, vamos!
Assim, conduzi a Luísa de volta à sua sala e fui para a minha sala com o Pietro. Eu sabia que precisava continuar a observá-lo e verificar como ele se desenvolveria após nossa conversa. Naquele momento, percebi que tinha outra missão tão importante quanto aquela, que talvez não fosse tão fácil: conversar com a mãe dele sobre o que estava acontecendo.
Ao chegar na sala, conversei rapidamente com a Rejane, e aos poucos o Pietro voltou a ser a criança que eu já conhecia, interagindo com seus amiguinhos. Isso me deixou feliz, pois ficou claro que em sua cabecinha não existia mais a preocupação de não ser mais amado.
Voltei à minha aula didática que era sobre a nossa feira de ciências, explicando como criar um tornado. Eu sabia que nem todos estariam completamente focados na parte teórica, mas tinha certeza de que a parte prática seria uma verdadeira diversão para todos.
Eu precisava providenciar os materiais necessários para o nosso tornado, além das lembrancinhas que seriam entregues aos visitantes. Também era importante alertar os pais sobre a importância de sua presença no evento, e tudo isso precisava ser feito em apenas mais uma semana.
Solicitei à portaria da escola que, quando o responsável pelo Pietro chegasse, fosse direcionado à sala de reunião e que me informassem. E assim aconteceu. Quando cheguei à sala de reunião, encontrei uma mulher jovem, da minha idade, muito bem vestida.
Eu sabia que a maioria dos responsáveis pelos alunos da escola eram de classe alta, incluindo muitos empresários e até algumas personalidades da mídia. Minha sobrinha estudava lá depois de eu conseguir um desconto que fosse acessível ao meu irmão, que ficou extremamente grato, uma vez que aquela era uma das melhores escolas da nossa região.
— Bom dia! Me chamo Chloe, e sou a professora do Pietro. A senhora é a mamãe dele?
— Bom dia, professora! Sim, sou a mãe dele. Me chamo Sarah Castro.
— Prazer em conhecê-la, Sra. Sarah. Pedi para que a senhora fosse conduzida até aqui para que pudéssemos conversar sobre o Pietro.
Ela me olhou curiosa, provavelmente surpresa por ter sido chamada pela escola, especialmente pela professora.
— Mãe, percebi que o seu filho estava tendo algumas dificuldades em sala de aula, o que me chamou a atenção, já que ele sempre foi muito comunicativo e interagia com todos os alunos. Hoje, mais do que nunca, notei que ele estava retraído, então o chamei para conversarmos. Ele me contou que os pais estão se separando e que ele estava muito triste por causa disso. A senhora tem conhecimento de que seu filho esteja passando por essa dificuldade? — Perguntei, mas pelo olhar surpreso dela, eu sabia que não.
— Eu e o pai dele estamos realmente nos separando, professora, e não está sendo de forma amigável, tenho que confessar. Mas eu não tinha conhecimento de que isso estava afetando tanto o Pietro, até porque ele é uma criança. Então, imaginei que ele não entendesse bem o que estava acontecendo.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
karvalho Heloiza😍
ohhhhhhh
2025-01-11
0
Margarida
As crianças são quem mais sentem. Sempre temos de estar atentos a todos os sinais que elas nos dão, por mais mínimos que sejam.
2024-10-23
0
Debora Couto
Errada a criança é a que mais sofre com uma separação ainda mais quando não é amigável
2023-07-27
17