Meu irmão acreditou na mesma coisa que a mãe do Pietro acreditava. Apesar de serem crianças, eles eram intuitivos. Portanto, embora não compreendessem completamente as atitudes dos adultos, eles sentiam as mudanças. É nesse sentido que, como adultos, precisamos ajudá-los, caso contrário, correm o risco de se tornarem crianças introspectivas ao longo da vida.
— Um dos primeiros erros como pais é esse, mãe. Achar que a criança não entende o que está acontecendo ao seu redor. Precisei conversar com ele e tentei fazê-lo compreender que, independentemente do que esteja acontecendo entre os pais dele, o amor de vocês por ele continuará o mesmo. Pedi que a senhora viesse aqui exatamente para alertá-la sobre esse problema. Como orientadora, é meu papel lembrar a senhora de que, independentemente do que esteja acontecendo entre vocês pais, é necessário que vocês entendam que existe uma criança no meio de ambos, e que ela sente tudo o que está acontecendo, mesmo que tenha dificuldade em falar. Portanto, peço que a senhora também converse com seu filho sobre o fato, e se for necessário, busque a ajuda de alguém que possa fazer essa ponte entre a senhora, seu filho e o pai dele. Porque de certa forma, isso está afetando o lado acadêmico dele.
— Eu agradeço pela orientação, professora Chloe. Vou fazer o máximo para que nossa situação não interfira tanto na vida do Pietro. Realmente, minha comunicação com o pai dele está muito difícil. Eu não esperava passar por uma situação assim. Depois que voltei a morar com meus pais, o pai dele nem sequer lembra que tem um filho.
— Sinto muito pela sua situação. Eu sei que o divórcio não é nada fácil, porque vi o que meu irmão passou. Também compreendo que não podemos obrigar o pai dele a cumprir o papel que lhe cabe, mas peço que a senhora converse e demonstre ao Pietro que a senhora pode amá-lo como mãe e pelo pai dele. Como educadora, vou me esforçar ao máximo para que, pelo menos aqui, ele não sinta tanto essa situação que vocês estão vivendo em casa. Inclusive, pedi à minha sobrinha que conversasse com ele, já que, como criança, ela vive essa realidade de pais separados.
— Posso fazer uma pergunta pessoal, professora Chloe? — Ela me perguntou, indecisa sobre se deveria ou não perguntar.
— Claro, Sra. Sarah!
— Pode me chamar apenas de Sarah mesmo. Como seu irmão conseguiu superar o divórcio?
— Tenho que dizer que não foi fácil para ele. Quando se separaram, a Luísa era muito nova, mas foi a decisão da mãe dela. Depois de alguns dias, ela levou minha sobrinha para a casa dos meus pais e disse que era responsabilidade do meu irmão cuidar da filha, que ela era muito nova e não ficaria presa por conta de uma criança. Lembro que na época meu irmão ficou revoltado, porque ela sabia que ele viajava bastante a trabalho. Até hoje, todos nós ajudamos um pouco na criação da Luísa.
— A própria mãe abandonou a filha? Meu Deus, que tipo de mulher é essa?
— Isso foi o que eu pensava naquela época. Eu não tenho filhos, Sarah, mas nunca faria isso com os meus. Apesar de nunca ter passado por um divórcio, enfrentei uma situação muito difícil durante a faculdade. Uma desilusão que, se não fosse pelo apoio da minha família, não sei se estaria aqui hoje. Como mulher, tive que estabelecer prioridades na minha vida. Meu primeiro passo foi engolir o orgulho, pois o erro cometido não foi meu, apesar da vergonha que senti. O segundo passo foi definir metas para a minha vida. Isso funcionou para mim, porque me concentrei no que queria alcançar e deixei de lado a raiva que sentia pelo rapaz por quem fui apaixonada. No entanto, preciso ressaltar que as coisas não aconteceram rapidamente. Foi tudo uma questão de progresso. O tempo é capaz de curar muitas feridas, e quando isso não acontece, pelo menos faz com que parem de sangrar. Hoje, sou uma mulher mais confiante. Tenho meus traumas, mas se consegui superar o que aconteceu comigo, você também pode. O primeiro passo é querer tentar.
— Espero ter metade da sua determinação, pois tudo o que desejo é que meu filho e eu possamos ser felizes.
— Sarah, você vai superar tudo isso, apenas dê tempo ao tempo. E não se esqueça do seu filho no processo. Ele precisa de você agora mais do que nunca. Estou indo buscá-lo. Você quer me acompanhar?
— Claro, Chloe! Muito obrigada pelo que fez pelo Pietro e pelas palavras que compartilhou comigo. Você me deu algumas ideias que pretendo seguir, e agora mais do que nunca, vou prestar mais atenção aos sinais do Pietro. — Ela se levantou e me seguiu até a sala de aula, onde Pietro estava com Luísa e Rejane.
Ao chegarmos à sala, encontramos Pietro e Luísa conversando. Ao ver sua mãe, Pietro correu para abraçá-la, e ela retribuiu com muito carinho.
— Oi, meu príncipe! Quem é a sua amiguinha? — Até aquele momento, ela não sabia que se tratava da minha sobrinha.
— Essa é a Luísa, mamãe, sobrinha da tia Chloe! — Luísa já estava ao meu lado, então Sarah se abaixou para cumprimentá-la.
— Oi Princesa, tudo bom com você?
— Oi, tia, tudo bem! — A Luísa respondeu meio tímida
E ali nos despedimos. Levei Luísa até a casa dos meus pais e, após conversar um pouco com eles, fui direto para a academia. Normalmente, minha mãe ia buscar Luísa, mas naquele dia, após conversar com ela, percebi que estava tão cansada que resolvi ajudá-la nesse sentido.
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Atualizado até capítulo 95
Comments
karvalho Heloiza😍
tem homem que não merece o título de pai
2025-01-11
1
Solaní Rosa
que pai escroto esse
2024-04-18
8
rafamendes
o covarde além de trair ,esqueceu do filho
2024-02-19
3