...DIAS ATUAIS...
Hoje fazem exatamente dois anos daquele dia terrível que vivi na faculdade. Confesso que gostaria de esquecer aquele maldito dia, mas não consigo. Eu e Maya ainda continuamos dividindo o mesmo apartamento que compramos durante a faculdade. Não foi fácil convencer o proprietário a vendê-lo, mas Maya tem um jeito persuasivo. Além disso, com essa habilidade persuasiva, ela também me convenceu a fazer academia com ela. No começo, não fiquei muito empolgada, sentia dores em todo o meu corpo, mas com o tempo, ele se acostumou com todo o exercício.
Com as minhas excelentes notas e uma carta de recomendação do reitor da universidade, consegui uma vaga de professora em uma conceituada escola. No entanto, precisei passar por uma rigorosa entrevista. Muitos dos alunos daquela escola eram de famílias influentes e abastadas, que valorizavam a segurança de seus filhos. Portanto, todos os funcionários presentes tiveram que passar por esse tipo de avaliação.
Fui designada como professora do primeiro ano primário, que normalmente abrange alunos entre 6 e 7 anos. Minha principal responsabilidade era alfabetizá-los. A diretora, inclusive, me alertou que essa não era uma contratação comum, já que, geralmente, as professoras começavam como auxiliares antes de assumirem uma sala de aula. No entanto, a professora daquela turma precisou se ausentar devido a problemas de saúde, e minha contratação foi uma medida de emergência. O reitor também havia fornecido excelentes referências a meu respeito, e o fato de ter concluído duas faculdades quase simultaneamente pesou positivamente na minha avaliação. Isso demonstrou o quanto eu era dedicada, e a escola precisava de alguém assim para lidar com aquela turma.
No meu primeiro dia com aquela turminha, senti os olhinhos apreensivos de todos sobre mim, a professora novata, que ninguém conhecia. Decidi, então, realizar uma aula interativa com eles para me apresentar e ajudá-los a se soltar um pouco, enquanto eu os conhecia melhor. Com a ajuda da minha auxiliar, organizamos um grande círculo com as cadeiras, e então resolvi começar minha apresentação.
— Oi, meus amores, meu nome é Chloe, e sou a nova professora de vocês. A tia Simone precisou se ausentar por um tempo porque ficou um pouco doente, então, por enquanto, eu vou substituí-la. Mas vou precisar da ajuda de todos vocês para que possamos continuar de onde a tia Simone parou. Minha cor preferida é verde, e a fruta que mais gosto é maçã. E querem saber um segredo meu? — Nesse momento, todos aqueles olhinhos estavam curiosos e voltados para mim. — Eu adoro dar aula brincando.
Naquele momento, todos se olhavam com um sorrisinho no rosto. Eu sabia que eles estavam ali para aprender, e a escola e seus pais esperavam que eu ensinasse o que eles precisavam para isso. No entanto, também sabia que levaria menos tempo para ensinar de forma criativa e lúdica, de modo que eles nunca esquecessem as lições. Claro que não iria permitir que aquela turminha se tornasse um pesadelo para a escola, mas também não pretendia formar robôs.
Eu precisava conhecer cada um deles, entender suas limitações e descobrir o que gostavam de fazer. Então, pedi que cada um se apresentasse, e em alguns momentos, brincava com eles. Em apenas uma semana, já me tornei a tia favorita de meus pequeninos e conhecia alguns deles o suficiente para estabelecer certos limites e incentivar outros a serem mais interativos. No entanto, devo confessar que um deles me chamou especialmente a atenção pela forma como interagia com todos e sua facilidade de aprendizado. Pietro Castro era, sem dúvida, o elo entre todos ali. Ele era o garoto popular, não de uma maneira negativa, mas aquele que equilibrava a turma.
Passar meus dias com eles estava se tornando algo muito especial para mim. Eu simplesmente amava o que fazia. Trabalhando em período integral com esses alunos, não tinha motivos para reclamar do meu salário no final do mês. Devido à diferença de horários, não conseguia mais acompanhar a Maya na academia, mas isso não significava que eu havia desistido. Eu realmente estava gostando daquilo, mas comecei a frequentar a academia em um horário diferente do dela.
Quando terminava o meu trabalho, seguia diretamente para a academia e, em seguida, voltava para o apartamento que dividia com a Maya. Desde o incidente com Tomás, não me envolvi com mais nenhum homem. Aquele idiota havia me marcado profundamente, mesmo que eu tivesse superado aquele dia. "Superado" não era a palavra certa, de acordo com minha terapeuta. Ela dizia que eu só poderia usar essa palavra quando estivesse envolvida com outra pessoa e não sentisse mais medo. Eu não sabia se isso um dia aconteceria.
Numa certa noite, após sair da academia, fui abordada por cinco caras mal-encarados. Tive a certeza de que eles tinham me notado quando começaram a se aproximar. Alguns podem duvidar do sexto sentido das mulheres, mas o meu gritava para que eu corresse naquele momento. No entanto, dadas as circunstâncias e o fato de que havia cinco deles, eu sabia que precisava ser inteligente para garantir minha integridade física, especialmente porque a rua estava deserta. Correr chamaria muito a atenção e eles poderiam me alcançar facilmente, o que seria ainda pior. Em vez disso, fingi que havia esquecido algo e, após verificar minha bolsa, retornei rapidamente à academia.
No entanto, pareceu que meus passos rápidos não foram suficientes, pois um deles segurou meu braço e perguntou por que eu estava com tanta pressa. Tentei me desvencilhar, mas os outros rapidamente me cercaram. Quando o homem que segurava meu braço tentou me puxar em sua direção, dei um impulso para trás e acabei colidindo com o cara que estava atrás de mim. Ele, por sua vez, segurou minha cintura e afirmou que eu não precisava ter pressa, pois ele teria a vez dele.
Nesse momento, comecei a temer pela minha vida e me amaldiçoei por não ter chamado um Uber quando percebi que a rua estava deserta. Gritar não adiantaria, já que estava longe da academia. O homem à minha frente se aproximou, enquanto o que estava atrás continuava segurando meus braços. O que se aproximou segurou meu queixo, forçando-me a olhá-lo.
— Não se preocupe, belezinha, tenho certeza de que você vai se divertir com todos nós. — Ele disse.
Naquele momento, senti todo o meu corpo arrepiar de medo. Não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo, mas não permitiria que eles fizessem qualquer coisa comigo sem tentar me livrar primeiro, então comecei a me debater.
— Ela é bravinha, mas logo vai ficar mansinha, mansinha — Ele disse rindo, aproximando-se para me beijar.
Comecei a dizer que eles estavam me machucando, mas foi em vão. Tudo o que consegui causar foi uma série de risadas. Ele passou a exigir minha boca de forma mais rude. O alívio surgiu quando ouvi a voz de outra pessoa exigindo que eles me soltassem. Ao olhar para o lado, percebi que se tratava de um membro da equipe de crossfit da academia.
Eu tinha conhecimento dessa modalidade, mas não conhecia nenhum de seus integrantes. No entanto, o homem que me defendia era o tipo de pessoa que não passava despercebido. Alto e com um corpo definido de atleta, possuía uma voz tranquila e ameaçadora ao mesmo tempo. Tinha uma barba por fazer e os olhos verdes mais intrigantes que eu já tinha visto. No entanto, para meu desespero, o cara que me segurava não demonstrou nenhum medo, e os outros logo se posicionaram ao seu lado e o mandaram continuar o caminho dele.
— Acho melhor vocês soltarem ela. Não sei se perceberam, mas meu grupo está do outro lado da rua, e eles só precisam de um pequeno sinal para estarem aqui em um piscar de olhos. Além disso, tenho um colega gravando toda essa cena e entrando em contato com a polícia. A pergunta certa a fazer é se vocês vão aguardar a viatura chegar e então soltá-la, ou se vão permitir que a levemos, o que daria a vocês tempo para escaparem?
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Atualizado até capítulo 95
Comments
Cirleia Santana
cadê as fotos!!!! horrível de mas sem fotos
2025-03-25
0
karvalho Heloiza😍
eitaaaaaaaaaaaaaa
2025-01-11
0
Solange Maria Martins
porque homem gosta de maltratar as mulheres
2024-08-26
3