Depois da noite agitada, pensei que dormiria feito pedra, mas difícil dormir com tantas perdas, formigas, uivos e o frio. Além de não ser nada confortável, tinha a linda impressão que iria morrer a qualquer hora. Eu preciso voltar para casa. Logo que amanheceu, Lilith recolheu tudo é voltamos a caminhar.
Entramos em uma florestas um pouco mais escura, mas parecia ter muito mais cor e vida. Ela parecia apenas ser mais fechada, as árvores unidas faziam algo como um teto com os seus galhos. Deixando poucas brechas do lado.
Enquanto anda tinha impressão que alguém me olhava, mas não via ninguém. Ouvi até alguém chamar algumas vezes, mas quem me conheceria por aqui? Aqui que nem eu mesmo sem onde é. Se Lilith não falou nada, deve ser algo da minha cabeça. Olho para frente: Cadê a Lilith?
Como consegui a façanha de me perder enquanto olhava para baixo? Ou será que ela fez iguais a história de João e Maria? Eu perguntei ela, me jogou para morrer no meio na floresta. Suponho que não conta como me matar, deve poder. Deveria ser caracterizado como abandonado de incapaz. Sei nem acender uma fogueira. Se um lobo não me comer, vou morrer de hipotermia.
Percebi que já tinha passado pela mesma árvore seis vezes. Decidi sentar. Não adianta gastar energia sem um plano certo? Morrer conta como um plano? O que acontece quando acabam as flechas? Tantas perguntas. Maldita,Lilith.
— Reclamas delas, todavia foste tu que a abandonou primeira, não, meu querido, Lumen? — ouvi uma foz rouca falando, procurei de onde vinha, mas não encontrava ninguém, devia ser meu subconsciente
— O seu subconsciente é um velho bêbado, ele não iria buscar-te por tão pouco. — a voz falou.
— Onde você está? Não te vejo. — eu disse girando feito peão procurando um sinal de alguém.
— Atrás de você. — Ele disse pausadamente
E eu parei alguns minutos em choque. Eu estava ouvindo uma árvore falar. Ela não só falava, mas seu rosto também. Me pergunto se ele tem acesso aos galhos como braços. Senti um galho me derrubando com força e ele gargalhando, suponho que essa foi a minha resposta.
— Quem é você? — Eu perguntei encarando a figura
— Vejo que assim como você premeditou na nossa última conversa, perdeu todas as memórias mesmo. Que fascinante. — Ele disse animado.
— Encontrei antes de morrer? Ou melhor, eu sabia que ia morrer e que iria ressuscitar? — Perguntei curioso? era estranho não saber de você mesmo.
— Sim, não apenas sabia que tudo aconteceria, como planejou cada detalhe. — a árvore esquisita falou
— Eu planejei a minha morte? — Perguntei sem acreditar. Quão excêntrico eu tinha que ser para planejar a minha morte e até a ressurreição.
— Sim, disse que era inevitável. Que os fins justificariam os meios. Era necessário proteger o futuro do mundo, você viu a destruição e precisava impedir — A árvore disse tão seria que me assustou. Como eu protegi o mundo?
— Mas eu não me lembro de nada agora. Não será perigoso? Sem contar que deve ter um motivo para eu ter morrido. Eu no mínimo deveria está fugindo de algo — Eu falei preocupado
— Você não estava fugindo, estava escondendo.
— O que eu escondia? — Perguntei, o meu coração acelerou. Algo me dizia que a notícia era ruim. E eu tinha feito algo errado voltando para esse lugar.
— O relógio — Quando ele falou, eu caí de joelhos desesperados. O que diabos eu fiz? E se eu coloquei todos em risco? O que posso fazer? Nem ao menos tenho as minhas memórias. Oh! As memórias.
— As minhas memórias. Eu perdi. Eu disse como recuperar elas? — Perguntei com o meu último fio de esperança.
— Disse que estaria com alguém que nunca te abandonaria ou trairia. Essa pessoa estaria esperando você, não importa os anos que você demorasse. Ela ainda iria atrás de você. — Ele disse frazindo a testa
— Parece confuso — pela primeira vez ele falava confuso.
– A pessoa que me descreveu me parecia mais alguém como um cobrador, do que alguém de confiança. Não me parece nada como alguém para se deixar algo tão preciso. Você sempre foi tão confuso. — Ele falou com um olhar penetrante
— Não posso responder a você agora, mas um dia voltarei e explicarei o motivo. — Eu falei sorrindo
— Eu acredito, você nunca quebra uma promessa. — o senhor árvore desconhecido falou
— Quem é você? — Eu perguntei
— Vivi tantos anos. Tive tantos anos. Hoje me chamam de O Grande Sábio — Ele disse triste
— Deve ser doloroso viver tantos anos. O senhor acaba vendo muita gente chegar e partir — comentei pensando em quantas pessoas ele perdeu
— Não depende de ter ou não a sua memória. Suas respostas sempre são as mesmas, sabia? E sim, a chegada e a partida é dolorosa, mas assim aprendemos a valorizar os encontros. — O Sábio refletiu
— Você não consegue se mover? — Perguntei
— Uma maldição me prendeu aqui. Eu teria dom do conhecimento, das profecias e do oráculos, mas jamais buscaria nada, apenas os outros que me buscariam. — Ele falou com um tom triste.
— Eu tenho como mudar isso. Farei isso assim que resolver o meu problema de memória. Tenho certeza que se eu for um bruxo tão bom quanto dizem, poderei criar o que estou imaginando e você poderá sim, buscar o que quiser. — Eu disse feliz.
— Você me disse isso. Que o seu eu do futuro, me faria conhecer o mundo. Estou ansioso por suas ideias. Espero que consiga logo as suas memórias. Estarei esperando. — Ele me disse
— Sobre o relógio — Eu falei, mas fiquei buscando as palavras, como explicar que acabei com Tudo que o meu eu do futuro tinha organizando tanto.
— Você fez o que tinha o que fazer naquele momento. Talvez o senhor não entenda agora, mas você perceberá no futuro, que nada é por acaso. Nem nascimentos, encontros, nem perdas, ganhos, absolutamente nada. Tudo faz parte de um plano. Não se preocupe. Confie sempre em você mesmo. Será sempre a sua melhor resposta — Ele respondeu
— Obrigado. — Como vou explicar isso a Lilith — Lilith! Eu me perdi dela quando cheguei aqui.
— Como eu disse, os encontros não são por acaso. Deixarei agora você seguir o seu caminho. Tenha uma boa viagem. Voltaremos logo a nos encontrar, Lumen. — Ele disse, no mesmo momento a floresta virou um grande borrão e eu apareci na frente da Lilith.
— Onde você estava? — Ela gritou me olhando
— Conversando com uma árvore — respondi a ela.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
DoMyWo
Então ele é o bruxo mesmo
2023-08-05
2
DoMyWo
Kkkkkkkk que ódio, ele lembra só das historias infantis e esquece das folclóricas
2023-08-05
2