Mariana começou a tirar a blusa do Heitor com cuidado, e não pode deixar de observa-lo, ele era branquinho, tinha um abdômen lisinho. Ela tentou desviar o olhar, ao pegar sua camiseta, desceu pelo seu pescoço e seus dedos involuntariamente tocaram no peito duro de Heitor, ela soltou o ar dos pulmões tentando abolir pensamentos inadequados. Nunca tinha ficado tão próximo de outro homem nessas circunstâncias ao não ser Joaquim, e isso de alguma forma deixou os ritmos de seu coração acelerado.
Heitor: Não precisa ficar encarando as cicatrizes! E nem a bolsa coletora. Isso me incomoda vindo de um mulher.
Falou a encarando carrancudo. Ela arregalou os olhos e fez que não com a cabeça.
Mariana: Eu não estava olhando para...
Então seus olhos pousaram em algumas cicatrizes e na bolsa coletora do lado esquerdo abaixo do abdômen. Mariana não conseguia parar de olhar, era a primeira vez que tinha visto de perto e achou interessante os avanços que a medicina tinha para prolongar a vida de uma pessoa com deficiência.
Heitor: Por favor Mariana, anda logo com isso. Eu não gosto que me olhem com piedade.
Mariana: O quê? Eu nem pensei nisso.
Mariana pressionou os lábios nervosa quando ele apertou o motorzinho da cadeira se afastando dela a ignorando por completo, ela correu pra acompanha-lo.
Mariana: Espera, Heitor!
Heitor parou no meio do quatro e virou-se para ela.
Heitor: Vamos Mariana eu não tenho o dia todo.
[...]
Quando finalmente chegaram na redação da revista Marco, Mariana desceu a cadeira de rodas e ajudou Heitor a subir a rampa. Ele parecia desconfortável, e não era para menos, assim que entraram na empresa todos pararam o que estavam fazendo e começaram a cochichar. Heitor tinha certeza que estavam comentando sobre ele. Ficou com raiva, como podem serem tão cruéis? Como podem ser desumanos a esse ponto? Era tão fácil falar, apontar dar mil e uns pejorativos, a uma pessoa deficiente. O preconceito estava em todos os lugares, e o pior que poderia vim de pessoas nas quais ele conhecia de perto.
Mariana encarou Heitor que estava de cara fechada, parecia fora do ninho com tantos olhares de piedade em volta dele.
Heitor: Mariana me tira daqui agora!
Falou bravo, grudando às mãos no apoio da cadeira e deu ré com ela, Heitor acabou descontando sua fúria em Mariana!
Heitor: Que raios está fazendo, Mariana? Me leva até o andar 12, eu não vou embora antes de acertar as contas com o desgraçado do Patrick.
Heitor estava tentando se controlar, ele odiava servir de enredo para as fofocas dos outros, e ainda mais servir de motivo para fofocas de pessoas que até ano retrasado o via como chefe. Agora ele não passa de um inválido derrotado.
Mas não estava sendo fácil, bufou incomodado. Mariana toda atrapalhada com a situação só estava o deixando ainda mais constrangido.
Mariana: Senhor o que você pretender fazer? Não que seja da minha conta, mas acho que não é uma boa ideia você tirar satisfação em horária comercial.
Ele riu nervoso.
Heitor: Por favor o que eu poderia fazer de tão grave? Aliás, eu mal consigo mover os dedos das mãos Mariana. Eu sou um inválido derrotado, viu como me olharam? Eu não passo de uma piada pra esse bando de fofoqueiros.
Mariana encarou Heitor franzido as sobrancelhas, ela estava pronta para rebater suas palavras, porém o elevador abriu, e eles finalmente puderam sair daquela caixa metálica indo direto para o escritório do Patrick.
Na porta tinha um letreiro como o nome do Patrick, Heitor ao ver aquilo tinha vontade de passar as rodas da sua cadeira por cima e estraçalhar com vontade, e o mesmo se pudesse queria fazer com os ossos do irmão traíra.
Heitor: Mariana abre essa porta.
Ordenou irritado, Mariana parecia relutar, porém, abriu a porta empurrando Heitor para dentro da sala que até então era sua. Ele encarou Patrick cheio de ressentimento, ele estava sentado mexendo no computador, assim que viu Heitor e Mariana ele se levantou rapidamente.
Patrick: Heitor? O que faz aqui?
Heitor: Eu vim acertar as contas. Mariana por favor nós deixes a sós.
Pedi trincando a mandíbula.
Mariana: É... Eu acho melhor eu ficar senhor.
Heitor: Mariana sai agora dessa sala, e me deixa sozinho com esse desgraçado. SAI AGORA!
Gritou enfurecido, Mariana saiu correndo o deixando cara a cara com seu pior rival.
Patrick: Não precisava tratar assim a moça, você foi estupidamente grosseiro irmão.
Patrick caminhou até Heitor, com as mãos no bolso e um sorriso de escárnio nos lábios. Não era novidade para ninguém que Patrick sendo o mais velho sempre invejou Heitor pelo pai ter dado a direção da Marco para ele, e sempre que podia contestava essa decisão que por ordem de nascimento por ser o filho mais velho teria que ser dele. Todavia todos sabiam que Patrick não levava muito jeito para redator, e Armando preferiu colocar Heitor. Por causa das circunstâncias atuais Patrick finalmente conseguiu o tão sonhado feito, ser redator da revista Marco. Mas, parece que isso não foi suficiente e logo depôs acabou se envolvendo com a namorada do irmão, Patrick aos poucos estava conquistando tudo que um dia foi do Heitor, e isso para ele era uma forma de atingir Heitor por sempre ter sido o preferido dos pais.
Patrick: Bonitinha ela, Mariana o nome não é?
Heitor: Fica longe dela!
Heitor falou tomado pela raiva.
Patrick: Eu nem pensei nisso.
Heitor: Assim como não pensou em me trair com a Bárbara?
Patrick: Heitor, por favor! Não tivemos culpa de termos nós apaixonado. Não esperávamos que isso fosse acontecer, nunca foi minha intenção trair sua confiança desse jeito, mas nós apaixonamos foi isso... Foi mais forte que nossa razão.
Heitor riu sarcástico. Patrick era o ser mais nojento que ele conhecia, odiava sua sua falsidade. Fingia ser meu amigo, leal um irmão companheiro, o mesmo se ofereceu a dar apoio emocional a Bárbara no momento em que eu estava preso naquele maldito hospital, e tudo que ele fez foi o apunhalar pelas costas o enfiando um belo de par de chifres.
Ele o odiava com todas as forças, e acima de tudo odiava a sem caráter da Bárbara. Se fosse por ele Patrick jamais tinha exercido o cargo de redator na revista.
Heitor: Você é um infeliz, um cretino da pior espécie Patrick. Minha vontade era te matar.
Patrick: Eu sei... Mas não adianta querer alguém que não te quer Heitor. A Bárbara me ama, e você não pode fazer nada pra mudar isso.
Heitor: Eu só quero que você e a Bárbara vão pro inferno porque lá é o lugar de vocês.
Ele o encarei sorridente e muito seguro de si. Patrick sabia muito bem como ferir o irmão, e fazia isso de propósito.
Patrick: Você vai ser titio sabia?
Heitor: Pensando bem, os dois se merecem! Parabéns, Patrick os dois fazem um par perfeitos de miseráveis, eu só tenho pena da criança por ter um pai tão desprezível quando você. Passe bem e morra logo.
Heitor apertou o motor da sua cadeira e deu ré. Quando chegou na porta deu um grito pela Mariana, que no mesmo instante abriu a porta, ele tinha quase certeza que ela estava escutando atrás da porta.
Heitor: Mariana, vamos!
Mariana: Sim, senhor...
Quando estavam saindo da Marco os mesmos pares de olhos os encaravam, os bandos de mexeriqueiros.
Heitor: Está vendo babá, como o ser humano é a pior espécie que habita a terra. Nunca seja esse tipo de pessoa que se diverte com o sofrimento dos outros, nunca Mariana.
Mariana: Nu-nunca senhor! Eu sinto muito, muito por tudo.
Heitor: Essa é a vida, não se lastime eu aprendi a lidar com essa tipo de raça tóxica que habita a humanidade.
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Eu sabia que não era uma boa ideia levar o Heitor para redação da sua revista, e pior de tudo deixá-lo ficar sozinho com o seu irmão Patrick. Eu nunca tinha visto o senhor Patrick pessoalmente, porém quando o vi naquela redação hoje de manhã eu tive muito raiva dele. Por tudo que ele fez com Heitor, como pode ser tão cruel com o próprio irmão? Como pode fazer isso com o Heitor logo em um momento tão delicado da sua vida?
Eu observava o Rafael arrumar as prateleiras de remédio, não tinha nada para fazer, Heitor desde que chegou pediu para ficar sozinho no quarto. Mas, de vez em quando eu ia vê-lo na surdina o que ele estava fazendo, não podia deixar sozinho por muito tempo, como todas às vezes que eu fui vê-lo ele estava encarando o jardim pensativo.
Rafael: Mariana, está tudo bem?
Mariana: Sim, só estou preocupada com o Heitor. Ele me expulsou do quarto assim que chegamos e nem quis almoçar, quero nem pensar no que a dona Teodora vai fazer comigo quando descobrir que eu não alimentei o filho dela.
Rafael: Isso não é bom!
Rafael balançou a cabeça em negativo e viro rapidamente para mim.
Rafael: Mariana, temos que fazer alguma coisa. O Heitor não pode cavar sua própria sentença, o organismo dele é fraco não aguenta ficar sem se alimentar e ingerir os remédios com o estômago vazio pode piorar suas dores.
Mariana: Eu sinto que estamos em retrocesso, e todos os avanços que tivemos até aqui estão sendo bloqueados pelo próprio Heitor. Eu estou me sentindo mais distante dele sabe, parece que está voltando tudo como era do começo.
Suspirei preocupada.
Rafael: Vamos lá, eu vou convencê-lo a se alimentar. Mariana peça para levarem um lanche reforçado para ele por favor.
Eu fiz o que Rafael pediu, e eu mesmo fiz questão em ajudar a cozinheira Olivia a preparar uma sopinha para ele. Quando subi com a bandeja eu vi Rafael banhando o Heitor de roupa e tudo no chuveiro.
Mariana: O que aconteceu, Rafael?
Perguntei nervosa, Heitor estava com os olhos fechados me parecia mau.
Rafael: A temperatura dele aumentou, ele está ardendo em febre Mariana.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Euridice Neta
Coitado ser traído pelo irmão e a mulher que dizia ama-lo e no momento mais difícil de sua vida ser apunhalado por eles é uma dor muito grande....
2025-02-09
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Lívia 🫶🏻
se eu fosse o Heitor eu fazia minha própria redação ele é tão competente que se ele quisesse ele podia montar uma concorrência ele tem o dom e o estudo tem tudo ao seu redor ele pode só não se sente capaz
2023-10-04
6
Janete Cunha
pois eu faria ele coordenar a livraria dele até a revista quer falir. Aí o pai ter que chamar ele de volta. Pra mim o acidente dele foi causado pelo irmão
2023-06-19
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