Henry entrou em casa e bateu à porta com força, encarou os moveis e começou a bagunçar tudo. Tacou os vasos nas paredes, os quadros com as fotos dele e do ex namorado, tudo foi de encontro ao chão. Se sentiu cansado e sentou no meio da bagunça, os olhos molhados, a cabeça latejava, pedindo um pouco de trégua aos pensamentos, que vinham rápidos e fortes. Se levantou e preparou algo para comer, tomou banho e vestiu o pijama azul de listras pretas. Se sentou no sofá, enrolado ao lençol azul marinho, assistindo um programa qualquer que lhe era apresentado naquela noite fria. Logo o celular vibrou, com um número desconhecido, abriu as mensagens e logo sentiu o coração bater sem controle.
UNKNOWN: Eu sei Henry, que você vai voltar pros meus braços cedo ou tarde
UNKNOWN: Você escolhe, volta pra mim ou nunca mais terá ninguém na sua vida
UNKNOWN: Eu estou te dando essa chance!
LHENRY: Eu prefiro não ter ninguém na minha vida, tchau
Henry bloqueou o número e printou a conversa, se deitou no sofá branco, sentindo as lagrimas caírem lentas. Logo o barulho da campainha se fez presente, se levantou cansado e abriu a porta, encarou o sorriso branco do amigo e correu para os braços do mesmo, se permitindo chorar novamente.
- Ei, o que aconteceu? - Yan segurou o rosto vermelho preocupado
- Ele me traiu Yan - Yan arregalou os olhos e abraçou o corpo do menor - O menino tem dezesseis anos, Yan, dezesseis - A boca de Yan caiu num perfeito 'O'. Henry o puxou para dentro e logo começaram a conversar. Por incrível que pareça, o rapaz conseguiu arrancar algumas risadas do menor.
- Lim? - Henry encarou Yan, que imediatamente corou suspirando
- O que foi? - Ele suspirou mais uma vez e encarou os olhinhos vermelhos
- Eu queria uma chance... - Henry franziu o cenho, perdido no contexto que nem Yan tinha encontrado ainda - Ai, desculpa, eu estou nervoso... Quero dizer, eu gosto de você, mas eu não quero estragar tudo - Henry suspirou surpreso, vendo Yan mordiscar o lábio inferior, em sinal de nervosismo
- Me dá um tempinho, eu preciso me recompor disso tudo - Ele assentiu e beijou a bochecha de Henry que sorriu
- Essa rosa é pra você - Pegou a rosa e entregou a Henry. A rosa era igualzinha a que ele havia comprado mais cedo para o ex amado, que acabou por esquecer a mesma, caída no chão do apartamento
- Você não precisava se incomodar comigo Yan - Yan bagunçou as madeixas alheias e sorriu
- Claro que me preocupo, odeio te ver chorando por causa daquele imbecil - Henry deitou a cabeça no ombro do maior que encostou a cabeça na dele. Sorriu largo por sentir um amor tão grande exalar de Yan, conseguia se sentir bem perto dele, que não poupava esforços para vê-lo bem.
- Obrigado por me fazer companhia. Eu realmente não sei o que seria de mim sem você - Yan assentiu, acariciando a mão alheia
- Você deveria ir na festa da faculdade - Henry negou rapidamente - Ah Henry, vamos, vai ser legal - O outro fez uma cara de cãozinho que caiu da mudança e Henry cedeu, topando em ir para a festa.
- Okay, eu vou...
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Sabrina encarou as folhas de papel, lendo as ameaças feitas por N, não sabia como começar, como procurar, sabia que provavelmente este rapaz havia sumido do mapa, porém tinha que tentar encontrá-lo. Levantou a cabeça ao ver o delegado Felipe entrar com os detetives e o policial loiro, que mais cedo, fez Sabrina perder as estribeiras.
- Sabrina, como vão as coisas? - Suspirou sozinha, sentada na grande mesa
- Bom, eu quero dizer que não foi o Yan... Não tem como delegado - O delegado suspirou e se sentou
- Ele com certeza é um fingido - Vicente falou, fazendo Sabrina ferver de raiva por dentro
- Onde você vê culpa naquele rapaz seu imbecil? - Ele se virou para Sabrina nervoso, porém ela não se sentiu acuada, se levantou e o encarou rosto a rosto - Você deve parar de se intrometer aonde não é chamado, este caso é meu, e você não vai botar essa mão suja nele - Ele bateu com força na mesa nervoso
- Já disse que isso não é algo para uma mulher fazer - Sabrina concordou, juntando os papeis, logo os colocando dentro dos envelopes
- Sendo assim, você não está apto a participar deste caso - Felipe riu junto com os outros detetives - Nós pedimos para fechar a casa delegado, precisamos estudar os fatos que a gente tem e as teorias, precisamos dos amigos dele, o Yan é uma das peças principais, ele era apaixonado... - Sabrina foi interrompida, logo ficando nervosa
- Apaixonado? Me poupe... Eles sempre dizem isso, que eram apaixonados e que nunca machucaria o amor da vida deles... Mulheres e seus contos de fada - Sabrina levou a mão na cabeça massageando a mesma
- Como consegue ser tão irritante? Sabe o que é isso Detetive Vicente? - Perguntou vendo o mesmo a encarar
- É falta de Rola meu querido... Passa vontade não! - Os policias riram da cara de tacho que o rapaz ficou, e Sabrina logo saiu, entregando um dos envelopes ao delegado - Fique com esse! - Sabrina foi até sua mesa. Se sentou e pesquisou sobre o Peek-A-Boo
"Serial Killer do Esconde-Esconde. Peek-A-Boo, volta a atacar, durante a madrugada de dezesseis de outubro de 2015, mais uma vítima foi assassinada na banheira de casa, porém não acharam o corpo de Ellie Jonghan"
- Bingo...
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- Yan? Yan? - Yan acordou com as mãos de Edgar passando pela sua visão - Terra chamando Yan- O rapaz sorriu fraco sentindo algumas lágrimas se formarem - Logo isso será resolvido, ontem rezei para que ele esteja num bom lugar... - Edgar fungou enquanto Yan desabava sentado no banco do café, onde costumavam a ir juntos. Talvez fosse loucura, imaginar ele ali, rindo, como se fosse uma criança, despreocupado. Yan sentia falta das gargalhadas que o menor dava, sentia falta dos cuidados amorosos de Henry, sempre se preocupava com os outros e se esquecia de si. Se sentiu culpado, por levar o rapaz a festa, por beija-lo no meio da multidão, deveria ter se controlado, como ele sempre fez
- Eu sei como está doendo - Yan pulou de susto vendo todos a sua volta congelados
- Quem é você? O que faz aqui? Como passou? - Perguntou enquanto a mesma fazia um mega cachorro quente ao seu lado. Um vestido vermelho, com umas botas escuras, a pele branca e os cabelos escuros, enfeitados com uma coroa na cor vermelha.
- Meu nome é Irene, sou a fantasma da culpa, rainha daqueles que já partiram e dos que ainda não também... Quer? - Ela colocou o cachorro quente na visão de Yan, que negou
- Fantasma da culpa, eu não sou culpado né? - ela suspirou e terminou de mastigar
- Eu vim para ajudar... - Ela se virou para Yan e logo passou para o outro lado. - Venha comigo - Yan assentiu e se levantou - Feche seus olhos e segure minhas mãos - fez o que ela mandou. Depois de alguns minutos ela pediu que Yan abrisse os olhos, estavam na casa de Henry, na noite que aquilo aconteceu.
- MEU DEUS HENRY, VOCÊ BEBEU MUITO - Ouviu Bunny gritar bêbado, perfeitamente como aconteceu antes. Yan se viu auxiliando Henry, que vomitava no jardim tudo o que tinha comido e bebido.
- Nem foi tanto, foi só um pouquinho Bunny - Yan sentiu as lágrimas caírem e desacreditou do que estava acontecendo ali
- Tá, chega, vamos todo mundo pra suas casas, boa noite Henry - Se ouviu dizendo e logo sentiu as lagrimas virem mais fortes.
- Ali Yan- Yan se virou encarando um homem alto e loiro, escondido no jardim de Heenim
- Eu não quero ver isso - Yan falou logo escutando a voz da amiga de faculdade
- Henry? Tudo bem?
- Está sim Heenim, obrigado - Ele assentiu
- Se precisar de algo me chame - Yan viu Henry subir as escadas e foi junto. Henry arrastou-se para o corredor de cima e Yan foi atrás dele até o banheiro. Ele entrou na banheira sem tirar as roupas e fechou os olhos, mas logo os mesmos foram abertos, encarando o fim do corredor
- EI? - Ele gritou, Yan se virou vendo a sombra se aproximar - O que você quer aqui agora? Como entrou?
- Vamos embora por favor, por favor - Pediu desesperado
- Você precisa saber Yan! - Irene disse fria - Não podemos ver o rosto dele, mas a voz, escute a voz Yan
- Se você não for meu, você não será de ninguém Henry - Yan arregalou os olhos sentindo o coração disparar
- Essa voz, eu conheço... Essa voz... Me lembra o... Ícaro? - Falou tentando se lembrar onde tinha escutado aquela voz
- Me erra, cara... Você me traiu, com aquele ninfetinho nojento - Henry falou
- FOI UM DESLIZE! - Ele gritou
- E EU NÃO VOU VOLTAR PRO SEU DESLIZE! EU TENHO AMOR PRÓPRIO SEU IMBECIL! - Ele engatilhou a arma e Yan gritou
- ME TIRA DAQUI, ME TIRA DAQUI - Os dois tiros foram dados, Yan caiu de joelhos no chão vendo Henry encarar o sangue sair, encarou o rapaz com a arma nas mãos chorar e sentiu um ódio tomar conta de si.
- VOCÊ ME OBRIGOU HENRY, ERA TÃO MAIS FÁCIL SE VOCÊ VOLTASSE PRA MIM..., MAS VOCÊ PRECISA DIFICULTAR AS COISAS. - Ele pegou o celular, Yan viu Henry se mexer e se virou rápido, ele se levantou e logo a visão de Yan apagou
- Não conte a ninguém, eu irei mostra lós
- Yan? Yan? - Yan acordou com as mãos de Edgar passando pela sua visão - Terra chamando Yan - Sentiu que aquilo já tinha acontecido e teve certeza quando Edgar repetiu a frase, a mesma frase de minutos atrás
- Logo isso será resolvido, ontem rezei para que ele esteja num bom lugar... Sinto tanta falta dele aqui - Yan assentiu sentindo a cabeça doer
- Ele levantou, o Henry, levantou!
- Ei rapazes - Ícaro falou e se sentou ao lado de Edgar
- A voz não era do Ícaro - Yan falou para si mesmo sentindo a cabeça doer mais forte
- Yan! - Ícaro se aproximou do menor se abaixando - Está tudo bem? - Yan assentiu e ele colocou a mão na testa do mesmo
- Você está queimando de febre, vem - Yan se despediu de Edgar, que beijou a bochecha do menor, desejando melhoras. Ícaro colocou o chinês no carro, logo prendendo o cinto no mesmo. Deu a volta e entrou no banco do motorista.
- A fantasma da culpa... ela te visitou? - Ícaro assentiu e suspirou - Foi você? - Ele negou
- Eu não teria motivos pra fazer mal a quem só me fez bem Yan... - Yan sorriu ao ver ele falar sincero - Aliás, Henry cuidava de todos aqui... Você conhece meu passado, sabe que o Henry me salvou - Yan assentiu e encarou Ícaro que encostou a cabeça no banco do carro.
- Eu acredito em você - Ícaro abraçou Yan e sorriu
- Vamos, eu vou cuidar de você hoje
...
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Atualizado até capítulo 71
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