dias difíceis...

Os dias seguintes foram um tormento. A Alissa não conseguia dormir direito, não conseguia comer sem sentir um nó na garganta. As meninas faziam de tudo para distraí-la, mas a preocupação estava sempre presente.

Elas passavam o dia juntas, trancadas no morro, já que sair não era seguro depois da invasão. De vez em quando, tomavam um sorvete na pracinha ou iam ao bar do José, mas nada conseguia preencher o vazio que Gabriel tinha deixado.

As noites eram as piores. Ela passava horas sentada na beira da cama, encarando o teto e pensando em como seria o futuro se Gabriel não voltasse.

Então, sempre que podia, ela ia ao hospital.

Na primeira vez, assim que entrou no quarto, sentiu o peito apertar. Gabriel estava pálido, conectado a fios e máquinas que monitoravam cada batida do seu coração. A Alissa engoliu o choro e se aproximou devagar.

Ela sentou ao lado dele, segurou sua mão fria e, pela primeira vez, disse em voz alta o que sentia.

— Eu tô com medo. — A voz dela falhou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu nunca imaginei que isso aconteceria. Você sempre foi tão forte, tão seguro de si… Eu achei que nada no mundo poderia te derrubar. Mas agora você tá aqui...

Ela apertou mais a mão dele.

— E eu já sinto que amo você. Sei que é cedo, sei que não faz sentido, mas é isso que eu sinto. E agora… agora a gente vai ter um filho.

Ela abaixou a cabeça, soluçando.

— E eu não posso criar esse bebê sem você. Você tem que acordar, Gabriel. Você tem que estar aqui.

As lágrimas caíam sem controle.

— Eu sei que a gente não teve tempo suficiente, eu sei que ainda temos tanto pra descobrir um sobre o outro. Mas, por favor, não me deixa. Eu preciso de você.

Ela deitou a cabeça na cama dele e chorou até pegar no sono.

Quando acordou, Felipe estava ali, olhando-a com preocupação.

— Vai pra casa, Alissa. Descansa um pouco.

Ela negou com a cabeça.

— Eu quero ficar mais um pouco.

E assim foi. Às vezes era ela quem dormia no hospital, às vezes Felipe ou Mateus revezavam para que ela pudesse descansar. Mas, todas as vezes que ela entrava naquele quarto, ela repetia a mesma súplica:

— Por favor, volta pra mim.

No dia seguinte:

A piscina refletia o céu limpo do morro, e as risadas das meninas preenchiam o ambiente, contrastando com a tensão que pairava no ar. Alissa estava sentada na borda da piscina, mexendo distraidamente na água com os pés, enquanto Mariah e Cecília tentavam convencê-la a se divertir.

— Vem, Alissa! — Mariah completou jogou um pouco de água nela. — Tá um calor do inferno, mulher!

— Deixa ela, Mari — Melissa disse, de óculos escuros, deitada na espreguiçadeira. — Se ela quiser ficar aí toda dramática, problema dela.

Alissa bufou, mas riu.

— Eu não tô dramática.

— Tá sim! — Cecília se aproximou, sentando ao lado dela. — Olha, eu sei que tá difícil, eu sei que você tá preocupada, mas você não pode se afundar nisso. Você tem que viver, pelo seu bebê e pelo Gabriel.

Alissa respirou fundo.

— Eu sei… é só que tudo aconteceu muito rápido.

— E vai continuar acontecendo — Mariah sorriu. — Mas olha pelo lado bom… você vai ter um mini Gabriel correndo por aí.

— Ou uma mini Alissa — Melissa corrigiu, rindo.

Alissa suspirou e sorriu.

— Tá bom, tá bom, eu vou entrar!

As meninas vibraram e puxaram Alissa para a água. Entre brincadeiras, risadas e goles de suco, a tensão se dissipou por alguns momentos.

— Sabe o que falta? — Cecília perguntou de repente.

— O quê? — Mariah arqueou a sobrancelha.

— Comida. Eu tô morrendo de fome!

— Você tá sempre com fome! — Melissa zoou, mas já pegando o telefone. — Vou pedir uns petiscos no bar do José.

Alissa, por um instante, sentiu que as coisas podiam ser um pouco mais leves, mesmo em meio ao caos.

Enquanto isso, na boca, Felipe, Lucas e Mateus discutiam sobre a situação dos carregamentos roubados.

— Isso tá virando palhaçada — Mateus socou a parede. — Primeiro, a invasão, agora tão roubando os nossos carregamentos

— Tão aproveitando que o Gabriel tá fora de combate e eu não tô 100% ainda — lucas resmungou. — Mas não vai ficar assim.

— A questão é: quem tá por trás disso? — Felipe perguntou. — A polícia tá de olho, a gente não pode sair atacando qualquer um.

Sombra apareceu, sério.

— Temos que resolver isso rápido. O Gabriel pode estar em coma, mas o morro ainda tem um líder.

Os três se entreolharam, cientes da responsabilidade que carregavam.

— A gente vai dar um jeito — Lucas garantiu.

Mas todos sabiam que nada seria fácil dali para frente.

com as meninas

Alíssa segurava o telefone com as mãos suadas. As meninas estavam ao redor dela, oferecendo apoio silencioso.

— Respira, amiga — Cecília encorajou.

Ela discou e esperou.

— Alissa?! — A voz do pai dela ecoou pelo telefone. — Por que não me ligou antes? Como você tá? Como estão as coisas?

— Pai… eu tenho uma coisa pra contar.

— O que foi?

Ela fechou os olhos e soltou de uma vez:

— Eu tô grávida.

O silêncio foi ensurdecedor.

— O QUÊ?!

Ela afastou o telefone do ouvido.

— VOCÊ TÁ AÍ UM MÊS, ALISSA! UM MÊS! COMO ASSIM VOCÊ JÁ TÁ GRÁVIDA?

— Pai, calma…

— CALMA?! COMO VOCÊ QUER QUE EU FIQUE CALMO?

— Eu sei que parece loucura, eu mesma não sei como tudo aconteceu tão rápido, mas aconteceu.

A mãe dela pegou o telefone.

— Minha filha, como assim? Você engravidou hoje de noite?!

— Mãe, não! — Allissa riu em meio ao nervosismo.

— Ai, mas eu tô feliz! Vou ser avó! — A mãe dela começou a chorar. — Meu Deus, minha bebê vai ter um bebê! Eu te amo muito, filha!

Alissa riu entre lágrimas.

De repente, Valentim entrou na chamada.

— Pera aí… O Gabriel engravidou minha irmã?!

Alissa engoliu seco.

— Sim…

— Eu vou matar esse desgraçado.

— Valentim! — Fernanda interveio.

— Brincadeira. Mais ou menos. — Ele suspirou. — Eu tô bolado, mas, por outro lado… vou ser tio. Isso é… incrível.

Então ele riu.

— Não acredito que você teve filho antes de mim! Eu sou mais velho!

Fernanda gargalhou.

— Engraçado, eu fui a primeira a casar e agora Alissa foi a primeira a ter um bebê. Vocês tão ficando pra trás.

— Acima de mim? Nunca. — Valentim brincou.

Fernanda ficou séria.

— Agora não.

Depois ela suavizou o tom.

— Alissa, eu sei que deve estar sendo muito difícil. Com o Gabriel assim… Mas ele vai acordar. E quando acordar, vai estar com você. Nos piores e nos melhores momentos. E vai ser um pai incrível.

A voz de Valentina surgiu animada.

— Parabéns, irmã! Agora eu quero ir pro Brasil ainda mais!

— Mas você não queria vir… — Alissa provocou.

— Agora quero. Quero ver sua barriga crescer!

— Falta 12 meses só.

— 11, Allissa.

— Você tá contando?!

— Tô, e quero ir antes.

Alissa sorriu.

Por um momento, sentiu que tudo ficaria bem.

Alissa segurava o telefone com força, ainda absorvendo tudo. Sua mãe falava com a voz embargada, mas cheia de carinho:

— Filha, você tem que se cuidar, comer bem, descansar… Agora você tá gerando um bebê, não é só sobre você. Se mantém saudável, tá bom?

— Tá bom, mãe… — Alissa sorriu, emocionada.

O pai dela respirou fundo antes de falar:

— Me desculpa por ter falado daquele jeito antes… Você sempre vai ser minha menininha, Allissa. Como assim você engravidou tão rápido? Mas… — ele soltou um suspiro — eu tô feliz. Vou ser avô.

— E um avô bem coruja, eu aposto — Valentim brincou.

Fernanda interveio com carinho:

— Vai ficar tudo bem, Allissa. A partir de agora, é só coisa boa pra vocês. Que Deus abençoe muito esse neném.

— Amém — ela sussurrou, sentindo um alívio no peito.

Foi quando Valentina soltou:

— Se bobear, daqui uns três meses eu tô indo pro Brasil.

— O quê?! Você tá louca? — a mãe dela exclamou.

— Mãe, um dia ou outro eu vou ter que ir! Pelo menos ajudo minha irmã grávida.

— Você só quer uma desculpa pra fugir — Valentim riu.

— E se for? — Valentina rebateu, divertida.

Depois de mais algumas trocas de palavras carinhosas, eles se despediram e desligaram.

Alissa respirou fundo, tentando processar tudo. O dia ainda não tinha acabado, então voltou para perto das meninas e aproveitou um pouco mais o momento com elas. Riram, conversaram e tentaram esquecer por alguns minutos todo o peso que carregavam.

Mas, com o tempo, Alissa começou a se sentir enjoada, um cansaço pesado caindo sobre seu corpo.

— Acho que vou descansar um pouco — disse, passando a mão na barriga.

As meninas entenderam na hora.

— Vamos arrumar essa bagunça primeiro — Cecília sugeriu.

Elas recolheram as toalhas, guardaram os copos e ajeitaram tudo antes de subirem. Como Gabriel não estava e a situação no morro estava complicada, Mariah e Melissa tinham decidido ficar por ali nos últimos dias, junto com Cecília, para não deixarem Alissa sozinha.

O clima na casa era pesado, silencioso. Todos tentavam manter a normalidade, mas sabiam que estavam vulneráveis.

Alissa se deitou na cama, sentindo o coração acelerado, a mente cheia. Antes de fechar os olhos, passou a mão na barriga e sussurrou:

— Vai ficar tudo bem, meu amor. Mamãe tá aqui.

E então, finalmente, deixou o sono a levar.

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Comments

Marlene Araujo

Marlene Araujo

mas capítulo por favor

2025-01-21

1

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