No dia seguinte
O sol brilhava forte no Morro do Alemão, iluminando a casa de Maria Flor e Sombra, onde um grande almoço de família estava sendo preparado. Era um daqueles dias raros em que todos estavam juntos, sem preocupações externas, apenas aproveitando a companhia uns dos outros. Maria Flor e Dona Gabriela estavam na cozinha, coordenando tudo, enquanto as meninas ajudavam com os preparativos.
A casa estava cheia: Dona Gabriela e o Sr. Héctor sentados na sala, observando tudo com aquele olhar satisfeito de quem vê a família crescendo e se fortalecendo. Sombra, ao lado de Maria Flor, não escondia o sorriso ao ver os filhos felizes. Lucas chegou Manoela e Gael tinham chegado logo depois, trazendo Mariah e Melissa, enquanto Gabriel e Alissa chegaram juntos, acompanhados por Cecília. Filipe e Mateus, que eram praticamente filhos da Dona Gabriela e do Sr. Héctor, também estavam ali, completando o encontro WL também foi ao almoço convidado por Mariah
A cozinha estava uma bagunça organizada, cheia de risadas e conversas. Mariah cortava legumes enquanto Cecília tentava temperar a carne e Alissa mexia uma panela.
— Olha só, Dona Gabriela, pode falar a verdade… Essa casa só tá cheia porque a comida da senhora é a melhor do morro, né? — brincou Cecília, arrancando risadas.
Dona Gabriela riu, mexendo o arroz com calma.
— Se for por isso, que bom! Pelo menos tenho vocês todos aqui comigo.
As meninas riam, trocando olhares. A conversa seguia descontraída quando, de repente, Melissa parou por um instante, segurando o balcão para se apoiar.
— Mel? — Alissa foi a primeira a notar e, rápida, segurou Melissa pelas costas antes que ela perdesse o equilíbrio. — Tá tudo bem?
Melissa respirou fundo e fechou os olhos por um instante antes de responder:
— Tá… foi só uma tontura boba. Já passou.
As meninas se entreolharam, ligeiramente desconfiadas, mas não insistiram. Mariah, no entanto, franziu a testa, observando a irmã com um olhar de quem já estava conectando as peças.
Com a comida pronta, todos se reuniram na área externa para o almoço. O clima era leve, com conversas, risadas e piadas sendo jogadas para todos os lados.
— Esses meninos não vão demorar a se apaixonar — comentou Maria Flor, olhando para Filipe e Cecília.
Dona Gabriela, que já tinha percebido a aproximação dos dois, sorriu com ternura.
— É verdade… E eu já vi esse filme antes — provocou ela, lançando um olhar para Alissa e Gabriel.
Gabriel, que estava cortando um pedaço de carne no prato, ergueu o olhar na mesma hora, tentando disfarçar.
— O que foi? — perguntou, sem entender.
— Nada, só que desde que essa moça chegou aqui, você anda sorrindo demais, Gabriel — disse Sombra, se divertindo com a reação do filho.
Alissa olhou para Gabriel, que evitou seu olhar. Ela riu baixinho, mexendo no próprio prato.
— Ah, para, gente — Gabriel resmungou, mas o sorriso já estava ali, entregando tudo.
Maria Flor trocou um olhar cúmplice com Sombra. Para ela, ver o filho feliz daquele jeito era tudo. Gabriel podia ser fechado, possessivo e linha dura, mas desde que Alissa chegou, algo nele estava mudando.
Enquanto isso, Mat'eus segurava a mão de Melissa sob a mesa, sem perceber que a namorada estava inquieta. Dona Gabriela olhava para ele com carinho, satisfeita em ver que Mateus estava bem ao lado de Melissa.
— E o Filipe também… — Dona Gabriela apontou com um sorriso para Cecília, que, ao invés de responder, apenas revirou os olhos e fingiu estar mais interessada na comida.
— Ai, gente, que implicância comigo — Cecília brincou, mas no fundo gostava daquilo.
O almoço seguiu com brincadeiras, histórias engraçadas e um clima acolhedor. Mas, logo após terminarem de comer, Melissa levantou apressada e correu para o banheiro.
— Mel? — Mariah chamou, levantando-se logo atrás.
Cecília e Alissa foram junto, todas preocupadas. Quando chegaram ao banheiro, encontraram Melissa ajoelhada no chão, segurando o vaso sanitário, vomitando. Mariah segurou o cabelo da irmã, enquanto Alissa pegou um pano úmido para ela.
— Melissa, você tá grávida? — Mariah perguntou, direto ao ponto.
Melissa arregalou os olhos, a expressão negando enquanto ainda se recuperava.
— Claro que não! Para de falar besteira, Mariah. Foi só o almoço, comi rápido demais.
— Sei… — Cecília cruzou os braços, desconfiada. — Se eu fosse você, fazia um teste, hein?
Melissa suspirou, tentando ignorar a ideia que agora martelava em sua cabeça. Se estivesse grávida, como contaria para Mateus? Como reagiriam? E, pior… como sua família lidaria com isso?
Ela engoliu em seco e, olhando para as amigas, tentou se convencer:
— Eu não tô grávida.
Mas ninguém ali parecia acreditar muito nisso.
O dia seguiu com leveza, mas no coração de Melissa, uma incerteza começava a crescer.
A noite caiu no Morro do Alemão, e depois do almoço em família, cada um seguiu para sua casa. Mas, enquanto os outros aproveitavam a tranquilidade do fim do dia, Melissa sentia sua mente girar em um turbilhão de pensamentos. A desconfiança das meninas e o episódio no banheiro não saíam de sua cabeça. E quando finalmente parou para pensar, o susto veio: sua menstruação estava atrasada a mais de duas semanas.
"Não pode ser..."
O coração disparou, o estômago revirou. Tudo começava a se encaixar, e a dúvida se tornou um peso insuportável. Melissa precisava de respostas.
Vestiu um moletom, pegou o dinheiro que tinha guardado e saiu de casa o mais discreta possível. Caminhou até a farmácia do morro, tentando manter a calma. Assim que entrou, olhou rapidamente ao redor para garantir que ninguém conhecido estivesse ali.
— Boa noite, moça. O que você precisa? — perguntou a atendente.
Melissa respirou fundo.
— Quatro testes de gravidez.
A atendente ergueu as sobrancelhas, mas não comentou nada. Apenas pegou os testes e colocou em uma sacola. Melissa pagou e saiu rapidamente, com o coração acelerado. A cada passo de volta para casa, a angústia aumentava.
Assim que chegou, trancou a porta do quarto, jogou a sacola na cama e ficou parada, encarando os testes.
"E se der positivo?"
A pergunta fez um frio tomar conta de seu corpo. Ela sentou na cama, tremendo, e pegou um dos testes. Foi até o banheiro, fez o xixi no potinho e colocou o teste depois colocou sobre a pia.
Dois minutos pareciam duas horas. Ela andava de um lado para o outro, mordendo os lábios, segurando as mãos frias.
Então, respirou fundo e pegou o teste.
POSITIVO.
— Não... — Melissa sussurrou, sentindo as pernas falharem.
As lágrimas vieram de uma vez. O choro saiu pesado, desesperado. Ela colocou a mão na boca, tentando conter os soluços.
"Eu estou grávida."
O peso daquelas palavras era imenso. E o medo? Ainda maior. Como sua família reagiria? Como Matheus reagiria? Eles tinham apenas 22 anos. Não era o momento. Não era o plano.
Com as mãos trêmulas, pegou o celular e ligou para Mariah
— Mel? O que foi? — a irmã atendeu, preocupada.
— SOBE AQUI NO MEU QUARTO AGORA.
Melissa não esperou resposta, desligou e imediatamente ligou para Alissa e Cecília.
— Mel? O que houve? — a voz de Alissa soou tensa.
— Vem aqui em casa Agora.
— Mas o quê…?
— AGORA, ALISSA! — gritou, sem conseguir segurar a angústia.
Ela jogou o celular na cama e voltou a chorar. Em poucos minutos, Mariah abriu a porta às pressas.
— Melissa, pelo amor de Deus, o que tá acontecendo?
Melissa não conseguiu responder. Apenas pegou o teste e estendeu para a irmã. Mariah congelou, os olhos arregalando ao ver o resultado.
— Meu Deus... — sussurrou.
Foi nesse momento que Alissa e Cecília entraram no quarto, ofegantes.
— O que aconteceu?! — Cecília perguntou, olhando de Melissa para Mariah.
Melissa apenas levantou o teste.
Alissa arregalou os olhos. Cecília tampou a boca com a mão.
— Mel… — Alissa se aproximou e abraçou Melissa, que desabou de novo em lágrimas.
— Eu não sei o que fazer… — Melissa choramingou.
— Calma, calma… — Cecília acariciou seus cabelos. — Vamos refazer os testes, só pra ter certeza, tá bom?
Melissa assentiu com a cabeça, e juntas, elas pegaram os outros três testes. No banheiro, o silêncio era sufocante. O tempo parecia se arrastar.
Então, um por um, os resultados apareceram.
POSITIVO. POSITIVO. POSITIVO.
Por último, veio o digital. Quando Melissa pegou o aparelho, seus olhos encheram de lágrimas antes mesmo de ler.
"GRÁVIDA 3+.”
Era oficial. Ela estava grávida.
O desespero tomou conta. O choro aumentou.
— Eu não sei o que fazer, eu não sei… — Melissa soluçava, enquanto as meninas tentavam acalmá-la.
Mariah também chorava, mas, diferente da irmã, ela sorria.
— Meu Deus… Eu vou ser tia… — murmurou, emocionada.
Ela abraçou Melissa forte, enquanto Alissa e Cecília também tentavam confortá-la.
— Vai dar tudo certo, Mel. A gente tá aqui com você — Alissa garantiu.
— Mas… eu tenho que contar pro Mateus. Tenho que contar agora. Ele precisa saber.
— Ele tá aí embaixo — Cecília disse, e Melissa congelou.
— O QUÊ?!
— Gabriel trouxe a gente pra cá no desespero. Tá todo mundo aí. Mateus também.
— Meu Deus…
Melissa respirou fundo. Seu coração batia tão forte que ela podia ouvir.
Ela saiu do quarto tremendo, desceu as escadas devagar e, ao ver Mateus sentado no sofá, sentiu um nó na garganta.
— Mateus… — chamou.
Ele olhou para ela e percebeu a expressão preocupada.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa?
Ela mordeu os lábios, hesitante. Depois, respirou fundo e estendeu o teste digital para ele.
Mateus pegou o aparelho e leu.
Silêncio.
Ele piscou algumas vezes, como se não acreditasse no que estava vendo.
— Você… tá grávida?
Melissa assentiu, as lágrimas ainda nos olhos.
Mateus ficou imóvel por alguns segundos. Então, de repente, se levantou e saiu correndo pela casa.
— EU VOU SER PAI!
O grito ecoou pelos corredores.
— EU VOU SER PAI!!!
A reação pegou todos de surpresa. Melissa ainda estava digerindo tudo quando Mateus voltou, pegou seu rosto entre as mãos e sorriu.
— A gente vai ter um bebê!
Ela o encarou, incrédula.
— Você… você tá feliz?
— Feliz? MELISSA, EU NUNCA ESTIVE TÃO FELIZ NA MINHA VIDA!
E então, ele a abraçou forte, rodando-a no ar.
A confusão foi geral. As pessoas começaram a se aproximar, tentando entender o que estava acontecendo. Quando finalmente perceberam, o choque veio.
— O QUÊ?!
Gabriel, Sombra, Maria Flor, Dona Gabriela, todo mundo olhava para eles, boquiabertos.
— Melissa tá grávida? — Sombra perguntou, piscando.
Mateus, com um sorriso imenso, segurou a mão de Melissa e repetiu:
— A gente vai ter um bebê!
A notícia se espalhou como fogo pelos corredores da casa, e em questão de segundos, todos estavam reunidos na sala, absorvendo a revelação. O silêncio do choque durou apenas alguns instantes antes de se transformar em uma explosão de felicidade.
Manuela foi a primeira a reagir, levando as mãos ao rosto e deixando as lágrimas escorrerem. Com o coração acelerado, ela correu para abraçar Melissa, apertando-a com força contra o peito.
— Minha menina... Eu vou ser vó! — A voz dela saiu embargada, carregada de emoção.
Gael, ao lado, limpou os olhos rapidamente antes de cruzar os braços e encarar Matheus, tentando manter a postura séria.
— Moleque, você engravidou minha filha! — Ele apontou o dedo, mas não conseguiu segurar o sorriso e, no segundo seguinte, puxou Mateus para um abraço apertado.
Mateus, que ainda tentava processar tudo, finalmente soltou uma risada, passando as mãos pelo rosto como se tentasse se convencer de que aquilo era real. Então, de repente, ele gritou:
— EU VOU SER PAI!!!
A sala explodiu em gritos, risadas e palmas. Maria Flor e Sombra se aproximaram, emocionados, enquanto Dona Gabriela, com os olhos brilhando de alegria, levava as mãos ao peito.
— Meu Deus... Eu vou ter um bisneto! — Ela chorou, olhando para Héctor, que apenas sorriu e passou um braço ao redor dela, compartilhando o momento. — E, ao mesmo tempo, um neto... Porque eu criei esses meninos como filhos.
Ela puxou Mateus e Filipe para um abraço apertado, chorando junto com eles. O olhar de orgulho e carinho que tinha era indescritível.
Gabriel, que tinha ficado um pouco mais afastado, observava tudo com um pequeno sorriso no rosto. Ver a felicidade estampada na família o fazia sentir algo diferente, algo quente no peito. Então, quando Melissa se virou para ele, para Filipe, para Cecília, Allissa, Mariah todos ficaram curiosos.
Melissa limpou as lágrimas e sorriu.
— Eu só sei de uma coisa... Os padrinhos do meu filho já estão escolhidos.
Mateus a encarou, rindo.
— Como assim, já escolheu sem mim?
Ela ergueu as sobrancelhas, desafiadora.
— É claro que escolhi! Você vai aceitar de qualquer jeito.
Todos prenderam a respiração, esperando os nomes. Então, Melissa olhou diretamente para os seis escolhidos.
— Só sei que meu filho tera seis padrinhos...
Os olhares se cruzaram.
— Gabriel, Allissa, Filipe, Cecília, Mariah e WL.
A reação foi instantânea. Cecília deu um grito de empolgação e pulou no pescoço de Melissa.
Mariah com os olhos marejados vou contar pro WL ele vai amar a notícia sorriu de orelha a orelha, abraçando a irmã de lado.
Filipe apenas sorriu, tocando o ombro do irmão, enquanto Gabriel, mesmo sendo mais fechado, soltou uma risada baixa e balançou a cabeça.
— E eu nem tive escolha, né? — Ele brincou.
— Nenhuma. — Melissa respondeu, sorrindo.
Alissa, ao lado de Gabriel, não conteve as lágrimas.
— Ai meu Deus, essas foram as melhores coisas que aconteceram pra mim no Brasil...
As meninas choravam, emocionadas, enquanto Mateus olhava para Melissa com um brilho especial nos olhos. Ele se aproximou e segurou o rosto dela entre as mãos.
— A gente vai ser pais, amor.
— Sim... — Ela sussurrou, e então ele a beijou com ternura, selando aquele momento.
O resto da noite foi pura comemoração. Todos se abraçavam, trocavam palavras de carinho e faziam planos para o futuro. Naquele momento, não existiam preocupações, apenas felicidade. E, no fundo, Melissa sabia que, apesar dos desafios, ela nunca estaria sozinha.
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Atualizado até capítulo 70
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