Após o tumulto e a agitação da invasão, Felipe e Mateus haviam conseguido levar Gabriel e Lucas até o posto, e a tensão ainda estava no ar. O clima estava pesado, e todos sabiam que as coisas estavam longe de terminar. No entanto, a preocupação de todos era com a segurança das meninas, principalmente porque ainda havia inimigos à espreita.
Enquanto isso, dentro do cofre onde as meninas estavam escondidas, WL abriu a porta e se aproximou com expressão séria. Ele sabia que precisava ser rápido para tirar as meninas de lá, já que o local não era seguro por muito tempo. Ao abrir a porta, ele viu a preocupação estampada nos rostos delas. Mariah, Alissa e as outras estavam desesperadas, com os olhos fixos em WL.
— Vamos, meninas. É hora de sair. — WL disse, com uma voz baixa e controlada.
Ele olhou para Alssa, que ainda parecia abalada, e antes que ela perguntasse, ele respondeu com um tom firme.
— alissa O Gabriel. Ele tá em estado grave mateus e Felipe conseguiram levar ele é o Lucas pro postinho mas a situação dele não é boa. A bala quase atingiu o coração.
Alissa sentiu um nó na garganta, seu corpo tremia. As palavras dele ecoavam em sua mente, e a dor de saber que o homem com quem ela havia compartilhado tão pouco estava à beira da morte a atingia com força. O medo tomou conta dela novamente.
— Ele... ele vai sobreviver? — Alissa perguntou com a voz trêmula já chorando.
WL respirou fundo antes de responder.
— A gente não sabe. Os médicos vão ter que fazer uma cirurgia de emergência uma cirurgia de emergência. — WL disse, sem saber exatamente como suavizar a situação. — Alissa, ele é forte. Mas... ele precisa de você.
Alissa olhou para WL, os olhos cheios de lágrimas. Ela não conseguia se concentrar nas palavras dele. Só conseguia pensar no que poderia ter acontecido se ela tivesse sido mais rápida, se tivesse feito algo diferente. Ela não sabia como reagir a tudo aquilo, mas não queria perder Gabriel.
WL então começou a conduzir as meninas para fora do local, para garantir que estivessem em segurança. Mas antes de seguir, ele olhou para Alissa novamente e disse:
— Fica tranquila. Vamos cuidar de tudo. Ele não vai sair dessa sozinho, não com a gente por perto.
Enquanto WL e as meninas se afastavam,
Alissa sentiu o coração apertar ainda mais. Ela não conseguia se controlar, as lágrimas começaram a cair sem aviso. Seu corpo tremia, e ela não sabia o que fazer.
Mas, apesar de todo o desespero, ela sabia que precisava ser forte. Ela precisava encontrar uma maneira de ajudar, e não iria desistir de Gabriel. Não importava o que acontecesse, ela ia lutar por ele.
A Alissa estava apavorada, chorando sem parar, e sua mente girava em um turbilhão de pensamentos. Ela tinha corrido até o posto, onde todos estavam tentando acalmá-la, mas ela não conseguia se acalmar. Seu coração estava apertado, e a dor parecia consumir cada parte de seu corpo. Ela olhava para Gabriel, inconsciente, e repetia, com a voz embargada:
— Não faz isso, por favor! A gente nem se casou ainda, nem teve tempo de se conhecer direito! O que deu tempo de viver foi tão especial, Gabriel... Eu queria que a gente vivesse mais... Que a gente tivesse mais tempo...
Ela estava completamente desesperada, as lágrimas escorrendo sem parar, a angústia tomando conta de cada palavra. Maria Flor a abraçava, chorando junto com ela, tentando dar algum tipo de consolo.
— Ele é forte, Alissa. O Gabriel vai sair dessa. Você sabe que ele é forte. O Sombra já passou por coisas piores, e ele sempre superou. O Gabriel não vai ser diferente, ele vai voltar pra gente.
Enquanto isso, Lucas estava na sala ao lado, já sedado, o médico havia retirado a bala da sua perna, e ele estava em observação. Ele ainda estava em um estado delicado, mas pelo menos estava fora de perigo, ao contrário de Gabriel, que continuava inconsciente.
A situação se complicava mais a cada momento. A Cecília, com o coração apertado, ligou para família na Itália para dar a notícia à Fernanda. Quando ela soube, Fernanda chorou desesperada, mal conseguia acreditar no que estava acontecendo. O Gabriel nunca havia levado um tiro tão grave, sempre eram tiros superficiais, mas nunca algo tão sério. Ela sabia que esse era um momento crítico, e o medo de perder o irmão era indescritível.
Quando Valentina soube do tiro que Lucas havia levado, ela ficou arrasada. Apesar de não se conhecerem ainda de verdade, ela sentia que as coisas estavam tomando um rumo perigoso demais. Ela confiava em tudo o que Alissa falava sobre o lucas, agora, tudo estava desmoronando
O hospital estava em silêncio absoluto, apenas o som distante dos aparelhos e passos apressados ecoavam pelos corredores. Todos aguardavam ansiosos por notícias de Gabriel, que estava na sala de cirurgia. O médico surgiu, a expressão séria.
— Ele precisa urgentemente de uma transfusão de sangue. Ele perdeu muito e o tipo sanguíneo dele é raro.
Filipe se adiantou, decidido.
— O meu sangue é raro, eu posso doar. — Sua voz era firme, sem hesitação. — É o mínimo que posso fazer por ele, depois de tudo que ele já fez por mim, pelo Matheus e por todos nós.
Mas antes que ele pudesse dar mais um passo, Alissa entrou na frente, a expressão determinada.
— Eu vou doar. Ele é o meu noivo. — Sua voz saiu forte, inquestionável. — É o mínimo que posso fazer por ele.
Filipe a olhou por alguns segundos, percebendo que não adiantaria insistir.
O médico explicou que, antes de qualquer coisa, Alissa precisaria passar por exames para verificar a compatibilidade e garantir que estava em condições de doar.
— Eu sou saudável. Pode fazer os exames, agora. — Ela pressionou.
Os exames foram feitos com urgência, e o tempo parecia se arrastar enquanto todos esperavam. Depois de quarenta minutos, o médico retornou. Sua expressão não era animadora.
— Sinto muito, mas você não pode doar sangue.
A tensão no ar ficou palpável.
— O quê? Como assim? — Alissa sentiu o coração disparar.
— Não se preocupem. Eu vou doar. Gabriel vai ficar bem. — Filipe se adiantou rapidamente.
Mas Alissa mal o ouviu. Algo dentro dela gritava que havia algo errado.
— Doutor, por quê? Eu sou saudável.
O médico hesitou por um instante antes de soltar a bomba.
— Sim, você é saudável, mas no estado em que está, não pode doar sangue. O bebê precisa das proteínas e vitaminas do seu sangue para ser gerado. Se você doar, pode prejudicar a gestação.
O tempo parou.
— Bebê? — A voz de Alissa saiu quase sem som.
— Que bebê? — Cecília arregalou os olhos.
O médico sorriu levemente, como se tentasse suavizar o impacto.
— Está bem recente, não é? Você provavelmente ainda nem sentiu nada. Mas sim, você está grávida de três semanas.
O mundo de Alissa desabou.
O ar sumiu.
O coração batia tão rápido que parecia que ia explodir.
Ela sentiu o chão tremer sob seus pés.
Três semanas.
Ela estava no Brasil há apenas quatro semanas.
Mal havia chegado.
Mal havia começado a entender o país, a cultura, a vida com Gabriel.
E já estava grávida.
Sentiu as pernas fraquejarem. Mariah e Cecília seguraram seus braços quando ela quase caiu.
— Não… não pode ser. — O sussurro saiu trêmulo.
Flor levou as mãos à boca, surpresa.
— Meu Deus… eu vou ser avó.
Sombra soltou uma risada baixa, incrédulo.
— Eles nem casaram ainda e já estão me dando neto.
Melissa pulou animada.
— Amiga! Nós vamos parir juntas! Nossos filhos vão crescer juntos!
Mas Alissa não estava ouvindo.
O pânico começou a crescer dentro dela, uma onda esmagadora de medo e incerteza.
As vozes ao seu redor começaram a se tornar um zumbido distante.
As palavras se misturavam na sua mente.
Ela estava grávida.
Ela mal conhecia Gabriel.
E se ele não quisesse esse bebê?
E se ele começasse a odiá-la por isso?
O que sua família ia pensar? O que seus pais iam dizer?
Ela imaginava os sussurros…
"Mal chegou e já engravidou."
"Nem um mês direito e já está esperando um filho."
As pessoas iam julgar. Todos iam julgar.
Seu peito começou a subir e descer rapidamente.
— Não… não pode ser.
A voz dela falhou.
— Isso não podia estar acontecendo.
Sentiu o corpo tremer.
— Eu tenho dezoito anos. Eu não esperava isso. Eu não…
A respiração começou a falhar, curta e acelerada.
— E se o Gabriel não quiser? E se ele odiar essa notícia? Ele já me odeia por esse casamento, e se agora ele me odiar ainda mais?
— E se ele… se ele não acordar? — Sua voz quebrou, e as lágrimas finalmente escorreram. — Eu não posso criar um filho sozinha. Ele tem que estar aqui. Ele tem que sobreviver.
Flor a puxou para um abraço apertado.
— Vai dar tudo certo, filha. Você não está sozinha.
WL, que havia ficado em silêncio até então, se aproximou, a expressão séria, mas reconfortante.
— Alissa, o sonho do Gabriel sempre foi ser pai. Ele sempre quis isso. Ele vai sair dessa e vai ajudar você a criar esse neném. Ele vai ensinar esse bebê a ser uma das melhores pessoas do mundo.
Flor apertou os ombros dela.
— E se ele não quiser, eu juro que corto ele no couro. Ele fez, ele vai ter que cuidar. Mas eu te garanto, ele vai amar esse neném. Vai dar a vida por ele, se for preciso.
Sombra cruzou os braços e soltou um suspiro.
— E quanto à sua família… não se preocupe. Eles tinham medo de que vocês dois não dessem certo. Mas, pelo visto, deu certo até demais. Agora vocês vão construir uma vida juntos.
Filipe se aproximou, segurando as mãos dela com firmeza.
— Vai dar tudo certo. Eu vou doar o sangue pro Gabriel. Ele vai sair dessa. — Ele sorriu de leve. — E quer saber? Ele vai ficar feliz com essa notícia. Ele sempre falou que o sonho dele era ser pai, mas que nunca tinha encontrado a pessoa certa pra isso. E parece que encontrou.
Melissa a puxou para um abraço apertado.
— Eu sei que você está com medo, amiga. Gravidez não é fácil, ainda mais nova. Mas nós vamos passar por isso juntas. A diferença entre nossas gestações deve ser de um ou dois meses, no máximo. Vamos nos apoiar, independente de tudo.
Mariah colocou a mão no ombro dela.
— Nós estamos com você.
Cecília se aproximou, segurando sua mão.
— Eu nunca te abandonei e não vai ser agora que vou abandonar. Eu vou estar com você em tudo.
Elas se abraçaram.
O desespero ainda estava ali, ainda queimava dentro dela. Mas, pela primeira vez, Alissa começou a respirar um pouco melhor.
Ela ainda tinha medo da reação de sua família.
Mas se sentia acolhida ali.
A família de Gabriel estava com ela.
Eles iam apoiá-la.
Ela olhou para a porta da sala de cirurgia.
Mas Gabriel…
Ele precisava estar ali.
Ele precisava sobreviver.
Ela apertou as mãos contra o peito, segurando as lágrimas que ainda insistiam em cair.
— Você tem que ficar bem, Gabriel. Você precisa não por mim mais por esse bebê
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Atualizado até capítulo 70
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