O silêncio da manhã no morro foi quebrado pelo barulho dos rádios comunicadores e das motos subindo e descendo a viela. Gabriel estava sentado na varanda da casa onde ficava a boca, olhando a movimentação. O clima estava tenso, e todo mundo sabia o motivo. Havia rumores de que uma facção rival planejava invadir, e isso significava reforço na segurança e restrições para todos.
Dentro de casa, Alissa se espreguiçava na cama, sentindo o corpo ainda dolorido da noite que teve com Gabriel. Eles não falavam sobre isso, mas estava claro que alguma coisa tinha mudado entre eles. O jeito que ele olhava para ela, como se estivesse analisando cada reação, deixava sua mente inquieta.
— Cê tá muito pensativa — disse Cecília, sentando ao lado dela na cama.
— Só... pensando em tudo. No Gabriel, no Brasil, no morro. Tá tudo tão... complicado.
Cecília sorriu de lado. Ela também tinha muito em que pensar. Filipe a fazia sentir coisas que ela não queria admitir. Desde a noite que passaram juntos, um jogo silencioso se instalou entre eles. Eles se olhavam, mas fingiam que nada acontecia.
— Bem-vinda à vida no tráfico — Cecília brincou, rindo.
O barulho de vozes na sala chamou a atenção das duas. Mariah e Melissa estavam ali, conversando baixinho. Desde que chegaram ao morro, as quatro se aproximaram cada vez mais, e agora era impossível não considerar que estavam virando amigas.
Na Boca
— A gente precisa reforçar as entradas do morro — Lucas disse, olhando para Gabriel e Mateus. — Tão dizendo que os caras vão tentar subir de novo.
— Já mandei reforçarem as barreiras, mas isso tá virando rotina. Eles tentam, não conseguem e voltam a tentar — Gabriel respondeu, passando a mão no rosto.
Filipe encostou na parede, olhando para a viela que levava à parte alta da comunidade.
— E as meninas?
Lucas suspirou.
— Não podem sair. Se forem reconhecidas, fode tudo.
Entre as Meninas
— Isso significa que estamos presas? — Melissa perguntou, franzindo a testa.
— Por enquanto, sim — Mariah respondeu, jogando o cabelo para o lado. — Mas relaxa, logo tudo se resolve.
Alissa olhou para Cecília, compartilhando um olhar preocupado. A adaptação ao Brasil já era difícil, e agora, com essa tensão toda, ficava ainda pior.
— Vai dar tudo certo — Cecília disse, tentando convencê-las, mas, no fundo, tentando convencer a si mesma.
Enquanto isso, na varanda, Gabriel olhava Alissa de longe. Ele não sabia explicar, mas algo nela fazia com que ele se sentisse diferente. Mais calmo. Mas, ao mesmo tempo, mais nervoso. Ele não sabia lidar com sentimentos. Não sabia se deveria se apegar.
E Alissa? Ela queria entender Gabriel. Mas será que ele queria ser entendido?
A noite chegou no morro trazendo um clima carregado. A tensão das possíveis invasões fazia com que os soldados da boca redobrassem a atenção. Gabriel, Lucas e Tiago estavam na casa de segurança, discutindo as movimentações da noite.
— Os caras tão só esperando uma brecha — Filipe disse, encostado na parede, os braços cruzados.
— Então não vamos dar essa brecha — Lucas rebateu. — Quero todo mundo atento.
Gabriel ficou em silêncio, observando a rua pela janela. Algo nele parecia inquieto. Talvez fosse a noite anterior com Alissa, ou talvez o fato de que o perigo estava sempre à frente.
Enquanto isso, na casa onde estavam Alissa, Cecília, Melissa e Mariah, o clima era outro. As meninas estavam cada vez mais próximas. Melissa ria enquanto Mariah tentava ensinar Cecília a falar algumas gírias do morro.
— Pega a visão, Cecília — Mariah disse. — Se alguém falar que tá 'bolado', significa que tá irritado, entendeu?
— E se eu quiser dizer que estou irritada? — Cecília perguntou.
— Só fala que tá bolada.
— Mas eu não estou bolada
Melissa riu.
— Mas vai ficar se continuar perguntando.
O som de motos passando na rua fez Alissa se aproximar da janela. Seu olhar encontrou o de Gabriel, que estava indo em direção a uma das bocas. Ele não desviou o olhar. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Ela não sabia o que aquilo significava, mas sabia que era intenso.
Filipe dava ordens para alguns soldados da segurança da casa de Gabriel quando viu Cecília saindo de casa. O olhar dela encontrou o dele por um breve segundo antes de ela desviar, mas Filipe já sabia o que aquilo significava.
Eles estavam jogando um jogo perigoso.
Cecília não queria admitir, mas sentia algo forte por ele. Filipe? Bom, Filipe já tinha aceitado que estava na merda, mas seu orgulho não deixava demonstrar.
— Olha lá os dois durão fingindo que não se pegam — Lucas debochou, cutucando Filipe.
— Fica na tua, Lucas.
— Sei, sei…
Cecília passou por Filipe sem dizer nada, mas ele segurou seu braço de leve, fazendo-a parar.
— A gente precisa conversar.
— Não tem nada pra conversar, Filipe.
Mas ambos sabiam que isso era mentira.
já com WL e Mariah
WL vinha subindo o morro com calma, olhando para os lados. Ele sabia que encontrar Mariah era um risco, mas não conseguia evitar.
O problema?
Lucas também estava lá.
O olhar de Lucas se estreitou ao ver WL se aproximar de Mariah com aquela intimidade toda. Ele não precisou de muito para entender o que estava acontecendo.
— WL — Lucas chamou, cruzando os braços. — Quer me explicar por que diabos tá pegando minha prima e não me contou?
WL engoliu seco. Os olhares ao redor já estavam sobre ele.
— Não é bem assim, Lucas…
— Não? Então como é?
Mariah bufou, cruzando os braços.
— WL, ou você assume, ou eu mesma falo.
O silêncio pairou no ar. Então, finalmente, WL respirou fundo e soltou:
— Tá bom. É isso mesmo. Eu tô com a Mariah. E eu quero namorar com ela.
Lucas olhou para os caras ao redor e depois para Mariah.
— Tá esperando o quê, então? Pede direito.
WL revirou os olhos, mas virou-se para Mariah.
— Quer namorar comigo?
Ela sorriu de canto.
— Finalmente.
Lucas bateu no ombro de WL.
— Agora você tem responsabilidade, entendeu se mágoa minha prima vai tá no b.o?
WL suspirou.
— Entendi,parceiro relaxa aqui não tem moleque não
E assim, o segredo virou oficial.
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Atualizado até capítulo 70
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