no dia seguinte ao almoço:
O Morro do Alemão já viveu dias mais tranquilos. Os bailes foram cancelados, as saídas estavam restritas e o clima era pesado. O alerta de invasão pairava no ar como uma tempestade prestes a desabar, e ninguém sabia ao certo de onde viria o ataque. Lucas, Gabriel, Mateus e Felipe estavam ocupados, ocupados demais. Reuniões, estratégias, negociações... o tempo deles era gasto pensando em proteção, reforçando segurança e tentando antecipar os passos do inimigo.
Do outro lado dessa realidade, estavam elas. Alissa, Cecília, Melissa, Mariah que agora passavam mais tempo juntas do que nunca. Antes, tinham uma certa liberdade dentro do morro, mas agora tudo mudou. Nenhuma delas podia sair sem um esquema de segurança reforçado.
Naquela tarde, estavam todas no terraço da casa de Gabriel e Alissa. O sol queimava a pele morena de Melissa, que estava largada em uma espreguiçadeira, de óculos escuros. Mariah fazia as unhas enquanto Cecília folheava uma revista qualquer, tentando ignorar o desconforto de estar presa ali.
— Isso tá me irritando, sério — Cecília bufou, fechando a revista e jogando-a de lado. — Não que eu não goste de ficar com vocês, mas a sensação de estar presa me dá nos nervos.
— Fala isso pra mim, que já tava me acostumando a sair daqui sem ser seguida por um exército inteiro — Alissa resmungou, bebendo um gole de sua água gelada.
— E olha que nem começou o pior — Melissa comentou, sem tirar os óculos. — Se essa invasão realmente acontecer, vai ser um inferno.
O silêncio se instalou por um momento. Nenhuma delas queria imaginar essa possibilidade, mas era inevitável. A qualquer momento, poderia acontecer.
— Pelo menos temos algo bom no meio disso tudo, né? — Mariah sorriu, tentando aliviar o clima. — Vamos ser madrinhas!
A menção ao bebê trouxe um brilho diferente para o momento. Melissa, Cecília, Mariah e Alissa já estavam acostumadas com a ideia, mas ainda parecia surreal.
— Será que vai ser menina ou menino? — Mariah perguntou, passando o top coat na unha.
— Independente disso, a gente vai mimar muito essa criança, Cecília riu.
— Se deixar, sim. Mas não duvido nada de que o Mateus e o Gabriel vão querer criar esse bebê como um soldado do tráfico. — Melissa brincou, mas no fundo sabia que havia um pouco de verdade ali.
— Melhor não falar isso perto deles — Alissa alertou. — Ultimamente, qualquer coisa os deixa mais nervosos.
Elas sabiam disso. Desde que a Melissa descobriu sobre a gravidez, a preocupação dos homens só aumentou. Eles dobraram a segurança, reforçaram os pontos de vigilância e até mesmo mudaram algumas regras dentro do morro. Nada podia passar despercebido.
De repente, a porta do terraço se abriu com força. Gabriel apareceu, sem camisa, suado, com a expressão séria. Seus olhos passaram por todas elas antes de focarem diretamente em Alissa.
— Vem cá, preciso falar com você.
O tom dele não deixava espaço para discussão. Alissa se levantou de imediato, sentindo o olhar atento das meninas. Seguiu Gabriel até o corredor, onde ele encostou-se na parede e passou as mãos pelo rosto, visivelmente cansado.
— O que foi? — Allissa perguntou, preocupada.
— A situação piorou. — Ele suspirou. — Recebemos informações de que a invasão pode acontecer nos próximos dias. Não sabemos quando, não sabemos de onde... Mas tá cada vez mais perto.
Alissa sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— E o que isso significa pra gente?
Gabriel levantou o olhar para ela, os olhos escuros carregados de preocupação.
— Significa que vocês não podem sair daqui de jeito nenhum. Nem no portão, nem na quadra, nem na vendinha. Vocês vão ficar dentro de casa até a gente ter certeza do que vai acontecer.
Alissa franziu a testa, cruzando os braços.
— Gabriel, você sabe que isso é sufocante, né?
— Eu sei. Mas eu não vou arriscar sua vida. Nem a da Cecília, da Melissa, da Mariah, Agora não é só sobre vocês. Tem um bebê no meio disso tudo.
Ela respirou fundo. No fundo, sabia que ele tinha razão.
— Ok. Vamos fazer do jeito que você quer.
Gabriel a observou por um instante antes de assentir. Ele se inclinou, encostando a testa na dela por um momento, num gesto rápido e silencioso.
— Só fica bem. Eu volto mais tarde.
E então, ele se afastou, descendo as escadas com passos apressados.
Allissa voltou para o terraço, onde todas estavam esperando ansiosas.
— E aí? — Melissa foi a primeira a perguntar.
Allissa suspirou.
— A gente tá oficialmente presas.
O clima leve da tarde desapareceu no mesmo instante.
A guerra estava cada vez mais perto.
E elas sabiam que, quando começasse, nada mais seria como antes.
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Atualizado até capítulo 70
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