A manhã da audiência chegou, e Isadora acordou com um nó no estômago. O dia estava claro, mas a ansiedade a envolvia como uma neblina densa. Ela se levantou da cama, tentando reunir coragem para o que estava por vir. Olhou-se no espelho e viu uma mulher determinada, mas também assustada. Era um momento decisivo em sua vida.
Ana estava ao seu lado, ajudando-a a se preparar. Elas escolheram um vestido simples, mas elegante, que refletia a nova fase de Isadora. Enquanto se arrumava, Ana a encorajava.
— Lembre-se de que você está fazendo isso por você. Você merece ser ouvida e protegida — disse Ana, ajustando o cabelo de Isadora.
Isadora respirou fundo e assentiu. Sabia que precisava ser forte, não apenas por si mesma, mas também para mostrar a Henrique que suas ações tinham consequências.
Ao chegarem ao tribunal, o ambiente era intimidante. O hall de entrada estava cheio de pessoas esperando por suas audiências, e o som dos sapatos ecoava pelo piso de mármore. Isadora sentiu seu coração acelerar enquanto caminhavam em direção à sala onde ocorreria sua audiência.
— Estou aqui com você — disse Ana, segurando a mão de Isadora enquanto entravam na sala.
O juiz já estava sentado à mesa, e a atmosfera era tensa. Isadora se sentou na cadeira destinada à requerente e olhou ao redor. Henrique ainda não havia chegado, mas ela sabia que ele estaria ali em breve.
Quando finalmente viu Henrique entrar na sala, seu coração disparou. Ele estava vestido com um terno escuro e tinha uma expressão séria no rosto. Os olhos dele encontraram os de Isadora por um breve momento, e ela sentiu um frio na barriga. Era como se todo o ar tivesse sido sugado da sala.
O advogado de Isadora começou a apresentar o caso ao juiz, explicando as razões pelas quais ela estava solicitando a ordem de proteção. Ele falou sobre o controle excessivo de Henrique, as ameaças implícitas e o impacto emocional que isso teve na vida de Isadora.
Enquanto ouvia as palavras do advogado, Isadora sentiu uma onda de emoções a invadir. Era difícil lembrar de tudo o que havia passado; as memórias eram dolorosas e confusas. Mas ao mesmo tempo, havia uma sensação crescente de empoderamento ao ver sua história sendo contada.
Henrique foi chamado para se defender. Ele levantou-se e começou a falar com um tom controlado, mas havia uma tensão em sua voz que não passava despercebida.
— Eu me preocupo com Isadora — começou ele. — Ela está passando por um momento difícil e eu só quero ajudá-la. Não estou tentando controlá-la; estou apenas tentando proteger nossa família.
Isadora sentiu raiva ao ouvir aquelas palavras. Ele ainda tentava manipulá-la mesmo naquele ambiente formal! A lembrança das tentativas dele de controlar sua vida voltou à tona com força total.
O juiz ouviu atentamente enquanto Henrique continuava sua defesa, mas Isadora percebeu que ele estava mais preocupado em manter sua imagem do que em realmente entender o sofrimento dela.
Quando chegou a vez de Isadora falar, ela se levantou com as mãos trêmulas. Olhou para o juiz e depois para Henrique, respirando fundo para reunir coragem.
— Sua Excelência — começou ela, sua voz firme apesar do nervosismo — eu não estou aqui para atacar Henrique ou destruir nossa relação. Estou aqui porque preciso proteger minha vida e minha liberdade.
Ela fez uma pausa para olhar nos olhos do juiz antes de continuar.
— Durante nosso casamento, eu perdi minha identidade. Eu não era mais eu mesma; era apenas uma extensão do que Henrique queria que eu fosse. Eu não posso viver assim — disse Isadora com sinceridade.
Henrique parecia surpreso com suas palavras, mas logo recuperou a compostura. A tensão na sala era palpável enquanto todos aguardavam a continuação da declaração dela.
— Eu não me sinto segura perto dele — continuou Isadora, apontando para Henrique. — Ele me fez sentir como se minhas escolhas não importassem e como se eu estivesse presa em uma vida que não escolhi. E quando tentei sair dessa situação, ele veio até mim implorando para voltar! Eu preciso de proteção porque não sei como ele reagirá agora que estou aqui pedindo essa ordem — finalizou com firmeza.
O juiz fez anotações enquanto ouvia atentamente cada palavra dela. Quando Isadora terminou seu depoimento, sentiu-se aliviada por ter conseguido expressar seus sentimentos abertamente diante do juiz e da audiência.
Após ouvir os argumentos das duas partes, o juiz pediu um breve intervalo antes de tomar sua decisão final sobre a ordem de proteção.
Durante o intervalo, Isadora saiu da sala para respirar um pouco. Ana estava ao seu lado, oferecendo apoio silencioso enquanto caminhavam pelo corredor do tribunal.
— Você foi incrível! Estou tão orgulhosa de você! — disse Ana com entusiasmo genuíno.
Isadora sorriu levemente, mas o nervosismo ainda persistia em seu coração. O que aconteceria quando voltassem à sala? E qual seria a decisão do juiz?
Após alguns minutos que pareceram horas, elas foram chamadas de volta à sala do tribunal. O juiz estava sentado em sua cadeira novamente e olhou para os presentes com seriedade.
— Após ouvir os depoimentos apresentados hoje e considerando as circunstâncias descritas pela requerente — disse o juiz — decido conceder a ordem de proteção temporária contra o Sr. Alencar.
Aquelas palavras ressoaram como música aos ouvidos de Isadora. Uma onda de alívio tomou conta dela enquanto lágrimas brotavam em seus olhos. Era um passo significativo em direção à liberdade que tanto desejava!
Henrique ficou pálido ao ouvir a decisão do juiz; sua expressão passou da raiva para desespero instantaneamente.
— Você não pode fazer isso! Isso é absurdo! — gritou ele, sua voz ecoando pela sala enquanto tentava protestar contra a decisão.
O juiz bateu com o martelo firmemente.
— Silêncio na corte! Esta ordem é válida até nova deliberação judicial e deve ser respeitada por ambas as partes — declarou o juiz com firmeza.
Enquanto Henrique protestava contra a decisão do juiz, Isadora sentiu uma mistura de emoções: alívio por ter conseguido proteção legal e tristeza pela relação quebrada entre eles.
Ana segurou a mão dela enquanto saíam da sala do tribunal juntas.
— Você conseguiu! Agora você tem proteção legal! — disse Ana animada enquanto caminhavam pelo corredor.
Isadora sorriu através das lágrimas enquanto sentia uma nova esperança brotar dentro dela. Era um novo começo; ela finalmente tinha as ferramentas necessárias para construir sua vida novamente sem medo ou controle sobre ela.
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Atualizado até capítulo 27
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