A Tempestade Se Aproxima.

A atmosfera na mansão dos Alencar estava tensa. Isadora sentia o peso das expectativas de Henrique sobre seus ombros, e cada dia se tornava uma luta para manter sua própria identidade em meio à pressão de ser a esposa perfeita. A reunião que Henrique mencionara na noite anterior era um evento importante, e ela sabia que deveria se comportar de acordo com as normas sociais que ele impunha.

Naquela manhã, enquanto se preparava para o evento, Isadora olhou-se no espelho. O vestido que escolhera era deslumbrante, um tom de vermelho intenso que acentuava suas curvas e fazia com que ela se sentisse bonita, mesmo que por um breve momento. Mas, ao mesmo tempo, a imagem refletida não parecia ser dela; era como se estivesse vestida para uma peça de teatro, desempenhando um papel que não desejava.

— Isadora! — gritou Helena, sua mãe, do andar de baixo. — Você está atrasada! Precisamos ir!

Isadora respirou fundo e saiu do quarto, tentando esconder a ansiedade que a consumia. Ao descer as escadas, encontrou Henrique já esperando na sala de estar. Ele estava impecavelmente vestido em um terno escuro, seu olhar sério e autoritário.

— Você está linda — disse ele, mas a maneira como olhou para ela deixou claro que sua beleza era apenas uma extensão da imagem que ele queria projetar.

— Obrigada — respondeu Isadora com um sorriso forçado.

Durante o trajeto até o local da reunião, a tensão entre eles era palpável. Henrique dirigia com firmeza, e Isadora olhava pela janela, observando as ruas passarem rapidamente. Seu coração batia acelerado ao pensar em Rafael e na conexão que haviam formado. Era uma distração bem-vinda em meio ao caos de sua vida.

Ao chegarem ao evento, Isadora foi imediatamente cercada por convidados. Ela sorriu e cumprimentou todos com educação, mas a sensação de estar sendo observada como um objeto em exibição a incomodava. Henrique estava sempre ao seu lado, controlando cada movimento dela com um olhar atento.

A reunião começou e logo se transformou em uma apresentação formal sobre os novos projetos de Henrique. Enquanto ele falava com confiança para os investidores e parceiros de negócios, Isadora se sentiu cada vez mais invisível. A sala estava cheia de homens e mulheres discutindo cifras e planos ambiciosos, enquanto ela se perguntava como havia chegado ali.

Quando finalmente teve um momento sozinha, decidiu sair para respirar um pouco de ar fresco no terraço do local. O céu estava limpo e estrelado, mas a brisa suave não conseguia dissipar a nuvem de ansiedade que pairava sobre ela.

De repente, ouviu passos atrás de si e virou-se para encontrar Rafael. Ele estava ali, com um sorriso acolhedor que iluminou seu coração.

— Oi! — disse ele. — Eu te procurei durante a apresentação. Estava pensando em você.

Isadora sentiu um calor subir pelo rosto ao ouvir aquelas palavras.

— Eu precisava de um momento para mim mesma — confessou ela. — É difícil ficar aqui às vezes.

Rafael se aproximou mais e apoiou as mãos na grade do terraço.

— Eu entendo. Às vezes parece que todos estão esperando algo de você — ele disse com empatia. — Mas você não precisa ser perfeita o tempo todo.

As palavras dele ressoaram profundamente dentro dela. Era exatamente isso que ela precisava ouvir: a permissão para ser vulnerável e verdadeira.

— Obrigada por estar aqui — respondeu Isadora sinceramente. — Você não sabe como isso significa para mim.

Os dois conversaram por alguns minutos sobre suas vidas antes do casamento arranjado de Isadora e sobre os sonhos que ainda tinham. Rafael compartilhava histórias engraçadas sobre sua infância e as travessuras que cometia com Henrique, fazendo Isadora rir genuinamente pela primeira vez em semanas.

No entanto, a alegria foi interrompida quando Henrique apareceu no terraço com uma expressão fechada.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou ele com uma voz cortante.

Isadora sentiu seu coração disparar ao ver o olhar possessivo do marido fixo em Rafael. Ela sabia que aquele momento poderia acabar mal.

— Estávamos apenas conversando — disse Rafael rapidamente, tentando aliviar a tensão.

Henrique não parecia satisfeito com a resposta. Ele se aproximou mais de Isadora e segurou seu braço com firmeza.

— Precisamos voltar para dentro — ordenou ele, seu tom deixando claro que não aceitava contestação.

Isadora olhou para Rafael em busca de apoio silencioso, mas ele apenas assentiu levemente, sabendo que era melhor não provocar mais a ira do irmão mais velho naquele momento.

Enquanto caminhavam juntos de volta para o salão principal, Isadora sentiu-se dividida entre dois mundos: o peso das obrigações matrimoniais e a liberdade recém-descoberta que Rafael representava. A tempestade emocional dentro dela começava a crescer à medida que as tensões aumentavam entre os três.

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