Os dias se arrastavam como sombras longas e pesadas na mansão dos Alencar. Isadora acordava todas as manhãs com a sensação de que estava vivendo um pesadelo do qual não conseguia acordar. O sol brilhava lá fora, mas dentro dela, tudo parecia escuro e opressivo. Henrique, por sua vez, estava sempre ocupado com seus negócios, deixando-a sozinha com seus pensamentos e inseguranças.
Naquela manhã, Isadora decidiu que precisava de um momento para si mesma. Após o café da manhã, onde as conversas eram limitadas a perguntas sobre a agenda social do dia, ela escapuliu para o jardim da mansão. O espaço era vasto e exuberante, repleto de flores coloridas e árvores frondosas que pareciam sussurrar segredos de liberdade. Mas mesmo ali, cercada pela beleza da natureza, Isadora não conseguia encontrar paz.
Enquanto caminhava entre as flores, lembrou-se de sua infância, dos sonhos de amor e liberdade que sempre alimentou. A lembrança de correr pelo campo com seu irmão mais novo, Miguel, trouxe um sorriso ao seu rosto. Ele sempre a encorajava a lutar por seus desejos e a não se deixar levar pelas convenções sociais.
— Isadora! — chamou uma voz familiar. Era Henrique, que aparecera de repente, interrompendo seus pensamentos. — O que você está fazendo aqui sozinha?
Ela hesitou antes de responder. A última coisa que queria era desagradar o marido, mas a verdade é que precisava de um momento longe dele.
— Apenas... admirando o jardim — disse ela, tentando soar despreocupada.
Henrique se aproximou e olhou ao redor com desdém.
— Você deveria estar se preparando para o evento de hoje à noite. É importante para a nossa imagem — ele disse, sua voz carregada de autoridade.
Isadora sentiu um frio na barriga. O evento era uma gala beneficente que ele organizara para impressionar os investidores. Ela sabia que teria que usar um vestido deslumbrante e ser o centro das atenções, mas a ideia a apavorava.
— Eu... eu não sei se estou pronta para isso — murmurou.
Henrique franziu a testa, seu olhar tornando-se severo.
— Não é uma opção, Isadora. Você precisa aprender a ser uma esposa adequada — ele respondeu, sua voz cortante como vidro.
As palavras dele ecoaram em sua mente enquanto ela se preparava para a gala mais tarde naquele dia. O vestido era magnífico, feito sob medida em um tom profundo de azul que realçava seus olhos. Mas mesmo assim, Isadora se sentia como uma marionete vestida para o espetáculo da vida.
Durante a gala, ela sorriu e cumprimentou os convidados como um robô programado. Henrique estava ao seu lado, sempre atento a cada movimento dela. A cada elogio que recebia sobre sua aparência, Isadora sentia um nó se formar em seu estômago. As pessoas elogiavam o casal perfeito que eles pareciam ser, mas por dentro ela se sentia vazia e triste.
No meio da festa, enquanto serviam champanhe e canapés em uma sala adornada com flores brancas e douradas, Isadora avistou um homem à distância. Ele estava conversando animadamente com alguns convidados e seu sorriso era contagiante. Era Rafael, o irmão mais novo de Henrique, alguém sobre quem ouvira falar mas nunca conhecera pessoalmente.
Rafael tinha uma presença calorosa e carismática que contrastava com a frieza do irmão. Quando seus olhares se cruzaram por um breve momento, Isadora sentiu algo diferente — uma conexão inexplicável que a fez sorrir involuntariamente.
Henrique percebeu o olhar dela e imediatamente se aproximou.
— O que você está olhando? — perguntou ele com um tom possessivo.
Isadora desviou o olhar rapidamente.
— Apenas... admirando os convidados — respondeu ela sem convicção.
A noite continuou com risos forçados e conversas superficiais até que finalmente chegou ao fim. Ao voltar para casa naquela noite, Isadora sentiu-se exausta não apenas fisicamente, mas emocionalmente também. A pressão estava se acumulando como uma tempestade prestes a explodir.
Quando finalmente se acomodou em sua cama luxuosa, olhou para o teto decorado e suspirou profundamente. A imagem de Rafael ainda dançava em sua mente como uma luz em meio à escuridão que a cercava. Ela sabia que precisava encontrar uma saída daquela vida sufocante antes que fosse tarde demais.
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Atualizado até capítulo 27
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